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Como atrair o olhar dos homens

por jonasnuts, em 29.01.09

Vou aqui descrever o método infalível para atrair o olhar de qualquer homem entre os 16 e os 70 anos. Este método foi comprovado (pouco) cientificamente por mim, enquanto observadora externa do fenómeno.

 

Esqueçam as mini saias, as mamas insufladas, os longos cabelos loiros arranjados e a maquilhagem. Estes métodos não são infalíveis.

 

Eu vi, com os meus próprios olhos, o método infalível a funcionar, desde o elevador do primeiro andar do Saldanha Residence até ao edifício da PT (portanto, mais de um quarteirão inteiro da Fontes Pereira de Melo).

 

Têm de ser um par (como se fossem à casa de banho), e têm ambas de levar vestido um camuflado do exército (ou de qualquer outra tropa, eu só percebi que eram camuflados). Uma de vocês tem de ser mais do que soldado raso. Não liguem nenhuma a quem fixa em vós o olhar, e avancem entretidas na conversa.

 

O trigo é limpo, a farinha é amparo.

 

Não houve UM ÚNICO homem que não tenha virado a cabeça para trás, e ao pé das escadas do Saldanha Residence até se juntaram em mais do que um grupinho a comentar a graduação de uma delas (furriel diz-vos alguma coisa? Foi uma das coisas que eu ouvi das conversas que a passagem das meninas gerou nos vários grupos).

 

Somos todos modernaços, e prafrentex, e igualdade e coiso e tal, mas nas coisas mais básicas é que se vê que o português ainda é um complexado e um básico do caraças.

 

Ainda temos tanto que andar....

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Ada Lovelace Day

por jonasnuts, em 07.01.09

Se querem saber quem foi a Ada Lovelace podem ir à respectiva página da Wikipédia, aqui.

 

Mas este post tem pouco a ver com a Ada, tem mais a ver com um movimento de que me apercebi já não sei onde. Twitter, Facebook, leitor de feeds de RSS, link que segui algures, mail que me chegou, sms. No idea. Também não interessa.

 

Parece que alguém sentiu a necessidade de exaltar as qualidades das mulheres em geral, no âmbito das tecnologias. Aparentemente as mulheres que se movimentam nesta área são pouco reconhecidas, pouco referidas, são desvalorizadas, a suas inovações e as suas caras pouco conhecidas. E continua por aí fora, com uma ode às heroínas por cantar. Então pede-se aos Blogs que falem dessas incompreendidas e desvalorizadas profissionais da área da tecnologia.

 

 

Ora isto irrita-me um bocadinho. O mesmo tipo de irritação que me provocam as quotas mínimas obrigatórias.

 

Se há imbecis que discriminam com base no género, é uma resposta igualmente (ou mais) imbecil responder com discriminação positiva.

 

Eu não quero ser contratada porque a empresa x tem de cumprir uma quota mínima de profissionais que têm vaginas em vez de pénis. Eu quero ser contratada (ou valorizada ou elogiada ou repreendida ou despedida) com base nas minhas competências (ou falta delas), e não com base em algo que não escolhi, e que não me define em regime de exclusividade.

 

 

 

Irrita-me o proteccionismo, cheira-me sempre a paternalismo bacoco, mesmo que inadvertido.

 

Eu trabalho há muitos anos numa área ligada à tecnologia. Há mais de 10 anos. Não cheguei a esta área nem por cunhas nem por quotas. Gosto de pensar que me mantenho por aqui, não só porque gosto, mas também porque as minhas competências são apreciadas. Gosto de ver o meu trabalho reconhecido (quando é caso disso), mas há um grupo muito reduzido de pessoas cujo reconhecimento valorizo (não chegam para preencher os dedos de uma mão).

 

Há duas pessoas no mundo que me podem avaliar e/ou reconhecer com base no sexo. O meu namorado e o meu filho (este último com exclusiva incidência ao período em que eu o amamentava).

 

Se há mulheres que se sentem discriminadas na área das tecnologias, que arranjem um par de tomates e façam frente a quem as discrimina, cara-a-cara, dia-a-dia. Não me venham cá pedir postezinhos piedosos de exaltação de qualidades que, em pessoas doutro sexo, seriam triviais.

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Acontecem ainda, infelizmente, um pouco por todo o lado. Ainda há quem discrimine com base nas características físicas de uma pessoa. Incluindo o estado português.

Não queria acreditar quando me disseram isso mesmo, há bocado. Mas fui confirmar, online, e parece ser mesmo verdade. A nota da disciplina de educação física conta para a média de acesso à faculdade, mesmo para cursos que nada tenham a ver com desporto. Portanto, um aluno que tenha média de 20, mas tenha um qualquer problema físico que o impeça de ter boas notas a educação física, fica à partida, impedido de entrar na faculdade, porque a sua incapacidade física o impede de manter a média.

Isto é um absurdo. Que a educação física seja obrigatória durante toda a escolaridade obrigatória, independentemente da área que se escolheu, acho muito bem.

Mas contar para a média?

Quais são os argumentos para que a educação física conte para a média, quando se pretende entrar em Direito, ou em Arquitectura, ou qualquer outro curso que não tenha uma componente física?

Não consigo perceber. Não vejo razão de ser. Discordo completamente.

Onde é que eu assino?

Onde é que eu protesto?

Quem foi o imbecil que teve a ideia? Provavelmente alguém com muito músculo e pouco cérebro.

Disclaimer: Sempre fui aluna de 20 a educação física, e o meu filho vai, aparentemente pelo mesmo caminho.

A petição, que já assinei, está disponível aqui.

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