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Estudos

por jonasnuts, em 25.10.11

Eu sou uma céptica dos estudos. Pronto, fica feito o disclaimer.

 

E porquê? Perguntarão vocês (ou não, mas eu respondo na mesma). Pela mesma razão que sou uma céptica em relação aos artigos da Deco Proteste sobre equipamentos e serviços.

 

Os estudos que vejo, sobre áreas que domino, em vez de servirem para as pessoas aprenderem algo, servem para desinformar. São aldrabices, chutadas para a comunicação social, que esta mastiga, engole e a seguir veicula (achavam que eu ia continuar com a metáfora digestiva? :), sem saber o que está a dizer ou fazer, sem qualquer sentido crítico.

 

Normalmente são manipulados, carecem de sentido crítico, e têm SEMPRE de ter um título que caia bem, e que "venda".

 

Isto tudo a propósito duma notícia, do Económico; "Portugueses estão cinco horas por dia ligados e quase todos integram redes sociais".

 

Queridos senhores da Nova Expressão (empresa que encomendou o tal do teste), e caros senhores da Ideiateca (empresa de consultoria que realizou a mesma), e senhores do Económico (que publicou a notícia) qualquer estudo sobre a utilização da internet em Portugal (e no mundo, já agora), que refira hábitos de consumo de conteúdos e serviços, sem referir a pornografia, é uma falácia.

 

O vosso estudo, não a refere.

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Saúde mental

por jonasnuts, em 24.03.10

Parece que foi feito um estudo sobre a saúde mental em Portugal. Acho muito bem, mas ainda não lhe consegui deitar a mão, pelo que apenas sei o que vem nas notícias, por exemplo, aqui.

 

Por isso, e porque conheço o tratamento que os órgãos de comunicação social costumam dar aos estudos, e porque conheço muitos estudos que são meras extrapolações de extrapolações de adivinhações de entrevistas feitas a meia dúzia de gatos, reservo a minha opinião para depois de ler o estudo, e de, sobretudo, olhar para a ficha técnica do dito cujo.

 

E gostava, sobretudo, de saber se o estudo se debruçou sobre o preconceito e a ignorância em relação às doenças mentais. Ter uma doença mental é uma vergonha (a não ser que seja uma doença da moda), uma pessoa não diz "a minha filha é esquizofrénica", diz "a minha filha é fraca dos nervos", nunca ninguém diz que tem uma avó com Alzheimer (bom, quase nunca), diz que tem uma avó esquecida, por causa da idade. Ninguém tem depressões, são fases. E é esta ignorância, e este preconceito que têm de ser combatidos. Quando uma doença mental for encarada com a mesma naturalidade que qualquer outra doença, a coisa corre melhor para todos. Doentes, familiares, e o resto da malta.

 

Até lá, está tudo bem, muito obrigada.

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Coisas que eu não percebo

por jonasnuts, em 22.01.09

Acabo de ver os resultados de um estudo (?) inquérito (?) encomenda (?) não sei bem, não consegui encontrar a ficha técnica da coisa, da Emarketer, cujo título chamativo é "E o meio mais influente é....." (apelativo, não?).

 

E no quadro de resultados podemos ver os vários meios cuja influência foi "avaliada".

 

 

Em primeiro lugar a televisão, em segundo lugar as revistas, em terceiro lugar um genérico "online". Lá mais para baixo, em 10º lugar, encontramos os Blogs.

 

E aqui começa a minha dúvida. Os Blogs não fazem parte do online? Como é que eles distinguem os Blogs do Online e vice versa? Tendo em conta que as ferramentas de publicação que genericamente chamamos de Blogs têm vindo a evoluir tecnologicamente e já comportam todos os elementos que estão presentes nos sites tradicionais (e em alguns casos estão mesmo mais à frente), como é que se distingue um site de um Blog?

