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Fake news

por jonasnuts, em 12.10.17

Não, não vou cascar nos órgãos de comunicação social. Não desta vez, pelo menos.

 

Vou apontar o dedo aos que considero serem os maiores culpados pela propagação de "Fake News". E reparem, "Fake News" é só um nome bonitinho para "mentiras", "aldrabices", "manipulações" e demais menos simpáticas características que a nomenclatura "fake news" pretende dourar.

 

A culpa é do povo.

 

Nestas coisas, nada como dar exemplos. Vamos lá. Em Junho deste ano começa a circular nas redes sociais (vulgo, Facebook, que no Twitter estas coisas ou não entram ou morrem à nascença) uma foto de uns pilares que que sustêm uma ponte que liga as Amoreiras à ponte 25 de Abril. Do ponto de vista estético, aquilo parece, de facto, prestes a entregar a alma ao criador e as legendas que acompanham a foto são anúncios de cataclismos iminentes. 

 

pcg.jpg

 

A coisa toma proporções tais que alguns órgãos de comunicação social, cheirando-lhes, vão atrás, e muito bem. O problema é que vêm de lá com as mãos a abanar. É mesmo assim, os pilares estão de saúde vigorosa e recomendam-se. Não são bonitos, que não são, mas trabalham bem. É ver a notícia do Expresso.

 

Como se sabe, uma mentira tem um alcance 3 vezes superior à do seu contraditório pelo que, se formos a ver, ainda hoje a porcaria do post a anunciar a derrocada do viaduto, e da desgraça dos pilares anda por aí, a ser partilhado.

 

Então e de quem é a culpa disto tudo?

 

Pois que a culpa, com dolo, é de quem publica para querer manipular a opinião pública. Uns gajos que no Facebook se chamam "Portugal Contra a Geringonça" não deviam suscitar dúvidas a ninguém (e não é por serem estes, contra a geringonça, genericamente os anti qualquer coisa, devem ser encarados com uma razoável dose de prudência). 

 

Portanto, em primeiro lugar, a culpa é de quem publica, seja intencionalmente e com dolo seja por ignorância ou precipitação ou qualquer outra razão.

 

Em segundo lugar, a culpa é de toda a gente que clica em "partilhar" como se disso dependesse a sua vida. E da mesma forma que partilham a aldrabice, sem qualquer sentido crítico, recusam-se, porque se recusam, a partilhar o seu contraditório. E, mais, recusam-se a apagar a coisa.

 

Os culpados são aqueles que partilham sem olhar para a data, sem ler os comentários que entretanto se fizeram, parecendo que o assunto é fresquinho e viçoso.

 

Este foi publicado há 3 dias, como se não ser tivesse já falado sobre isto há 4 meses:

FGandra.jpg

 

 

Os culpados são todos aqueles que mesmo depois de avisados mantêm o post porque "é divertido" ou porque "não gosto de apagar comentários dos amigos" ou qualquer outra desculpa idiota do género. 

 

Os culpados são todos aqueles que se recusam, até, ao menos, a editar o post e a informar que se enganaram, ou que é mentira, ou a adicionar o link do contraditório. 

 

FGandra1.jpg

 

 

Não, estas pessoas não querem assumir que se enganaram, ou que se precipitaram, ou que foram enganadas e, por isso, mantêm-se cúmplices da coisa. 

 

E é assim, senhores e senhoras, que as "fake news" se propagam.

 

Porque as pessoas são estúpidas. Têm vergonha de ter sido enganadas, mas não têm vergonha de ser estúpidas.

 

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Manipulando (e não de forma agradável)

por jonasnuts, em 10.06.16

Quanta da informação e conteúdos que consumimos é MESMO aquela que queremos e não algo que nos põem à frente, sabe-se lá com que interesses?

 

Um tema ao qual tenho dedicado uma fatia razoável de tempo, muito por causa dele, que é mais fundamentalista do que eu, mas que sempre me vai abrindo a pestana para isto e para aquilo.

 

 

UPDATE: sem desdizer o que eu digo mais acima na introdução deste post, vale a pena ver o vídeo ali de cima, desmontado, neste artigo.

