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Independentemente de toda esta polémica com as qualificações académicas do primeiro-ministro de Portugal, tema que eu me recuso a abordar neste Blog, a campanha que o governo lançou, sobre as novas oportunidades sempre me pareceu estranha.

O conceito parece ter sido encontrado por amadores, que fizeram o brainstorming, mas não fizeram o brainstorming reverse. Eu explico. No brainstorming é suposto serem aceites todas as ideias (por mais idiotas que pareçam), sem qualquer crítica. É uma sessão de levantamento de ideias, não é suposto que haja enfoque ou debate sobre essas ideias. Mas, a um brainstorming, tem SEMPRE de seguir-se um brainstorming reverse que é, tal como o nome indica, o contrário do brainstorming. Portanto, pega-se na lista de ideias que sai do brainstorming e critica-se até à exaustão, para se identificarem os pontos fracos de cada uma das ideias. Há pontos fracos que se podem corrigir, há pontos fracos que são "show stoppers" (como agora é moda dizer).

O conceito de "Aprender compensa . Esta foi a fulana que não terminou os estudos" não teria sobrevivido a um bom brainstorming reverse.
1 - Generaliza.
2 - Despromove (já para não dizer, insulta) todas as pessoas que têm profissões que são consideradas por esta campanha como sendo profissões menores.
3 - Tem o enfoque na aprendizagem académica que, para algumas áreas pode ser (e é) imprescindível, mas que, para muitas áreas, não faz qualquer falta.
4 - Promove um comportamento social que nos devíamos esforçar por contrariar, o conceito "se tem curso é de primeira categoria, se não tem curso é de segunda categoria".
5 - Promove uma ideia falsa, a de que o simples facto de se ter formação garante seja o que for.

Senhores do governo, investir na formação é fundamental. Invistam na formação e na competência das pessoas que integraram o grupo de trabalho que geriu esta campanha.

Na próxima campanha, constituam um grupo de trabalho que integre pessoas com competências na área de marketing, porque, nitidamente, nesta campanha, as competências podiam ser muitas, mas não era de marketing de certeza absoluta.

Eu podia oferecer-me mas, lá está, só tenho 10 anos de experiência nesta área. Não sou licenciada em Marketing e Publicidade.

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6 comentários

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De Rui Moura a 20.04.2007 às 16:49

O cartaz da imagem está muito, muito bom. Esse sim, foi devidamente pensado :)
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De jonasnuts a 21.04.2007 às 01:06

Por acaso, acho que comete alguns dos mesmos erros que o cartaz que pretendeu criticar.

Alguém me explica porque raio é que uma empregada de mesa tem de ser uma desgraçada?

Associarem-se várias profissões consideradas menores a pouca formação, é desvalorizar e potencialmente desmoralizar pessoas que tendo essa profissões, são belíssimas e competentes profissionais.
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De Pedro Gomes a 20.04.2007 às 17:57

MJ , de facto esta campanha denota logo à partida que não minimamente pensada.



Serve para «beliscar» uma parte da sociedade? Sim.

Serve para convencer quem cedo desistiu de estudar, voltar aos estudos? Nem por isso.

Serve para aumentar a confiança de quem já tem estudos e os aproveita na sua actividade profissional? Não.



Portanto, penso que se o grande objectivo seria diminuir a taxa de desistência dos estudos ou até enriquecer empregados/quadros de empresas fazendo com que voltem à escola, esse objectivo se não é nulo, penso que ainda vai prejudicar estes dois factores sociais.



A ver vamos, qual vai ser a resposta a esta falta de cuidado ou mesmo de profissionalismo por parte de quem elaborou a ideia e quem a colocou em prática.



Cumprimentos.
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De Carlos Jorge Andrade a 20.04.2007 às 18:09

Sempre que vejo anúncio na TV fico a pensar... daqui a uns anos não vão haver empregados de quiosque, costureiros, jardineiros, etc pq um curso tira-os dessa vida "menor".

E realmente, para fazer o trabalho do Abrunhosa e da Maria Gambina é preciso ter cá uns cursos. Aliás.... pensando bem, que cursos terão o Luis Repressas, Rui Veloso, Augustus e a Ana Salazar por exemplo ? ;-)
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De jonasnuts a 21.04.2007 às 01:19

Pois, esse é o erro da campanha original (um dos erros, pelo menos), fazer passar a ideia de que, com o simples facto de se ter formação, se tem acesso a profissões que, de outra forma, seriam inacessíveis.

E isso é mentira.

Há tantos factores a ter em conta.....tantos.....a formação é apenas mais um deles.
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De Catarina a 22.04.2007 às 00:10

A campanha está mal e os próprios cursos estão errados, pois as pessoas não aprendem nada de novo com eles.

O Estado quer aumentar o nível de escolaridade da população, mas depois esquece-se da literacia.

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