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The crazy ones

por jonasnuts, em 07.05.16

Here's to the crazy ones.

The misfits.

The rebels.

The troublemakers.

The round pegs in the square holes.

The ones who see things differently.

They're not fond of rules, and they have no respect for the status quo.

You can quote them; disagree with them; glorify or vilify them.

About the only thing you can't do is ignore them.

Because they change things.

They push the human race forward.

And while some may see them as the crazy ones, we see genius.

Because the people who are crazy enough to think they can change the world are the ones who do.

 

Este poema (?) é atribuído a uma catrefada de gente. Ao Steve Jobs. Ao Jack Kerouac. Ao John Appleseed

Na realidade, é da autoria de Craig Tanimoto, um publicitário, what else.

Fez parte da campanha da Apple, think different.

 

 

 

 

Gosto muito deste texto. Gostaria ainda mais se tivesse o reverso da medalha. Esta é a parte lírica. Esta é a parte sonhadora. Esqueceram-se de explicar que os crazy ones, para serem crazy ones sempre, têm de estar disponíveis para pagar um preço. E nem sempre é barato.

Experimentem ser os crazy ones num sítio onde isso não é valorizado. Porque os crazy ones são os que identificam problemas com o que "se faz assim desde sempre", são os que têm "ideias malucas que põem em causa o bom funcionamento da máquina", são os que fazem propostas que vão "contra tudo o que esta empresa sempre fez".

 

Os crazy ones são as pessoas que há 10 anos disseram que queriam fazer algo, tendo sido recusado porque era impossível, arriscado, errado, mas que se vai fazer agora, ao triplo do preço, fora de tempo. 

 

Os crazy ones são os que dizem (ou pensam) "eu não disse?".

Os crazy ones são pessoas à frente do seu tempo. Os crazy ones são visionários. Os crazy ones são audaciosos. Os crazy ones são hiper-críticos. Os crazy ones são diferentes. Os crazy ones investem sempre apaixonadamente, quer se trate de mudar o mundo, quer se trate de mudar uma vírgula.

 

Os crazy one são os que se lixam, com f de cama. Quase sempre.

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Grammar nazi

por jonasnuts, em 07.03.16

Sim, sou eu.

 

Não escrevo sem erros. Mas tento. A maioria dos meus erros é constituída por gralhas, embora não todos. 

 

Sempre defendi que, quem, em nome duma empresa, contacta directamente com o público, tem de escrever irrepreensivelmente.

Este meu fundamentalismo nem sempre é compreendido. Normalmente, quem gere equipas de customer care não valoriza a correcção ortográfica, e torce o nariz, quando escrevo na descrição "deve saber escrever sem erros de português, sejam ortográficos, sejam de construção, sejam de concordância, etc.". Das minhas entrevistas, faz parte uma redacção e/ou um ditado. Toda a gente estranha muito. 

 

Há certos erros com que embirro particularmente. A mistura entre o HÁ e o À é uma dessas embirrações. A utilização errada do hífen é outra.

 

Vejo sempre os mails que nos "meus" serviços são trocados com os utilizadores. Para avaliar (e corrigir, se for caso disso) a resposta técnica, e o português.

 

As pessoas primeiro estranham, e depois entranham.

 

Sabe bem, por isso, receber de alguém que trabalhou comigo (e não para mim, como, erradamente, diz) uma imagem reveladora de que o meu radicalismo, ainda que de forma ténue, surte algum efeito, mesmo quando as pessoas já não trabalham comigo :)

 

Ana Sofia.jpg

 

 

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T-shirt

por jonasnuts, em 09.09.15

Nos dias que correm, dá vontade de comprar uma catrefada destas. É que não faltam clientes.

 

fuckyou.jpg

 

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O que disse a senhora Merkel, não se diz

por jonasnuts, em 06.11.14

Por outro lado, a senhora Merkel não disse aquilo que tentaram fazer-nos crer que ela disse.

 

Vamos por partes. Não nutro especial simpatia pela senhora Merkel. Também não nutro especial simpatia pela grande maioria dos Órgãos de Comunicação Social tradicionais portugueses, ou de qualquer outra nacionalidade.

 

Anteontem não se falava de outra coisa. Fomos mesmo bombardeados com as alegadas afirmações da senhora por órgãos de comunicação social que costumam tentar distanciar-se de outros, enfim, mais useiros e vezeiros nestas matérias.

