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A pixelização dos cérebros

por jonasnuts, em 26.05.16

Ontem fui parar, por acaso, a uma notícia do DN que tinha por título "Emilia Clarke explica porque recusou duplo para nudez frontal".

 

Em primeiro lugar, acho muito bem que tenha recusado um duplo, que teria dificuldades em reproduzir umas mamas aceitáveis, a ter usado um corpo substituto, teria de ser o de uma dupla, mas não é essa a minha questão. 

 

Olhei para a foto que ilustrava o artigo, e os senhores do DN (ou senhoras, não sei), decidiram que os mamilos da Emilia Clarke eram areia demais para a nossa camioneta, e pixelizaram a coisa. Não pixelizaram as maminhas, pixelizaram os mamilos.

pixelizada.jpg

 

A minha primeira reacção foi achar que todas as fotos desta cena tinham sido pixelizadas, e que o DN não tinha conseguido encontrar uma sem pixels. Justificava, embora, na minha minha opinião, se não arranjavam sem pixels, mais valia não ter fotografia, mas aí, lá está, a notícia teria menos audiência.

 

Mas numa pesquisa rápida encontrei facilmente a mesma foto, sem pixels (e uma catrefada de outras fotos da actriz em todas as posições e com mais ou menos roupa).

sempixels.jpg

 

E fiquei sem perceber.

 

Por que raio um jornal português decide pixelizar os mamilos duma actriz? Não percebo quando é nos states, mas percebo ainda menos em Portugal.

 

Já perguntei ao DN, no Twitter, o porquê da opção. Mas estou à espera da resposta muito sentadinha.

 

Pixelizar mamilos é estúpido. Pixelizar mamilos femininos, mas não os masculinos, é estúpido E sexista.

 

Esta tentativa moralista de aproximação ao que os states têm de pior parece-me uma má estratégia. 

 

A Europa está a perder os valores que, na teoria, a definiam. Esta é uma questão menor, face a temas bem mais dramáticos dessa perda de valores, mas é um indício de que caminhamos atrás dos fundamentalismos dos EUA. Mais uns anitos e temos por cá um Trump (o que nem seria grande novidade, diga-se, que na Madeira foi o que se viu com o Alberto João Jardim).

 

Não refilem agora que não é preciso.

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8 comentários

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De AB a 26.05.2016 às 21:16

Mas isto nem é de agora nem dos States, mesmo cá um filme onde haja tiros e mortos e cabeças desfeitas à bala é para maiores de 12. Se tiver uma cena de segundos de nú frontal é para maiores de 18. Aparentemente a violência é políticamente correcta, a nudez não.
Mesmo assim a Europa lá vai fazendo uns brilharetes, li que o filme 50 Sombras de Grey foi "maiores de 10" em França, e isto porque a outra opção era entrada livre.
Mas no caso da pixelização, onde é que se refila?
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De jonasnuts a 26.05.2016 às 21:18

Bom, eu refilei no Twitter :) E no Blog. E no Facebook. Esta é a minha forma de refilar.
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De Pantapuff a 27.05.2016 às 15:29

Aposto que a malta que pixelizou a imagem fica altamente chateado quando vê porno japonesa e por isso decidiu vingar-se.
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De Miguel Silva a 28.05.2016 às 02:12

:) Não sei se dá mais trabalho fazer o filme ou depois aplicar pixilização em todas as cenas (principalmente porque não está estático e aparece e desaparece constantemente :) Será que já existe software capaz de pixelizar automaticamente?
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De jonasnuts a 28.05.2016 às 08:55

Não é a série que está pixelizada. É a foto que o DN publicou.
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De Vitor Madeira a 01.06.2016 às 23:39

Lamentável.
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De Nelson Cruz a 03.06.2016 às 06:56

O zelo censório dos americanos, e por extensão das redes sociais que lá originam como o Instagram e o Facebook, contra os mamilos (mas só os femininos, claro!!!) é das coisas que mais me irritam. Fico triste e desapontado por ver este hábito a ser importado por meios portugueses. Mas ao escrever isto ocorreu-me o possível motivo. Seria o receio (real ou imaginário) que o Facebook censurasse a partilha da notícia por ter uma imagem com mamilos?
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De Filipa a 08.06.2016 às 17:36

Não é um receio imaginário, é a verdade.

Num artigo que li no Le Monde, a questão das redes sociais e dos valores puritanos que as regem está a influenciar o que se os Europeus postam.

Eu senti o efeito pixelizador e puritano relativamente a um filme.

Sendo fã do Tom Hiddleston, quando soube que ele iria protagonizar o High-rise, li o livro. Incesto, canibalismo, assassinatos vários, tortura. No meio disto, há pessoas nuas, nomeadamente o protagonista.

Lendo sobre o filme (que espero que estreie em Portugal brevemente), vejo que o Incesto foi cortado e a foto promocional do filme apresenta o actor na varanda, nu, com um jornal apaneleirado em cima. Sim, o jornal é só mesmo para tapar o pénis e é patético, já que toda a gente viu o órgão sexual aquando das filmagens. Só o futuro público é que poderia não aguentar.

O filme estreou em alguns países europeus, mas, nos EUA, quase que parece que entrou ás escondidas. Ou seja, para um filme que nunca seria um grande sucesso nos EUA, os produtores apostaram em conteúdos censurados e no festival de cinema de Toronto, em vez de Cannes.

Parece uma batalha perdida, ás vezes.

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