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Jonasnuts

Os Chico-espertos do RGPD

Estando particularmente atenta aos temas do RGPD, por via do que faço na vida e por via do interesse que tenho, desde há muito, sobre dados pessoais, tenho encontrado, nos últimos tempos, algumas pérolas de pessoas, entidades e organizações que olharam para o regulamento e tiveram, vá, uma leitura criativa da coisa.

 

Aproximando-se o dia 25, começam a ser cada vez mais, os exemplos de como não fazer. Mas, confesso, como este exemplo da imagem, não vi mais nenhum. Pode ser que haja, mas com esta lata, não vi.

danone.jpg

 

Isto é um passatempo, que é como se chamam os concursos que não passam pelo Governo Civil. Tem prémio garantido. O botão diz "Jogar". Já as letrinhas pequeninas, o que dizem é "Fazendo clique confirma que aceita continuar a receber as nossas comunicações para desfrutar de todas as vantagens que temos para si."

 

Clicando no botão, vamos ter a um site, onde nos é apresentado um pop-up com um texto muito apelativo:

"Quer ganhar mais prémios?

É muito fácil: divirta-se jogando com os seus pontos
Danone e os prémios podem ser seus.

Para continuarmos a falar consigo e a informá-lo sobre as
nossas vantagens necessitamos da sua confirmação.
Aceita receber as nossas comunicações?"

Duas checkbox, uma sim e outra não, e um botão "entendido".

 

danone2.jpg

 

Ainda não vi campanha de recolha de autorizações que contrariasse de forma tão violenta o espírito do RGPD.

 

Não entendo, muito sinceramente, como é que uma multinacional que tem, presumo, gabinete jurídico, se põe a jeito desta forma. Nenhuma das autorizações angariada desta forma será válida.

 

Este será um processo muito interessante de acompanhar.

RGPD - Como ser compliant em 3 passos simples

Tenho visto muitos posts a anunciar workshops que explicam como ficar compatível com o Regulamento Geral de Protecção de Dados que, ao contrário do que muitos julgam, já está em vigor (o que começa em finais de Maio são as penalizações por incumprimento).

 

Como eu dizia, há formação para todos os gostos. Cursos, workshops, palestras, keynotes, é à vontade do freguês. Para todos os gostos e para todos os bolsos, claro.

 

Eu, que estou profissionalmente a endereçar o tema, e que, enquanto utilizadora e possuidora de dados estou atenta, decidi dar uma borla de consultoria digital a todos os que estão à nora (e vão continuar a estar) com estas coisas dos dados pessoais e respectiva protecção.

 

São 3 passos simples, para que não haja lugar a qualquer denúncia e, consequentemente, a multas (que são pesadotas, felizmente):

 

1 - Não te armes em Chico-esperto. Não, tu não és mais esperto que os outros.

2 - Respeita os teus clientes/utilizadores/audiência.

3 - Não trates o teu cliente/utilizador/visitante como se fosse carne para canhão.

 

Pronto. Cumpram estes três passos simples e ficarão compatíveis com o RGPD.

 

Não tem de quê.

Os chico-espertos do plágio - Take 2

Há chico-espertos para todos os gostos. Aqui há uns tempos, falei (auto-link) dos chico-espertos profissionais, que se aproveitam do trabalho alheio para ganhar dinheiro. Mas há os outros, os que se aproveitam do trabalho alheio para passarem por espertos, sem ser chico, mas sendo. É desta segunda figurinha que venho falar, com um exemplo prático ocorrido no fim de semana.

 

A coisa passa-se no Facebook.

 

No dia 8 de Abril a Helena escreve um post sobre a cena do "E se fosse eu?" Como é habitual, o post estava bem escrito, com inteligência, alguma piada, e era certeiro.

 

Naturalmente, foi parar ao Facebook, onde, aliás, ainda está.

 

No sábado, dia 9, acordo muito cedo, por motivos que não interessam para nada (a sério, são motivos de merda) e dou um pulinho ao facebook, para encontrar um post da Helena, divertida com o facto de ter havido uma abécula a usar as palavras que ela escreveu, como se tivessem sido escritas pela abécula. Sem aspas, sem créditos, sem links, sem porra nenhuma.

 

rogerio.jpg

 

 

 

Dizia a Helena, com mention ao senhor, que agradecia muito o elogio, já que o plágio era uma forma de reconhecimento, mas que vá...... umas aspas não faziam mal a ninguém. 

 

E isto apareceu no mural dela, e no mural dele. 

 

E a partir daí foi uma festa. 