 

Houve mesmo um ministro que respondeu às alegadas afirmações da senhora. Crato, who else.

 

Nas redes sociais (Twitter e Facebook) foi uma festa. Só comentários indignados, e outros pior ainda. Eu própria comecei por embarcar na coisa.


Mas depois parei para pensar e fui atrás.

Todos citavam a Lusa e Bloomberg. A Lusa referia a Bloomberg. Na Bloomberg, nada. Órgãos de comunicação social espanhóis? Nada. Imprensa internacional? Nada.

 

Eu conseguia encontrar várias notícias sobre o discurso da senhora, mas referências a Portugal e Espanha? Nada.

 

Recorro ao Twitter e ao Facebook. Pergunto. Alguém sabe? Pessoas a viver na Alemanha? Nada. No Luxemburgo. Em Espanha. Em França. Ninguém conseguia encontrar nada.

E eu queria contexto. 

 

E finalmente chega-me o contexto e o enquadramento de que eu precisava, e que me devia ter sido dado pelos órgãos de comunicação social. E chegou-me através da Helena Ferro de Gouveia que deixou um comentário num post que a Helena Araújo escreveu no Facebook.

 

O que a senhora disse foi (adaptado da tradução da Helena Ferro de Gouveia):

 

“Eu peço a todos vocês para tornarem claro nos vossos discursos em escolas e perante jovens: a formação profissional é um excelente pré-requisito para levar uma vida de prosperidade. Não tem necessariamente que se ter tirado um curso superior. Isto é muito, muito importante. Faremos tudo o que estiver no nosso poder, também a OCDE, que nos fornece muitos números úteis que afirmam que não é uma “descida” social, que o filho ou a filha de um trabalhador qualificado complete uma formação como trabalhador qualificado novamente e, de seguida, se torne num bom técnico. Internacionalmente reconhece-se que não é uma “descida” e que isto não significa que o sistema de educação tenha fracassado. Temos que abandonar a ideia de que o ensino superior é o Nonplusultra para uma carreira bem sucedida. De outra forma não poderemos provar a países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados e procuram hoje vias de formação profissional, que isso é bom”.

Ora, isto é muito diferente de "Merkel diz que Portugal tem demasiados licenciados". Isto é um "temos, nós próprios, de tomar consciência disto, porque senão não temos moral para dizê-lo aos portugueses e aos espanhóis".

 

Eu não estou a dizer que concordo (o sistema educativo alemão a mim parece-me extraordinariamente estranho), não estou a dizer que a senhora tem razão, e acho que ela está muito mal informada em relação ao número de licenciados portugueses. Não é esse o meu ponto.

O meu ponto é que alguém pegou nisto, subverteu, baralhou, descontextualizou e distribuiu. E quem está no meio da cadeia, devia ter recebido, e devia ter ido atrás. E verificado. E dado contexto. E feito aquilo que eu acho que é o trabalho jornalístico de base. Deviam ter-se informado, para informar. Pelo contrário, desinformaram.

 

E ganharam o quê? Mais cliques. Sem dúvida. Não frequento, mas estou certa de que o número de comentários a esta "notícia" ultrapassou a média habitual.

 

Os nossos órgãos de comunicação social estão a trabalhar para o agora, sprintam. Não estão a trabalhar para o futuro, na construção duma imagem de seriedade e de credibilidade. Pelo contrário, os poucos que ainda têm essa réstia de credibilidade estão a delapidá-la vertiginosamente. Ganham no sprint, mas perdem na maratona.

 

A mim já me tinham perdido, como consumidora habitual há muito tempo. Sou uma mera consumidora pontual, online. E, pelo acima descrito, cada vez menos.

 

Não percebo a estratégia de degradar qualidade e passar a cobrar os acessos (pay per view). É ao contrário senhores. O pay per view só funciona quando a credibilidade e a seriedade são inatacáveis E quando não há alternativa. 

 

Junte-se a isto o que por aí vem de quererem receber para serem indexados no Google (é um caminho que os espanhóis estão adoptar, é uma questão de tempo até chegar cá, caminho, por sinal, já encetado e entretanto arrepiado pelos alemães) e temos o quê?

 

Uma indústria moribunda, sem respostas e sem ideias, que não se sabe adaptar os seus modelos de negócio a novas plataformas e que há-de ir ao fundo.

