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Jonasnuts

Spam

Enquanto aguardo que me atendam da Venca, que não faço ideia do que seja, só sei que me spamaram, aproveito para escrever um post.

 

Há mais alguém que telefone aos remetentes de spam e os descomponha? Ou sou só eu?

 

Fiquei curiosa, porque à minha volta a reacção é de "suspiro, revira olhos, lá está esta a reclamar".

 

A CNPD vai ter de criar um departamento só para as minhas queixas à conta do RGPD.

RGPD - Como ser compliant em 3 passos simples

Tenho visto muitos posts a anunciar workshops que explicam como ficar compatível com o Regulamento Geral de Protecção de Dados que, ao contrário do que muitos julgam, já está em vigor (o que começa em finais de Maio são as penalizações por incumprimento).

 

Como eu dizia, há formação para todos os gostos. Cursos, workshops, palestras, keynotes, é à vontade do freguês. Para todos os gostos e para todos os bolsos, claro.

 

Eu, que estou profissionalmente a endereçar o tema, e que, enquanto utilizadora e possuidora de dados estou atenta, decidi dar uma borla de consultoria digital a todos os que estão à nora (e vão continuar a estar) com estas coisas dos dados pessoais e respectiva protecção.

 

São 3 passos simples, para que não haja lugar a qualquer denúncia e, consequentemente, a multas (que são pesadotas, felizmente):

 

1 - Não te armes em Chico-esperto. Não, tu não és mais esperto que os outros.

2 - Respeita os teus clientes/utilizadores/audiência.

3 - Não trates o teu cliente/utilizador/visitante como se fosse carne para canhão.

 

Pronto. Cumpram estes três passos simples e ficarão compatíveis com o RGPD.

 

Não tem de quê.

Se não percebem da poda, não podem

Duas notícias que me assustam e preocupam, nos últimos dias.

 

A primeira, tem a ver com o desejo do Governo em criar uma base de dados que cruze os dados dos cidadãos, entre o Serviço Nacional de Saúde e as Finanças.

 

A segunda (e isto é visto como uma boa notícia, pela maioria das pessoas), que o Serviço Nacional de Saúde vai deixar de ter os resultados das análises e exames em papel, optando pela via electrónica, quer para os enviar aos médicos quer aos utentes.

 

E estas notícias, que estão relacionadas por ambas envolverem o serviço nacional de saúde, estão também relacionadas doutra forma, nomeadamente, porque em ambos os casos, as grandes costas largas que são os "meios electrónicos" são atirados para cima da mesa, sem grandes explicações.

 

Para que raio quer o governo criar uma base de dados que cruze informação clínica e fiscal dos utentes?

 

E quem é que teria acesso a esta base de dados que, tendo informação clínica, está ao abrigo do sigilo médico/paciente?

 

O mesmo se aplica ao envio de informação clínica por meios electrónicos, quer aos médicos, quer aos utentes. Quem é que tem acesso a esta informação? Não nos casos em que tudo corre bem, e como é suposto que corra, mas nos outros casos todos, os hackers que com maior ou menor facilidade conseguem ultrapassar as barreiras. A equipa técnica responsável pela infra-estrutura tem acesso a tudo.

 

E eu não quero que informação sensível minha (e do meu filho, já agora), esteja ao alcance de pessoas que não conheço e que não são os meus médicos.

 

E não me venham com tretas sobre a segurança dos dados, porque, para cada modelo seguro que me apresentem, eu arranjo com facilidade milhentas fragilidades e portas de entrada.

 

Portanto, senhores do governo, brinquem com o que quiserem, com as vossas pilinhas se vos aprouver, nada contra, mas deixem em paz a minha informação clínica, que nessa, mexo eu e o médico que eu escolher. Vocês não têm nada a ver com o assunto.

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