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The Police - O Rescaldo

por jonasnuts, em 27.09.07
Deixei passar um tempinho, de propósito. Para ver o feeling com que saí do concerto se mantinha, ou se mudava alguma coisa. Manteve-se.

Contextualização.
Gosto muito de The Police.
Foi, provavelmente, a banda da minha adolescência. Foi a primeira banda minha por direito próprio. Não foi uma banda que tenha herdado dos meus pais.  Lá em casa ouvia-se muita música. Os meus pais eram uns modernaços, e as bandas de que os meus colegas ouviam falar na rádio, eu já conhecia, de casa. Os incontornáveis Beatles, obviamente, mas também Doors, Pink Floyd, Camel, Kate Bush, Cat Stevens, Deep Purple e muitos, muitos mais (incluindo os francófonos de que a minha mãe tanto gostava).

Os The Police entraram lá em casa pela minha mão (e por lá ficaram, que os meus ricos LPs não conseguiram sair de lá).

Se os pudesse ter visto quando vieram cá nos anos 80, teria sido o delírio. Mas não foi, que nessa idade eu não tinha autorização para ir a concertos.

Fui agora. Sabia que não ia ser a mesma coisa. Eu estou diferente, e eles também.

Na verdade acho que eles se juntaram por motivos muito mais capitalistas do que artísticos. Estavam a precisar de dinheiro, e aproveitavam o esquema para ver se conseguiam fazer ressurgir a bolha criativa que viveram na altura, e que já rebentou há muito, muito tempo (era eu uma criança?).

Cumpriram q.b.
A verdade é que foram competentes. Mas faltou-lhes gás. Não têm a mística de outros tempos. Um teledisco (desculpem lá mas é assim que eu lhes chamo) dos The Police, transmitia mais emoção do que a que senti no concerto. Sim, bem sei, eu estava na bancada Vip que é sempre um tur-off nestas coisas, mas não senti nenhuma vibração. Meteram a chave na ignição, arrancaram e lá foram, seguindo o percurso previsto até ao final. Nunca excederam os limites da velocidade, não transgrediram, não aceleraram e, é verdade, também não reduziram. Foram assim, em jeito de "deixa lá despachar mais um", até ao fim. O facto do Sting ter dito umas palavras num português ranhoso não fizeram a diferença. Já lá vai o tempo em que isso não era moda.

A voz do Sting já não vai onde ia dantes e o único que me pareceu mais vagamente parecido com o antigamente foi o Copeland.

Voltava a ir? Sim, mas apenas porque foi a última oportunidade de ver ao vivo uma banda que fez (e faz) parte da minha vida. A não ser que eles aprendam a lição dos Rolling Stones, e façam outra última tournée, para o ano.

Não aqueceu, nem arrefeceu, e até cheirou um bocadinho a mofo.

Assim é que devia ter sido:


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