 

Não faz mal, pelo caminho hão-de pressionar os pressionáveis para que estes criem uma taxa sobre o papel higiénico (auto-link), porque lhes faz concorrência. É uma receita com provas (quase) dadas.

 

 

Edição posterior: O Marco deixou nos comentários um link para um caso exactamente igual, passado há relativamente pouco tempo. 

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Caro Millennium BCP - Adeus

por jonasnuts, em 26.05.14

 

 

Depois de muita insistência da minha parte, lá consegui que me respondessem à reclamação de que já aqui falei (auto-link) no passado.

 

Pois que insistem que os todos os cartões de débito duma determinada conta têm de ser entregues ao titular da conta, mesmo que o destinatário final não seja essa pessoa.

 

Aquilo a que vocês chamam de participante solidário não tem direito a receber os seus cartões. Insistem na vossa posição de que, vai tudo para o titular, que se encarregará de fazer chegar, se lhe apetecer, os cartões à sua real destinatária.

 

Verdade seja dita que não esperava outra resposta.

 

Não tenho nada que me prenda ao Millennium. Nem créditos, nem seguros, nem nada. Fácil de mudar. 

 

Alternativas ao Millennium? Alguém recomenda? 

 

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Caro Millenium BCP

por jonasnuts, em 07.05.14

 

 

Olá, amiguinhos.

 

Sou vossa cliente desde mil novecentos e troca o passo. Vejam lá vocês bem que ainda se chamavam Nova Rede. Não sou uma cliente esquisita, pelo que não tenho tido razões de queixa de maior (enfim, a barbaridade que cobram pelos vossos serviços não é exactamente um motivo de satisfação, mas não é disso que pretendo tratar).

 

Até ontem eu era uma freguesa relativamente inócua. Nem bem, nem mal.

 

Tenho 3 contas convosco. 2 em nome próprio, de que sou a única titular, e uma na qual participo, julgava eu que em igualdade de circunstâncias, com uma outra pessoa.

 

Qual não é o meu espanto quando chego a casa, ontem, e vejo o meu novo cartão de débito, referente à tal conta conjunta, ainda colado à cartinha, e ao pé do envelope aberto. O destinatário da carta, não era eu. Mas o cartão era o meu. 

 

Ora, eu não sei como é que vocês funcionam nas vossas casas, mas em minha casa ninguém abre correspondência que não venha em seu próprio nome, ou em nome de um menor a seu cargo, e mesmo essas, depende.

 

Descobri que o MEU cartão de débito, com o meu nome lá escarrapachado, foi enviado não para mim, mas para o outro participante da conta.

 

E telefonei-vos, e fui muito bem atendida, e pedi que fosse registada a minha reclamação, e estou à espera que me respondam. 

 

Mas, como suspeito de qual venha a ser a resposta que vou receber, fica aqui o registo da minha opinião, e o que decorrerá dessa resposta.

 

Eu não sei em que século é que vocês vivem, mas aquela coisa do chefe de família, e do homem que trata dessas coisas de dinheiros que para as mulheres são muito complicadas, e do marido que recebe a correspondência da mulher pertencem a uma era na qual eu já não vivo, e à qual não pretendo voltar.

 

Sim, podem dizer-me que se fosse eu a titular, o cartão dele teria vindo para mim, e essa resposta também não me deixa satisfeita. É que eu não sou muito adepta das hierarquias. Existe uma coisa chamada igualdade de circunstâncias, em que os participantes duma conta são tratados da mesma forma, sem chefes nem chefinhos (já tenho que chegue disso, noutras áreas da minha vida). Se os vossos sistemas de informação não suportam esta possibilidade, são claramente um banco do século passado, a tentar manter clientes que já mudaram de século. 

 

Aguardarei pela vossa resposta e, dependendo da resposta que me derem, manterei as minhas contas no vosso banco, ou não.

 

Sim, os preços absurdos que me cobram pela prestação dos vossos serviços não são incentivo suficiente para que eu mude de banco, mas isto, isto é.

 

 

P.S.: Já para nao falar das questões relacionadas com segurança e privacidade, mas isso dava para outro post mais técnico. Este é um post emocional.