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Os amigos do Facebook

por jonasnuts, em 26.05.16

Eu costumo dizer que, no Facebook, sou uma meretriz.

 

E é verdade. Sempre fui muito selecta, só adicionava (ou permitia que me adicionassem) se estivessem cumpridos determinados critérios que até eram rígidos. Isto é, eu não precisava de conhecer pessoalmente para adicionar, mas tinha de saber quem eram. Há pessoas com quem me dou e de quem sou amiga (na verdadeira acepção da palavra) e que nunca vi na vida.

 

E depois aconteceu aquela cena da ensitel, e centenas de pessoas pediram-me amizade nessa altura. E como em tempo de guerra não se limpam espingardas, aceitei todos os pedidos de amizade.

 

Foi a ensitel que fez de mim uma meretriz, facebookiamente falando.

 

Mais coisa menos coisa, mantive essa política. O Facebook, o meu Facebook, é uma mera extensão do meu Blog, com mais uns pós. Não publico coisas demasiado pessoais. Não publico fotos dos meus. Nada que não possa ser lido por qualquer pessoa.

 

Tive sempre alguns cuidados mínimos, e uso vários critérios para aceitar ou recusar um pedido de amizade. Um dos critérios que mais valorizo é o dos amigos em comum. Em linguagem técnica, o FOAF (Friend of a friend).

 

Recebo um pedido de amizade, vou ver o que é que aquela pessoa publicou ultimamente e dedico especial atenção aos amigos que temos em comum. Se não há amigos em comum, sou mais esquisita. Mas normalmente há (lá está, fruto da minha meretricidade), e são uma boa referência. Ok, este chegou-me através dos meus amigos dos Blogs. Este chegou-me através da cópia privada. Esta chegou-me das publicidades. Este veio do SAPO. Este é família. Agrupo as pessoas.

 

Os amigos em comum são uma recomendação. Se fulana e beltrano são amigos deste caramelo, é sinal de que pode ser interessante, ou que é de confiança.

 

E isto é um erro. A começar porque se toda a gente for como eu, aceitando todos os pedidos, arrasa completamente esta rede de confiança por interpostas pessoas. E depois porque o que é interessante para as pessoas que conhecemos pode não ser interessante para nós.

 

E vem isto a propósito de quê?

 

A propósito de um palerma que excluí hoje da minha lista de amigos. Palavra de honra que fui ver por mais do que uma vez, durante a "conversa" os amigos que tinha em comum com aquela aventesma. 12 amigos em comum. Enfim, 11, porque um já morreu, mas ainda tem perfil no Facebook.

 

12 pessoas, 7 das quais conheço pessoalmente. Uma com quem já trabalhei durante uns anos e duas a quem já prestei serviços de consultoria de gestão de imagem e reputação online, e o morto, um grande amigo da minha mãe e de quem eu gostava bastante. 12 pessoas. E podiam ser 12 pessoas que eu conhecesse vagamente e que me fossem indiferentes, mas não. 12 pessoas de quem eu gosto ou que respeito. 

 

Estas 12 pessoas, ao serem amigas deste caramelo, cujo pedido de amizade aceitei há uns tempos, credenciaram este senhor, a não ser que, lá está, sejam como eu.

 

(3) Pedrocoiso.jpg

 

 

E também por causa de saber exactamente de quem é que ele é amigo, no Facebook, decidi responder-lhe a uma questão que tinha colocado sobre transexualidade, porque é um tema sobre o qual tenho conhecimentos acima da média, por ter acompanhado uma transição mais ou menos de perto. Eu também já tive perguntas.

 

Resultado? Uma pessoa ignorante (e com vontade de se manter assim) e preconceituosa. Eu também sou ignorante acerca de muitos temas, mas se tenho uma oportunidade de ser um bocadinho menos ignorante, aproveito-a. E também tenho os meus preconceitos, sim senhora. São relativamente inócuos, mas tenho. Mas como sei que os tenho, preparo-me para os desvalorizar, sempre que os apanho em acção.

