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Sempre gostei de ficção científica. Sempre. O filme podia ser merdoso, mas se fosse de ficção científica, marchava. Porra, eu até do Outland gostei.

 

Estava portanto com uma enorme expectativa em relação ao Interstellar. As críticas eram maioritariamente excelentes. O meu filho adorou e queria muito vê-lo comigo, embora, para ser franca, ele não seja a melhor bitola. Ele teria adorado o Outland.

 

Toda a gente fala da maravilhosa realização, e da espectacular fotografia, das notáveis interpretações, e a montagem, e a edição de som e a música e a ciência e o raio que o parta, mas toda a gente que eu li se esqueceu de dizer que o filme é tristíssimo. É isso que me fica, maioritariamente, do Interstellar. Triste, triste, triste.

 

No meu caso por mais do que uma razão. Eu gosto de cinema. Sempre gostei de cinema. Eu cresci num cinema. A minha avó trabalhava na bilheteira de um cinema. O meu avô foi projeccionista (entre outras coisas). Eu sempre fui ao cinema, não apenas quando passou a ser acessível.

 

Não sou, confesso, muito exigente. Só preciso de silêncio e de escuro. 

 

Não é pedir muito, pois não?

 

É.

 

Depois de perder a guerra das pipocas, e a guerra das embalagens de plástico, e a guerra dos sussurros, e a guerra de atenderem a porra dos telemóveis, e tudo, e tudo, e tudo, e quando eu achava que não havia mais guerras para perder, fui ver o Interstellar.

 

Eu atraio, é verdade. Os senhores que vendem os bilhetes têm um talento especial, concedo. Vêem que sou eu e pensam assim: quem é que a gente vai pôr ali para chatear a gaja a ver se ela nos larga a labita?

Ontem foi na mouche. Na sessão das 16h30 do Oeiras Parque, nós estávamos na penúltima fila. Ao meu lado um casal. Sem pipocas. Ena. Escurecem as luzes. Os lugares atrás de mim, 6, vazios. 

 

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

 

Bingo.

 

Ainda durante a publicidade, chega aos lugares atrás de mim uma família. A família era constituída por um casal de 50 e poucos anos. As suas duas filhas. E os seus dois netos. Um puto que não tinha mais de 3 anos, e uma miúda que não tinha mais de 5.

 

Até uma porra de um carrinho de transporte de crianças aquela gente levou.

 

Obviamente, a miúda de 5 anos não parou quieta o tempo todo de um lado para o outro, e quando sentada, a dar pontapés das costas da cadeira da frente, a minha. O puto esteve cheio de medo e a fazer barulho durante as 3 HORAS que dura o filme.

 

Que as pessoas sejam imbecis, já não me surpreende. Que os responsáveis pela sala permitam a entrada de duas crianças que claramente não devem (nem podem) estar ali, é o meu limite.

 

Ir ao cinema comigo não é uma experiência agradável. Reconheço que a minha família, substancialmente mais tolerante do que eu, stressa com o meu stress. Stressa quando mando calar as pessoas, stressa quando me viro para trás para olhar de forma insistente para quem está a fazer barulho, stressa quando eu stresso. Por isso esforço-me por não lhes estragar a coisa. 

 

Ontem não fiz grande coisa. Olhei para trás meia dúzia de vezes quando a coisa se tornava mesmo insuportável. Não fiz mais nada.

 

Mais nada, não. Ontem tomei uma decisão. A bem da minha sanidade mental e da da minha família, não volto ao cinema. 

 

Já disse que o Interstellar é um filme tristíssimo?

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21 comentários

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De Izzie a 17.11.2014 às 10:55

Bem hajas, por seres do tipo de expectadora de cinema que eu gostaria que enchesse as salas. Não somos suficientes, e estamos todos a desistir. Nós desistimos há coisa de um ano, ano e meio, que cada ida ao cinema era um desgaste insuportável. E se fossem só as crianças... O pior são adultos com mais que idade para ter juízo! Certa vez tivemos uma discussão muito acesa, com um grupo de cinquentonas que se portavam como garotas tolas. Findo o filme uma delas veio tirar satisfações, aos 'garotelhos' que tinham tido o topete de a mandar calar (várias vezes, por sinal, e da última me mate disse só que lhes dava 5 segundos ou havia chatice). Armou uma escandaleira, que éramos o produto de políticas do Sócrates, que acabou com a educação e assim (presumo que fosse professora, aliás, a forma como se nos dirigiu era muito conforme). Um horror. Era um filme muito intenso, com diálogos a pedir atenção, e aquele bando aos risos e a comentar o DiCaprio, juro.
Bom, ver em casa é muito mais sossegado, barato, e pronto.
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De jonasnuts a 17.11.2014 às 11:04

Os miúdos são apenas o reflexo dos pais.

