Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Arquivo



Isabel Alçada e o lapso dos professores

por jonasnuts, em 26.10.09

Já vi diversas reacções, na comunicação social tradicional, de professores à nova ministra da educação, Isabel Alçada.

 

A grande maioria das reacções é favorável, e que é uma ministra conhecedora dos problemas dos professores, e que é uma pessoa sensível, e que é dialogante, e que vai ouvir o professores.

 

Não ponho em causa o que está a ser dito, o problema, é que se ser ministra da educação passasse em exclusivo por ouvir os professores, qualquer atrasado mental podia ser ministro da educação.

 

O problema, é que qualquer ministro da educação tem de ouvir os professores, os alunos, os pais, os outros intervenientes no processo educativo, e tem de olhar para a evolução dos estudantes, e para os programas e para mais uma série de coisas que farão sentido.

 

De toda a polémica sobre a avaliação o que saiu foi que os professores não querem ser avaliados. Querem que a coisa se mantenha como está. Pode ser que seja diferente, mas isto foi a ideia com que fiquei do que vi e ouvi.

 

E sim senhor, os professores têm uma enorme capacidade de se organizarem e mobilizarem (ou alguém por eles, não interessa), mas do que não se podem esquecer é que há um grupo grande, maior que o deles, que quer que eles sejam avaliados.

 

São os alunos e os pais. Têm menos capacidade de organização e mobilização, mas querem ver os professores avaliados pelo que, o que eu acho que os pais devem esperar desta nova ministra (e do governo, e da oposição, já agora), é que oiçam todas as partes, escolham um modelo de avaliação justo e eficaz, e o ponham em prática.

 

O actual modelo de avaliação, que já estava em vigor antes da anterior ministra*, é uma palhaçada e uma fantochada, não avalia nada e quem quer a sua continuidade são os que se estão borrifando para a classe de professores mas que se importam muito com a classe dos funcionários públicos.

 

E já repararam como o termo "funcionário público" que há uns anos era sinónimo de prestígio e importância, hoje tem uma conotação pejorativa? Está ali, quase ao nível dos advogados, dos jornalistas e dos publicitários. Todos dizem às mães que são pianistas num bordel. Quase.

 

 

ACTUALIZADO: * afinal, mentes mais esclarecidas que a minha, informam que o modelo de avaliação que está em vigor, é o que foi proposto pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Corrijo a informação anteriromente prestada, mas não altero em nada a minha opinião.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dos professores e avaliações

por jonasnuts, em 21.11.08

Tenho andado a aprender e a descobrir coisas novas sobre a educação, na tentativa (vã) de me instruir sobre este processo de avaliação dos professores proposto pelo governo, e da acção de protesto dos sindicatos. Ainda não consigo ter opinião, mas já tenho várias pequenos apontamentos que contribuirão para a minha opinião final, caso um dia consiga ter uma:

 

1 - Os professores estão mal representados. A pessoa que mais barulho faz, apresentando-se como representante dos professores, Mário Nogueira, pode saber falar ao coração de alguns professores (não acredito que fale ao coração de todos), mas não sabe comunicar com o resto das pessoas. Passa por teimoso, mal-educado, birrento e a precisar de levar uns açoites no rabo, para acabar com a crise de mimo. Da mesma forma que o meu filho quer uma PSP, o senhor quer derrubar a ministra. Deve ficar bem no currículo de sindicalista: "ora vamos lá ver quantos ministros já derrubou este senhor. E secretários de estado? Sim senhor, um belo currículo." Se calhar recebem pontos, como nos postos de gasolina.

 

2 - O Governo não sabe o que anda a fazer. Como não acredito que o senhor do parágrafo ali de cima consiga falar ao coração de muitos professores, resta-me acreditar que o número de participantes nas duas maiores manifestações feitas até agora tem a ver com a impraticabilidade da proposta do governo (mais do que com as reivindicações dos sindicatos). Outra possibilidade era eu pensar que muitos professores não querem mudar o sistema de avaliação, mas eu ainda não estou emocionalmente preparada para me inclinar para esta hipótese.

 

3 - Ninguém parece saber muito bem como é que se avaliam os professores. Várias propostas idiotas têm sido já adiantadas: que se mantenha o sistema que existe, que sejam os alunos a avaliar, que seja baseada no rendimento dos alunos, que sejam os pais dos alunos.... enfim, palermices. Ainda não vi UMA proposta de jeito que me tenha levado a pensar...peraí, isto é capaz de poder fazer algum sentido.

