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Os filmes que eu não vi

por jonasnuts, em 20.10.11

Deve ser da idade, ou da experiência. Há filmes que eu não vejo. Nem de ficção, quanto mais os reais.

 

A sério, devo ter mais de uma dúzia de DVDs (do tempo em que ei ainda comprava DVDs) à espera de serem vistos. A ficção é sempre uma escolha, a realidade, na maioria das vezes, nem por isso.

 

Não vejo um vídeo online, se sei que me vai deixar na merda.

 

Não vejo os vídeos dos linchamentos.

Não vejo os vídeos de pessoas a serem mortas (por piores que elas possam ser).

Não vejo os vídeos do animal a ser atropleado/maltratado.

Não vejo os vídeas das miúdas a pregarem uma carga de porrada noutra.

 

Da última vez que uma merda dessas me entrou pelos olhos adentro, foi nos tumultos de Londres. Nada de violência extraordinária, mas extraordinariamente violento. Um jovem, provavelmente a tentar recuperar duma porrada, é ajudado por alguns, enquanto outros, aproveitando-se do momento, lhe abrem a mochila que levava às costas e o roubam. Não sabia ao que ia. Vi. Já passou muito tempo (o tempo, nos dias de hoje, passa mais depressa). Mas ainda não me consegui desfazer do sentimento de raiva. E ter raiva não é bom.

 

Não vejo vídeos. Não vivo num mundo cor de rosa, e sei que há pessoas más. Muitas.

 

Mas não vejo. Não preciso.

 

Por isso, não vejo.

 

E não vi, nem vou ver, o vídeo  criança chinesa atropelada, e atropelada, e atropelada.

 

Para quê? Para que quereria eu ver o horror? Porque hei-de eu querer ficar com uma ferida que não desaparece, que deixa marca.

 

Thank you, but no, thank you.

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28 comentários

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De Ana Gonçalves a 20.10.2011 às 23:15

Nem eu, pelas mesmas razões. Quanto a esse caso, só a foto da criança, e saber o que aconteceu, já me deita por completo abaixo!
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De @na a 20.10.2011 às 23:38

olha também eu e nem sabia que andava aí mais uma atrocidade do género. Não consigo fico mal e aquilo depois não me saí da cabeça, um horror.
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De Jorge Soares a 20.10.2011 às 23:47

Como eu te entendo, eu também não vejo,.. e não percebo porque é que vídeos como a da criança, podem chamar a atenção de tanta gente.

Jorge
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De Anónimo a 21.10.2011 às 00:04

A ideia com que ficamos é que a jonas não vê é nada...(à frente dos olhos).


MAC
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De Catarina a 21.10.2011 às 02:57

Vi. Completamente por acaso. Preferia mil vezes não ter visto.
Assim como vi Kadafi. Que preferia também mil vezes não ter visto.

Duas situações absolutamente diferentes. Ambas demasiado violentas.

Mas que nos entram pela casa dentro mesmo que não queiramos.
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De jonasnuts a 21.10.2011 às 08:29

Sim, é preciso estarmos cada vez com mais atenção, para termos a certeza de que não vamos ver o que não queremos.
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De Fábio Martins a 21.10.2011 às 09:53

O vídeo que falas aconteceu no caos e desordem de Londres há uns meses.

Quanto a menina, foi dos piores vídeos que alguma vez vi e acho que nunca me vai desaparecer da memoria, o que posso tirar positivo do vídeo é porque vou ter ainda mais cuidado com as crianças que andam a minha volta, como vou deixar de acreditar tanto no bom senso das pessoas.

Mas acho que só deve ver o vídeo quem se sente realmente preparado para tal.
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De Helena a 21.10.2011 às 10:02

Tal e qual. Há coisas que não consigo ver, e não é por querer enfiar a cabeça na areia.
Acrescento um outro tipo de vídeos que me choca: quando tornam públicas imagens de pessoas que não faziam ideia que estavam a ser filmadas.
Por exemplo: políticos a escarafunchar no nariz (há alguma necessidade de vermos isso?) ou aquele filme, visto por dezenas de milhares de pessoas, de uma figura pública a fazer uma rapidinha num espaço aberto.
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De jonasnuts a 21.10.2011 às 10:07

Pois, mas a verdade é que a maioria das pessoas são voyeurs.

Basta olhar para a audiência dos reallity shows.
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De Anónimo a 21.10.2011 às 12:43

...pois, jonas mas a verdade o que é este espaço?

Não será mesmo um Reallity Show? E você não será uma voyeur compulsiva?

MAC
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De Izzie a 21.10.2011 às 10:57

Também não vejo. Videos com crueldade sobre pessoas e animais vão directamente para o caixote do lixo.
Infelizmente, hoje se manhã, não consegui deixar de ver a fotografia do cadáver do Kadhafi na primeira página de um jornal. Uma pessoa já não pode parar no quiosque para ler as gordas :(
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De inesn a 21.10.2011 às 12:21

Likewise...e faz-me confusão perceber que as pessoas vão lá mesmo sabendo que vão aterrar no horror.

não percebo, pronto.
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De Anónimo a 21.10.2011 às 13:03

Eu sei que estou a tirar a jonas do sério. Alías, ela já perdeu por completo a capacidade de reacção.