É pena ter de desistir, porque sempre era uma das actividades que podia fazer em conjunto com o meu filho. Tendo em conta que se trata de um adolescente, não há assim tanta coisa que possamos fazer juntos, nesta altura do campeonato :)
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De Anónimo a 17.11.2014 às 11:24

Eu as pipocas e as bebidas ainda suporto (até mesmo o sorver da última gota que está no copo), agora o barulho de conversas, atender o telemóvel, alertas de SMS, etc. também me dão cabo do juízo.
Na última vez que fui ao cinema, durante o intervalo avisei alguém nas bilheteiras que aquilo estava a ser uma barulheira (eles sabiam porque já lá tinham ido avisar). Disseram que iam estar atentos.
Durante a segunda parte foram lá mais duas vezes avisar os jovens. Foi o mesmo que nada.
No final pedi o livro de reclamações. Deixei reclamação e devolveram-me o dinheiro. Foi a ultima vez que fui ao cinema. Já lá vão uns 3 anos.
Se propuser que um tipo destes seja expulso a meio da sessão sou considerado o quê ? No mínimo um intolerante.
Ricardo_A
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De jonasnuts a 17.11.2014 às 11:27

Além de que, para andares para a frente e para trás nesses trabalhos, estás a perder o filme.
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De Helena Araujo a 17.11.2014 às 12:42

Uma vez os meus filhos adolescentes chatearam-se com os adolescentes da fila de trás, que estavam a fazer demasiado barulho. A minha filha mandou-os calar, fez cara feia.
Quando saíram, descobriu que um dos palermas da fila de trás tinha despejado para o carapuço dela todo o molho de maionese das batatas fritas.
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De somini a 17.11.2014 às 13:17

A melhor altura para ir ao cinema é nos dias de semana na sessão das 13h30. Só estão verdadeiros fãs dos filmes, e o que parecem ser críticos de cinema.
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De César Almeida a 17.11.2014 às 13:50

Jonas, eu sou cinéfilo.

Adoro ir ao cinema, nada tira o encanto daquele ecrã gigantesco com um som a estoirar os ouvidos e nenhum vizinho para chatear.

Mas tenho de concordar contigo no que diz respeito à educação das pessoas nas salas de cinema. Sei o que passas em ambos os sentidos ( no de te estressares com a malta e causar estresse nos teus por não te conseguires calar perante tal mal comportamento) uma vez que não me consigo calar e a minha namorada faz de tudo para que eu não me chateie com a malta desordeira. Mas é mais forte que eu!!

Assim sendo, nós tomamos algumas medidas que nos ajudam a contornar e evitar certos tipos de situações.

Não posso ir ao cinema nos dias de semana às 13:30 como foi sugerido porque o boss não gosta. Não vou à ultima sessão pois esta parece ser ainda pior pois parece que só vão pessoas que não querem ir ver o filme mas acha que cinema é mais barato que motel, portanto o que fazemos é esperar para que o filme esteja quase a sair de cartaz e vamos vê lo.

Mas digo te que o que mais eficaz é, é dar aquela ensabuadela nos "irriquietos" em alto e bom som. Como disse te, não sou de ficar calado, seja por pontapés na cadeira ou seja por barulho enquanto eu estou a tentar a ver o filme ou ainda pelo infame do telemóvel que teima em tocar porque o estúpido do dono do dispositivo esqueceu se de colocar no silêncio.

Eu tento sempre a educação, faço pelo políticamente correto, peço com calma e de maneira polida. Faço isso uma, até duas vezes mas na terceira, a coisa fica feia. O que acho é que todos lá dentro tem o direito de ver o filme pois pagou o mesmo bilhete que eu e portanto eles, assim como eu, não tem o direito de estragar a experiência alheia e se querem andar a conversar, vão lá pra fora, é mais barato e a malta não se chateia.

Fazer o povo passar vergonha, por mais que seja no escuro, resulta. Sempre que há montes de gente a falar no cinema, basta chateares uma em público que as restantes se calam. Falo por, infelizmente, experiência própria.

Mas sim, ir ao cinema nestes dias é extremamente desafiante e sim, o filme é muito triste mas não deixa de ser bom à mesma :D
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De Hugo a 17.11.2014 às 15:31

Realmente cada vez mais parece haver uma epidemia de gente estúpida...

