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Marketing político - Lavando os cestos

por jonasnuts, em 02.10.17

Esta é uma questão que me assalta sempre que decorrem eleições em Portugal.

 

O grau de amadorismo, do ponto de vista da comunicação, da grande maioria das candidaturas. É transversal, da esquerda à direita.

 

Quando falo em comunicação, não me refiro a mupis, panfletos, e demais material de suporte. Ou, pelo menos, não me refiro só. Refiro-me também (sobretudo) a consultores/assessores de imagem, consultores/assessores de dicção e colocação de voz, em alguns casos, os problemas são tão gritantes que bastaria alguém com algum senso comum e sem medo de ser despedido.

 

Há muitos anos, entre uma primeira e uma segunda volta das presidenciais, perguntaram a um grupo de publicitários em que é que os candidatos poderiam melhorar a imagem. A minha mãe, que fazia parte do grupo, recomendou vivamente a Jorge Sampaio que abandonasse os fatos beges e cinzento-claro, que optasse por cores menos mortiças, menos font de teint, gravatas um bocadinho mais exuberantes, sem colidir com a personalidade do candidato. 

As instruções foram acatadas.

 

Eu não estou a dizer que os candidatos tenham de deixar de ser quem são para passarem a apresentar-se de forma que colida com o seu padrão. Estou a dizer que há escolhas que se podem (e devem) fazer dentro de um universo compatível com os candidatos. 

 

Esta devia ser, mais do que uma preocupação dos candidatos, uma preocupação dos partidos. Porque a imagem dos partidos fica obviamente contaminada. Por isso é que a roupa de um candidato deve ser uma, em caso de vitória e deve ser outra, em caso de derrota. O tom dos discursos deve ser ensaiado. O improviso deve ser deixado para as ocasiões em que é mesmo necessário, sobretudo se se tratar de um candidato que não tenha o dom da palavra.

 

Os discursos, os debates, as participações em programas de rádio e de televisão têm de ser ensaiados. Não é um trabalho de preparação que se faça durante a campanha. Tem de começar-se antes, muito antes, na construção de um perfil que, no momento em que se inicia a campanha, já esteja completamente à vontade, já tenha incorporado tudo (as aulas de postura, de colocação de voz, de dicção, de comunicação, de falar em público), e na campanha é apenas preciso um complemento aqui e ali para adaptar às necessidades específicas do combate.

 

Como é que isto não é óbvio para a vasta maioria dos políticos e, sobretudo, dos partidos, é um mistério.

 

Tenho este post para escrever há uns anos (mais ou menos desde o famoso caso (auto-link) do "Oh Luís, fica melhor assim, ou assado?"), mas o que fez com que, finalmente, me decidisse, foi isto:

tlc.jpg

A sério gente........ contratem pessoas independentes (mas não antagónicas), que não tenham nada a ganhar nem a perder, que não tenham receio de vos dizer as verdades e que tenham a capacidade de vos propor uma estratégia que vai muito além de gastar milhões em papel, para ver se ganham o campeonato dos confetti.

 

Eu conheço gente competente na matéria. Call me.

 

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Aos presidentes das câmaras

por jonasnuts, em 23.06.17

De repente, as ruas das cidades adquirem uma nova dimensão. Andar de moto faz isso, traz mais dimensões à nossa vida. Nem todas agradáveis, é um facto.

 

Uma das dimensões é a qualidade do piso ou, mais exactamente, a falta dela, mas esse tema abordaremos noutro post (o fabuloso plural majestático).

 

Circulo em Lisboa (e não só) e reparo que algumas vias para BUS têm lá um boneco duma moto. Acho a ideia excelente. 

 

busmotos.jpg

 

O candidato a presidente da câmara que coloque na sua lista de intenções espalhar este conceito a todas as faixas de BUS, ganha uma catrefada de votos. Vá, se não a todas, à maioria. 

 

Assim como assim, com moto ou sem moto pintada no pavimento, as motos já circulam por lá de qualquer maneira, portanto, é só mesmo uma tecnicidade sem grandes efeitos práticos para além de deixarmos de ser multáveis :)

 

Não?

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Exmos. Senhores,

 

Como portuguesa atenta ao que pensam e sentem os meus concidadão, não posso deixar de constatar que são muitas as pessoas que estão indecisas em relação ao sentido do seu voto nas próximas eleições legislativas de Junho.

 

É, de acordo com o que tenho visto, um número de indecisos muito acima da média.

 

Assim, e de forma a que estes indecisos possam ter tempo e espaço para ponderarem de forma reflectida a orientação do seu voto, venho propor-vos que em vez de um período de reflexão de 24 horas (na véspera do dia das eleições) alarguem este período de reflexão para, pelo menos, uma semana.

