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Jonasnuts

A maternidade e o sono

Não. Isto não se transformou de repente num baby blog e não, não venho aqui falar das noites sem pregar olho que a maioria das crianças proporciona aos pais.

 

E não falo disso por dois motivos, porque já TODA a gente sabe disso e porque, para ser honesta, salvo muito raras excepções, o meu filho nunca me presenteou com noites desse tipo. Na realidade, a partir da primeira semana de vida o puto dormia no mínimo 6 horas seguidas. Foi de tal forma pacífico que me preocupei, e pensei em acordá-lo a meio da noite, para lhe dar de mamar. Mas, consultada a melhor pediatra do mundo, a Dra. Beatriz Uva, ela disse-me, deixe-se estar sossegada, deixei a criança dormir, a não ser que, por sistema, ultrapasse as 8 horas seguidas. Um descanso, portanto.

 

Eu venho aqui falar duma alteração ao sono muito menos conhecida ou, vá-se lá saber porquê, menos divulgada.

 

Aquela fase inicial, de quando eles são recém-nascidos e bebés, é ultrapassada. Mais ano menos anos eles lá aprendem e crescem e começam a dar noites mais ou menos descansadas. Quando entram na escola é que aquilo de que venho falar hoje começa a construir-se.

 

Quando eles entram na escola, começam a ter horários. No jardim infantil e na pré, os horários são mais ou menos simpáticos, entram até às 10 da manhã. Pacífico.

 

Mas, quando começam no primeiro ano, que para mim ainda é a primeira classe, começam com horários mais agressivos. Entram a umas horas inenarráveis, tipo, 8 da manhã.

 

Portanto, do primeiro ao 12º ano, entram com as galinhas, e obrigam os pais a acordar antes das ditas. 

 

São doze anos a acordar de madrugada. Pelo menos para mim, que o puto nunca andou numa escola suficientemente perto para que o horário de entrada na escola pudesse ser autonomizado.

 

O organismo habitua-se. Cria ritmos. Cria hábitos.

 

E é por isso que eu, hoje, quando o puto já é quase maior e fica a dormir até à uma da tarde, se for preciso e se lhe apetecer, assim que chegam as 7 da manhã começo a despertar, sem despertador, sem luz, sem ruído. Pura e simplesmente acordo e não consigo voltar a pregar olho por mais que tente.

 

É por isso que são sete e meia da manhã de um domingo, o puto nem está em casa (e se estivesse estaria a partir choco), e eu estou aqui, a escrever um post sobre o impacto da maternidade nos ritmos do sono.

 

Eu, que não acordava com trovoadas nem com tremores de terra. Eu, cujo sono se tornou lendário na família por ser mais pesado que o mercúrio (para variar do chumbo, ambos são metais pesados). Eu, a quem o meu filho com três anos chamou de "predicicosa" por querer ficar a dormir mais um bocadinho quando o que ele queria era brincadeira às 9 da manhã. 

 

Eu criei um despertador interno, e o sacana não me deixa dormir, mesmo que eu queira.

 

Alguém sabe como é que se dá uma murraça neste despertador?

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