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Vamos começar pelo disclaimer da ordem. Trabalho em serviços de comunidade online há uns anos. Precisemos, há mais de 10 anos. Digamos assim que tenho alguma experiência na "gestão" de comunidades (e daqui a pouco explico as aspas).

Tenho vindo a notar, ao longo destes mais de 10 anos que, do ponto de vista de quem "aloja" a comunidade, a atitude tem vindo a mudar. Mas não muito.

A atitude de alguns gestores com quem me cruzo não é muito diferente da atitude do Carrilho, no tempo do Terràvista.

Hoje em dia toda a gente fala de projectos de comunidade, que querem dinamizar e incentivar o crescimento da comunidade, que querem encorajar a participação da comunidade.

Mas, quando a comunidade começa a crescer, e a intervir, e a ganhar peso, começam os medos e os receios. E começam a ser usadas as ferramentas de moderação, para que a comunidade se possa exprimir, mas apenas dentro de determinados limites. Os limites de quem aloja.

É vulgar, nos dias que correm, e na sequência do advento web 2.0 (expressão que neste momento já está ao nível da Blogosfera, no meu top de expressões odiadas), ver projectos de comunidade, para a comunidade e comunitários a serem lançados (ou planeados) tendo logo de início restrições que vão limitar não só o números de pessoas que poderão/quererão participar, mas, sobretudo, já com muitas regras, de forma a impedir os "malefícios" da comunidade. Quase ninguém acredita na auto-regulação (eu sou o quase :)

O que esta gente não percebe, é que uma comunidade não é "gerida" de fora, gere-se de dentro. Se não pertencermos à comunidade, não conseguimos "geri-la".
Se eu tenho um serviço de comunidade, e não uso esse serviço, nem participo nos debates que fazem acerca desse serviço (ou participo numa postura arrogante e/ou de marketing), estou a descredibilizar a minha participação.

A expressão mais ouvida é:


"Isso é perigoso. Eles vão dizer mal de nós".

Pois vão, e nós lá estaremos. Para ouvir, rebater, debater, explicar, concordar, discordar, corrigir.

Porque.....ponto número um, mal de nós vão dizer de certeza absoluta, seja ali seja noutro sítio qualquer, e, ponto número dois, se chegamos a um espaço público, online, e apenas vemos opiniões positivas......desconfiamos, certo?

E depois, porque ter uma comunidade exigente e crítica não é mau, pelo contrário, é sinal de que os utilizadores querem ficar e melhorar o serviço. Prefiro esses do que os que viram as costas e vão para a concorrência.

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5 comentários

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De Rui Cruz a 22.04.2007 às 18:14

Eu tinha escrito um grande testamento mas entretanto guardei-o e li isto pela segunda vez...


Este post tem um significado para alguém que eu não "apanhei" ou é só mesmo "geral para todos"?


Rui
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De jonasnuts a 22.04.2007 às 18:59

É à vontade do freguês.

Embora eu tenha escrito isto com duas ou três pessoas em mente, conheço muitas mais a quem se aplica exactamente a mesma questão.

Acho que é uma atitude generalizada.

E estás à vontade, para deixar testamentos :)
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De Rui Cruz a 23.04.2007 às 08:38

Testamento simplificado goes here:

- - -


Como gestor de comunidades (que no meu dicionário não passam de "reunião de utilizadores felizes e realizados sobre um tema específico") bem mais pequenas e com menos recursos que a que gere, é dificil agratar a gregos e a troianos.

Não sei exactametne o que aconteceu ao Terravista, só sei que os chats deles estão cheios de convites porn, e que o site deles está uma porcaria, e que quando uma pessoa encontra uma falha e envia um e-mail, fazem ouvidos surdos e olhos cegos -- bom, mas são espanhois (penso eu) e isso diz tudo... Adiante.

Na minha comunidade (pikininaaaaaaaaaa) como é muito direccionada para a informática e o IRC (parece que não querem outras coisas, irra!) encontro problemas do tipo:
- insultos a IRCops (quem usa IRC vai perceber)
- insulto a servidores de alojamentos e unix shells
- insulto a...

Ok, já perceberam....

O que eu digo sempre é que o respeito é algo que começa em nós e termina no começo dos outros...



Rui
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De Shrike a 23.04.2007 às 12:57

... Pois, e nos casos em que a comunidade parece ter sido tomada por uma minoria barulhenta, violenta (verbalmente falando) e egocêntrica?

Eu consigo pensar em pelo menos um caso ( :) ) em que a comunidade auto-regulada deu barraca, gerando pequenas claques que chegam a perseguir-se no "mundo real" para assegurar um estatuto virtual.

Ignorá-los não dá, porque as guerras deles saem da área auto-limitada deles e afectam o resta dos utilizadores do serviço de uma maneira bastante negativa, e interferir vai contra o conceito de "comunidades auto-geridas"...
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De jonasnuts a 23.04.2007 às 14:30

Nesses casos em específico, apesar de eu não estar a ver a que comunidades te referes ;) é necessária uma ajudinha.
Uma espécie de pausa, para que a comunidade saiba encontrar o espaço próprio para comunicar.

A auto-regulação não significa que não existam regras, significa que é a comunidade (que nos inclui) a aplicar essas regras.

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