 

Só num ambiente de calma e serenidade é que estes indecisos poderão, em consciência, tomar uma decisão tão importante.

 

Agradecem os indecisos e agradecem os decididos. Nem uns nem outros recuperaram ainda da campanha eleitoral das presidenciais e, assim como assim, as campanhas eleitoras servem muito mais para os partidos fazerem barulho do que propriamente para esclarecer as pessoas.

 

Uma decidida agradecida.

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Idealista

por jonasnuts, em 24.03.11

Dizem que os jovens são idealistas, e depois aprendem.

 

Pelos vistos, essa foi mais uma coisa que não aprendi.

 

O que me custa mais, nas legislativas que aparentemente vão acontecer, não é ter de passar por outra campanha eleitoral (e esta, a julgar pelos intervenientes vai ser do piorio), o que me custa não é o debate vazio, nem a demagogia a jorrar, nem o barulho e a poluição visual e sonora.

 

O que me custa mesmo é ter de olhar para isto tudo e decidir com base no critério "mal menor".

 

Não vamos, nestas eleições, escolher aquilo que achamos melhor para o país. Vamos escolher aquilo que achamos que dará menos prejuízo.

 

E como é que eu explico isto ao meu filho? E como é que eu explico isto à idealista que me habita?

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O voto em branco

por jonasnuts, em 28.09.09

Não Sofia, não és a única que se emociona, e sai de dentro da assembleia de voto com uma dose extra de felicidade, daquela que faz comichão na garganta, e que é inexplicável.

 

Sim, Sofia, também eu não percebo quem se abstém, quem olha pela janela e diz, epá, isto está mesmo bom é para ir para a praia (ou para o campo, ou para o centro comercial, não interessa) e não vale a pena maçar-me com votos, que mais um menos um não faz a diferença.

 

Mas, numa coisa discordamos. Os brancos.

 

Os brancos não estão ao nível de quem não vai lá. Pelo contrário, estão no seu completo oposto.

 

O branco é aquele que não prescinde do direito de votar, é aquele que vai lá, exercer o seu direito. Vai, e vota em branco, é um recado, senhores políticos, não acredito que nenhum de vós tenha os requisitos mínimos para governar o meu país. Não há o mal menor. O mal menor é para decisões mais comezinhas, menos importantes. Para o meu pais, quero o melhor, o menos mau não serve.

 

Nunca falhei umas eleições. Voto, porque a minha bisavó queria votar e não podia, porque era mulher. Voto, porque a minha mãe e a minha avó queriam votar, e não podiam porque vivíamos em ditadura. Vou, e voto, sempre. Mas não voto no mal menor. Ou bem que há um gajo em que eu acredito, e eu voto com convicção, ou, se é para votar no mal menor, no "rouba mas faz", não lhes concedo o privilégio do meu endosso. E é essa a mensagem do meu voto em branco.

 

Votar no mal menor, é nivelar por baixo. E se estou preparada para fazer isso no que diz respeito a muita coisa (que remédio), não estou preparada para fazer isso no que ao Governo do meu país concerne.

 

 

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Votem no Luís

por jonasnuts, em 26.09.09

Sim, eu sei, não há nenhum candidato a primeiro ministro chamado Luís. Mas para essas eleições eu só tenho uma certeza, vou votar.

 

Há, no entanto, outras eleições que não me levantam quaisquer dúvidas, e em que a escolha do candidato é óbvia.

 

Ele chama-se Luís Monteiro, e está à frente numa votação mundial que termina no dia 30, para integrar uma expedição à antárctica. O problema é que há uma americana a morder-lhe os calcanhares, e, como nós sabemos, os americanos não só são mais que as mães, como têm uma taxa de penetração do acesso à Internet muito maior do que Portugal.

 

Portanto é importante que votemos, todos, no Luís. Não custa nada, e não podemos deixar que agora na recta final, a americana passe o Luís.

 

Hoje é dia de reflexão, para as eleições legislativas, mas podemos treinar o acto de votar, votando no Luís Monteiro, para ir à Antárctica.

 

Eu já votei, e hoje, não votei em branco.

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Aprendam com os políticos brasileiros

por jonasnuts, em 26.09.09

Esta é uma mensagem aos senhores políticos, principalmente a alguns candidatos a presidentes de câmara e de juntas de freguesias.

 

Há uns anos valentes, no Brasil, havia um candidato chamado Adhemar de Barros, que queria ser prefeito. Não, não é erro, é mesmo assim que os brasileiros chamam ao presidente da câmara lá do sítio.

