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Jonasnuts

No rescaldo do debate

Fui convidada a participar, no passado dia 16 de Maio, num debate promovido pelo Bloco de Esquerda, sobre o tema "Pirataria e censura digital".

 

O tema pareceu-me interessante, tenho falado bastante sobre a coisa, havia pluralidade de opinião (não estava só um dos lados) e pareceu-me coisa séria e com potencial de interesse. Decidi aceitar o convite, porque sou assim, uma ingénua disfarçada de fundamentalista, e os meus valores democráticos teimam em vir à tona, depois de um período de desilusão decorrente da experiência anterior. 

 

E lá fui eu.

 

Devo dizer que a capacidade de mobilização da malta da indústria é assinalável. Já tinha dado por isso quando fui ao Prós e Contras e, mais uma vez, na Casa Amarela da Assembleia da República, essa capacidade revelou-se. Ou isso ou andam sempre em manada.

 

Eu gosto de debates. A sério que gosto. Mas debates onde se debata. E onde se ande à batatada. Batatada no bom sentido do termo, onde haja diálogo, e onde se esgrimam argumentos.

 

Também gosto das coisas equilibradas. Por isso estranhei que, na mesa, estivesse o deputado Pedro Filipe Soares, e 4 pessoas. Teria lógica que, havendo 4 lugares, dois fossem ocupados por pessoas a favor do memorando de entendimento, e outros dois por pessoas contra o memorando de entendimento.

 

Mas não....... Estavam 3 pessoas contra o memorando (eu incluída) e uma pessoa a favor do memorando. Chamei a atenção para isso, ao deputado Pedro Filipe Soares, que desvalorizou.

 

O modelo escolhido para o "debate" em causa (com aspas) não proporcionava.....debate. Era por rondas. Cada um falava 5 minutos. Sem direito a contraditório imediato, sem diálogo. Boring.

 

Sempre que havia um início de troca de galhardetes o deputado acalmava a hostes, pondo cobro ao potencial de animação.

 

E pronto, foi isto até ao fim.

 

Não se disse ali nada que não pudesse saber-se consultando os blogs dos intervenientes, ou os sites oficiais das entidades que representavam.

 

Tudo muito estéril.

 

No final, a cereja no topo do bolo, e a demonstração de que, de facto, o Bloco de Esquerda é muito hábil na gestão/manipulação cirúrgica da opinião pública.

 

Na intervenção de conclusão do debate, o deputado Pedro Filipe Soares, encerra tentando agradar a todos.

 

"Há direitos que não estão a ser salvaguardados com esta legislação e com este memorando", diz, agradando a quem está contra o memorando, mas "admite que poderá não ser uma tarefa à qual o partido possa dedicar-se no curto prazo", refere mais à frente, dando a mensagem que a indústria quer ouvir, não se preocupem que não vamos fazer nada.

 

Portanto, estamos contra, mas não vamos fazer nada.

 

Gregos e Troianos. Burros e Ciganos. Cravos e Ferraduras.

 

Entretanto serviu para criar buzz, e piscadelas de olhos no twitter.....

 

fogodevista.jpg

Notícias no Tek, aqui e aqui. Notícia e áudio do "debate", aqui.

 

Não serviu para quase nada, este "debate". E digo quase porque, pela parte que me toca, serviu para confirmar que não sirvo para a política (este tipo de política) e serviu para me vacinar durante mais uns tempos. A ver quanto tempo dura o luto, desta vez.

 

Programa para o próximo fim-de-semana

(1) Cabide, a revista ao vivo.jpg

 O programa completo, para os dois dias:

 

Índice | Cabide nº4
Teatro da Trindade

Sábado, 21 de Maio
15h30-18h
[Intervalo 17h-17h15]

Editorial
João Pombeiro e Luís Alegre

Kazoo Karaoke
João Mestre e Vasco Martins

Primeiro milhão com a literatura
Afonso Cruz

Os números enganam
David Marçal

O interesse do interesse
Rui Tavares

Repetição e cópia
Carla Hilário Quevedo

Haverá vida para além da cópia?
Ilustração de André Carrilho

A evolução das indústrias
Maria João Nogueira


21h30
Filme escolhido por Pedro Mexia

Domingo, 22 de Maio
15h30-18h00
[Intervalo 17h00-17h15]

Kazoo Karaoke
João Mestre e Vasco Martins

Real Fake
Luís Alegre

As minhas cenas
Kalaf Ângelo

O poder das cópias
José Bragança de Miranda

Haverá vida para além da cópia?
Ilustração de André Carrilho

Entrevista a Francisco Teixeira da Mota
João Pombeiro

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