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GATAfunho

por jonasnuts, em 17.04.16

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Não é de agora, este meu amor/ódio pelas livrarias. Estou fartinha de escrever sobre livros, livrarias, editores, insucessos (muitos) sucessos (poucos), a indústria, a feira do livro, formas de ler, e o diabo a quatro. Caramba, até já fui convidada por mais do que uma vez, para escrever livros. (tudo auto-links).

 

Percebi que muito do que escrevo (e que reli, quando andei à procura destes links) tem a ver com duas coisas diferentes. A minha irritação e frustração com os editores e livreiros, por um lado, e por outro, o facto de querer muito que o puto ganhe gosto pela leitura.

 

A segunda tem tido prioridade sobre a primeira. É mais importante para mim que o puto goste de ler do que a frustração que sinto, quando, para preencher a primeira, dou com os burros na água na segunda.

 

O puto cresceu, e já entrou numa idade em que os temas de que gosta se aproximam mais das coisas que eu conheço. Por isso, há já algum tempo que andava à procura de um livro específico. Que tive, em tempos, mas que, por tanto o ler e por tanto o emprestar (e por tantas mudanças que fiz), ficou todo despencado e perdeu páginas e se tornou ilegível. Wilt, do Tom Sharpe.

 

São muitos os livros que já me fizeram chorar, mas são muito poucos os livros que me fizeram chorar, de tanto rir. O Wilt é um desses livros (bem como muitos outros, do mesmo autor). Decidi que era capaz de ser uma boa, o puto ler Tom Sharpe, agora que já tem idade.

 

E já ando há quase um ano, à procura do Wilt. Na grande maioria das livrarias onde tenho entrado, nem sequer conhecem o livro, quanto mais tê-lo.

 

Mas sou teimosa. Por isso, mais uma vez, deitei para trás das costas a tal frustração e ontem, entrei numa livraria. Local, claro, que das grandes já desisti de forma definitiva. Pelo aspecto, parecia ser diferente. Não engana, o aspecto. Quem mora na linha de Cascais (Oeiras e redondezas) e goste de livros não pode deixar de visitar.

 

Entrei na GATAfunho

 

Duas mulheres, ao balcão. Uma jovem, outra menos jovem. 

 

Digo ao que vou, Wilt, do Tom Sharpe.

 

Ambas as caras se iluminam, em simultâneo, com um sorriso. Conhecem bem, têm, e o respectivamente pai e marido foi o editor do livro há uns anos. A mais nova, a Inês, vai direitinha ao sítio onde está o Wilt e outros títulos do mesmo autor. Não preciso dos outros, que os tenho a todos.

 

Compro logo.

 

Explico a razão de ser da compra, recomenda-me na hora outro autor, de que o puto também poderá gostar. Roald Dahl. Short stories. Mas só em inglês. Não é problema, explico. Traz-me também estes dois. E fala dos livros, e do autor, e ri-se. Ri-se muito. Trago ambos.

 

Mais conversa, e internet, e facebook e twitter e o concurso da APEL (por quem tenho, explico, particular ódio de estimação, e cópia privada e coiso), e dizem-me que está a decorrer um concurso, promovido pela tal da APEL, para melhor livraria, onde não constam as pequenas livrarias. Mas que se pode votar na mesma. "Mesmo que não vote em nós, vote numa pequenina, para ver se não ganham os do costume."

 

E pronto..... por tudo isto,  tornei-me, em 15 minutos, cliente fiel da GATAfunho. Adoro pessoas que gostam de livros e que falam de livros com um entusiasmo genuíno. E gosto de pessoas com mau-feitio. E gosto dos outsiders. E dos underdogs, embora, no caso, se aplique mais os stray cats.

 

Já votei na GATAfunho, claro. Quem quiser fazer o mesmo, votando na GATAfunho ou em qualquer outra livraria pequenina, porque não são tratadas em igualdade de circunstâncias com as grandes, por uma associação que deveria representar todas, basta ir aqui. A probabilidade de não verem a vossa livraria na lista é grande. A GATAfunho não está lá, mas isso não impede de votar. Basta escolher «Lisboa» (para quem for de Lisboa, claro), «D-I» e finalmente a opção OUTRA, QUAL?  GATAfunho.