Mas como dizia o Jorge Coelho/PS - quem se mete com o MAC... "leva"e ponto final.


MAC
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De Visigordo a 21.10.2011 às 14:40

Mais do que o instinto voyeurista que existe em cada um de nós, deveria imperar o bom senso em quem comanda uma redacção de um jornal, ou telejornal, or whatever.
No caso da menina chinesa, por exemplo, podiam ter-se limitado ao divulgar da notícia e não fazê-la acompanhar de imagens que são uma brutalidade para quem as vê.
Será que quem mete aquelas imagens no ar não tem a noção de que existem milhares de crianças sentadas à mesa com os pais a verem os noticiários?

P.S. - Anda por aí um gajo com problemas sérios de auto-estima por resolver.
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De jonasnuts a 21.10.2011 às 14:58

Ah...mas aí discordamos..... as televisões não têm nada que pensar (dentro dos limites do bom senso) em que conteúdos é que são próprios para crianças ou não. Essa é uma selcção que cabe aos pais.

Não delego nas televisões o trabalho que deve ser dos pais.

Quanto ao gajo com problemas de auto-estima, é o meu troll de estimação :) Sempre é mais audiência para o meu analytics, e mais comentários para as estatísticas :)

Se me incomodasse, corria com ele, mas não chateia, coitado, não deve ter mais com que se ocupar, e isto é o que lhe anima os dias. É meu dever cívico deixá-lo andar por cá :)
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De Visigordo a 21.10.2011 às 15:30

Mas eu não disse que o primeiro filtro não têm de ser os pais fazê-lo. O que disse é que há conteúdos que são inapropriados para um bloco noticioso e isso depende do bom senso de quem seleciona e autoriza que nos sirvam à hora de jantar o que de pior podem ter as pessoas.
Quem faz jornalismo dessa forma não pretende transmitir qualquer informação, o que pretende é o choque e o sensacionalismo, e isso já desvirtua o que deveria ser um telejornal.
Por algum motivo há filmes que só passam a determinadas horas e com a respectiva sinalização.
No caso dessa notícia, eu, sem querer, fui obrigado a engoli-la.
É claro que poderia ter virado a cara para o lado, mas também não esperava que me fosse mostrado o que me foi mostrado.
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De jonasnuts a 21.10.2011 às 15:37

Como falaste nos milhares de crianças, fui por esse caminho.

A "informação" que nos chega através dos órgãos de comunicação social é cada vez mais sensacionalista e cada vez menos exacta.

São muito poucas as peças de bom jornalismo (e isto aplica-se quer a um simples artigo sobre uma estrela de cinema de pariu como a um artigo sobre pensões e subvenções). Não estou a dizer que não há bons jornalistas em Portugal, o que digo é que a informação que nos chega é deformada e deficiente.

Daí que cada vez mais recorro a formas alternativas de me informar, e desconfio SEMPRE duma notícia que leia num órgão de comunicação social.

Já aconteceu eu pegar no telefone e ligar directamente à fonte, para saber se aquilo era mesmo verdade (no caso em particular, não era).

Dentro das fontes, é preciso seleccionar a fonte. Dentro do mesmo jornal, há jornalistas e Jornalistas e há editorezecos e há Editores..... mais do que aceder à informação, as competências que realmente interessam hoje em dia, é saber seleccionar a informação a que se chega :)
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De Visigordo a 21.10.2011 às 15:52

Falei nos milhares de crianças porque se a mim me cai mal, imagino o que se passará dentro de uma cabeça em que a opinião ainda não está formada.
E percebo o terror que vem misturado na pergunta: é lá longe, não é?

Pelos vistos temos a mesma relação com o jornalismo. E eu vou mais longe, vejo por aí muito bom jornalista a fazer um trabalho de merda, porque ou fazem aquilo que lhes mandam ou a porta da rua é a serventia da redacção.
Jornalismo espartilhado é um contra-senso em si mesmo, mas, infelizmente, foi ao ponto onde chegou.
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De jonasnuts a 21.10.2011 às 15:54

E também por isso é que a televisão, à hora de jantar, enquanto estamos todos a comer, está SEMPRE desligada.

Ok, ok, excepção feita quando o Glorioso está a jogar :)
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De Visigordo a 21.10.2011 às 16:09

Pois... são gente em que se pode confiar cada vez menos.
É curioso que quando joga o glorioso e perde, também os jantares me sabem melhor ;)
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De jonasnuts a 21.10.2011 às 16:51

Lá está.... os resultados de outros clubes que não o meu Glorioso, não me afectam minimamente :)

É a diferença entre o Glorioso e os outros :)
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De Anónimo a 21.10.2011 às 18:12

Lá está...os comnetários de outras com problemas de falta deles...não me afectam minimamente. É a diferênça entre eu ser um macho latino e a dita cuja ser uma GAJA com a agravante de estar há muito encalhada.

MAC
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De pedrocs a 22.10.2011 às 18:33

Que pena não se poder fazer like a comentários, aqui.

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