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Modelos educativos

por jonasnuts, em 02.11.11

O título do post é uma merda, é um facto, mas foi o que se arranjou.

 

Tenho andado a estudar matéria do 8º ano, com o meu filho. E se já na altura em que tive de aprender aquele lixo todo, me espantava e me questionava com a utilidade daquilo que estavam a querer que eu aprendesse, hoje, mais velha, e já como mãe, coloco exactamente a mesma questão.

 

Para que raio servem as coisas que nos impingem, durante a escolaridade obrigatória?

 

Para nada, é a resposta que eu dou..... ou melhor, servem para termos de decorar coisas até ao teste seguinte, e depois, esquecê-las.

 

Enquanto passava revista pela revolução de 1383-1385, seguida pelo expansionismo português, voltei a passar pelo mesmo processo, agora do lado de cá do livro, de decorar as datas.

 

Epá.... se eu quiser saber a data da descoberta do Brasil, ou da descoberta do caminho marítimo para a Índia, eu sei onde procurar essa informação, porque é que tenho de saber a data de início da viagem, e a data em que a coisa foi finalmente conquistada?

 

E a data das cortes de Coimbra, em que D. João I foi proclamado rei de Portugal? Para que raio preciso eu de saber, de cor, a data da coisa?

 

E como é que eu digo ao meu filho que ele tem de aprender estas merdas, se eu própria não lhes encontro utilidade absolutamente nenhuma?

 

Do que me lembro (e do que me ando a relembrar ao ritmo de progressão escolar do meu filho), 90% do que somos obrigados a aprender na escola, não serve para absolutamente nada. Vá....serve para jogarmos trivial, ou ir a um dos concursos da televisão. Mas do ponto de vista prático..... não tem utilidade.

 

Eu descobri o meu caminho, com vários desvios, tentativa e erro. Mas pergunto-me se a quantidade de lixo qe enfiamos pela cabeça das criancinhas não são apenas obstáculos que lhes estamos a pôr à frente, e que em vez de as ajudarem a descobrir o seu caminho, as impedem de ver por onde é que gostariam de ir.

 

Língua portuguesa e matemática, fundamentais (embora em moldes diferentes dos que estão a ser usados). O resto? Dispensável.....

 

Em vez de enfiarem informação irrelevante (e muitas vezes desactualizada) na cabeça das criancinhas, mais valia que as ensinassem a estudar, a pensar, a procurar informação, a seleccionar fontes, de acordo com os seus interesses.

 

Porque, convenhamos, nos dias que correm (e muito mais no futuro), não há falta de informação, muito pelo contrário, há informação a mais, e a verdadeira competência está em encontrar exactamente o que se pretende, seleccionando o essencial e importante, do enorme mar de conteúdos que nos rodeia.

 

Não vejo a escola a fazer isso com o meu filho (como também não fez comigo), vejo-a mais interessada em formatar as criancinhas para saberem datas, para empinarem teorias e, de preferência, para não pensarem muito.

 

Como é que eu posso pedir ao meu filho para ele estudar, se não acredito minimamente na utilidade do que lhe estão a tentar ensinar?

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63 comentários

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De GatoPreto a 02.11.2011 às 14:04

Temo q os 4300 caracteres de limite neste comentário não cheguem para tanto q teria para fizer sobre isto, sobre todos os atrasados mentais que encontrei no meu tempo de escola, enfim aqui não dá.
Mas deixo-vos este vídeo do MASTER WOLFRAM que é um dos poucos matemáticos criativos que existem que criou o wolfram alpha e que serve agora de base para o novo SIRI no 4S.
Mesmo a ver:
http://blog.ted.com/2010/11/15/teaching-kids-real-math-with-computers-conrad-wolfram-on-ted-com/

Genial.
Ainda ontem estive a reensinar contas de dividir pela maneira antiga porque os novos métodos educativos da primária não são compatíveis com a matéria do sexto ano.
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De Ki a 02.11.2011 às 14:16

E para que servem os 4's e os 5's na pauta se nem reflectem nada além de conseguir conjugar a memória com a persistência e o controlo da ansiedade? Porque é tão raro um professor conseguir chegar à história contemporânea? Talvez por isso é que depois os jovens não suponham sequer quem foi Salazar ou o que foi o 25 de Abril além de ser feriado? Para que servem os 4's e 5's ? Que se responde a um D.T. quando ele insiste que devemos vigiar cadernos e t.p.c.'s e que os alunos devem cumprir o método de trabalho que lhes é ensinado mesmo que discordem e saibam aprender dando respostas correctas mas diferentes das discursadas nas aulas? Porque é que não existem mais disciplinas e uma versatilidade que permita a cada aluno e família optarem por um currículo específico mas não necessariamente balizado nos conceitos tradicionalistas?
Mas os 4's e 5' esses é que eu não entendo que sirvam para mais do que sustentar orgulhos vãos...