 

Estou numa de fazer campanha, apesar de ser uma coisa da APEL, e da probabilidade de serem sinceros e honestos com os resultados ser pouca ou nenhuma. A coisa não é pública, portanto, no fundo, ganha quem eles quiserem que ganhe. Basta anunciar o vencedor, e ninguém tem forma de saber se quem eles anunciaram foi de facto quem recolheu mais votos. 

 

Que se lixe.

 

VOTA GATAfunho!

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Pontaria

por jonasnuts, em 13.11.14

Está provado. Tenho pontaria certeira.

 

Então, depois de finalmente conseguir encontrar o Fahrenheit 451 (auto-link), o puto já o despachou, evidentemente.

 

Ainda ele estava a começar, já eu estava à procura do próximo da lista. A Fundação, do Isaac Asimov.

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Não é só um livro, são pelo menos 7. Sempre me daria algum descanso enquanto o puto lia a coisa.

 

Eu não sou esquisita. A única coisa que preciso é que seja em português de Portugal. Não ando à procura da edição xpto três vezes nove vinte e sete, noves fora nada, vintage, autografada.

 

Não há. Nem em livrarias físicas, nem online, nem em alfarrabistas (online) nem no OLX nem no Custo Justo, nem no raio que os parta.

 

Jonas, dizem-me vocês, tu és uma esquisitinha que só queres coisas que não lembram nem à cabeça de um tinhoso. Epá, pois, é possível. Mas o Asimov não é assim um desconhecido tão grande. Usando um argumento muito relevante nos dias que correm, já viu a sua obra adaptada ao cinema por mais do que uma vez. 

 

Mais, no Brasil, parece que a coisa é até pujante. Há edições com menos de 5 anos. E à venda. Sem estarem esgotadas há anos.

 

O que é que me vai safar, desta vez? Um amigo que vai à arrecadação buscar um caixote e olhar lá para dentro, para ver se descobre as coisas e o facto de já ter feito o pedido do cartão da biblioteca.

 

E link para o pdf ou para o mobi, Jonas, encontraste? Sim, com relativa facilidade (embora apenas para versão de português do Brasil que para este caso não me interessa).

 

Ai, mas o negócio dos livros está muito mau, as pessoas não compram, coitadinhas das editoras, que não conseguem sobreviver, e tudo por causa das fotocópias, e temos todos de fazer um esforço, para que a cultura não morra. Porque se não salvarmos as editoras, e os autores, e os intermediários, estamos todos perdidos.

Olhem, senhores. Trabalhem mazé. Não é normal, eu passar a vida a querer comprar livros que vocês não têm para vender. Mas depois queixarem-se da falta de vendas. Claramente, andam a tentar vender as coisas erradas.


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Caras Editoras portuguesas

por jonasnuts, em 04.11.14

Ou eu tenho uma pontaria desgraçada, ou estou coberta de razão e vocês não sabem o que andam a fazer.

 

O tema não é novo, e estou farta de vos chamar a atenção para a coisa. Mas não me ouvem. 

 

Eu e os livros somos grandes amigos. Leio que me desunho (e já li mais). E gostava que o meu filho lesse mais, em português (que o puto lê muito, mas é em inglês). E então toca de começar à procura de coisas que lhe possam interessar. Muitos tenho na minha biblioteca, outros não. O kindle, para livros em português é para esquecer porque não há à venda. Façamos marcha atrás e regressemos ao papel.

 

O puto gostou do 1984, do Orwell. Vamos lá ao Farenheit 451 do Bradbury. Ora o Bradbury não é um desconhecido, muito pelo contrário. E o Farenheit 451, imagine-se, até deu um filme

 

Comecei pela Wook. Há. Mas em espanhol. Ok, vamos às livrarias físicas. Aqui à volta do meu trabalho há 3 livrarias. Duas grandes uma pequena. Nada. Fui a, pelo menos, 10 livrarias diferentes. Nada. Por descargo de consciência, até fui ver à Fnac (onde deixei de comprar fosse o que fosse). Nada. E reparem..... nas pesquisas que fiz online, foi muito fácil encontrar links para o livro, em pdf, em português de Portugal. Nenhum dos links me vendia o livro, era só fazer o download e está a andar. Mas eu sou teimosa.