 

Team Helena começa a deixar comentários ao post.

 

Primeiro foi a Catarina Ivone, que disse: "Este post não é da sua autoria, mas sim de Helena Araújo. Tenha vergonha! !!! vá pedir-lhe desculpa e a seguir apague-o".

 

Depois fui eu: "Muito bom, este texto. Tão bom que nem lembrava de o ter lido, por quem o escreveu originalmente. http://conversa2.blogspot.pt/2016/04/esefosseeu.html
Se queremos usar o jeito que outros têm para escrever, normalmente fazemos a fineza de citar a origem e creditá-la. De outra forma, é roubo e tentativa de enganar os nossos amigos, levando-os a pensar que somos mais espertos e inteligentes do que de facto somos. Não?"

 

plagio-1.jpg

 

Depois veio a Helena, que perguntou: "Rogério, o seu teclado não tem aspas?" A seguir o Lutz que afirmou "O senhor não tem aspas no seu teclado, nem vergonha na cara".

 

E mais uma catrefada de malta que estava animadíssima para a hora a que aconteceu a coisa. Não tenho o resto dos comentários (devem estar algures nas notificações de mail, mas não justifica o trabalho de andar à pesca).

Reparem...... isto foi praticamente de madrugada, para um sábado. Ainda não eram 9 da manhã e a festa estava lançada. E divertida.

Eu já cá ando há uns anos, por isso, não só fiz alguns screenshots como comentei a dizer que o senhor deveria estar a dormir depois de uma noite de borga, e que quando acordasse ainda ressacado, teria 3 reacções.

 

A primeira seria assustar-se, ao ver tanta notificação, julgando que tinha Facebookado enquanto bêbedo.

A segunda de regozijo, ao ver que os comentários eram a um post feito ainda sóbrio.

E a terceira de horror, ao ver o pandemónio que ali se instalara, e que havia uma catrefada de gente a descobrir-lhe a careca junto de amigos a quem ele queria enganar fazendo-se de esperto.

 

Preconizei também que a reacção do "senhor" seria apagar tudo e bloquear toda a gente, por falta de "material testicular". Eu só não acerto nos números do Euromilhões.

 

Meu dito, meu feito. A meio da manhã, desapareceu tudo. O post, os comentários, a festarola que tínhamos andado a fazer em mural alheio. 

 

Visitei o perfil do Rogério Gomes. Conhecimento é poder. Vi que tínhamos 14 amigos em comum. Fixei 3. Serão tagados nos comentários ao post do Facebook que há-de acontecer automaticamente assim que publicar isto.

 

Caro Rogério Gomes, mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo. O Luís Aguiar-Conraria que é um gajo simpático, diz que apaga o post dele se aparecer um pedido de desculpas à Helena. Eu não sou uma gaja simpática.

 

Não sou simpática, mas tenho a minha veia de Cassandra. Coberta de razão, quando falei na ausência de material testicular.

 

Os chico-espertos do plágio

A história não é, infelizmente, original, nem é, sequer, pouco frequente, pelo contrário. Mas é sempre bom, desmascarar os abutres dos conteúdos, que nascem e proliferam como cogumelos, nos dias que correm.

 

Há pouco mais de 8 anos, o Vítor Santos Lindegaard escreveu um post no seu blog

 

Até aqui nada de novo.

 

No dia 29 de Janeiro de 2016, portanto, quase 8 anos depois do post original ter sido escrito, um site chamado ncultura publica um post, a que dá o título de "10 particularidades que provam que os lisboetas também têm sotaque".

 

Não é um copy/paste, mas a cópia é óbvia. Tão óbvia que há quem se lembre de ter lido o post original, há 8 anos, e dê pela coisa. 

 

É feito um post no Facebook. E depois outros. E a malta está irritada, pois claro.

Alguém vai ao artigo e deixa um comentário, que não é aprovado.

Alguém sugere que se comente na página do Facebook do nculttura.

Alguém comenta na página do Facebook do ncultura.

O comentário é apagado.

Novo comentário. 

Nova remoção.

Ban.

Outra pessoa comenta.

Comentário apagado.

 

E depois, misteriosamente, aparece no rodapé do post plágio "Fonte parcial: Português de Lisboa: ao que isto chegou…".

Como se lá estivesse estado desde sempre.

 

Vamos lá ver. Copiar um post, transcrevê-lo quase na íntegra e colocar no rodapé a "fonte parcial" não branqueia o plágio, senhores do ncultura. Mesmo que com link. Mesmo que lá estivesse estado desde o princípio. 