O 8º ano ainda será aquele papão dos velhos tempos? Ou agora os miúdos como crescem mais depressa já não são apanhados no 8º ano com eles e o mundo a mudar ao mesmo tempo?
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 14:18

O 8º ano ainda é papão :)
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De GatoPreto a 02.11.2011 às 16:02

Jonas, o 8º é um papão? já tive problemas do livro da 3ªclasse no blog e no FB que ninguém conseguia responder, e um do 6º que arrasou em discussões, tudo porque os professores de matemática não sabem escrever em Português mas são excelentes na exigência, eu apanhei uma carrada de atrasados mentais que me impediram de seguir para a universidade, e olha que a maior parte roçava mesmo a doença mental profunda e paranóia obsessiva.
Tive um que numa turma de 33 chumbou 30, tudo porque nós estávamos todos errados, e ele nunca resolveu um exercício correcto no quadro em aula à primeira, e podia continuar o dia todo nisto.
Enfim.
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 16:28

Mas mesmo que os professores sejam extraordinários (uns são, outros não), a questão é que o programa, os conteúdos que impingem aos alunos, estão completamente desenquadrados em relação à vida real, actual.
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De wapy a 02.11.2011 às 14:41

Ainda bem que tive um professor que estava mais interessado em que soubéssemos dos eventos passados do que propriamente nas datas em que tinham acontecido. Era mais uma questão de "A aconteceu antes de B, mas não têm de saber dos anos porque francamente vão esquecer para a semana".



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De jonasnuts a 02.11.2011 às 16:32

Eu dei as datas como exemplo..... mas há muitos casos..... porque é que eu tenho, obrigatoriamente, de saber as classificações dos animais e dos vegetais? As classes, as sub-classes, os planetas.....

Ensinem a encontrar a informação, a seleccionar o que é relevante, ensinem os putos a pensar e a criticar e a pôr em causa, e a experimentar, e a criar, e a errar......
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De wapy a 02.11.2011 às 18:01

Eu só vejo interesse em ensinar determinadas áreas quando estas são do interesse dos alunos: se eu pretendo ser bióloga, devia estudar biologia. Mas só nos dão essa opção no Secundário e já vem tarde. Entretanto ainda me obrigaram a aprender francês (muito mal ensinado, por sinal).

Por um lado, é verdade que muita gente não sabe o que quer fazer da vida aos 10 anos e portanto não se deveriam cortar as opções tão cedo. Por outro, há muita palha metida no meio do que é importante.

E tens toda a razão, acho uma tristeza ver pessoas que já tinham idade para ter pensamento crítico deixarem-se levar por parvoíces de todo o género. Ou para aprenderem que errar é humano e o melhor é andar em frente. Hoje em dia as pessoas preferem obrigar os outros a esconderem as suas faculdades do que a admitirem que se possam ter enganado.
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De Anónimo a 02.11.2011 às 15:01

Ó jonas agora já não há MODELOS passaram todos a CONTINENTES.

Estás a mandar à merda? O Modelo ou o Continente? É que há dois posts atrás bijolaste o dito cujo on-line.

Ca ganda confusão vai nessa mona...

MAC
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De Sérgio Carvalho a 02.11.2011 às 16:47

Protestar contra o detalhe com que se dá História não faz sentido. É certo e sabido que o conhecimento residual, o que fica passados dez anos, é diminuto. Mas é proporcional ao conhecimento adquirido durante a escola. Sim, saber a data exacta das cortes de Coimbra faz pouco sentido por si só. Mas por em tempos ter sabido a data exacta e muitos outros pormenores é que sei:
- Mais ou menos quando foi (acho que no final do séc XIV)
- Que iniciou a segunda dinastia, e colocou em marcha os eventos que eventualmente levaram às descobertas.
- Que quase ficámos espanhóis, o que só não aconteceu porque a Igreja não o quis, por questões políticas de poder da própria Igreja no seu tempo
- Que foi na altura da batalha de Aljubarrota

Se formos esmiuçar a utilização prática do que se aprende, caso a caso, resulta em que quase tudo é inútil. Nunca mais precisei de fazer um integral, depois de Análise Matemática II. E, no entanto, acho que um engenheiro que não tenha aprendido análise infinitesimal não é digno desse nome. Porquê? Porque quanto se estica as capacidades do cérebro para além do limiar de conforto, o limiar de conforto depois estabiliza em algo mais inteligente. De volta ao conhecimento residual.

