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Jonasnuts

Caro Al Gore

Noutro dia estive a ver o seu "documentário": Uma verdade inconveniente. Tarde, bem sei, já o começou a promover há muito tempo, e são também já muitos os prémios que ganhou com a coisa.

 

Fui ver o documentário porque acredito no aquecimento global. E, repare, o senhor não foi a única pessoa, ou sequer a primeira, cuja opinião recolhi. Portanto, quando fui ver o seu "documentário", já era uma convertida à causa.

 

Sou toda pela ciência, e pelos factos, e o método científico usa uma metodologia que me atrai. Mas, do método científico, faz parte o espírito crítico. Basicamente, tente não emprenhar pelos ouvidos,. E sou preconceituosa, o que diz muito sobre as contradições que em mim habitam. O preconceito não encaixa no espírito científico. Mas eu não sou uma cientista, posso dar-me a estes pequenos luxos. Já o senhor, não sendo um cientista, gosta de subir aos palcos para receber prémios como se de um cientista se tratasse, e não um mero porta-voz de terceiros. Nada contra quem faz de hub entre a comunidade científica e o resto do mundo, mas quem é porta voz também não pode emprenhar pelos ouvidos.

 

E esta história do preconceito vem a propósito duma idiossincrasia minha. Por exemplo, a revista da DECO proteste faz uns artigos em que avalia produtos e serviços. Se a avaliação que faz de produtos que eu conheço é má, deixando de lado aspectos importantes e integrando outros de menor importância, isso faz com que eu não confie na informação que a mesma revista imprime, acerca de produtos que eu não conheço.

 

Outro exemplo, se uma pessoa dá erros de ortografia, persistentes, eu tendo a desvalorizar aquilo que ela diz.

 

Manias.

 

E é isso que me leva a escrever-lhe esta cartinha. Ali por volta dos 28m30s do seu "documentário", o senhor descreve os efeitos da onda de calor que assolou a Europa em 2003. Nomeadamente, o número de mortos por essa Europa fora. E eu vejo ali o nome do meu país. Portugal. O problema é que à frente do nome do meu país, está assinalado o número de mortes durante essa onde de calor de 2003. Treze mil mortos (13.000).

 

Ora.... eu vivo em Portugal. Sempre vivi. No Verão de 2003 eu estava em Portugal. A bem dizer, não me lembro se fez calor ou se fez frio. Mas, do que me lembro com clareza, é de que NÃO morreram 13.000 pessoas.

 

O seu "documentário" para mim, acabou ali. Não lhe prestei mais atenção, e tudo o que tinha ouvido naquela primeira meia hora foi apagado do meu cérebro. Porque não é com aldrabices que se sustenta um argumento. E se aldrabou com aquilo, o que é que me garante que não tenha aldrabado com o resto? Lá está, o preconceito. Só houve uma coisa que não se varreu da minha memória, o erro, grosseiro. Para o associar a si (prevenindo futuras gravidezes auriculares) e para escrever este post.

 

Um porta-voz valida os factos, antes de os divulgar. Ok, não tem pedal para validar as coisas todas? Peça a uma equipa independente que lhe valide os factos. Bem sei que Portugal é um país pequenino, a que ninguém liga nenhuma, mas, por isso mesmo, por sermos pequeninos, é que a morte de 13.000 pessoas NUNCA passaria despercebida, daria notícias e notícias e notícias.

 

Recomendo vivamente que faça o seu trabalhinho de casa, numa próxima oportunidade. Não por mim, que dificilmente me voltará a conquistar. Mas, eventualmente, por outros, e já agora, a bem da verdade, da ciência e dos argumentos de que é porta-voz.

 

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