 

Claro que Portugal não está incluído, que é a situação mais frequente, o que leva muitos marketeiros portugueses a usar estes estudos para avaliar o mercado português (o que é um erro, na minha perspectiva).

 

Pronto, fica aqui registada a minha dúvida, eu que sou uma céptica em relação à maioria dos estudos feitos sobre esta área (e consequentemente sobre todas as outras áreas). São MUITO raros os estudos bem feitos e, para o caso português, não conheço nenhum actual, de jeito.

 

Via @jafurtado

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Acho que fui promovida

por jonasnuts, em 23.12.08

Acho que um dos meus últimos posts, mais exactamente aquele do "supônhamos" foi apelidado de "insulto brejeiro e soez". Confesso que tive de ir ver o que é que soez queria dizer. Os Blogs como espaço de cultura e educação, neste caso a minha. Soez quer dizer vil, torpe ou ordinário.

 

Acho que nunca tinham tentado insultar-me de uma maneira tão fina. Adoro gente educada. Ainda por cima, quem o fez, não escreveu aqui, provavelmente com medo de ser conspurcado pela minha "soezidade", o que se compreende, de resto. Provavelmente não pretendeu dignificar o meu post com uma resposta. É natural.

 

Foi sobre o post do estudo das meninas "investigadoras", e foi num comentário aqui. Mais exactamente, aqui. Aliás, para quem seguiu o tema, recomendo a visita. Para quem não seguiu o tema, recomendo a visita na mesma, ao blog em geral.

 

Aparentemente o tom do meu post não foi bem recebido:

"sinto uma grande tristeza por ver este espaço usado para dar expressão a vozes que não sabem merecer ser ouvidas (quem tem - ou acha que tem - argumentos válidos não precisa de fazer o que a senhora que o Pedro achou por bem referenciar faz)."

 

(a senhora, acho que sou eu).

 

Por acaso, a senhora (juntamente com outros dos presentes), no encontro de Blogs da Católica apresentou os seus argumentos que foram, na altura, aparentemente, anotados pelas "investigadoras" presentes. A senhora colocou todos os dados estatísticos da plataforma de Blogs do SAPO à disposição de qualquer investigador que quisesse trabalhá-los. À senhora (e restantes presentes) foi dito, pelas "investigadoras", que aquela apresentação era transitória, e que os comentários, por terem sido considerados relevantes, iriam ser dignos de debate e eventual introdução na apresentação final no Congresso de Ciberjornalismo.

 

Aparentemente a forma incomodou. Não estranho, a forma era, de facto, altamente irónica e, concedo, jocosa. O que estranho é que haja tal reacção à forma, e nenhuma reacção ao conteúdo.

 

No essencial, e de forma pouco jocosa: as "investigadoras" anunciaram  uma montanha, e pariram um rato. Mais, passado tanto tempo, e depois de tantas (e mais relevantes que a minha) vozes se terem levantado a contestar a metodologia, o tratamento dos dados, as extrapolações, insistem em que está tudo bem, e que se trata de um estudo científico e não mudam, absolutamente nada. O que fica são as parangonas da montanha.

 

Gostava de ver uma crítica de jeito feita ao conteúdo do meu post, já que tanto zelo foi colocado em criticar a forma.

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Vamos a um grande "supônhamos"

por jonasnuts, em 12.12.08

Atenção que este post vai MESMO precisar da vossa imaginação.

 

Vamos imaginar que eu sou "um grupo de investigadoras" do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho que está a desenvolver um estudo para caracterizar os blogueres do Minho, de forma a perceber quem está na blogosfera e quais as suas motivações.".

 

(Claro que quem me conhece sabe que eu nunca teria uma curiosidade tão redutora, e, mesmo que isso acontecesse, nunca me passaria pela cabeça escrever blogueres. Denota, no mínimo, desconhecimento básico sobre o que pretendo estudar, mas pronto.)