Ensinemos generalidades, e ficamos com alunos que podem ir todos para a Casa dos Segredos, onde África é um país da América do Sul, e os Estados Unidos são *provavelmente* um país.

Agora, se quiseres protestar contra a ênfase nos períodos da matéria de História, temos outra conversa. O abandono a que é votado o século XX no programa de História é deprimente e mostra a qualidade das cabeças pensantes do ensino neste rectângulo à beira mar abandonado.
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 17:04

Mas.... em que grau de ensino é que se faz um "integral" (que eu não faço ideia do que seja, em abono da verdade).

Se estamos a falar de ensino superior, a minha conversa é um bocadinho diferente (embora não muito). Eu refiro-me ao lixo que é o currículo do ensino básico e secundário, que tem como objectivo que as crianças decorem e empinem, e não que as crianças aprendam a pensar :)


Quanto à necessidade de se fazer um integral, presumindo que se trata duma operação matemática complicada, daquelas que qualquer computador faz, sem stress, recomendo este vídeo: http://blog.ted.com/2010/11/15/teaching-kids-real-math-with-computers-conrad-wolfram-on-ted-com/ :)
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De Sérgio Carvalho a 02.11.2011 às 17:54

Desculpa, esqueci-me que tu, sendo geek, não és assim tão geek que tenhas estudado estas coisas esquisitas. Um integral é um conceito simples: é a área entre o eixo dos x e uma qualquer função. Sendo um conceito simples, algebricamente é complicado o suficiente para dar dores de cabeça durante um ou dois semestres.

O exemplo é da matemática e do ensino superior, escolhido para ser algo que cai em dois domínios que não são normalmente acusados de serem de conhecimento inútil.

A minha questão, na verdade, é que decorar e empinar versus aprender a pensar não são propostas exclusivas. O facto de se decorar não implica que não se aprenda a pensar. Nomeadamente, no exemplo da História, saber as datas perfeitamente não impede que se saiba as causas e as consequências de cada evento histórico, e não impede que se saiba o fluxo de eventos que nos trouxe aonde estamos; traz detalhe à "historinha da História" como lhe chamava a minha professora do ciclo. Para mim, decorar as datas é levar o conhecimento Histórico ao detalhe extremo, e não é mau. Vão-se esquecer, mas enquanto ficam ajudam a solidificar o resto. Senão, em vez de se esquecerem as datas, esquece-se a ordenação das coisas, e de repente o pessoal acha que descobrimos o Brasil depois do caminho marítimo para a Índia.

Ao defender isto, não estou a defender que não se deva saber tudo o resto.

Claro que os computadores fazem muita coisa. E claro que, para um computador, datas são uma trivialidade. Já agora, integrais também. É por causa disso que não precisamos dessas capacidades no dia a dia. Mas será que não as devemos aprender?

Para mim, é claro que devemos aprender estas capacidades. Enquanto aprendemos, melhoramos, e o que procuramos não é o conhecimento puro, é a capacidade de raciocinar. Ora, a capacidade de raciocinar treina-se. E treina-se enfrentando problemas. O facto de os problemas estarem já resolvidos por outros (computadores ou humanos) não retira qualquer mérito ao processo de aprendizagem.
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 18:02

Mas repara..... esse plural "devemos aprender" é que me encanita o esquema..... não devemos. Uns devem, outros não.

A forma como eu penso, e como eu estruturo as coisas não vive bem com o raciocícinio matemático. A sério....... não é aquela coisa do "não gosto de matemática" ou do "não tenho jeito para números". Há áreas da matemática para as quais tenho jeito (e de que gosto), e outras, que implicam um pensamento mais abstracto que me passam completamente ao lado. Mas tive de aprender tudo, igual aos outros, que tinham muito mais gosto (e outros menos), e uma estrutura mental mais adequada.

Se calhar, estrutura mental não é a expressão mais precisa, mas é a que me ocorre.