 

Mas, acima de tudo, o que me fez confusão, foi a total incapacidade para a empatia. A capacidade de se pôr no lugar do outro. E empatia, é algo que me assiste e que valorizo muito, sobretudo se for em relação a alguém que eu considere mais desprotegido, mais vulnerável, mais injustiçado.

 

Disse-lhe mais ou menos isto, e o senhor ofendeu-se. 

 

Por palavras mais polidas (lá está, os amigos em comum) mandei-o ir dar sangue para chouriços e deixei-o a falar sozinho. Desamiguei e fiz unfollow, que é algo que faço relativa facilidade, sempre que vejo alguém a publicar coisas que são de todo em todo incompatíveis com a minha maneira de pensar. Reparem, não digo "diferentes da minha maneira de pensar", digo "incompatíveis" que são coisas diferentes.

 

Acho que devia haver no facebook um disclaimer, para as pessoas que, como eu, são umas meretrizes das amizades, do género daqueles anúncios que apareciam nos jornais há uns anos:

 

Eu, abaixo-assinado, declaro que não me responsabilizo pelos actos, posts, fotos, mensagens ou comentários publicadas pelas pessoas com quem mantenho um vínculo bidireccional de "amizade" no Facebook.

 

Não vá alguém comer gato por lebre.

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Os chico-espertos do plágio - Take 2

por jonasnuts, em 11.04.16

Há chico-espertos para todos os gostos. Aqui há uns tempos, falei (auto-link) dos chico-espertos profissionais, que se aproveitam do trabalho alheio para ganhar dinheiro. Mas há os outros, os que se aproveitam do trabalho alheio para passarem por espertos, sem ser chico, mas sendo. É desta segunda figurinha que venho falar, com um exemplo prático ocorrido no fim de semana.

 

A coisa passa-se no Facebook.

 

No dia 8 de Abril a Helena escreve um post sobre a cena do "E se fosse eu?" Como é habitual, o post estava bem escrito, com inteligência, alguma piada, e era certeiro.

 

Naturalmente, foi parar ao Facebook, onde, aliás, ainda está.

 

No sábado, dia 9, acordo muito cedo, por motivos que não interessam para nada (a sério, são motivos de merda) e dou um pulinho ao facebook, para encontrar um post da Helena, divertida com o facto de ter havido uma abécula a usar as palavras que ela escreveu, como se tivessem sido escritas pela abécula. Sem aspas, sem créditos, sem links, sem porra nenhuma.

 

rogerio.jpg

 

 

 

Dizia a Helena, com mention ao senhor, que agradecia muito o elogio, já que o plágio era uma forma de reconhecimento, mas que vá...... umas aspas não faziam mal a ninguém. 

 

E isto apareceu no mural dela, e no mural dele. 

 

E a partir daí foi uma festa. 

 

Team Helena começa a deixar comentários ao post.

 

Primeiro foi a Catarina Ivone, que disse: "Este post não é da sua autoria, mas sim de Helena Araújo. Tenha vergonha! !!! vá pedir-lhe desculpa e a seguir apague-o".

 

Depois fui eu: "Muito bom, este texto. Tão bom que nem lembrava de o ter lido, por quem o escreveu originalmente. http://conversa2.blogspot.pt/2016/04/esefosseeu.html
Se queremos usar o jeito que outros têm para escrever, normalmente fazemos a fineza de citar a origem e creditá-la. De outra forma, é roubo e tentativa de enganar os nossos amigos, levando-os a pensar que somos mais espertos e inteligentes do que de facto somos. Não?"

 

plagio-1.jpg

 

Depois veio a Helena, que perguntou: "Rogério, o seu teclado não tem aspas?" A seguir o Lutz que afirmou "O senhor não tem aspas no seu teclado, nem vergonha na cara".

 

E mais uma catrefada de malta que estava animadíssima para a hora a que aconteceu a coisa. Não tenho o resto dos comentários (devem estar algures nas notificações de mail, mas não justifica o trabalho de andar à pesca).

Reparem...... isto foi praticamente de madrugada, para um sábado. Ainda não eram 9 da manhã e a festa estava lançada. E divertida.

