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Eu acompanho as várias Blogosferas. Sim, falo no plural. Há várias. A geekisfera, a intelectosfera, a florisfera, a babyesfera, enfim.....o que não faltam são nichos da Blogosfera.

Até hoje, e desde que acompanho o fenómeno (como está na moda chamar-lhe) houve apenas 1 tema que foi transversal. O da interrupção voluntária da gravidez, vulgo, aborto. Não houve Blog que não tivesse referido o tema.
De resto, pode ser lançado o iPhone em Portugal que a intelectoesfera nem dá por isso, ou pode vir o Friedrich August von Hayek ressuscitado, que a geekisfera nem levanta os olhos do teclado.

Até hoje, foi assim.

Hoje, por causa de uma queixa  que alguém fez, mandado por ou em nome de José Sócrates, contra o autor de um Blog, toda a gente fala, outra vez, do Blog Do Portugal Profundo.

Não sei quem são os conselheiros de comunicação do nosso primeiro ministro, não sei sequer se tem tais personagens mas, das duas uma, se tem conselheiros de comunicação, estão a fazer um péssimo trabalho, se não tem, devia ter.

Não ponho em causa o direito que qualquer cidadão, incluindo o primeiro ministro, tem de apresentar queixa, se se sente lesado. Mas há formas mais inteligentes de intervir, sobretudo formas mais eficazes, esta estratégia não tem vitória possível, para o primeiro ministro.

Se eu mandasse alguma coisa, e pudesse aconselhar o cidadão José Sócrates a gerir esta questão, a minha recomendação seria uma, e só uma.

Crie um Blog. Mas não crie um Blog para o dar a escrever a um fantoche qualquer. Crie um Blog e escreva. Use as mesmas ferramentas, o mesmo meio, entre no debate, diga de sua justiça, permita os comentários (moderados, se quiser).

Porquê a via da comunicação e não a via da justiça?

Porque, será difícil a um primeiro ministro, garantir que a queixa que apresentou, enquanto cidadão, será tratada exactamente da mesma forma que seria tratada a de qualquer outro cidadão. Não tem como ganhar esta guerra. Se a queixa for em frente, e um Tribunal lhe der razão, a opinião pública pensará sempre, que houve marosca. Se a queixa for em frente e um tribunal não lhe der razão, perdeu em tribunal.

Mas será que ninguém que esteja próximo do senhor, vê isto? Não há ninguém que lhe abra os olhos?

É uma loose loose situation.

Quanto ao Do Portugal Profundo, acho que está a ser coerente, e está a fazer o seu papel,  e arrisca-se a ser o primeiro mártir da Blogosfera portuguesa.
Só tenho pena que não esteja no SAPO, mas na concorrência :)

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5 comentários

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De Carlos Jorge Andrade a 20.06.2007 às 20:23

Só tenho pena que não esteja no SAPO, mas na concorrência

Não tens não... se estivesse no SAPO a esta hora estava "desactivado" e nem tu podias fazer nada em relação a isso.
E não me digas que o SAPO e tal defende isto e aquilo e a liberdade. A administração controlada pelo principal accionista manda mais... remember Terravista ? ;-)

Ou se calhar não... mas que ele (Socrates) ia ficar tentado a puxar do trunfo, lá isso ia.
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De jonasnuts a 20.06.2007 às 21:47

I remember Terràvista. Do you?

Se bem te lembras, o Ministro não conseguiu aquilo que queria.

Tenho sérias dúvidas de que neste caso houvesse essa tentativa (repara que não digo tentação), mas, nessa eventualidade, cá estaríamos, como estivemos no Terràvista.

E sim, eu poderia fazer algo em relação a isso. Trust me :)
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De dottoratoamilano a 21.06.2007 às 00:17

Ok, alguém me explica o que aconteceu com o TErravista, sff?
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De jonasnuts a 21.06.2007 às 14:20

Ok, eu serei provavelmente a pessoa mais indicada para explicar o que se passou.

O Terràvista era um projecto de alojamento gratuito de páginas pessoais, em língua portuguesa, disponibilizando aquilo que na altura era o supra sumo da farinha amparo, em termos de storage, que eram 14Mb.

Estava dividido por praias, da Lusofonia, e tinha cerca de 80.000 páginas alojadas, isto em 1998 (o projecto iniciou-se em 1996).

Era um projecto da Iniciativa Mosaico, do Ministério da Cultura que na altura tinha como ministro Manuel Maria Carrilho.

Tenhamos consciência de que na altura, Internet era uma coisa esquisita e pouco conhecida.

De repente, em Julho de 1998, o "jornal" Tal & Qual descobre que há umas páginas com imagens de Dragon Ball de maminhas à mostra, e outras páginas com links para conteúdos pornográficos (a pornografia estava noutros sites, mas havia links na página de um utilizador, para esses conteúdos), e decide fazer, em plena silly season, uma primeira página (que guardo religiosamente) com o seguinte texto: "Este Ministro paga sexo na Internet", e uma fotografia do Carrilho.

Basicamente, e para encurtar a história, o Carrilho passou-se, não com a falta de isenção do "jornal", mas com a mancha feita à sua imagem, e mandou "desligar as máquinas". A equipa do projecto (éramos 2 +1 pessoas) suspeu temporariamente o projecto (2 dias), fez promessas ao ministro (que não cumprimos, por sinal) e depois voltou a disponibilizar tudo de novo :)

Um dia escrevo um post sobre isso, mas lembro-me que na altura, eu estava ocupada a ter um filho (literalmente a tê-lo), e enquanto as outras mães atendiam chamadas de parabéns pelo nascimento dos seus filhos, eu atendia chamadas a perguntar do Terràvista. Foram uns dias animados, na maternidade :)

Foram uns tempos animados, na minha vida :)
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De dottoratoamilano a 21.06.2007 às 20:19

Hum... De facto, eu era muito novo na altura, daí não me ter apercebido desta confusão. obrigado pela explicação. Fico então à espera do post. Se puderes scanna a capa: "Este Ministro paga sexo na Internet". Incrível... tanto o Tal&Qual como o Carrilho...

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