Há coisas que me interessam mais e outras que me interessam menos como, estou certa, acontecerá com toda a gente. Nesse caso, porque é que somos todos obrigados a aprender a mesma coisa? E porquê apenas as ciências e as línguas? Porque não as artes? A música, a dança, o teatro, a escutura, o desporto, sei lá..... é tudo muito limitado, e baseado num modelo de necessidades que já não existe.
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De Sérgio Carvalho a 02.11.2011 às 18:17

O que tu sentes em relação à Matemática sinto eu em relação às artes. Aquelas cenas das figuras de estilo e da beleza dos textos ou, Deus me livre, da análise de poesia que se fazia em Português, passava-me tudo ao lado. E eu sentia claramente que não precisaria daqulo nunca (e não preciso, na verdade).

E depois, como as minhas notas a Português eram abissais, tive explicações com uma professora fantástica. Adorava aquilo, ela transmitia perfeitamente o sentimento dela ao ler os textos, esmiuçava o porquê e passava a mensagem para o lado de cá. Arrastou-me para fora da minha zona de conforto. O resultado é que depois de um par de meses a aprender com ela, fiquei a gostar de ler, e descobri uma área de diversão altamente, que me teria passado ao lado.

Toda esta história para justificar a minha afirmação seguinte: Aprender áreas novas, quase sempre, implica sair da zona de conforto. Muitas vezes não é agradável, pelo menos enquanto somos putos e não estamos à espera dessa necessidade de sair da zona de conforto; de nos sentirmos idiotas perante algo que não compreendemos. Mas faz falta.

Ora, se apenas se ensinar às crianças "coias que me interessam mais" e não "coisas que me interessam menos", quais é que vão ser descartadas? As que caem fora da zona de conforto. E a criança nunca mais aprende áreas novas. Pode melhorar incrementalmente naquilo para que já "tem jeito" (uma expressão que me faz nervos), e vai garantidamente falhar muita coisa para a qual o único jeito que lhe falta é o contacto inicial.

Portanto, para além de ser a favor de datas em História, também sou a favor de um ensino fundamentalmente monolítico até meio da adolescência (depois, já são senhores do seu nariz).

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De Claudia Borralho a 02.11.2011 às 17:05

Concordo com tudo e ao ler a minha mente só gritava waldorf waldorf! Mas depois cheguei ao fim e questionei-me: se perguntares ao teu filho o que ele quer realmente aprender será que ele te sabe responder?
Essas coisas todas chatas que entram e saiem logo a seguir servem para nos expôr à informação. Tu não procuras algo que não conheces, tens de saber qualquer coisa para querer aprofundar e pesquisar mais. 99% do que me impingiram na escola já foi esquecido, mas depois há aquele 1% que me tornoiu aquilo que sou hoje e podes ter a certeza que aos 12/13 anos eu tinha ideias muito diferentes sobre o que viria a gostar de saber e fazer em adulta do que o resultado final.
(e há prai muito crominho que vibra com datas, e problemas de moles e coisas assim que a mim repugnam)
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 17:10

Mas eu não quero perguntar-lhe o que é que ele quer, aliás, acho mesmo uma idiotice perguntar-se tão cedo às crianças, o que é que querem ser, e acho absurdo que com 14 ou 15 anos, os putos tenham de saber, já, que área é que querem seguir.

Eu queria que ele tivesse a possibilidade de explorar mais, conhecer mais, para saber de que é que gosta, para que é que tem jeito, o que é que lhe dá gozo, que se enganasse, e voltasse a experimentar e que, pelo processo, aprendesse a pensar.

Neste momento, está a aprender a decorar.

E, desculpa lá, estás a dizer-me que passaste 12 anos na escola, e apenas 1% do que aprendeste nesses 12 anos te foi útil?

É que é esse precisamente o meu ponto..... é pouco eficaz, um sistema que de 12 anos de trabalho apenas resulte em 1% de ganho :)
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De Marco a 02.11.2011 às 17:16

O modelo educativo que descreves (aprendizagem auto-curricular) existe, só que apenas estudada e aplicada ao pré-escolar e, fora do ensino público, ao primeiro ciclo: é a abordagem Reggio Emilia.

Não me parece que essa abordagem aplicada ao segundo e terceiro ciclo resultasse em pleno, mas também defendo um paradigma diferente do actual, que é manifestamente ultrapassado - quanto mais não seja pela tal ubiquidade da informação.
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 17:35

Certo....e há escolas que tentam levar esses métodos para além do pré-escolar, mas esbrarram na obrigatoriedade dos currícula do ministério da educação.

