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Os gravadores e o Público

por jonasnuts, em 16.05.10

O que é que tem a ver uma coisa com a outra? Aparentemente nada, mas na minha cabeça, tudo.

 

No caso dos gravadores há um deputado que, claramente, comete um erro. Perdeu a cabeça, meteu os gravadores ao bolso e bazou.

 

No caso do Público a dar como facto que o adepto do Benfica tinha morrido, publicando a notícia (ouvida num fórum da Benfica TV), sem antes a confirmar, também é um erro.

 

Nenhum destes erros me chateia. Se os erros me chateassem eu só lidava com máquinas. Errar é humano.

 

Estou mais interessada na resposta ao erro. E, nos dois casos, a resposta foi errada.

 

Se o deputado Ricardo Rodrigues, ao cair em si, tivesse pegado no telefone e ligado para os jornalistas, reconhecendo o erro, devolvendo os gravadores e pedindo desculpa, a coisa, na minha perspectiva, tinha-se resolvido e tinha ficado por ali. Não. Persistiu no erro.  Neste momento, já não tem volta a dar.

 

No caso do Público, a mesma coisa. Se tivessem assumido o erro, relatado a verdade dos factos e pedido desculpas pelo erro, a coisa tinha passado, porque, reconhecerem o erro era sinal de que estariam mais atentos no futuro. Não, tentam deitar as culpas para cima da Benfica TV, como os putos dizem à mãe, que não fui eu, foi o cão. Neste momento, já não têm volta a dar.

 

Se os erros me chateassem, eu só lidava com máquinas, já o disse ali em cima. A forma como as pessoas lidam com os erros que cometem é que me esclarece, mais do que os erros cometidos.

 

Nestes dois casos, fiquei plenamente esclarecida.

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Tenho estado atenta às emissões da TV da Assembleia da República.

 

Na minha opinião isto está a correr mal para os deputados, pelo menos na minha perspectiva.

 

O que se tira é que a grande maioria (sim, há excepções) não sabe falar. Regras de concordância então.....é mentira.

 

E o que se tira em segundo lugar é que os senhores deputados não fazem a mínima ideia de como funcionam as empresas em Portugal, pelo menos a julgar pelas perguntas completamente básicas que fazem a todos os intervenientes.

Ou isso ou são ingénuos.

 

Não sei o que é que prefiro, alheamento da relidade ou ingenuidade.

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Computadores públicos, vícios privados

por jonasnuts, em 19.03.10

O título do post pode ser enganador.

 

Isto por causa da cena hoje, na Assembleia da República, em que alguns deputados se chatearam com os fotógrafos que invadem a sua privacidade (conseguindo fotografar o ecrã do computador que ali têm disponível) e o presidente da Assembleia da República a explicar-lhes que a AR é um espaço público e que os computadores não são privados. A notícia, aqui.

 

 

Cá para mim o Jaime Gama é um infoexcluído. A questão não é o instrumento, é o que se faz com ele (sim, também se aplica aqui, esta máxima). Se o deputado estiver a consultar a sua conta bancária, são dados privados. Se estiver a ver o mail, são dados privados, se estiver a inserir passwords, são dados privados. O computador pode ser um bem público, mas o que se faz com ele pode (e muitas vezes deve) ser privado.

 

E não me venham com a treta do "se está no hemiciclo só pode fazer coisas relacionadas com o que está a ser debatido, quer consultar a conta bancária, que consulte a partir de casa", vivemos nuns tempos em que cada vez mais o horário de expediente deixa de existir, e o social, o profissional, o familiar se entrecruzam. Já não há horas marcadas para as coisas, os telemóveis e a internet trouxeram-nos, também, isso.

 

Aquela coisa de ter um emprego toda a vida, entrar à mesma hora, ir almoçar a casa, regressar e sair a horas certas, já não existe. Com o telemóvel e a internet (e agora, com ambos) estamos disponíveis sempre que tenhamos o telemóvel ligado. Ou achariam bem que um jornalista ligasse a um deputado para lhe fazer uma pergunta e deputado respondesse, lamento imenso mas são 18h05 e já não estou a ser deputado a esta hora. Cairia o Carmo e a Trindade. E com razão.

 

Decidam-se. Não podem ter sol na eira e chuva no nabal.

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