 

Depois, parece que mudo de ideias, e afinal o que eu quero mesmo saber é quem e quais são "As vozes femininas na Blogosfera: um olhar sobre a realidade do Minho".

 

Epá, isto é muita gente, mesmo assim. Deixa lá ver como é que eu reduzo isto.

 

O que é que eu faço?

 

Pego em mim e vou a um blog que conheço, chamado Avenida Central, e faço o estudo com base exclusiva nesse Blog.

 

Deixa-me lá recolher os contactos disponibilizados por quem comentou neste Blog (em 53 posts), e deixa-me lá ir a uma das Blogrolls do Avenida Central.

 

Ah, está muito melhor, assim reduzimos a coisa a 153 mails. Deixa lá mandar um questionário aos donos destes mails. Destes 153, há 88 que respondem validamente.

 

Pronto. está feito o trabalho de campo, vamos lá trabalhar nos resultados.

 

Sim senhor, isto permitiu-nos chegar aqui a umas conclusões sumarentas. Mais, permitiu-nos até colocar algumas questões pertinentes. Mas antes vamos às considerações finais (que em linguagem corrente se chama disclaimer) :

 

"Apesar das potencialidades que a blogosfera apresenta para a afirmação das vozes femininas, uma vez que este é um mecanismo de auto-edição, ainda se verifica um baixo nível de participações das mulheres a nível regional.


O ponto de partida para esta análise é um blogue de um homem, com um forte pendor de intervenção regional, o que poderá deixar de fora do blogroll do 'Avenida Central' os bloques com outros centros de interesse, onde eventualmente a presença feminina seja mais numerosa"

 

Elas deve ser mais bebés, bordados e culinária, que isto da intervenção regional é areia demais para a camioneta das senhoras, como se sabe.

 

Então, agora que despachei o disclaimer, bora lá às perguntas filosóficas:

 

"Será que as mulheres estão afastadas da blogosfera ou alguns blogues assinados por homens conseguem maior destaque, mesmo nos meios de comunicação tradicionais, criando a ideia de que elas são menos activas no ciberespaço?"

 

(Agora já não são as mulheres frequentadoras do Avenida Central ou que constem de uma das suas Blogrolls e que tenham respondido ao questionário, de repente são as mulheres, como um todo, que se calhar estão afastadas da blogosfera, e que recebem menos atenção que os homens).

 

 

"Será que os blogues de mulheres se concentram, de facto, em determinadas áreas tradicionalmente conotadas com a esfera feminina ou são os espaços dedicados a outras temáticas que não são (re)conhecidos?"


"Será correcto falar de blogues femininos e masculinos? Porque é que muitas escondem a sua "verdadeira identidade" sob a capa de nicknames?"

 

(Muitas? Quantas? Quem? Quais?)

 

"Será que a blogosfera está a funcionar como um mecanismo de reprodução dos esterótipos que foram sedimentados durante séculos? Ou podemos encarar os Blogues como ferramentas que estão a operar uma mudança social?"

 


Já está suficientemente profundo? Já. Então onde é que eu posso apresentar a "investigação" à  comunidade? Parece que vai haver um encontro de Blogs na Católica, se calhar não era mal pensado. Vou lá, eu, as investigadoras? Sim.

 

Opá, parece que na Católica apareceram uns caramelos quaisquer com umas questões complicadas, será que devemos rever as nossas conclusões, ou, pelo menos, a forma como as comunicamos?

 

Nah, eles não percebem nada sobre o assunto, uma é uma palerma qualquer dos Blogs da SAPO, o outro é um jornalista especializado nesta área de Internet e comunidades. Não percebem nada disto, afinal de contas eu é que sou a investigadora.

 

Vou ao I Congresso Nacional de Ciberjornalismo apresentar isto, em grande?

 

Bora.

 

Pronto, acabou o exercício de imaginação. E agora vou ser má. Desafiei-vos a imaginação, e dei-vos essa trabalheira de imaginar o inimaginável, e afinal de contas, nem era preciso. Está tudo aqui, num blog muito oportunamente chamado Um olhar sobre a Blogosfera.