O meu filho andou numa escola dessas (durante parte do 1º ciclo e todo o 2º ciclo), mas não funcionou tão bem como eu pensava que ia funcionar. O espartilho da informação obrigatória inviabiliza tentativas a esse nível.
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De Gato Preto a 03.11.2011 às 16:04

Caro Marco, ainda ontem estive a ensinar a minha filha a usar o TextEdit para fazer um trabalho do 6ºano em que a professora pediu o trabalho feito impresso, no entanto nunca ninguém ensinou a criança o que era o TAB (tabulador) mas está lá no livro como fica o aspecto pretendido, mas nunca o ensinaram às crianças, estranho não?
Já para não falar no software, um dia destes ajudei um universitário num trabalho de design em que um Professor exigiu um trabalho que comportava 4,950€ de software.
Já para não falar que nenhuma escola tem Internet, nem mesmo as universidades, estranho não?
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De Marco a 03.11.2011 às 17:26

Não faço a mínima ideia de onde veio esse comentário para mim, mas o ensino da informática é ainda outro problema, que não está relacionado com modelos de ensino.

E "nenhuma escola tem Internet, nem mesmo as universidades"? Não sei que estatística martelada é essa, mas no meu país, muitas escolas têm Internet, e todas as universidades que conheço (e ainda conheço algumas) têm Internet.
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De Gato Preto a 03.11.2011 às 20:33

Arranja-me lá uma escola onde chegas e te possas ligar à net, nenhuma, nem escola nem estranhamente universidades que ainda é mais grave, tens um convidado para uma palestra que quer ver alguma coisa na net e não tem rede, tens que estar a ligar para o geek da informática para te dar a password muito a contragosto e desconfiado.
Isto quando já tens praças e bairros inteiros de cidades europeias com free wireless.
E nunca ensinaram a minha filha ou qualquer dos colegas o que era um editor de texto.
Abraços.
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De jonasnuts a 03.11.2011 às 20:35

As várias escolas onde o meu filho andou (privadas e, agora, pública) sempre tiveram internet. Claro que não era chegar e ter acesso, como é evidente, requeria-se um user e uma pass e não tinham a rede aberta (felizmente).

A primeira vez que acedi à internet, foi nas caves do CIIST, no técnico, há mais de 15 anos, à borliu e sem restrições.
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De Marco a 03.11.2011 às 20:42

Ainda bem que assim é; redes abertas é um risco de segurança, tanto para quem gere a rede, como para quem a ela se liga. Se a escola da minha filha tivesse rede aberta, fazia um basqueiral enquanto não resolvessem esse problema.

O ensino da informática, como já disse atrás, mas volto a dizer, é outro bicho completamente distinto dos modelos educativos que aqui se discutiam. Se eu tivesse vontade de dar a minha opinião sobre esse assunto, já o tinha feito.
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De jonasnuts a 03.11.2011 às 21:28

Opá....em vez de fazeres um basqueiro, era mais pedagógico explicar o que era a coisa, como é que estava, como é que deveria estar, porque é que deveria estar como tu dizias que deveria estar, e dar o teu contacto, para que o "senhor da empresa que gere essas coisas das intenetes" pudesse conactar-te, para que explicasses o que deveria ser feito.

Nota-se muito que falo por experiência própria? :)
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De Marco a 03.11.2011 às 21:56

Eu já saltei a parte da abordagem pedagógica, que normalmente não resolve nada. Aqui na tugalândia só se resolve alguma coisa quando alguém dá dois murros no balcão e levanta a voz...



"Oh fáxabor!" (com cara de mau e voz grossa)
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De GatoPreto a 08.11.2011 às 10:30

Explica-me lá caro Marco, assim como se eu fosse muito burro como é que é isso da segurança da rede e tal.
Se tiveres um acesso à net wireless sem qualquer máquina ligada da escola( ou uma especifica só para isso), apenas destinada a aceder à net por parte dos utilizadores qual é risco da rede? podes equilibrar o tráfego por IP para evitar abusos de download como se faz em muitas redes publicas abertas e pronto.
Agora se a escola quiser ter uma rede interna segura acho muito bem que tenha.
Em relação à segurança entre máquinas ligadas a uma rede conjunta, podia e devia ser algo a ser ensinado às crianças e nos dias de hoje não vejo mal nenhum que fosse a escola a ensinar.
E não me venham com a história de falta de meios pois a escola primária da minha filha que precisava apenas de 1Pc e 1 impressora, para 4 professoras primárias tinha lá instalado uma unidade de servidores com uma caixa maior que eu, agora quem instala e tira verdadeiro partido destes equipamentos, isso já é outra história.
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De Marco a 08.11.2011 às 10:56

Há sempre, pelo menos, um ponto de ligação entre uma rede interna e uma rede externa, que é onde ambas acedem à 'Net. A partir desse ponto, as potencialidades de ataque são virtualmente ilimitadas.