No entanto sou obrigado, por forças várias, a acreditar que as pessoas em geral não estão a ficar mais estúpidas. Mas então que explicações restam que cubram estes comportamentos?

Das duas uma, estatística perversa, ou psicologia.

Estatística, no sentido de que essas pessoas são o óleo para a nossa água, não nos misturamos, e basta uma gota em mil para haver molho... infelizmente não nos lembramos das outras 999 pessoas com quem nos cruzamos todos os dias todo o dia, mas vamos lembrar-nos daquela.

...ou psicologia. Numa sociedade cada mais pressionada no local de trabalho para produzir produzir produzir, talvez essas pessoas, dotadas não tanto de menor educação, mas se calhar de menor capacidade de auto-gestão emocional, dizem, "que se f*da, vamos levar os putos de 3 e 5 anos ao cinema, porque também merecemos, e todo o Universo vai simplesmente ter de compreender..."

No entanto não me confundam com um "apologista". Explicações não são perdões, e como se diz lá para os meus lados, uma boa "bergoada" com cana verde não lhes fazia mal.

Mas, gente com baixo "IQ Social" vai haver sempre. O que falho em compreender no meio disto tudo é a posição dos cinemas.

Estas gotinhas de óleo lixam a receita, e embora se corresse o risco de fazer "uma cena", ao remover a dita família, ou simplesmente não a deixar entrar com 2 infantes, ganharia toda a gente que lá está dentro, e ganharia não só no sentido de ter uma experiência decente, como ganhariam ainda respeito pelo estabelecimento, e a sua estrita adesão a boas regras.

Talvez "bouncers" de cinema?
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De Pensar em voz alta a 19.11.2014 às 16:24

Um código de comportamento aceitável, simples, mostrado em toda a parte, adicionado a avisos por parte de quem gere a sala e umas quantas expulsões ocasionais fariam maravilhas.

Mas se é o próprio cinema que vende as pipocas, sabotadoras da experiência alheia, que moral (ou vontade) poderá ter o gestor da coisa?

Lembrei-me de que poderiam inventar uma diferenciação nas sessões: sessões "vale tudo" (crianças, pipocas e interferências várias) e sessões "mantenha-se quieto e calado", strictly enforced. Isso é que era qualidade de serviço!
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De Dunya a 28.11.2014 às 12:37

Epá, eu até pagava mais se Todo o tipo de comida fosse proibido durante a sessão. A sério.
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De João Lúcio a 17.11.2014 às 19:40

Dica: há mais salas. A localização faz toda a diferença. Oeiras Parque e Cascaishopping são para esquecer.
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De Emanuel Barros a 17.11.2014 às 19:53

Eu já nem me importava dessa gente toda parva que vai ao Cinema.
Eu só queria era ter um Cinema a menos de 50km!


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De Filipa a 18.11.2014 às 02:11

As crianças não são um reflexo dos pais. Se fossem, talvez apreciassem esse monumento à pomposidade que é o Interstellar.

É exactamente por serem crianças que não viram motivo algum para estar sossegadas num local que não compreendem, a ver algo que nenhum sentido lhes fazia.

Suporto bem os putos, não tenho paciência para os quarentões que trocam mensagens entre si (Oeirasparque), para os pais(homens) que, durante o Frozen, passaram o filme e o intervalo a lançar comentários homofóbicos (oeirasparque), para os velhos que vão engatar para o corteinglés, para os que passam a um filme a dizer à filha que ela tem péssimo gosto e os levou a ver um filme de ciganos (UCI- Hotel Budapeste), para os que, na Cinemateca, avisando a folha que o filme apresentaria deficiências técnicas, gritam a meio do filme que estão a ver uma merda, para as velhinhas, que, durante A vida de Adéle, não pararam de sussurrar que o filme era sobre umas fufas anormais (Medeia-Fonte Nova), para os senhores "bem" que não percebem um cu de cinema, mas lançam umas parvoíces durante o filme.

As melhores sessões para se ver um filme são as muito cedo, 14h, as das 18h ou das 0h00. As da tarde são muito aleatórias, tanto podem ter crianças, como estar vazias, etc.

Deixar de ir ao cinema por causa disso? Nem pensar.
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De GH a 19.11.2014 às 00:53

Hehehehe... melhor do que isto só o relato de uma ida ao Pingo Doce em hora de ponta :-) especialmente no bairro típico onde tenho a felicidade de morar.

Um dia destes tens que lá passar para fazer a review da banda sonora, dos diálogos, da plateira e das "bilheteiras".

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