 

Acabei por conseguir comprar o livro por €3 + portes (ficou-me em seis euros e qualquer coisa, paguei mais pelos portes do que pelo livro), a uma particular, no OLX. Encomendei num dia, chegou no dia seguinte.

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Agora eu pergunto, caras editoras portuguesas. Vocês queixam-se de que não têm clientes, e que estão a perder vendas, e que assim não conseguem subsistir. E apoiam a criação de taxas sobre dispositivos de storage, por via das cópias privadas que são feitas das obras que vocês vendem. E eu pergunto...... que obras são essas? É que já não é a primeira (auto-link), nem a segunda (auto-link), nem a terceira (auto-link) vez que eu tento comprar um livro, e apenas o consigo fazer com MUITA dificuldade. E só porque sou realmente teimosa. 

 

Alternativamente, já tive oportunidade de explicar como é que a coisa se faz (auto-link). 

 

Mas vocês não querem saber, pois não? Ou melhor, estão fartos de saber, mas não vos interessa. Porque dá trabalho. É muito mais fácil não fazer pela vidinha, e esperar que vos caia nos bolsos os dinheiros provenientes de taxas cobradas sobre indústrias alheias.

 

Não contem comigo. 

 

 

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Sei que és uma editora de livros em papel. Sei porque sou curiosa e atenta e até leio bastante (embora seja raro comprar livros em papel, nos dias que correm).

 

E escrevo-te esta missiva porque sei que o teu negócio está em crise, e que as editoras se queixam da queda das vendas, e da falta de leitores, e da falta de quem lhes compre livros.

 

Confesso que não sei se estás neste pacote, das editoras queixosas, mas presumo que sim.

 

E vem esta conversa a propósito de quê? Perguntarás (ou não).

 

Vem a propósito do último livro do João Magueijo. Bifes (ainda por cima) mal passados. O rapaz tem 3 livros publicados. O primeiro, e mais conhecido, é aquela coisa da velocidade variável da luz. Foi o que lhe trouxe alguma notoriedade na nossa comunicação social, aqui há uns anos. Não li. Pareceu-me ser demasiada areia para a minha camioneta de pouco amante da física, característica que me persegue desde que a Setoura Carepa entrou na minha vida, no 8º ano.

 

Tem um segundo livro, sobre o Majorana. Esse li e gostei.

 

Não é portanto de estranhar que, tendo visto um terceiro livro do rapaz em exposição na Fnac, eu me tenha aproximado, para aprofundar. Na contracapa li o resumo, que por sinal vocês têm disponível online:

"...João Magueijo é um estudioso do Cosmos, tendo sido um dos pioneiros da teoria da velocidade da luz variável. Está radicado no Reino Unido há mais de vinte anos, sendo actualmente Professor Catedrático no Imperial College, em Londres. Nas duas ocasiões em que foi à pesca apanhou um salmonete e uma piranha (um facto real, mas a melhor comédia é a que se passou mesmo, como mostra neste livro). Os seus livros Mais Rápido Que a Luz e O Grande Inquisidor estão publicados em Portugal pela Gradiva. "

 

E é aqui que a porca torce o rabo. Ora eu, que estou longe de ser especialista, sei que a teoria do João Magueijo é sobre a velocidade variável da luz, e vocês dizem que o rapaz é um pioneiro na teoria da velocidade da luz variável.

 

Das duas uma, ou vocês não conhecem o trabalho do autor que publicam, ou não sabem a diferença entre velocidade variável da luz e velocidade da luz variável. Ou ambas as duas. 

 

Em qualquer um dos casos, é grave.

 

Não comprei o livro (não compraria na Fnac, mas compraria noutro sítio).

 

Assim sendo, podem adicionar-me à coluna dos "deixaram de comprar livros". E a responsabilidade é toda vossa.

