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Os Blogs e a política

por jonasnuts, em 22.08.07
À semelhança de tantas coisas, os políticos chegam tarde aos Blogs, e chegam mal.

Vou reformular. À semelhança de tantas outras coisas, muitos políticos chegam tarde aos Blogs, e chegam mal. Há as honrosas excepções de pessoas que andando nestas lides da internet há mais ou menos tempo, mantêm realmente um blog. Quando digo que mantêm realmente um blog refiro-me explicitamente ao facto de usarem o blog para exprimirem as suas opiniões sobre o que lhes apetece. Não delegam em assessores, secretárias e estagiários, e são os próprios que metem as mãos na massa, e actualizam os seus Blogs.

A maioria dos Blogs políticos que conheço são breves, porque são feitos exclusivamente para a campanha eleitoral, e abandonados pouco depois. Porque é que são criados, então? Porque está na moda ter um Blog, e parece que as pessoas apreciam o facto de lerem algo que tem uma (remota) possibilidade de ter sido escrita pelo candidato.

É a razão errada, mas há tantas coisas boas criadas pelas razões errada, marketings, que daí não viria mal ao mundo. O problema é que, como não pescam nada de Blogs, nem de internet, fazem do Blog um mero repositório de press-releases, fecham os comentários, põem uns links, e mais nada. Ou cometem erros de palmatória, como plagiar conteúdos, usar uma linguagem de marketing tradicional, não linkar as fontes, não abrem comentários.

Não percebem que estão assim a perder capital junto de um target altamente exigente, que é, em muitos casos, opinion maker.

A conclusão a que chego é que, na maioria dos casos, os blogs de políticos são tiros nos pés.

Façam uma pesquisa e vejam quantos blogs de políticos foram criados e posteriormente abandonados (nem sequer têm o discernimento de os apagar).

O que me parece é que é tudo feito com muito amadorismo, como o caso daquela candidatura que em cima do joelho cria um blog no Blogspot e um mail no Gmail. Centraliza toda a comunicação no Blog. Usa o mail para uma enorme acção de comunicação que foi obviamente identificada pelo Google como sendo spam, o que fez com que tivessem sido suspensos quaisquer acessos quer ao Blog quer ao mail. E assim, de repente, por incompetência (amadorismo?) fica uma candidatura sem acesso à gestão das duas mais importantes ferramentas de comunicação com os seus potenciais eleitores. Durante 3 dias.

Outro caso, o do candidato que, contactado pelo SAPO para criar um Blog da sua candidatura, declinou o convite, informando que não tinha tempo para, durante a campanha, manter um Blog, e que não concebia um Blog em seu nome escrito por terceiros, pelo que essa era uma actividade não delegável.

Também há o meio termo. Como o caso de um eleito que não tinha tempo para actualizar todos os dias o seu Blog, pelo que apenas escrevia conteúdos originais para o Blog 1 vez por semana, e nos outros dias, transcrevia (citando a fonte, com link) outras intervenções feitas originalmente noutros meios. E os comentários estavam abertos.

Já em tempos aflorei este assunto, quando falei do primeiro-ministro e da crise do Portugal Profundo, e repito. Querem ter uma presença online, de jeito e eficaz? Óptimo, aconselhem-se com pessoas competentes nesta área (bem sei que não há muitas), e depois empenhem-se e dêem de si. Não têm tempo para assegurar um Blog? É compreensível. Não o criem.

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2 comentários

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De pedrocs a 22.08.2007 às 23:36

E o mais giro é que já não querendo ninguém saber dos políticos e da política para porra nenhuma, o facto deles terem ou não terem blogs é completa e totalmente irrelevante.

So there you go.

E mais: o texto deste formulário é cinzento claro desde sempre e a pessoa que fez isso devia levar um tareão, administrado por mim (que eu até sei quem foi).
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De Bruno Amaral a 23.08.2007 às 01:46

Não podia concordar mais.

Acredito que se um politico conseguir manter um blog além da campanha, as pessoas podem até passar a ver para lá das cores partidárias.

Mas haver bons profissionais de comunicação para essa área é outra história. Não conheço nenhum curso que ofereça bases para isso. Da mesma forma, a experiência seria essencial para apoiar a base académica.

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