 

E não estava, como qualquer pessoa com um mínimo que conhecimentos consegue provar, bastando para isso que vá ao webarchive.

 

sotaque.jpg

 

E quem são os senhores do ncultura, perguntarão vocês?

 

Pois que não sei. O domínio foi registado em Outubro de 2015 em nome duma empresa chamada Draftnatura Lda, com sede no Porto, e um senhor responsável que, presumo, se chame Rui Videira e tem um mail netcabo. A entidade que gere o domínio é a Amenworld, Serviços Internet - Sociedade Unipessoal, Lda, que é a mesma entidade que registou o domínio  amen.pt esse mais conhecido, para já, que o ncultura. 

 

E é só isto que eu sei.

 

Minto.

 

Sei mais coisas. Sei que os senhores fazem parte do moderno conceito de abutres de conteúdos alheios, com vista ao lucro sobre trabalho dos outros. Sei que fazem parte da crescente manada de chico-espertos que acham que podem fazer o que lhes dá na real gana, não sendo nem sérios nem honestos.

 

Adicionar o link tarde e a más horas, depois do tempo de vida útil do artigo, quando já facturaram a publicidade associada e apenas e só porque alguém vos descobriu o roubo não melhora a coisa, na minha perspectiva, pelo contrário.

 

Fazer bem, é simples.

 

Contactem os autores dos conteúdos que pretendem publicar no vosso site. Perguntem se podem. Partilhem receita. 

 

Se sim, sim, se não, não. Tão simples como isso.

 

Há ferramentas que permitem identificar plágios. Tenho séria curiosidade acerca dos resultados que obteria, se colocasse todos os posts do ncultura aqui.

 

A ver se arranjo um bocadinho, para satisfazer a minha curiosidade.

Caras Editoras portuguesas

Ou eu tenho uma pontaria desgraçada, ou estou coberta de razão e vocês não sabem o que andam a fazer.

 

O tema não é novo, e estou farta de vos chamar a atenção para a coisa. Mas não me ouvem. 

 

Eu e os livros somos grandes amigos. Leio que me desunho (e já li mais). E gostava que o meu filho lesse mais, em português (que o puto lê muito, mas é em inglês). E então toca de começar à procura de coisas que lhe possam interessar. Muitos tenho na minha biblioteca, outros não. O kindle, para livros em português é para esquecer porque não há à venda. Façamos marcha atrás e regressemos ao papel.

 

O puto gostou do 1984, do Orwell. Vamos lá ao Farenheit 451 do Bradbury. Ora o Bradbury não é um desconhecido, muito pelo contrário. E o Farenheit 451, imagine-se, até deu um filme

 

Comecei pela Wook. Há. Mas em espanhol. Ok, vamos às livrarias físicas. Aqui à volta do meu trabalho há 3 livrarias. Duas grandes uma pequena. Nada. Fui a, pelo menos, 10 livrarias diferentes. Nada. Por descargo de consciência, até fui ver à Fnac (onde deixei de comprar fosse o que fosse). Nada. E reparem..... nas pesquisas que fiz online, foi muito fácil encontrar links para o livro, em pdf, em português de Portugal. Nenhum dos links me vendia o livro, era só fazer o download e está a andar. Mas eu sou teimosa.

 

Acabei por conseguir comprar o livro por €3 + portes (ficou-me em seis euros e qualquer coisa, paguei mais pelos portes do que pelo livro), a uma particular, no OLX. Encomendei num dia, chegou no dia seguinte.

Untitled__iPhone-Fotografia_2014-10-31_11_26_28_copy_.jpg

 

Agora eu pergunto, caras editoras portuguesas. Vocês queixam-se de que não têm clientes, e que estão a perder vendas, e que assim não conseguem subsistir. E apoiam a criação de taxas sobre dispositivos de storage, por via das cópias privadas que são feitas das obras que vocês vendem. E eu pergunto...... que obras são essas? É que já não é a primeira (auto-link), nem a segunda (auto-link), nem a terceira (auto-link) vez que eu tento comprar um livro, e apenas o consigo fazer com MUITA dificuldade. E só porque sou realmente teimosa. 

 

Alternativamente, já tive oportunidade de explicar como é que a coisa se faz (auto-link). 

 

Mas vocês não querem saber, pois não? Ou melhor, estão fartos de saber, mas não vos interessa. Porque dá trabalho. É muito mais fácil não fazer pela vidinha, e esperar que vos caia nos bolsos os dinheiros provenientes de taxas cobradas sobre indústrias alheias.

 

Não contem comigo. 

 

 

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