Ai Jonas, és uma fundamentalista, e por causa de um detalhe menor cais logo em cima dos desgraçados da Gradiva. Deixa lá isso e compra o livro do rapaz, que tu até queres ler, e não sejas radical. (sim, mãe). 

Pois que não. Se num detalhe tão básico e insignificante falham de forma tão clamorosa, o que é que me garante que não falhem noutras coisas mais importantes? Nada.

 

E numa side note, com o seu quê de cómico, adoro a descrição técnica da capa, disponível no site da Gradiva:

 

 

A sério? Não encontram outra forma de descrever um livro de capa mole? Tinha mesmo de ser brochado? Por mais que seja esse o nome técnico adoptado pela indústria a que pertencem, para as pessoas normais, brochado não é sinal de capa mole. 

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Caras editoras portuguesas,

por jonasnuts, em 21.10.13

Assim, não há quem vos safe. Uma pessoa tenta ser vossa cliente. Mas vocês são sistematicamente mais caros, mais demorados, menos diversificados na oferta. Assim, não se safam. Eu bem tento....

 

Por via do workshop de bordados, fui à procura de um livro. Dicionário de Pontos, da Lucinda Ganderton. Por causa das minhas experiências de aprendizagem do tricot em inglês, vejo-me aflita, para ler instruções em português, e ainda não consigo perceber qual é a liga, qual é a meia. Mas sei distinguir o knit do purl. Enfim, não queria cometer o mesmo erro com os bordados, e se já proliferam nomes em português (muitos nomes diferentes para o mesmo ponto, dependendo da região), metendo o inglês ao barulho, seria meio caminho andado para eu ficar ainda mais baralhada.

 

Nem me passa pela cabeça visitar livrarias não virtuais...... a atenção que dedicam a esta temática é tanta, que normalmente não têm mais do que meia dúzia de livros vagamente relacionados e estão paredes meias com uma profusão de reikis e velas oníricas, e massagens cerebrais pelos capilares, tudo coisas que eu respeito muito, mas que não, obrigada.

 

Wook. Ora bem.... sim senhor, há o livro em português. Mas está esgotado. E é caro para caraças. Não tem data prevista de reposição de stock.

 

 

 

Deixa lá ver noutro sítio.

 

 

Portanto..... têm em stock, a edição mais recente e custa menos de metade? Ora aqui está uma bela oportunidade para aprender os nomes dos pontos, também em inglês.

 

Eu estaria disposta a pagar um pouco mais, pela versão portuguesa, porque, afinal de contas, é preciso pagar o trabalho de adaptação e tradução. Mas mais do dobro? No fucking way (isto sou eu já a treinar o inglês para os bordados).

 

Depois venham cá queixar-se, editoras, da lei da cópia privada, e o raio que os parta. Façam o vosso trabalho, em vez de esperarem que sejam os outros negócios a pagar pelo trabalho que vocês não fazem.

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Por motivos que não interessam nada a ninguém, ando ultimamente debruçada em livros de escola, artisticamente chamados de manuais escolares, mais precisamente do 9º ano.

 

Reparo que muitos têm lá um carimbo, na primeira página, todo catita, muito parecido com este:

 

 

(Tirado daqui.)

 

Pois que me encanita o carimbo, e não é de agora. Encanita-me ao mesmo nível que o spot com a mesma mensagem que me obrigam a ver, sempre que começo a ler um DVD que acabei de comprar. Acho insultuoso, além de idiota. Se eu comprei aquilo, não estou a copiar. Adiante, que o tema não é esse. Fica aqui esclarecidíssimo que uma grande maioria dos manuais escolares que aqui tenho em casa, lançam o apelo "diga não à cópia".

 

Um dos manuais escolares sobre o qual me debrucei mais, nos últimos dias, foi o Viagens - Geografia - 9º ano - Contrastes de desenvolvimento ambiente e sociedade, que, anuncia a capa, até é um manual multimédia. Uma coisa muito à frente, como se vê. Da Texto Editora.