 

Ora este senhor Adhemar tinha fama de corrupto. Esperto, chamou um caramelo do marketing para lhe orientar a comunicação e convencer o povo a votar no Adhemar. Este consultor, esperto, olhou para a coisa e disse-lhe, olhe, o senhor da fama de corrupto já não se livra, pelo que mais vale assumir a coisa, e fazê-la jogar a seu favor.

 

E foi assim, que o slogan de candidatura do Adhemar de Barros, nas eleições de 1957 foi: "Adhemar rouba, mas faz".

 

Adhemar ganhou as eleições.

 

Presumo que cá, como lá, haja quem também vá ganhar as eleições, embora dispensando a honestidade do candidato brasileiro.

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Proposta eleitoral

por jonasnuts, em 16.09.09

Não sei muito bem a quem endereçar esta proposta, se às televisões, se à ERC, se aos candidatos, se aos jornalistas. Olhem, entendam-se uns com os outros.

 

Os debates entre candidatos servem para que meia dúzia de comentadores políticos possam justificar os seus ordenados, e para que alguns mais esgrimam argumentos nos Blogs, mostrando a quem quiser ver que têm jeito, e que se calhar até davam bons comentadores políticos (há excepções, não ando tudo à procura de tacho ou visibilidade).

 

Creio no entanto, que a grande maioria dos eleitores decide em quem vota ou por tradição (sempre votou naquele partido), ou porque gosta mais da cara de A ou de B. Não conheço um eleitor, dos normais, que leia o programa proposto pelos partidos.

 

Posto isto, creio que os senhores (todos os que descrevi no primeiro parágrafo) deviam repensar os debates, e fazer só a coisa no modelo Gato Fedorento, mais oleado.

 

O Esmiuçar os Sufrágios vai ter mais impacto na decisão dos eleitores do que todos os outros programas/debates/frente-a-frente juntos.

 

A ordem dos candidatos não foi a mais feliz (para o programa), já que eles ainda estão à procura de um tom e de um ritmo, e que o Ricardo Araújo Pereira ainda está demasiado preocupado em encontrar o personagem ideal e ainda tem medo de sair do armário e assumir-se como gajo que até joga em igualdade (ou mesmo superioridade) de circunstâncias com as pessoas que está a entrevistar. Mas é capaz de lá chegar, já esteve melhor ontem do que anteontem.

 

Quanto às comparações com o The Daily Show with Jon Stewart, ainda é cedo. O formato é semelhante e, embora o Ricardo Araújo tenha potencial para ser o Jon Stewart português, os outros três não têm hipótese de chegar aos calcanhares do John Oliver, da Samantha Bee ou do Jason Jones.

 

Anyway....a proposta do título do post é esta.....façam mais entrevistas neste tom, e menos das outras. É uma win, win, win situation. Ganha a televisão, ganha o candidato, ganha o público e ganha a política na medida em que muita gente que não se interessaria pelo tema vê a coisa, porque é divertido.

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Mais importante que a abstenção

por jonasnuts, em 08.06.09

Este não é um blog político ou de política, mas caramba, as europeias foram ontem.

 

Acho que os políticos deviam estar menos preocupados com a abstenção e mais preocupados com os brancos.

 

As abstenções foi pessoal que não teve pachorra para ir votar. Acham que há coisas mais importantes. Não havendo sol, foram certamente encher os centros comerciais que pululam por esse Portugal fora. Ou ficaram em casa, ou vão passear. Não interessa. Baldam-se. E não me venham com tretas de que é para mostrar cartões amarelos ou vermelhos. Não é nada disso. Estão-se cagando.

 

Com o que eu acho que os senhores políticos se deviam preocupar era com os votos em branco. São as pessoas que não têm pretensões a figurar nos mapas dos números e que não se importam com o facto de aos seus votos não ser conferido qualquer valor estatístico, têm o trabalho de ir votar, às vezes fazer umas distâncias valentes porque ainda não trataram da papelada para para mudarem a assembleia de voto para a sua área de residência, que apanham filas de trânsito no IC30 por causa de acidentes, e vão lá, pegam no boletim, e ainda não chegaram à cabine de voto e já vai o papelito quase todo dobrado. Não estão nem 1 segundo na cabine de voto, regressam ainda a dobrar o papel, depositam o dito cujo na urna, recebem os documentos de volta, dão as boas tardes e vão por donde vieram.

 

São os que vão lá, dizer que não acreditam.

 

Com estes é que os políticos se deviam preocupar.

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Ainda os números das eleições

por jonasnuts, em 06.11.08

Para não quebrar o ritmo de posts que não interessam a ninguém a não ser a mim, que pareço ser a única pessoa a achar que estes dados deveriam funcionar como "wake up calls" para os órgãos de comunicação social em Portugal (e como é que se diz isto em português? deveriam funcionar como chamadas de despertar?)

 

 

A leitura e restantes dados, aqui.

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