Eu já cá ando há uns anos, por isso, não só fiz alguns screenshots como comentei a dizer que o senhor deveria estar a dormir depois de uma noite de borga, e que quando acordasse ainda ressacado, teria 3 reacções.

 

A primeira seria assustar-se, ao ver tanta notificação, julgando que tinha Facebookado enquanto bêbedo.

A segunda de regozijo, ao ver que os comentários eram a um post feito ainda sóbrio.

E a terceira de horror, ao ver o pandemónio que ali se instalara, e que havia uma catrefada de gente a descobrir-lhe a careca junto de amigos a quem ele queria enganar fazendo-se de esperto.

 

Preconizei também que a reacção do "senhor" seria apagar tudo e bloquear toda a gente, por falta de "material testicular". Eu só não acerto nos números do Euromilhões.

 

Meu dito, meu feito. A meio da manhã, desapareceu tudo. O post, os comentários, a festarola que tínhamos andado a fazer em mural alheio. 

 

Visitei o perfil do Rogério Gomes. Conhecimento é poder. Vi que tínhamos 14 amigos em comum. Fixei 3. Serão tagados nos comentários ao post do Facebook que há-de acontecer automaticamente assim que publicar isto.

 

Caro Rogério Gomes, mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo. O Luís Aguiar-Conraria que é um gajo simpático, diz que apaga o post dele se aparecer um pedido de desculpas à Helena. Eu não sou uma gaja simpática.

 

Não sou simpática, mas tenho a minha veia de Cassandra. Coberta de razão, quando falei na ausência de material testicular.

 

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Community manager

por jonasnuts, em 30.03.16

Há quase 20 anos que tenho imensa dificuldade em responder, nos formulários que me caem no colo, à questão "profissão?".

 

Antes era mais fácil; "publicitária" ou "produtora de publicidade", que era esquisito, mas mesmo assim, era minimamente conhecido e modernaço.

 

Quando mandei a publicidade às favas e passei a fazer profissionalmente algo ainda mais esquisito, a dificuldade agravou-se. Ao princípio escrevia "Internet", porque era suficientemente vago e ninguém sabia bem o que era, só sabiam que era moderno. Depois passei a escrever "gestora de serviços de comunidade", que era mais exacto, mas que literalmente ninguém sabia o que era. Foram muitas as vezes em que, à minha frente, era riscada a parte dos "serviços de comunidade" para ficar apenas o "gestora". 

 

"Gestora" eles percebiam bem o que era, embora, na minha perspectiva, "gestora" seja quase tão abrangente como "Internet". Mas era um abrangente mais conhecido e, sobretudo, na perspectiva "deles" tinha mais élan.

 

Mas, na realidade, o que eu faço há quase 20 anos, entre muitas outras coisas, é mesmo isso; gestora de comunidades online. Devo ser a pessoa que, em Portugal, o faz há mais tempo.

 

Tive a enorme vantagem de poder aprender com as mãos na massa, e tive a sorte de, quando comecei, não existirem redes sociais, pelo que os erros que naturalmente cometi enquanto aprendia a coisa, não tomaram nunca proporções bíblicas. Fui uma privilegiada, na medida em que pude aprender à minha custa e à custa das comunidades que geri, e que me ajudaram, a perceber os "dos and don'ts" duma actividade acerca da qual havia muito pouco know how e o que havia era estrangeiro, que não é facilmente transponível para as idiossincrasias portuguesas. 

 

Foi por isso com muita satisfação que, de há uns meses para cá, vi começarem a aparecer anúncios de emprego para "Community Managers". Olá, pensei, as coisas começam a animar.

 

Vi muitos desses anúncios.

 

A grande maioria deles pede pessoas recém-licenciadas, com frequência, o que oferecem é um estágio (normalmente não remunerado). Pedem pessoas que saibam de SEO e SEM, e de Google Analytics, e de Facebook Ads, e de html e css, e de criação e gestão de conteúdos, e competências de design são factor preferencial. Estou a excluir os pedidos mais idiotas, como php, python, javascript e outros que tais, que se vê mesmo que não sabem muito bem de que é que estão à procura.