 

4 - Os pais dos alunos, e os alunos, não são perdidos nem achados no meio desta confusão.

 

5 - Estou pior do que estava no início deste processo. Cada vez sei mais, mas cada vez percebo menos.

 

6 - As generalizações são perigosas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

À Ministra da Educação

por jonasnuts, em 10.11.08

(Ando um bocadinho armada em Blog postal, com tanta carta aberta, mas é uma questão de estilo).

 

Cara Senhora Ministra da Educação,

 

Tenho acompanhado com interesse todo o processo problemático de avaliação dos professores que tem neste momento em mãos. E tenho-o feito porque, conceptualmente, concordo consigo, é necessário que os professores sejam avaliados, para se premiarem os melhores, e para se ajudar os piores a evoluírem no bom sentido (seja a melhorar as competências seja a mudar de profissão).

 

Para quem está de fora, o processo não é pacífico de entender. Dos soundbites do fim-de-semana o que fica das suas declarações e das declarações do Sr. Primeiro Ministro, é que estão disponíveis para o diálogo (o que é uma coisa boa), e que não há retrocesso. Mas, depois de ir além dos soundbites, fui ver que se calhar não é bem assim, pelo menos na parte do diálogo.

 

Eu não estou do lado de ninguém, ainda. Porque não tenho informação e os conhecimentos necessários para poder tomar partido. Em última análise estou do lado do meu filho, que é estudante. Assim, e porque já fiz um pedido aos representantes dos professores, faço-lhe alguns a si também:

 

1 - No site do Ministério, não catalogue o tema sob a categoria de "Professores". Esta é uma questão que interessa a todos, e uma vez que está tão disponível para o diálogo, inclua nesse diálogo os outros agentes da educação, nomeadamente os pais e os alunos. Vi-me e desejei-me para encontrar informação dirigida a mim. O que me leva à segunda sugestão.

 

2 - Traduza para linguagem de pessoas normais o modelo de avaliação que propõe. Se possível com meia dúzia de exemplos práticos. Uma pessoa que esteja fora do sistema não sabe o que é um professor titular, nem uma direcção executiva, nem serviço não lectivo. Uma espécie de "A proposta do Governo for dummies".

 

3 - Não use a comunicação social (a comunicação social também devia receber uma cartinha minha, já agora) para deturpar a realidade. Bem sei, os soundbites são o que fica e ecoa, mas quem tentar aprofundar um bocadinho a questão, nomeadamente se começar a ler alguns Blogs, ou se tentar decifrar a sua proposta de avaliação, vê que afinal, diálogo e disponibilidade para acordo não são traços da sua actuação mais recente.

 

Porque este é um tema que interessa a todos (ou devia interessar), era importante que fosse comunicado numa linguagem que todos percebam. Eu percebi a parte em que manifestou a disponibilidade para o diálogo, mas, depois de bem espremidinho, não sobrou mais nada que isso e mesmo isso, vai-se a ver melhor, e não é bem assim.

 

Porque, a continuar o actual percurso das coisas, tudo isto passa como um jogo de forças entre o Ministério e os Professores, perdendo-se o foco naqueles que deveriam ser o objectivo primordial do seu trabalho, os alunos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aos sindicatos dos professores

por jonasnuts, em 09.11.08

Caros senhores representantes dos professores,

 

Como cidadã comum, devo informar-vos que tenho acompanhado a vossa luta e os vossos esforços, no sentido de se fazerem ouvir pelos senhores do Governo.

 

Ainda como cidadã comum, devo dizer-vos que a mensagem que têm passado, não corresponde, creio, à realidade.

 

Depois de ouvir as notícias, durante o dia de ontem, a ideia que fica é que os professores não querem ser avaliados e não querem dialogar. Ficou também a ideia de que o governo está aberto ao diálogo e à cooperação.

 

 

Já me disseram aqui no Blog que não é bem assim, que os professores não concordam com o modelo proposto pelo Governo, mas que não estão contra o facto de virem a ser avaliados. É o modelo e o processo que estão errados, não o conceito de avaliação.

 

Os senhores estão, portanto, a fazer chegar a mensagem errada aos cidadãos que, como eu, são comuns. Pode ser que seja uma mensagem compreendida pelos professores, mas as pessoas vulgares, como eu, não sabem disso.