A menos, claro, que cada escola tivesse dois acessos à 'Net, isso sim, um desperdício.

Os abusos de downloads é o que menos me aflige. Um vizinho da escola ou um wardriver mal intencionado, a fazer spoof ao IP e MAC do Magalhães da minha filha, envolvido em pornografia infantil, ou ataques DoS, ou roubo de identidade, isso é que me preocupa.

Dando de barato, claro, o acesso a dados confidenciais guardados nos computadores das escolas.

Redes abertas é uma burrice, tanto de quem a monta, como de quem lhes acede. Não é por acaso que todos os sistemas operativos (de computadores e até de smartphones) alertam quando se tenta aceder a uma rede aberta.
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De GatoPreto a 09.11.2011 às 19:28

Entendido Marco, mas 2 acessos é desperdicio? O armário de servidores instalado na primária da minha filha dava para pagar acesso à net durante uma ou duas décadas, e duvido muito que o lá esteja alojado seja "escolar" mas posso estar enganado.
Mas quando me arranjares um caso de pedófilo spoofer ou a roubar identidades do que quer q seja, avisa, para não falar da limitação natural física da rede num espaço.
Já de pessoas reais dentro da escola a fazer ilegalidades muito mais graves, arranjo muitas, até na escola da minha filha.
Abraços.
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De Marco a 09.11.2011 às 23:33

Oh, GatoPreto, tem lá paciência, mas um bastidor dentro de uma escola primária não faz lá grande sentido - como tal, é preciso eliminar esse gasto, e não trocá-lo por outro.

De qualquer forma, nem é possível calcular o custo desse bastidor (só o armário é relativamente barato, e não sei o que tem dentro), nem qual a sua função. Para mim, é novidade essa existência, mas se lá está, alguma razão há-de ter. Sem mais informação, não salto degraus para o "é um desperdício".

O resto, como eu disse, são riscos - e elevados. Neste particular, as vantagens não compensam, de largo, esses riscos.

Finalmente, se tens conhecimento de ilegalidades dentro da escola da tua filha, como bom cidadão, só tens que os denunciar às autoridades competentes. Simples.
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De Walker Pt a 02.11.2011 às 19:13

Para que é que é necessário aprender 2+2 se existem por aí carradas de calculadoras? qualquer telemóvel tem uma.
Para que é que precisamos de aprender o que quer que seja se está tudo aí?
Para quê aprender?
Os neurónios e as sinapses treinam-se!
E como raio vai alguém saber do que gosta quando é uma criancinha, talvez pelo que os pais lhe dizem que é melhor para ele?
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De jonasnuts a 02.11.2011 às 19:26

Precisamente, os neurónios e as sinapses treinam-se, exercitam-se (não incluí a matemática e o português na minha lista de coisas a abater), mas não me parece grande exercício, empinar conteúdos que nãe me servem, nem servirão, para nada.
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De blimunda sete luas a 02.11.2011 às 22:37

O link que tens um pouco mais abaixo, para a palestra de Sir Ken Robinson, fala exactamente disso, assim como outras intervenções dele que circulam na net.

O paradigma da educação tem quem mudar e vai mudar, mas receio que não seja ainda na geração dos teus filhos. E se calhar, na dos teus netos também não.

Ainda assim, haja esperança! :-)
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De António Manuel Dias a 02.11.2011 às 23:38

Ultimamente tenho reflectido um pouco sobre o sistema de ensino em Portugal e mesmo sobre o ensino na globalidade, mas ainda não tenho as coisas bem assentes e, quando tiver, isso dará provavelmente para um artigo completo. Por isso vou deixar aqui apenas dois apontamentos.

O primeiro é sobre o decorar. Sejam datas ou outra coisa qualquer, reparei que consigo decorar coisas de duas formas: (1) lendo ou escrevendo as coisas repetidamente, durante um curto período de tempo, até as decorar (o célebre empinar para o teste) ou (2) tendo de as usar com alguma frequência durante um período mais alargado de tempo (por exemplo, quando tinha de ligar para uma pessoa durante várias semanas seguidas, antes de os telefones terem memória). No primeiro caso, tudo o que decorei irá desaparecer assim que deixar de necessitar da informação, enquanto que no segundo a memória dura muito mais tempo, possivelmente para sempre se continuar a usar a informação, nem que seja esporadicamente.

