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Jonasnuts

A importância da língua

A língua a que me refiro, é aquela que falamos portanto, os que vieram aqui à procura doutras línguas e da sua indubitável importância, desenganem-se desde já. Hoje, falo doutras línguas, mais exactamente da nossa, a que partilhamos com mais uma catrefada de gente, e muito bem.

 

Tenho andado à procura de informação sobre um determinado tema. Uma questão que tem a ver com medicina. Uma terapia. Recomendaram-me que aprofundasse o meu conhecimento sobre esta cena, e eu sou muito bem mandada.

 

Encontro tudo o que quero. Muita, muita informação. Mas tudo em português do Brasil. Não me entendam mal, o português do Brasil é tão bom como o português de Portugal, não tenho cá dessas frescuras de achar que o "nosso" é melhor que o "deles". Mas é diferente. Para mim, o português do Brasil tem aquele ritmo meio cantado, um certo meneio, um ritmo nas ancas que vibra na voz do Chico, ou na letra do Jorge Amado. Adoro.

 

Mas, confesso que o ritmo não é o mesmo quando se trata de informação técnica. Estou a ler, imaginemos, a descrição duma terapia, em português do Brasil, e aquela terapia começa a soar-me meio tropical (o que, de certa forma, anima logo), é saborosa. Por outro lado, carece de veracidade. Vão-me desculpar. Racionalmente sei que não é assim. Mas enquanto leio as coisas lá do cognitivo e do raio que os parta, em português do Brasil, parte do meu cérebro, não consegue levar aquilo a sério.

 

O que é pena, porque há muito mais conteúdos de jeito em português do Brasil do que em português de Portugal. Pelo menos sobre este tema.

To pull a McGyver

Parece que os falantes da língua inglesa, alguns deles pelo menos, descobriram Portugal, e não me refiro às terras algarvias.

 

O título do artigo é: The 10 coolest foreing words the English language needs.

Confesso que quando vi, pensei que me fossem dar com a charopada da saudade. Sabem? Aquela coisa de saudade ser uma palavra exclusivamente portuguesa, porque em mais nenhuma língua há uma palavra semelhante para expressar o mesmo tipo de sentimento. Foi giro este conceito, em tempos, hoje já se tornou cansativo.

 

Mas não. A palavra portuguesa que os senhores acham que faz falta no inglês é o desenrascanço.

E traduzem o conceito desta forma "to pull a McGyver".

E consideram esta palavra tão, mas tão importante, que até a colocam em primeiro lugar.

E eu sou contra.

 

Não acho que faça falta a ninguém o desenrascanço. É um conceito português, uma característica lusa, apurada ao longo de séculos, quiçá milénios, e que deveria ser marca registada, e fazerem como aquela coisa dos vinhos e dos queijos, e de ser de região demarcada, e com controlo de qualidade, e registar a coisa nas entidades internacionais competentes.

 

Já com o McGyver houve uma clara usurpação do conceito, o gajo que teve a ideia daquilo ou tinha ascendência portuguesa, ou passou cá umas valentes temporadas.

 

Podemos organizar visitas guiadas a exemplos da nossa capacidade de pull a McGyver, as reacções são sempre divertidas (ainda me lembro da cara dos senhores da SixApart quando viram o que tínhamos feito com uma instalação de MovableType), mas não partilharemos os truques e as idiossincrasias do desenrascanço. Isso é nosso, e só nosso.

 

Via 31 da Armada.

Cartão de cidadão

O BI do puto caducou, está na altura de renovar. Preciso dos horários de funcionamento do arquivo de identificação de Lisboa. Vou ao Portal do Cidadão, onde sou informada acerca do Cartão de Cidadão, que substitui o BI, e que até tem site próprio. Lá vou eu, fixe, à distância de um clique.

 

Na Homepage do site do Cartão de Cidadão, pergunto-me se se trata do cartão de cidadão português. É que fico mesmo na dúvida.

 

 

Horários de atendimento, népia. No número de telefone, ninguém responde, não atendem.

 

Deverei procurar por service hours? Opening time?

 

Muito agradecida, ou Thank you very much, para me perceberem melhor.

Portugal dos pequeninos

Portugal é um país pequeno, aí não há novidade. O problema é que a maioria das pessoas não se apercebe que, também neste caso, tamanho importa.

 

Esta introdução que não introduz nada vem a propósito da Wikipédia, e de um episódio típico da Internet Colaborativa, que aconteceu ao Nuno Markl. Nada de especial, nada que não tenha sido resolvido rapidamente. Vai ser uma daquelas histórias para contar aos netos, sobre a vandalização de uma entrada na Wikipédia (wiki-quê, avô?)