 

 

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Requentadas

por jonasnuts, em 07.03.14

Vejo hoje, nos noticiários da manhã, uma grande atenção dedicada a um vídeo de uma criança a invadir o campo de futebol onde jogava (ou tinha acabado de jogar) a selecção brasileira, e a reacção do Neymar. É um vídeo fofinho, que vai para aquela parte dos noticiários que tem de ser lúdica porque, como se sabe..... as notícias têm de distrair, não têm de informar.

 

Não gosto de notícias lúdicas, mas o problema, neste caso, não é esse.

 

A porcaria do vídeo é de anteontem. ANTEONTEM. As televisões (e os órgãos de comunicação social tradicional em geral) divulgam notícias requentadas, como se fosse actualidade.

 

Por isso é que há já alguns anos que não uso os órgãos de comunicação social tradicionais como fonte primária de informação.

 

Depois queixem-se que perdem audiência.

 

 

 

 

 

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Há 30 anos, como agora...

por jonasnuts, em 24.02.14

Ah, porque as pessoas mudam, com a idade. Ah, porque na adolescência ainda não temos a personalidade bem formada. Ah, com a idade as coisas esmorecem e esbatem-se.

 

O tanas.

 

Em arrumações, recupero o relatório do meu exame de orientação vocacional, que tem a data de 15/07/83

 

"O exame psicológico da Jonas (enfim, o meu nome completo) com vista à sua orientação escolar e profissional, revelou:

 - Um nível intelectual geral muito acima da média para o seu grupo etário.

 - Aptidões específicas bastante acima da média para o seu nível escolar em raciocínio abstracto, raciocínio verbal, velocidade e exactidão burocrática (?), raciocínio mecânico, aptidão espacial e velocidade perceptiva, encontrando-se ligeiramente abaixo da média a sua aptidão numérica.

 - Interesses muito elevados por actividades ao ar livre, revelando também interesses científicos e de serviço social, literários e mecânicos, sendo os domínios burocráticos, autoritários e contabilísticos objectos de profunda rejeição.

- Um desempenho escolar bastante aquém das suas reais capacidades.

 - Comportamento afável e extrovertido.

 - Gosto e facilidade em estabelecer contactos sociais.

 - Uma certa imaturidade e deficiente noções das responsabilidades."

 

O resto não interessa, porque eram recomendações no âmbito académico e profissional que se revelaram, essas sim, um tremendo tiro ao lado.

 

Ponham de parte a cena do acima da média, que não é isso que me encanta. O que me encanta é que aos 15 anos (na realidade, 14 e meio, faria 15 em Dezembro), eu já era muito do que sou hoje, diria mesmo que já era a maior parte (o que assinalei a bold, mata-me):

 

"revelando também interesses científicos e de serviço social, literários e mecânicos, sendo os domínios burocráticos, autoritários e contabilísticos objectos de profunda rejeição."

 

Se eu pudesse voltar atrás, e falar com aquela miúda de 14 anos e meio, diria, keep up the good work (e dizia-lhe outras coisas, mas isso agora não interessa para nada).

 

PS: Merda do relatório, escrito por uma psicóloga de colégio particular, está cheio de erros de ortografia.

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Os filhos dos governantes

por jonasnuts, em 23.12.13

Nesta época, parece que todas as estações de televisão tiveram a mesma ideia. Fazer reportagem à boca das...... chegadas dos aeroportos. A nova geração de emigrantes vem passar o Natal a casa, e a entrevista da praxe comove-me, como mãe. Não quero ser uma potencial entrevistada, daqui a meia dúzia de anos.

 

Logo de seguida, um governante qualquer, nem lhe fixei o nome, fala das vantagens que esta saída do país representa, quer para os jovens, que vão aprender, quer para o país, que fica com belíssimos embaixadores lá fora.

 

O presidente da república, o mesmo discurso, da diáspora enquanto representante dos valores portugueses, e aproveitar esta vaga que saiu (e continua a sair), para criar oportunidades lá fora.

 

Meus senhores...... a não ser que estejam disponíveis para mandar os vossos filhos e os vossos netos, calem-se. Vão mesmo puta que vos pariu. Se eu quisesse que o meu filho fosse embaixador de qualquer coisa tinha-lhe feito a cabeça para relações internacionais.

 

O desplante com que estes cabrões falam dos sacrifícios que impõem aos outros tira-me do sério.