 

Qual não é o meu espanto quando, ao debruçar-me um pouco mais sobre um dos quadros, e, força do hábito, olhar para a fonte referida, me vem aos olhos a palavra Wikipédia. Olá? Estás tão cansada que já vês num livro impresso referências ao online? Esfrega lá os olhos que isso passa.

 

Mas não passou. Juro que li aquilo duas ou 3 vezes "Adaptado de Wikipédia e de Geografia Universal - Grande Atlas do Século XXI, 2005".

Não conheço o Grande Atlas do Século XXI, mas ser uma coisa com quase 10 anos, não me inspira grande confiança, mas lá está, também não é disso que trata este post.

 

 

Do que trata este post é outra coisa.

 

Eu gosto da Wikipédia. A sério que gosto. Consulto-a. Já contribui, quer editando e acrescentado conteúdos, quer com dinheiro. Mas também não é disso que trata este post.

 

Este post trata de duas coisas. A primeira é o facto de achar no mínimo curioso que um manual que se quer científico, se inspire ou adapte conteúdos de uma fonte que, precisamente por causa de ser comunitária, é altamente falível. A segunda, passa pelo facto da Wikipédia ser à borla..... o manual, nem tanto. Não ponho em causa a Wikipédia, que já ensinou mais ao meu filho (e a mim) do que muitos manuais que tenho aqui por casa, alguns dos quais nem sequer são usados como apoio ao estudo, mas ponho em causa que um manual que eu sou OBRIGADA a comprar, se inspire em recursos que são à borla, e que estão acessíveis a todos.

 

Fui ver mais fontes usadas. A Revista Visão é uma das fontes, o "documentário" Uma verdade inconveniente, outra. Nem aprofundei. Já referi aqui (auto-link) que sensações o dito "documentário" me inspirou. Nem procurei mais, que isto de andar à procura de coisas que me encanitam não deve fazer nada bem à saúde.

 

Acho extraordinário que uma indústria, a livreira, que anda a meter carimbinhos de "não à cópia" se inspire depois na Wikipédia e noutras fontes que, de científico têm muito pouco, e que me cobre, por informação a que posso aceder gratuitamente. A mesma indústria que quer que eu pague, para poder tirar fotocópias aos livros que comprei. Meus senhores.... se andam a fotocopiar a Wikipédia para me venderem, porque raio deverei eu pagar-vos por vos tirar fotocópias?

 

Acho que, a partir de agora, vou procurar melhor nos livros, e optarei por comprar aqueles que em vez do carimbo "não à cópia" tenham um carimbo onde diga "não há cópia".

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Poupar (Para quem tem um Kindle)

por jonasnuts, em 11.09.12

 

Uma das coisas em que eu disse que ia poupar, num post recente - livros.

 

Tenho um e-book reader, o Kindle, que recomendo vivamente e que permite o empréstimo de livros entre utilizadores (apenas para os livros cujas editoras autorizem o empréstimo).

 

O problema é que não conheço assim tanta gente que tenha um Kindle, e torna-se difícil encontrar livros para pedir emprestados.

 

Há um serviço que resolve este problema. Falei dele há pouco tempo, por motivos diversos (aqui - auto link), e esteve suspenso durante uns tempos, mas agora regressou.

 

Chama-se LendInk, e é basicamente um serviço de utilização gratuita em que qualquer pessoa que tenha um e-book reader (seja Kindle seja Nook), pode listar os livros que tem na sua biblioteca e que queira emprestar, e tem também pesquisa por livros de que andemos à procura. Portanto, eu mostro-te os meus e tu tu mostras-me os teus. Legal, obviamente.

 

Quem quiser pedir um livro emprestado, apenas tem de contactar o dono do livro, e o resto do processo é automático, fazendo uso das funcionalidades disponibilizadas pela Amazon (para o Kindle) ou da Barnes and Nobles (para o Nook).

 

Grande, grande ideia. Vou deixar de comprar livros com a mesma facilidade, mas não deixo de ler, o que me permitirá comprar apenas aqueles de que gostei e que quero ter na minha biblioteca pessoal para reler, ou para oferecer.