 

Em NENHUM anúncio eu vi pedidas as características que são mais importantes num community manager: disponibilidade e bom senso.

 

Disponibilidade, porque se é online, a coisa tem de funcionar 24/7. Bom senso porque é uma característica muito subvalorizada e é a que impede de fazer disparates, num mundo em que é preciso ser-se rápido no gatilho. Comunicação (quase) em tempo real exige MUITO bom senso. 

 

 

Foram raros os anúncios em que foram pedidas as segundas características mais importantes num community manager; a utilização irrepreensível da língua portuguesa e a cultura, quer geral quer específica do meio.

 

Um recém licenciado não sabe escrever. E não me refiro aos recém-licenciados das engenharias. Refiro-me a todos os recém-licenciados, e passaram-me muitos pelas mãos. Mas, pelos vistos, isso não interessa para nada, porque a utilização irrepreensível da língua portuguesa não é fundamental para quem anda à procura dos novos community managers, pelo menos a julgar pelos anúncios que vi.

 

Para mim, sempre foi fundamental, para qualquer posição, mas especialmente para aquelas que contactam directamente com os clientes/utilizadores, customer care incluído.

 

Cultura geral e cultura específica do meio, porque quem gere uma comunidade comunica com muitas pessoas diferentes e quanto mais o seu discurso estiver adaptado a cada interlocutor, mais eficaz será. Cultura geral impede argoladas básicas, cultura específica do meio permite uma resposta no mesmo tom, e deixa antever modernidade e actualidade que são muitas vezes (mas não sempre) factores decisivos. 

 

LuisB.jpg

 

Outra ausência gritante dos anúncios é a valorização da presença online dos candidatos. Em nenhum anúncio vi serem pedidos o endereço do Blog, do Facebook, do Twitter, do Instagram, etc....

Peço sempre isto, nos anúncios que coloco. Permite-me ter uma ideia acerca da personalidade da pessoa, da forma como escreve, há quanto tempo usa determinadas ferramentas, com que frequência, etc..

Tudo dados fundamentais para se desempenhar uma função de gestão de comunidades.

Já me aconteceu, no passado, ter de encontrar alguém que tivesse, também, competências (ou potencial) de community manager (enfim, de acordo com a minha definição da coisa). Não me enganei.

 

E, por último, os salários. À partida, um estagiário, não ganha grande coisa. Se não ganha grande coisa e é estagiário, é sinal de que está a aprender (o que contradiz o pedido frequente para estagiários, com experiência), ora, eu não quereria entregar a comunicação da minha marca ou do meu serviço a alguém que está a aprender porque, lá está, se está a aprender, que não seja às custas da minha marca e do meu serviço. Para community manager, nunca quereria ninguém com menos de 5 anos de experiência específica nesta área, mas essa não parece ser uma preocupação de quem recruta. Confirma-se assim o "If you pay peanuts, you get monkeys".

 

Vai na volta e a definição corrente de community manager é muito diferente da minha. Um community manager, na versão actual, é um gestor de redes sociais. Portanto, algo muito mais simples do que criar e gerir uma comunidade usando, entre outras ferramentas, as redes sociais. 

 

Para mim, community manager é a pessoa que cria e mantém uma comunidade. Por comunidade entende-se um grupo de pessoas que, por usarem o mesmo serviço ou o mesmo produto ou frequentarem o mesmo sítio se sentem incluídas e como pertencentes a algo que as diferencia de quem não tem essa presença ou utilização. E criar essa noção e esse sentimento de pertença num grupo (desejavelmente cada vez maior) de pessoas, não é tarefa fácil.

 

Criar e gerir uma comunidade não é um sprint (como muitos parecem achar), é uma maratona. É um trabalho que exige paciência, tempo, entrega, pertença à comunidade que se quer gerir e, muito importante, ouvir. Uma comunidade que não participa no processo de decisão, ou que não é ouvida nesse processo, não é uma comunidade.

 

Fazer like na página duma marca, no Facebook, não faz de mim membro de nenhuma comunidade. Seguir uma marca no Twitter ou no Instagram não faz de mim parte duma comunidade. 