 

Ah, e feliz Natal, e toda a restante fruta da época.

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Galambagate (take 2)

por jonasnuts, em 22.11.13

Confesso que quando fiz um pequeno apontamento humorístico acerca deste tema (auto-link) achei que a coisa não tinha pernas para andar, de tão ridícula que era, e é.

 

No entanto, como acontece com mais regularidade do que aquela que gostaria, enganei-me. Lá está, não há limite para a estupidez humana. É um dos meus mantras e mesmo assim, por paradoxal que pareça, um dos que mais dificuldade tenho em interiorizar, nestas coisas mais mundanas.

 

Do princípio....

 

Há quase 1 mês, o deputado João Galamba, na sua conta de Twitter @joaogalamba, faz um tweet.

 

 

Ontem, noticia a Exame informática, que a FEVIP (Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais) emite um comunicado na sequência deste tweet. Eu começaria por dizer que em tempo de reacção, a FEVIP é claramente do tempo da pedra lascada. Até por snail mail a reacção teria sido mais célere. Se calhar tiveram de ir ver o que essa coisa do Twitter ou mesmo das Internetes.

 

E estes senhores da FEVIP comunicaram que achavam mal que um deputado pedisse um link, em público (presumo que em privado já não houvesse qualquer problema, são, portanto apologistas e adeptos das virtudes públicas e dos vícios privados), demonstrando uma "... falta de respeito que o senhor deputado tem pela propriedade intelectual e para com os setores que representam mais de 2% do PIB e cujos atores económicos ajudam na empregabilidade e desenvolvimento da economia do próprio país".


Hoje chegam uns primos da FEVIT, a ACAPOR (Associação do Comércio Audiovisual de Obras Culturais e de Entretenimento de Portugal), que também emite um comunicado. E escala o tom. Pede, numa carta (aberta, claro) que o deputado renuncie ao mandato, manifestando "... o seu profundo desagrado com o comportamento do Sr. Deputado na rede social Twitter, em concreto com o seu pedido à comunidade que lhe facultasse um link com a transmissão não autorizada do jogo entre o FC Porto e o Sporting CP."

 

Há mais primos nesta família, e, ou muito me engano, ou eles aí aparecerão, a seu tempo. É o que dá, os casamentos consanguíneos. Tem pai que é primo.

 

Esclareçamos primeiro as coisas do ponto de vista do enunciado, e sejamos rigorosos ao detalhe.

 

Nada, no tweet de João Galamba, indica que esteja a ser pedido um link para uma transmissão ilegal. É pedido um link. Se os senhores primos assumem à partida que se trata de um pedido para um link ilegal (que é coisa que não existe - já lá vamos), isso diz mais de quem assume e presume tal coisa do que sobre quem faz o pedido original.

 

Há transmissões de jogos autorizadas e algumas até oficiais, como os primos deveriam saber, se fizessem bem o seu trabalho de comércio e promoção de obras audiovisuais. E se fizessem o seu trabalho de forma excelente, mais transmissões desse tipo haveria.

 

Do ponto de vista formal, da legalidade da coisa, há outro detalhe importante. Quando é transmitido, sem autorização, um qualquer evento, quem está a cometer a ilegalidade, não é quem consome, mas sim quem transmite. Os primos sabem disto, mas para mandarem ondas de choque para a comunicação social (que come e cala) chega-lhes a ignorância alastrada.

 

Quando estamos a ver um jogo de futebol num café, ou num centro comercial, vamos pedir aos responsáveis pelo espaço que nos mostrem o documento que os autoriza a fazer a transmissão? Não. Sentamo-nos e olhamos para o ecrã. Se a transmissão é ilegal, quem está a ver, não está a cometer qualquer crime, quem está a cometer o crime é quem assegura a transmissão.

 

E gosto muito de ver, aqueles que odeiam João Galamba (seja lá qual for o motivo, não é relevante), a caírem que nem patinhos, e a deixarem-se manipular (e a tentar manipular terceiros, através ou da sua ignorância ou do seu dolo), e cair na esparrela de alardear a sua ignorância, aproveitando a boleia dos primos, para ataques ao deputado.

 

Odeiem o deputado, mas por favor, sejam mais discretos acerca da vossa monumental ignorância. Assim toda a gente fica a saber que os vossos pais são primos (e que não correu bem).

 

Santa pachorra.

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