 

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Claro que o título do post generaliza, e toda a gente sabe que as generalizações são perigosas (e injustas). Mas não deixa de ser (ainda) verdade, para muitos casos.

 

A história conta-se rapidamente e cheguei lá por via do TechDirt. Havia (note-se o tempo verbal) um site, com cerca de 15.000 utilizadores registados, chamado LendInk. Este site era uma rede social baseada em gosto pelos livros. Punha em contacto utilizadores de e-books como o Kindle (Amazon) ou o Nook (Barnes and Noble) , e essas pessoas podiam, se quisessem, emprestar e-books umas às outras.

 

Note-se que este empréstimo é uma funcionalidade que existe quer na Amazon quer na Barnes and Nobles, e que funciona mais ou menos como o empréstimo de um livro e papel, com a diferença de que apenas pode ser emprestado uma vez à mesma pessoa, e por um período máximo de 14 dias. É um acto legal, gerido no backoffice da Amazon (para quem tem Kindle) e da Barnes end Noble (para quem tenha Nook).

 

O LendInk não alojava livros, não disponibilizava livros para download, não tinha, sequer, modelo de negócio associado. Era mantido por um veterano de guerra americano que, nos tempos livres, tratava da coisa.

 

De repente, uma série de autores, via twitter, começa a comunicar entre si (e publicamente) acerca deste site "pirata". Espalha-se a notícia. Ameaçam com DMCA e como isso não se mostra imediatamente eficaz, escrevem hate mail à empresa que aloja os servidores e fornece o serviço à LendInk.

 

Meu dito meu feito, em três tempos o serviço é suspenso.

 

Os autores em causa (segundo creio, está a ser elencada uma lista que será pública a fim de que possam ser evitados por quem compra livros - eu quero a lista), nem sequer se dignaram em tentar perceber o que era aquilo. Foi logo uma escandaleira. À mínima possibilidade de alguém usufruir do seu trabalho, legitimamente comprado, gritam pirataria. Não percebem várias coisas. A primeira é a velha história do menino com o lobo, tanto gritam injustificadamente, que mais coisa menos coisa, ninguém acredita neles. A segunda é que emprestar livros não é ilegal. Se acham que emprestar livros é ilegal, atirem-se às bibliotecas (que devem dar pouco trabalho, pelo menos em Portugal, que a coisa já está por fios). A terceira é, quanto a mim, a mais grave. Não percebem o valor do seu trabalho. Não compreendem a relação que muitas pessoas têm com os livros. Não sabem reconhecer uma boa ideia base, sobre a qual podia ter sido, perfeita e facilmente, montado um modelo de negócio de VENDA dos seus livros.

 

É preciso ser-se muito burro para não identificar uma óptima ideia, que poderá transformar-se em mais um canal de VENDAS.

 

Se me emprestam um livro de que eu gosto, a seguir, eu compro. Compro esse e compro mais, do mesmo autor. Eu sei que os autores não são obrigados a perceber isto, mas caraças, não deveria haver na indústria quem lhes explicasse?

Acreditam única e exclusivamente no trabalho de divulgação de quem faz negócio à sua custa (intermediando e em muitos casos, acrescentado valor, é um facto). Acreditam em modelos antigos de críticas em jornais de referência, em cocktails de lançamento, em passatempos, em tops (essa figura que nada tem a ver com a popularidade real dos livros, e que depende apenas daquilo que as livrarias precisam de escoar), em imprimir cartazes, em sessões de autógrafos. Não percebem que muita gente (sobretudo quem tem leitores de e-books) tem uma forma de chegar aos livros completamente diferente. A web 2.0 já foi há uns anos (quase 10, para ser mais precisa), já é hoje um conceito em desuso, e eles ainda nem sequer lá chegaram. Eu borrifei-me nos críticos, e nos tops e no marketing tradicional. Eu chego aos livros por recomendação de alguém que eu conheço ou em cuja reputação confio. Falei (auto-link) disso há pouco tempo.

 

Caramba. É preciso ser-se muito atrasado.