 

E é assim que chego à conclusão de que hoje, tal como há 20 anos, a profissão de community manager é uma raridade. O resto da malta é gestor de redes sociais e, para mim, isso é muito diferente (faz parte, mas está longe de ser a única competência). 

Acho que vou regressar ao "Internet", nos formulários, para não correr o risco de acharem que sou só gestora de redes sociais.

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Geração da partilha

por jonasnuts, em 23.03.16

Partilhar teve em tempos um significado simpático. Era o que se dizia aos miúdos, quando estes manifestavam o egoísmo típico da idade. Tens de partilhar. Era uma coisa boa. Partilhávamos o que era nosso, porque gostávamos do outro (ou porque nos diziam que era preciso, pronto).

 

Hoje em dia, partilhar tem um significado completamente diferente. É uma espécie de doença.

 

Partilhar é, para alguns, viver.

 

E o sentido crítico que se deseja, está ausente. O acto de partilhar é mais importante do que aquilo que se partilha. Precisamos de partilhar para nos sentirmos validados.

 

Não me refiro apenas à malta miúda. Refiro-me a toda a gente.

 

E vem isto a propósito de quê? De duas coisas, que são reflexo da mesma base.

 

Há neste momento, no Facebook, duas "promoções" que incentivam os incautos a fazer share, e a tagar os amigos nos comentários.

 

(1) Passatempo Anel Diamante - Tiffany & Companhia 🔊.jpg

 

(1) Range Rover PT 🔊.jpg

 

As duas páginas são obviamente falsas. E quando eu digo obviamente, não estou a ser fundamentalista. Ambas são muito recentes (um ou dois dias). Não têm qualquer enquadramento ou validação das marcas que dizem representar. Não são oficiais. Têm apenas um post, que é precisamente o da "promoção".

 

Apenas isto deveria servir para que as pessoas percebessem que se trata de páginas falsas, e devia originar uma acção apenas: denunciar a página.

 

No entanto...... olhem para os números. Milhares de likes, milhares de shares e milhares de comentários.

 

Ok. Vai na volta e eu ando nisto há mais anos e estou mais habilitada que o comum dos mortais para identificar este tipo de esquemas. Não creio, mas vamos assumir que sim. 

 

Pedagógica, aviso as pessoas que fazem parte da minha lista de amigos. Olha..... isso é um esquema. A página é falsa. Apaga, reporta e avisa os teus amigos. Pronto, nem sempre de forma tão cordial, mas tentando sempre ser construtiva.

 

Um comentário deste género deixado numa das páginas deu origem a uma série de insultos, à minha pessoa, em privado (claro), porque o que eu queria era ficar com o anel só para mim. Eu, que nem uso anéis.

 

A maioria das pessoas que avisei, agradeceu e apagou o post.

 

Depois temos a excepção. A que agradeceu, queixando-se que o meu comentário não tinha sido nem cordial nem educado. Enganou-se. Não sendo cordial, o meu comentário não era mal educado. Pedi desculpas pela falta de cordialidade.

 

Regresso hoje ao perfil da dita cuja pessoa, e lá está na mesma, o post da patranha. E o argumento para a manutenção do post é hilariante "Está e estará o tempo que eu quiser porque este é o Meu espaço pessoal na internet e aqui mando eu.".

Não deixa de ser verdade, no mural de cada um, manda cada um. 

 

Mas alguém que, sabendo que se trata de um esquema, que prejudica terceiros, que é uma falsidade, opta por, mesmo assim, manter o post porque aqui mando eu, é alguém que não tem noção. É alguém que é palerma.

 

Nada contra. Apenas não me interessa. Unfriend.

 

São estas pessoas que provavelmente se queixam de que a comunicação social tradicional andou a veicular durante todo o dia de ontem um vídeo de 2011, em Moscovo, como sendo dos atentados de ontem, de Bruxelas, mesmo apesar dos vários avisos para a falsidade da coisa.

 

Vai na volta e não, não são estas pessoas. Estas pessoas são as que vêem o vídeo de Moscovo e acreditam que se trata de um vídeo de Bruxelas. Engolem tudo o que lhes põem à frente. Não engulam pá, cuspam.

