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Caiu-me a ficha hoje, durante o dia, e tive uma epifania.

 

Uma das coisas mais importantes que devo ensinar ao meu filho, para além dos valores de pessoa de bem, é saber pensar pela sua própria cabeça.

 

Numa sociedade com excesso de informação (como a nossa), é imprescindível que se saiba olhar para o que nos apresentam como sendo factos, e questioná-los. As fontes de informação do passado, bem como a ética que as costumava reger, têm vindo a deteriorar-se, seja por falta de capacidade, seja por ignorância, seja de propósito. Se não sabemos pensar pela nossa própria cabeça, somos apenas e só mais um número, a contar para as estatísticas que os que mandam vão usando como argumentos disto e daquilo.

 

Veio isto tudo a propósito duma "notícia", do SOL, de hoje, que diz "O número de pedidos de informações sobre utilizadores dos serviços da Google, apresentados pelo Governo português, aumentou de 92 para 161 pedidos no início de 2011".

 

Estranhei, claro. Por que raio andaria o Governo a pedir identificação fosse de quem fosse, ao Google?

 

Fui à cata da origem da coisa, e, presumo que a "notícia" se baseie num relatório do Google, que pode ser encontrado aqui.

 

Ora, o Google não tem obrigação de saber como é que as coisas funcionam em Portugal, daí que, se refere pedidos do Governo, erra, mas desculpa-se, sobretudo porque mais abaixo, no relatório, diz "The statistics here reflect the number of law enforcement agency requests for information we receive at Google and YouTube". Portanto, law enforcement agency requests.

 

Aos senhores do Sol, recomendo vivamente uma breve revisão da matéria do 7º ano do 3º ciclo (matéria que revisitei há pouco tempo), e que reaprendam que em Portugal, há 3 ramos de poder, completamente separados e independentes. O Legislativo (o parlamento), o Executivo (o governo) e o Judicial (os tribunais). Quem pede ou deixa de pedir identificação ou informações sobre os utilizadores são as "law enforcemente agencies" portanto, os Tribunais. Não o Governo. E este é um erro de ignorância gritante, ou, mais grave, de tentativa de manipulação da opinião pública.

 

Em tempos, alguém inspirado (e doutra época), chamou à imprensa o 4º poder (para além dos 3 acima descritos, percebem?). Até pode ter sido verdade, em tempos, mas nos dias que correm, este 4º poder enfraquece, a olhos vistos, fruto da incompetência e da ignorância e da falha em fazer chegar a quem está do lado de cá informação fidedigna.

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