Um exemplo paradigmático disto é, para mim, a forma como decorei a tabuada. Na primária obrigaram-me a decorar as tabelas de multiplicação completas e em sequência (2x2=2, 2x3=6, 2x4=8, etc.) e eu tive uma grande dificuldade em empinar aquilo tudo, mas depois continuei (e continuo) a usá-la, quer na escola quer fora dela... e acabei por a memorizar sem qualquer esforço, nem sequer consciência do facto. Ou seja, é a utilização que leva à memorização de longa duração (no meu caso, não quer dizer que sejamos todos assim) e, por isso, todo o ensino baseado em memorização pura faz para mim tanto sentido como uma bóia insuflável no meio do deserto.

O segundo ponto é sobre os conteúdos. Também sou da opinião que matemática e português são duas disciplinas nucleares no ensino básico, embora não exactamente nos moldes actuais (por exemplo, acho que em português se dá demasiada importância à teoria da linguagem, certamente um assunto interessante e importante, mas não neste pormenor neste nível de ensino). No entanto, acho que esta é a altura ideal para que as crianças sejam expostas a tudo, para que possam descobrir por si próprias o que lhes interessa e em que é que elas são realmente boas. Para isso é necessário que haja uma grande diversidade de conteúdos, mas abordados de uma forma aberta, geral e pouco profunda. Ah! e de preferência sem avaliação, ou com avaliação em moldes totalmente diferentes, porque esta é, na maioria dos casos, contraproducente. As crianças até podem gostar de desporto, de música, de trabalhos manuais, biologia, química, história ou qualquer outra disciplina -- assim que souberem que irão ser avaliadas num teste na próxima semana, irão preocupar-se apenas em decorar a matéria para o teste e não em praticar e descobrir aquela área do saber.
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De AB a 03.11.2011 às 01:26

Jonas, mas tu partes do princípio de que o que o que não te interessa a ti não interessa ao teu filho, ou que o que não interessa ao teu filho não interessa de todo?
Dizes que os miúdos não são educados para a realidade actual, mas não é para a realidade actual que deveriam ser educados, antes para a realidade que existirá daqui a dez, vinte anos. E qual é?
A disciplina de História pode ser fascinante. Para quem tenha gosto por ela pode ser muito criativa, porque embora o passado seja imutável, a interpretação não o é.
O mesmo em relação a matemática, biologia, etc. Não creio que haja áreas de conhecimento desinteressantes, pode é não haver interesse nenhum por parte das pessoas - principalmente duma certa idade - em áreas de conhecimento. Ou há professores chatos.
Sobre actualmente podermos ligar-nos à rede e procurar, ok, mas se não tiveres um mínimo de informação prévia, como validas a informação? Aprender a aprender não é tarefa fácil.
Eu aprecio muito Sir Ken Robinson, mas não engulo a pílula toda. Se é certo que os currículos tratam o ser humano como um cérebro, e o corpo como um apêndice que só serve para o transportar, também não é menos certo que a criatividade está em todo o lado, se não houvesse matemáticos criativos nem estávamos aqui a ter esta troca de argumentos num computador em rede - mas quanta chatice e coisa desinteressante teve esta gente que gramar até chegarmos ao facebook?
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De jonasnuts a 03.11.2011 às 08:35

A minha questão não é exactamente a mesma que a do Ken (olha a intimidade :) ele trata as coisas duma forma mais global e abrangente.

A minha questão surge da minha experiência enquanto aluna e, agora, enquanto mãe de um aluno. Porque é que todos os miúdos são tratados, moldados, formatados, da mesma maneira? Porque é que a diversidade, tão presente em tantos aspectos da nossa vida, não existe no ensino?

E porque é que empinar (decorar, sem que se tenha a menor noção da razão de ser daquilo que se está a decorar) tem uma importância tão grande, durante tanto tempo?

Quanto a educar para o futuro, acho muito bem, mas há um problema. Se há 50 anos, sabíamos exactamente de que competências é que íamos precisar, hoje, não sabemos o que é que o futuro nos reserva, o presente anda muito depressa.

Sabemos que vamos precisar de especialistas em geriatria, em gestão de recursos ambientais, em energias alternativas..... e pouco mais.....

Num curso superior de engenharia informática, por exemplo, o conteúdo já era obsoleto há 10 anos, e não me parece que se tenha actualizado, muito pelo contrário.