 

Estas pessoas são o nosso amanhã. A elas, recomendo vivamente que vejam um filme em que são heróis e heroínas.

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O "leitor" de mentes

por jonasnuts, em 25.09.12

 

 

Como eu costumo dizer, o Facebook é o sonho que o Orwell não se atreveu a escrever.

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O poder das palavras

por jonasnuts, em 11.05.10

Escrevi um desabafo no Facebook, face para os íntimos.

 

Confesso que não sou do Facebook, sou do Blog, um bocadinho do Twitter (mais por dever profissional que outra coisa), mas não sou do Facebook.

 

Vou lá uma vez por semana, ignorar a grande maioria dos convites de "amizade", aceitar os que acho que devo aceitar, e pouco mais. Misturam-se ali demasiadas coisas. Pessoal, familiar, profissional, tudo ao molho e fé em Deus. Não tenho tempo, nem pachorra. O mail daquela porcaria nem funciona como deve ser.

 

Escrevi um desabafo, dizia eu, e escrevi como falo. De coração na boca, à flor da pele, sempre a abrir.

 

Eu sou assim e, as minhas desculpas a quem não conhece esta minha faceta, eu digo muitos palavrões quando falo. Digo. Reforça a mensagem. Não digo palavrões por tudo e por nada. Não digo palavrões em casa. Não digo palavrões ao volante quando há menores dentro do carro. O meu filho nunca me ouviu dizer um palavrão (a não ser que me tenha apanhado quando eu julgava que ele estava a dormir). Conscientemente, o meu filho nunca ouviu um "merda" sair-me boca fora.

 

Mas, nas outras circunstâncias, e quando estou rodeada de pessoas que conheço e com as quais tenho confiança, uso palavrões. De novo, reforça a mensagem. São muito eficazes os palavrões, principalmente se proferidos por uma mulher.

 

A minha mãe e a minha irmã ouvem-me falar, sabem que falo com palavrões, mas fez-lhes confusão verem o palavrão escrito.

 

Lamento imenso, mas eu escrevo como falo. Este falo, não tem segundo significado. Mas podia ter.

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Fotos

por jonasnuts, em 11.05.10

Há poucas fotos minhas. Não me refiro apenas ao online, refiro-me à generalidade. Não gosto que me tirem fotos. Provavelmente porque tenho uma mãe fotógrafa compulsiva que enquanto mandava alguma coisa me fez posar até em casas-de-banho de restaurantes, para tirar fotografias. Isso e o facto de ficar SEMPRE mal. É certo e sabido......foto minha fica um desastre, salvo raras e honrosas excepções. Mas pronto, não gosto.

 

A foto que está no cabeçalho deste blog é ao longe, nem se percebe muito bem se é um gajo se é uma gaja (já me disseram isso mesmo), e é das poucas que por aí andam.

 

De repente, no twitter, começam a dizer-me que viram fotos minhas da festa de hoje (Benfica @ SAPO), e eu estranhei. A minha mãe, Facebookiana dos sete costados a dizer-me que tinha gostado de ver as minhas fotos. Ficou-me a pulga atrás da orelha.

 

Fui ver.

 

A neve não caía, o ar condicionado não estava assim tão baixo, mas lá estava eu, publicadinha numa conta de Facebook de que nem sequer sou "amiga". Assim, escarrapachada. Nem autorização para tirar a foto nem autorização para a publicar.

 

Tiram-se as fotos e tunga, espetamos com as ditas cujas no Facebook, porque afinal de contas, aquilo é tudo família.

 

Cambada de atrasados mentais (e atrasadas), que puta de geração que não sabe o que é a privacidade. Ainda se fosse só a deles, é como o outro, mas a de terceiros? Assim?

 

Estou mesmo a ver a cena, ai que giras estas fotografias, deixa-me cá pô-las no "Face".

 

Esta gente droga-se.

 

Droga-se hoje. Amanhã ouve-me.