 

A Wikipedia em língua portuguesa está pejada de artigos em português do Brasil. Não tenho nada contra, quem lê este Blog sabe que acho o português do Brasil tão bom como o de Portugal, não há cá português de primeira nem português de segunda. São diferentes, obviamente, e prefiro o meu, mas apenas por isso, porque é meu.

 

Mas, porque é que há mais artigos em português do Brasil do que em português de Portugal? Porque eles são mais? São, de facto mais, mas mesmo assim, descontando as proporções, continua o português de Portugal a ter uma presença muito menor do que a "devida".

 

Nós não temos a tradição de contribuir. E quando contribuímos, ficamos com aquilo sob mira, para vermos se lá vai alguém mudar o que nós escrevemos. Somos muito competitivos. Estas coisas da web 2.0 e das ferramentas colaborativas são muito giras de dizer, e de incluir no nosso discurso, para mostrar que somos modernaços, mas a filosofia da coisa, a colaboração, não faz o nosso estilo.

 

Em cima disto tudo, não temos volume. Toda e qualquer ferramenta de colaboração vive do volume. Porquê? Porque as utilizações abusivas são desvalorizadas por esse volume. Se alguém abusa de um serviço de Tags, e se se tratar de um serviço com uma enorme massa de utilizadores, é preciso que o abusador não faça mais nada na vida, para que essa utilização abusiva seja minimamente eficaz. Portanto, dá uma trabalheira. O volume das utilizações legítimas abafa os abusadores. Em Portugal não. Somos poucos, e são poucos os que usam ferramentas de comunidade. É fácil (embora cada vez menos), uma meia dúzia de utilizadores idiotas conseguirem poluir um serviço que, se fosse usado por mais pessoas, seria mais dificilmente desvirtuado.

 

Assim, meia dúzia de chico-espertos conseguem inviabilizar a eficácia e a utilidade de um serviço e mais, quando arranjamos formas de os impedir de abusarem, refilam, reclamam, alegam direitos, e liberdades de expressão. Irritam-me bué, estes tansos. Normalmente, tolerância zero.

 

Concluindo, somos pequeninos de duas formas. Não só porque somos poucos, mas também (sobretudo), porque se há coisa que temos muito, é chicos-espertos.

 

O ensino da língua

Uma das coisas que vinha na lista de material a comprar este ano, para o puto, era um dicionário de português/inglês - inglês/português.

 

Não usamos dicionários lá em casa, está tudo online, mas faz sentido, para uma criança aprender a utilizar um dicionário. Quer dizer.... não sei se faz, mas pronto.

 

Ando à cata do dicionário. E não pode ser qualquer um, tem de ser um de jeito. Não quero uma daquelas coisas muito pesadas, mas também não quero um dicionário de bolso, naquele papel fininho.

 

Encontrei várias ofertas, dentro deste segmento. E agora? Como é que se distingue uns dos outros? Têm mais ou menos o mesmo número de entradas, a mesma resistência, letra perceptível... haverá alguma características que distinga um dos outros? Um que sobressaia por alguma razão? Pela positiva?

 

Há sim senhor. É este:

 

 

Da Porto Editora. É um dicionário Moderno. Presumo que nome "moderno" lá esteja porque tem todos os fucks, cunts, shits, e demais vocabulário que faz falta a qualquer jovem que esteja a aprender uma segunda língua. Com as traduções à letra. Sem medo, no fear.

(des)Acordo ortográfico

Quem ainda não ouviu falar desta petição, anda desatento, e serão poucos, mas pelo sim pelo não, e porque a União faz a Força, e mais uns slogans do estilo, aqui fica o link para ler e assinar (se for o caso) o MANIFESTO EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO.

 

 

 

 

 Sim, eu assinei.

 

Mãe: este é dos que se podem assinar, e indicar o número de BI e o mail e aquelas coisas que lá pedem.

O acordo ortográfico

Comecei por comentar este post, mas já ia muito longo. Achei que era demais.

Eu sou contra o acordo ortográfico, porque resisto à mudança, principalmente quando não lhe percebo os objectivos.

Não acho que seja por aproximar o português de Portugal do português do Brasil (e vice versa), que se vai conseguir seja o que for. Errado, vai conseguir-se baralhar os portugueses e os brasileiros.

Posso optar por manter o português pré-acordo, e seria isso mesmo que eu faria, se não fossem as circunstâncias.

É que tenho um dilema. Um dilema e um filho. Tenho um puto com 9 anos. Está no final do 1º ciclo, naquilo a que antigamente se chamava quarta classe. Se eu escrever à "minha maneira" estou a dar-lhe exemplos que, se ele seguir, são considerados errados, nos testes, e não quero um filho a escrever com erros ortográficos.

A língua tem de evoluir, sim senhor, mas isso faz-se através de acordos ortográficos? Não me cheira.

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