 

Saberão também que, por mais autocarros que tragam para Lisboa e para o Terreiro do Paço, se não tiverem o apoio ou a compreensão, daqueles que são, como eu, pessoas comuns, a vossa posição, por mais correcta que esteja, fica fragilizada.

 

Bem sei que têm alguma experiência em propaganda política, pelo menos daquela que se fazia há uns anos, mas hoje, é preciso mais. Hoje existem consultores de comunicação que podem dar uma ajuda preciosa, para que a mensagem que querem passar seja, efectivamente, a que passa (e não é isso que está a acontecer). Assim de repente, ocorre-me este exemplo.

 

Assim de repente, a mim, cidadã comum, ocorrem-me 3 ou 4 coisas que poderiam ser feitas (e se calhar já estão feitas, mas eu não as encontro).

 

1 - Traduzir para linguagem de pessoas normais a proposta de avaliação do governo.

2 - Responder uma a uma às FAQ disponibilizadas no site do Ministério da Educação.

3 - Dar visibilidade à vossa proposta alternativa, que ainda não consegui encontrar em sítio nenhum (traduzida para linguagem de pessoas normais).

4 - Em circunstância alguma deixarem que os noticiários das televisões abram com declarações bombásticas do tipo "Não estamos disponíveis para o diálogo, não há qualquer possibilidade de acordo". Até pode ser verdade, mas é o tipo de coisa que assim, a abrir um telejornal, não cai bem.

 

Porque, a continuar o actual percurso das coisas, tudo isto passa como uma birra dos professores, que não querem ser avaliados.  E isso não serve a vossa (nossa) causa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ajuda, precisa-se.

por jonasnuts, em 09.11.08

Estou farta de andar à procura (site do Ministério da Educação, Site da Fenprof, etc.), e não encontro em sítio nenhum o documento que descreve, define e regula o modelo de avaliação dos professores que está na ordem do dia.

 

Marco, esses formulários que estão disponíveis para download seriam um bom começo sabes o url?

 

Sendo parte interessada (sou mãe de um puto que está no 5º ano), e agora que enveredei por este caminho, tendo professores na família próxima e directa, e depois de ler os comentários ao meu post anterior, quero saber do que falo.

 

Alguém sabe?

 

Muito agradecida.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Professores, eram mais que as mães

por jonasnuts, em 09.11.08

Não sei, de facto quantos foram, mas hoje foi um dia bom para a Brisa. A caminho de Lisboa, pela A1, entre Coimbra e Santarém contei 340 camionetas (deu-me uma soneira desgraçada, que camionetas e carneiros, a coisa vai dar ao mesmo).

 

Quanto às reivindicações, não entendo, a verdade é essa. Uma classe profissional que não quer ser avaliada? Desculpem lá, eu sou avaliada todos os dias, todos os meses, todos os anos. Porque é que os professores (e já agora outros funcionários públicos) têm uma evolução de carreira baseada no número de anos que levam de profissão? Porque é que não hão-de ser avaliados?

 

Mais, porque é que não querem ser avaliados? Do que ouvi, das declarações dos sindicatos, pareceu-me uma posição absolutamente idiota e arrogante. Não há diálogo, não há conversações, queremos a imediata suspensão da avaliação, senão....

 

Reconheço que não deve ser fácil, encontrar um modelo de avaliação justo, mas não é impossível. Formem uma equipa, constituída pelos intervenientes e seus representantes e chegue-se a um modelo, que possa ser ajustado numa fase inicial. Experimentem em Beta, e depois lancem.

 

Gostava de saber porque é que ainda não ouvi nada das associações de pais, nem da Confederação Nacional das Associações de Pais. Não deveriam ter algo a dizer acerca do tema?

 

 

Tal como em qualquer outra profissão, há bons professores e maus professores. É inevitável que assim seja. É a realidade. Toda a gente que já andou na escola teve bons e maus professores. Eu gostava que os professores fossem avaliados. Os bons promoviam-se, incentivavam-se, premiavam-se. Aqueles que tivessem piores resultados seriam apoiados no sentido de melhorarem o seu desempenho, cursos de reciclagem e de técnicas pedagógicas, e, em último caso, sairiam do sistema. Qualquer mau profissional deve ser dispensado, são as regras de mercado a funcionar. Não só não percebo porque é que não querem ser avaliados, como não percebo que os bons professores, que creio serem a maioria, se sujeitam a ser comparados com as maçãs podres do ensino.

 

Não percebo, desculpem lá.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)






Arquivo