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Caro Governador Civil de Lisboa

por jonasnuts, em 08.01.10

Não nos conhecemos, mas decidi ler a entrevista que deu à última Visão, provavelmente porque o enfoque era dado, nos títulos e imagens que acompanhavam a entrevista, em temas que me interessam, Facebook, redes sociais enquanto ferramentas de trabalho, etc.

 

Devo desde já esclarecer que não sou uma crente em tudo o que leio e sei, por experiência própria, o quão deturpadas podem ser afirmações que fazemos, quando as lemos mais tarde impressas em qualquer jornal ou revista.

 

Não dou, por isso, demasiada importância ao que leio, principalmente se for escrito na comunicação social tradicional. Assumo-me como descrente, além de que a minha opinião vale o que vale, que é pouco ou quase nada. A minha opinião tem apenas a enorme vantagem de ser a minha, o que apenas me beneficia a mim.

 

Li no entanto algo que, não sendo novidade quando dita pelos novos adeptos das novas tecnologias, suscita habitualmente em mim um levantar de sobrancelha, a saber:

"Para ele, o envolvimento de um político nas redes sociais permite, em muitos casos, antecipar situações, perceber quais as opiniões dominantes. "Às vezes até dá para saber quais vão ser os assuntos em destaque no dia a seguir", diz".

 

É verdade, mas apenas parcial, e pode ser uma falácia.

 

Senão vejamos, não é a maioria dos portugueses que tem acesso à Internet, portanto, a opinião dominante não pode ser recolhida, a não ser por extrapolação que, como se sabe, tem muitos perigos, é uma espécie de generalização teoricamente científica e, como se costuma dizer, as generalizações são perigosas.

 

Notemos ainda que, os que têm acesso à Inernet são pessoas com um maior poder de compra (embora esta tendência esteja a ser absorvida pela massificação) e que pertencem a uma classe social que não é, infelizmente, a da maioria dos portugueses. Novamente, opiniões dominantes por extrapolação.

 

Não esquecer que, para além de tudo, dos que estão online, será uma imensa minoria, aquela que emite opinião relevante ou que ultrapasse o domínio exclusivamente pessoal. A sério. A grande maioria dos Blogs, não são dos políticos, ou de intervenção social, ou de opinião. Se quiser aprofundar esta minha última afirmação, é ver uma coisa que escrevi há uns tempos.

 

Portanto, quem anda online não é a maioria, é uma minoria privilegiada, a maior parte não produz conteúdo e, não esquecer que no meio de tão pouca gente, meia dúzia de intervenientes podem fazer a diferença. É por causa disto que parte da sua afirmação é verdadeira, dá de facto para saber "quais vão ser os assuntos em destaque no dia a seguir" mas apenas porque as redes sociais e blogosféricas são muitíssimo frequentadas por jornalistas (e ainda bem, se quer mais uma opinião minha).

 

E, por último, além de tudo o que já referi antes, convenhamos que, para seguir um político no Facebook é preciso que esteja interessado no que essa pessoa possa ter para dizer e, como sabemos, a grande maioria dos portugueses não se interessa pelo que os políticos têm para dizer (não vale contar com  o número de participantes nos Fórum da TSF que são especialistas em fazer um enorme número de vozes diferentes. Parecem muitos, mas são poucochinhos).

 

Isto já está muito comprido, mas está quase a terminar e assim como assim ninguém leu até aqui.

 

Eu percebo o sentimento de deslumbre com a aparente proximidade que as "novas" tecnologias proporcionam, a sério que percebo, melhor do que gostaria. É extraordinário o potencial enquanto ferramenta de comunicação. Mas há que atingir um ponto de equilíbrio e, sobretudo, não nos deixarmos cair no logro de que estamos todos ligados, e que as pessoas que nos seguem e que nós seguimos representam um todo.

 

É um abismo onde se cai, e de onde se pode demorar algum tempo a sair.

 

Para um conhecimento mais profundo do que, de facto, pensa a maioria, é comprar os jornais desportivos, lê-los num café, de preferência um estabelecimento que tenha uma televisão sintonizada num noticiário da TVI ou nas tarde da Júlia, e estar de ouvido atento aos comentários e às notícias que prendem a atenção das pessoas. Aí sim, vai sentir o pulsar da nação.

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