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Caras Editoras portuguesas

por jonasnuts, em 04.11.14

Ou eu tenho uma pontaria desgraçada, ou estou coberta de razão e vocês não sabem o que andam a fazer.

 

O tema não é novo, e estou farta de vos chamar a atenção para a coisa. Mas não me ouvem. 

 

Eu e os livros somos grandes amigos. Leio que me desunho (e já li mais). E gostava que o meu filho lesse mais, em português (que o puto lê muito, mas é em inglês). E então toca de começar à procura de coisas que lhe possam interessar. Muitos tenho na minha biblioteca, outros não. O kindle, para livros em português é para esquecer porque não há à venda. Façamos marcha atrás e regressemos ao papel.

 

O puto gostou do 1984, do Orwell. Vamos lá ao Farenheit 451 do Bradbury. Ora o Bradbury não é um desconhecido, muito pelo contrário. E o Farenheit 451, imagine-se, até deu um filme

 

Comecei pela Wook. Há. Mas em espanhol. Ok, vamos às livrarias físicas. Aqui à volta do meu trabalho há 3 livrarias. Duas grandes uma pequena. Nada. Fui a, pelo menos, 10 livrarias diferentes. Nada. Por descargo de consciência, até fui ver à Fnac (onde deixei de comprar fosse o que fosse). Nada. E reparem..... nas pesquisas que fiz online, foi muito fácil encontrar links para o livro, em pdf, em português de Portugal. Nenhum dos links me vendia o livro, era só fazer o download e está a andar. Mas eu sou teimosa.

 

Acabei por conseguir comprar o livro por €3 + portes (ficou-me em seis euros e qualquer coisa, paguei mais pelos portes do que pelo livro), a uma particular, no OLX. Encomendei num dia, chegou no dia seguinte.

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Agora eu pergunto, caras editoras portuguesas. Vocês queixam-se de que não têm clientes, e que estão a perder vendas, e que assim não conseguem subsistir. E apoiam a criação de taxas sobre dispositivos de storage, por via das cópias privadas que são feitas das obras que vocês vendem. E eu pergunto...... que obras são essas? É que já não é a primeira (auto-link), nem a segunda (auto-link), nem a terceira (auto-link) vez que eu tento comprar um livro, e apenas o consigo fazer com MUITA dificuldade. E só porque sou realmente teimosa. 

 

Alternativamente, já tive oportunidade de explicar como é que a coisa se faz (auto-link). 

 

Mas vocês não querem saber, pois não? Ou melhor, estão fartos de saber, mas não vos interessa. Porque dá trabalho. É muito mais fácil não fazer pela vidinha, e esperar que vos caia nos bolsos os dinheiros provenientes de taxas cobradas sobre indústrias alheias.

 

Não contem comigo. 

 

 

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7 comentários

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De Marco a 04.11.2014 às 14:42

E quando se interpela uma das editoras da leya sobre pq não passam mais livros para ebook, ouves que não pode ser assim pq o ebook tem de oferecer algo mais(áudio e vídeo, animações). Ou qd ouves uma autora a dizer que a editora tinha vários livros dela marcados como esgotados, mas no armazém tinha uns bons milhares.

Algo vai muito mal no mundo das editoras.
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De Tito de Morais a 04.11.2014 às 17:39

Lamentável!

Aqui ficam umas sugestões à tua consideração, de coisas que gostei de ler quando era pré-adolescente:

- Animal Farm (do Orwell, claro!)
http://www.wook.pt/ficha/a-quinta-dos-animais/a/id/209989
(li-o como o "Triunfo dos Porcos", que era um título bem melhor que "A Quinta dos Animais")

- Paris Já Está a Arder? (Larry Collins, Dominique Lapierre)
Sobre a libertação de Pais na 2ª GG

- Alive - The True Story Of The Andes Survivors (Piers Paul Read)
A história de sobrevivência dos passageiros de um avião que caiu nos Andes, nos anos 70)

- A Grande Evasão (Paul Brickhill, que deu origem ao filme)
http://www.wook.pt/ficha/a-grande-evasao/a/id/64126

Abraço
Tito
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De Patrícia a 04.11.2014 às 23:01

Acabei por falar apenas de ebook e audiobooks porque tenho tantos mas tantos livros por ler que tento fugir das livrarias.

E no grupo literário a que pertenço (publicidade descarada à Roda dos Livros http://rodadoslivros.wordpress.com/) há sempre alguém que tem "aquele" livro e mo empresta :)
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De Patrícia a 04.11.2014 às 23:15


É mesmo isso. Adoro ler e gosto de ebooks, pela rapidez, pelo comodismo e simplesmente porque gosto de ler no ereader.
E fico doente com a falta de escolha em Português.

Eu até tenho a opção de ler em inglês e leio mas a minha mãe, fã do ereader (assim lê sem os problemas que o peso dos livros e o tamanho das letras lhe trazem) só lê em Português. É um problema arranjar-lhe livros. Os autores de que gosta nem sempre são publicados em formato electrónico (isto para nem sequer falar do preço ebook vs livro que é outro problema).

Ultimamente virei-me para os audiobooks e a escolha aí é ridícula. Não tive outra opção que optar por "ler" em inglês.

Na minha profissão aprendi há muito (acho que foi mesmo no primeiro ano) que para fazer crescer o mercado há que fazer crescer a oferta. Talvez um dia as editoras apreendam o mesmo.

Boas leituras
Patrícia
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De BL a 05.11.2014 às 08:41

Se ele gostou do 1984 acho que vai gostar deste livro do Cory Doctorow chamado Little Brother (https://en.wikipedia.org/wiki/Little_Brother_%28Doctorow_novel%29). Eu adorei!
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De Pensar falando a 05.11.2014 às 12:48

Jonas,

Enquanto uns andam a dormir há outros que andam acordados. Repara neste site, que já disponibilizou um monte de obras em português: Projecto Adamastor (http://projectoadamastor.org/listageral/) . Tudo feito com enorme cuidado. Disponível de graça em vários formatos e as obras estão disponíveis na Google Play Books.

É difícil de compreender como é que uma editora se dá ao trabalho de investir numa obra e depois não marca os pontos mais fáceis, que são a venda no formato digital. Mas cada um sabe da sua vida.

Acho difícil de compreender mas não tenho a pretensão de saber mais do negócio do que eles.

O que realmente me chateia é que um dia ainda vamos ouvir esta: "ah, e tal, concorrência desleal dessa malta que publica material de domínio público de altíssima qualidade mas de graça, isso devia ser proibido, vamos aproveitar a ver se sacamos mais umas taxas à conta disso, aproveitamos agora que está de maré e temos o secretário de estado do nosso lado, e tal e tal...".
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De Marcos Marado a 06.11.2014 às 09:50

Apesar de tipicamente se falar das "três grandes distopias" (1984, Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo) elas são na realidade quatro, que o Zamiatine só teve "mau timing".
Por outras palavras: oferece ao miúdo o "Nós" do Zamiatine, a edição da Antígona está bem boa.

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