Assim, mais uma razão para não formatarmos as criancinhas, usando um molde que já está desactualizado agora, quanto mais daqui a 10 anos, que é quando sairão da escola. Muitos deles, mais burros e mais embrutecidos do que quando entraram.
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De AB a 04.11.2011 às 00:52

Eu acho que o Ken : ) é um tipo como devia haver mais. Não encontrei muitos professores capazes de motivar uma turma, mas quando isso sucedeu foi impressionante. História foi sempre uma disciplina chata para mim, mas no 12º apanhei um professor excepcional. Todos nós, alunos dele, subimos a nota no exame final.
Ora eu não sou muito de empinar datas, mas há um mínimo; daqui a uns anos vai ser preciso estudar que a crise do subprime americana precedeu a crise das dívidas soberanas. Mas também vai ser necessário entender o papel da China nos desequilíbrios do mercado global, e isto para explicar porque tivémos, em 2011, de chamar o FMI. Outra vez. Se isto terminar noutra guerra, é importante saber o que sucedeu antes e depois - é para isso que servem as datas : )

À tua primeira questão a minha resposta não podia ser mais simples: não há dinheiro. Dá as voltas que quiseres, resume-se a isso. Em massa sai mais barato.
Quanto ao decorar sem ter noção da razão, às vezes dá jeito, como saber a tabuada. Passar dias a escrever palavras ou letras, como era no meu tempo, não tinha nada de criativo, mas é das tais coisas, antes de corrermos há que aprender a andar. Há certas coisas que têm que ser aprendidas e que só farão sentido muito mais tarde - na matemática é mais que certo, já que só se torna interessante a um nível onde 99% abandonaram.
A educação do futuro talvez seja aprender a criar galinhas, fazer sapatos, cordas, cuidar duma horta...e saber nadar. É que sou pessimista, e concordo com não sei quem que disse que tenciona proporcionar aos filhos a melhor educação tradicional, e depois quer que aprendam um ofício - pedreiros, padeiros, qualquer coisa que não precise electricidade ou GPS. Dá que pensar.
Finalmente, não é só nas aulas que se aprende. Aprendi muito, além das aulas.
E o processo de aprendizagem também envolve os pais, não naquelas actividades fomentadas pela escola, mas no dia-a-dia, puxando pelos miúdos para que entendam que há um mundo muito grande e interessante, muito maior e mais interessante do que aprendem na escola.
Há um provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia para educar uma criança. Acredito. Não sei se a aldeia global virtual que temos actualmente será a melhor. Mas ontem li uma entrevista com o Peter Gabriel, em que ele disse que está a trabalhar para criar uma internet para outras espécies, e pensei que talvez este mundo ainda tenha solução. Pôr golfinhos a comunicar com chimpanzés deve ser interessantíssimo. E não estou a brincar. Haja criatividade.
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De jonasnuts a 04.11.2011 às 01:21

Concordo com muito do que dizes, discordo de outro tanto :)

Se não utilizasses a tabuada no teu dia-a-dia, com frequência (é diária, a utilização que fazemos da tabuada) ainda te lembrarias dela?

É que a tabuada, para o efeito, é mau exemplo. Não sei que idade tens, mas os meus pais, na escola, tinham de aprender, juntamente com a tabuada, os rios todos do que naquela altura se chamava ultramar, mais os caminhos férreos. Da tabuada eles lembram-se, dos rios angolanos, nem tanto.

É verdade, é mais barato "instruir" em massa, mas a questão é que este modelo barato, é obrigatório, e inútil. E não pecisamos da geração do meu filho para chegar a esta conclusão, chega-me a minha geração e o meu (redutor, é um facto) exemplo. Aquilo que eu faço na vida, profissionalmente, não existia, quando eu andava na escola. Toda a minha formação foi feita muito depois da academia (deverei dizer, apesar da academia?). Nenhum curso ou área curricular ensinava (ensina:) aquilo que me paermite fazer o meu trabalho.

Se isto é verdade para mim, já, hoje, será ainda mais verdade para o meu filho, que é obrigado, legalmente, a papar aquele lixo todo (bom, quase todo, nem tudo é lixo, enfim, inutilidades será uma melhor palavra), sem que haja qualquer certeza (ou vislumbre) de que, aquilo que é obrigado a aprender, um dia lhe vai ser útil para alguma coisa.

E parece-me um tempo imenso, mal gasto, a aprender coisas que, se calhar, numa eventualidade, darão jeito.

Mas sim, sou uma óptima jogadora de trivial :)
(A verdade é que a minha grande especialidade no trivial são as perguntas cor-de-rosa, que é uma categoria para a qual o nosso sistema de ensino pouco ou nada contribui :)

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