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Jonasnuts

Halloween

O halloween é uma tradição americana, levada pelos Irlandeses mas com origens celtas (há quem defenda outras), e tem-se transformado ao longo dos anos.

 

Não é, definitivamente, uma tradição portuguesa. O nosso equivalente será o Pão por Deus, que é comum fora de Lisboa, mas de que nunca ouvi falar até ter vivido na província.

 

Ora....Halloween tem muito mais glamour que pão por Deus. Há as abóboras, há os monstros, as coisas nojentas, os doces, as máscaras....é todo um imaginário infantil habitualmente associado ao carnaval, em repetição. Para quem, como eu, detesta o carnaval, a hipótese de repetição é um suplício.

 

Tenho resistido, ao longo dos anos, às várias investidas da miudagem, e sou categórica. Máscaras é no carnaval, e não vai ninguém pedir doces à casa de ninguém que isso é perigoso e o vizinho do 9º é uma besta.

 

Até que este ano, fruto de várias convergências extra-familiares, mas familiares, a festa de anos de um dos putos, calha a ser no dia 31. E o que é que ele escolheu fazer? Uma festa de Halloween, pois claro. Pronto....nada a fazer, tenho mesmo de entrar no espírito e organizar a coisa.

 

Alguém sabe onde é que se encontram ferramentas para esculpir abóboras à maneira? Nos Estados Unidos há disso ao pontapé, mas já não vou a tempo de encomendar isso da Amazon.

 

Mais dicas Halloweenescas são bem-vindas.

Adeus Avante

A primeira Festa do Avante foi em 1976. Acho que fui, pela mão dos meus pais. Não me lembro. Foi na FIL (a antiga, obviamente).  Lembro-me de muitas Festas do Avante, na Ajuda. Os meus pais compravam EPs, todos os anos.

 

Nós adorávamos. O ambiente era bom, e era genuíno, e era, convém dizer, o único evento cultural de jeito, no país inteiro, na altura.

 

Fui a todas as Festas do Avante até ao ano em que a festa coincidiu e colidiu com o Live Aid. Escândalo familiar - Não acredito que prefiras ficar a ver o Live Aid. Preferi. Não me arrependo.

 

A última vez, a sério, que fui à Festa do Avante, foi o ano em que quem fechou a festa foi o Trovante. Além da minha banda favorita de sempre (na altura), anunciavam também o mais fabuloso espectáculo de laser (aquelas coisas verdes com que se delirava na altura).

 

Interrompi durante muitos anos, voltei à Festa do  Avante há uns anos, 11, talvez 12. Achei que era meu dever de irmã mais velha, levar os caçulas à Festa. Lá fomos, já à Atalaia.

 

Não sei se fui eu que cresci ou se foi a Festa que encolheu, ou ambos. Detestei o ambiente,  não me pareceu genuíno. A malta estava ali para beber copos, fumar umas ganzas e ver concertos. Os pavilhões, longe da diversidade, variedade e riqueza de outros tempos, eram agora umas coisas muito mal prontas, a vender uns brindes made in china, que se compram em qualquer lado.

 

Nos comes e bebes trataram-me por "senhora", coisa que eu não estranho, a não ser ali. Nas Festas a sério, quando eu era miúda, não havia cá senhores nem doutores, era tudo corrido a camarada e está a andar. E assim é que devia ser. Era assim que eu gostava.

 

Pode ser que tenha sido eu a crescer. A Festa perdeu a piada. Provavelmente eu também perdi a minha, não sei sequer se alguma vez a tive.

 

Não conto voltar à Festa do Avante. Esforço-me com frequência por me esquecer da minha última vista (sem sucesso, como se pode perceber), para recuperar a sensações idílicas. Receio que se tenham perdido para sempre.

 

Se um dia o cartaz da Festa incluir o único artista que me levaria a um mega-concerto. Nessa altura talvez me apanhem na Festa.

 

Mas, não sei porquê, não estou a ver o PC a contratar a Barbra Streisand.

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