 

Pelo amor de Deus..... estamos a falar de um universo de 88 pessoas.

 

Apresentar resultados do tipo:

 

"Grande parte dos bloggers inquiridos tem entre 26 e 40 anos (45,9%), é licenciado (40,7%) ou frequenta o ensino superior (30,2%), estando a maioria em situação activa."

 

Ou é falacioso ou idiota. Escolham uma delas.

 

Já na altura do encontro da Católica tinha havido um sururu aqui que depois continuou aqui, e durante a tarde de hoje dei com esta reacção.

 

E depois admiram-se que "a palavra tenha sido negada durante séculos às mulheres"

 

 

Sabem que mais, senhoras investigadoras? Vão para a cozinha. Ou isso ou crochet.

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Estudos sobre Blogs

por jonasnuts, em 08.04.08
Soube pelo Ponto Media de um estudo sobre "Bloguers e Blogosfera".

Fui ver, curiosa que sou acerca destas coisas, e já que os estudos têm sobre mim o mesmo efeito que as peças jornalísticas sobre a minha área. Tenho sempre esperança que seja desta que alguém acerta, e acabo a leitura sempre furiosa com tanta incorrecção e, às vezes, incompetência.

Mas vou sempre com esperanças. Burra.

Nem sei por onde começar. Pelo princípio talvez. Bloguers? O que raio são Bloguers?
Das duas uma, ou assumem a palavra de origem e lhes chamam Bloggers, ou assumem o termo português, Bloguistas. Podem aprofundar o tema aqui, aqui e aqui.

O documento propõe-se a:

"O presente Flash Report faz uma caracterização dos Bloguers portugueses e da sua actividade de blogging, nas vertentes de consumidores e produtores de conteúdos da blogosfera, e as suas percepções acerca da credibilidade desses mesmos conteúdos comparativamente com os difundidos pelos mass media. " 

Sim senhor, tem muito mérito. Vamos lá ver.

Começo a olhar para os números, e aquilo não bate com a minha contabilidade. Será que eu ando enganada? Pode acontecer.

Depois é o vocabulário. Sabem aquelas pessoas que querem falar mais caro do que o que sabem, e no processo metem os pés pelas mãos? É o feeling. Eu sei, é uma mania dos estudos, têm sempre que vir num vocabulário cerrado. Quanto menos pessoas perceberem o que lá está escrito, melhor, porque mais interessante e importante parece o conteúdo. É isso e a as citações bibliográficas, que é para os leitores saberem que os autores do estudo andaram mesmo a queimar as pestanas.

E depois há uma misturada de conceitos. Blogging é a acção de consultar blogs, e um bloguer(?) tanto pode ser quem consulta como quem produz.
A maior das confusões.

Por fim, e já completamente abismada com a coisa, fui tirar as teimas finais, à ficha técnica.

Tudo se explica, enfim. Pois está claro.
"A amostra final foi constituída por 2000 entrevistas. O trabalho de campo foi realizado entre
Abril e Junho de 2006..."

Os dados foram recolhidos há 2 anos. 2 ANOS!!!

Alguém tem de explicar aos senhores que fizeram o estudo que nestas coisas, 2 anos são uma eternidade. Portanto, o estudo que agora publicam tão felizes e contentes, provavelmente com o sentimento de dever cumprido, e de contributo importante para a sociedade de informação, não serve para a absolutamente NADA.

Talvez venha a ter valor histórico, quando se escrever a história da Blogosfera, mas mais nada que isso.

Era o mesmo que fazer-se um estudo sobre o impacto dos Telegramas no panorama das Telecomunicações em Portugal.

Estou para ver quantos jornais (e blogs, já agora) vão citar o tal estudo.

Santa paciência.



Quem, mesmo assim, quiser ir ver a coisa, está aqui.

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