 

Tiro no pé, atrás de tiro no pé, atrás de tiro no pé. E depois queixam-se que estão a perder negócio. Fónix...... não admira. Não se consegue manter um negócio numa indústria que se desconhece.

 

Vão ler livros pá. Este pode ser um bom ponto de partida.

 

O Facebook da LendInk tem mais informação, para quem estiver interessado.

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Os que acompanham este Blog com mais regularidade sabem que me impus um desafio de monta. Sendo uma leitora quase compulsiva, um dos desgostos que tenho é que o meu filho de quase 14 anos não goste de ler.

 

Depois de anos de tentativas, seguindo uma estratégia de deixa lá ver se encontro alguma coisa que lhe caia no goto e lhe plante o bichinho, decidi mudar de estratégia, e agora vou investir na estratégia da obrigatoriedade.

 

Vai ser obrigado a ler, no mínimo, uma hora por dia. Tenho tentado esmerar-me na escolha dos livros que o vou obrigar a ler. Mais vale que sejam coisas que lhe possam agradar. Pedi ajuda, aqui no Blog, e uma das sugestões que me chegou pareceu-me muito interessante, O Diário Secreto de Adrian Mole. Tendo em conta que o puto gostou do Diário de um Banana, o Adrian Mole pareceu-me um passo no sentido certo.

 

Toca de ir à procura do livro. Para comprar, evidentemente. Várias livrarias depois, a resposta é sempre a mesma: "Quem vendia isso era a Difel, que foi à falência, agora só se for num alfarrabista, embora não seja livro de alfarrabista".

 

E agora? Mais uma vez, eu quero comprar um livro, deve ser da minha pontaria, mas parece que quero sempre comprar livros que não há à venda.

 

Eu quero comprar. Não tenho resposta por parte do mercado editorial português (mais uma vez). Restam-me duas opções. Ou compro em inglês (não sei se o inglês do puto chega para o Adrian Mole) ou pirateio.

 

Eu não gosto de piratear. Ainda não desisti. Vou continuar à procura. Mas, caramba senhores da APEL, em vez de gastarem dinheiro com estudos alegadamente idiotas mais valia protegerem os vossos associados, ensinando-os a disponibilizar PARA VENDA aquilo que as pessoas procuram. Senão ficam sem argumentos para falar contra a cópia privada e contra a pirataria (que são coisas diferentes). Se vocês não tratam de fornecer uma alternativa legal, querem que a malta deixe de ler ou passe a ler em inglês?

 

Se eu for obrigada a piratear o livro, eu aviso, aqui.

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Transcrição de uma das muitas frases possíveis, do site do plano nacional de leitura:

 

"Os resultados globais de estudos nacionais e internacionais realizados nas últimas duas décadas demonstram que a situação de Portugal é grave, revelando baixos níveis de literacia, significativamente inferiores à média europeia, tanto na população adulta, como entre crianças e jovens em idade escolar."

 

"A situação é, sem dúvida, preocupante. No entanto, tanto a escola como as bibliotecas têm procurado intervir na promoção da leitura. E na verdade, nas últimas décadas, assumiram um papel central, desenvolvendo actividades destinadas a cultivar o interesse pelo livro e o prazer de ler."

 

 

Assim sendo, fazem todo o sentido as palavras do secretário de estado da cultura, Francisco José Viegas:

 

“Noutros países, as bibliotecas têm uma contribuição decisiva para o direito de autor, para as sociedades de gestão do direito de autor, porque têm de pagar pelos livros requisitados nas bibliotecas. Em Portugal ainda não foi adoptada essa directiva, mas, a breve prazo, terá de ser.”

 

É bom ver que o nosso governo tem os seus objectivos e prioridades bem definidos.

 

Para este governo, é mais importante sacar mais algum aos portugueses, para recompensar uma indústria que não se mexe, do que incentivar à leitura.

 

Não surpreende, é um facto, mas chateia.

 

ADENDA: Ler também o que a Paula Simões escreveu acerca da forma que os senhores da APEL usaram para chegar à brilhante conclusão sobre os 40 milhões de euros de prejuízo (no estudo referido pelo secretário de estado).

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