Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]






Arquivo



O Meu Pipi

por jonasnuts, em 19.08.11

Só os mais antiguinhos compreenderão. Apesar deste blog estar a banhos, há serviços públicos que têm de ser prestados e é nessa perspectiva que faço este post.

 

Se tem menos de 7 anos na Blogosfera portuguesa (ou mais, mas ando desatento), siga este link, e leia tudo, tudo, tudo.

 

Vem isto a propósito de um post do Carlos Vaz Marques no Facebook. Como é tudo muito melhor do que eu poderia escrever, transcrevo na íntegra (depois de ter pedido autorização, obviamente).

 

"Há muito que não havia notícias dele. O Meu Pipi parece ter perdido a tusa e desapareceu de circulação. Agora, surpreendentemente, mão amiga fez-me chegar a prova de que o Pipi continua vivo e atento. Ao deparar-se na revista The Printed Blog, da empresa Jacaré na Lua, com a utilização de um dos seus textos, terá mantido a troca de correspondência que a seguir se transcreve. Não tive possibilidade de verificar a autenticidade destas mensagens mas o estilo parece não deixar dúvidas: O Meu Pipi anda por aí.

 

 

Exmos. Cabeças de Caralho,  

Posso saber quem é que vos autorizou a publicar um texto meu na vossa revista de merda? Só para eu perceber qual é a peida desrespeitadora dos direitos de autor que o marsapo judicial vai escaqueirar, com o pedagógico objectivo de punir o atrevimento chico-esperto e burlão.  

Sem outro assunto,

Pipi  

 

----------------------------------------------------------------------------

 

Bom dia.  

Meu caro, o que fizemos foi referir o blogue "o meu pipi" numa rubrica que intitulamos de "A Antiguidade é um post", com um dos muitos textos disponíveis em open source na internet. Consideramos que tal procedimento não é passível de qualquer ilegalidade. É a nossa avaliação e de quem nos aconselha jurídicamente.  

Gostaría, ainda assim, de lhe transmitir que este é um projecto que pretende trazer para papel muita da qualidade do que existe na blogosfera, sendo esse blogue em particular uma escolha da Directora da Revista como sendo uma referência e tendo aberto um caminho. É o entendimento dela e o meu, como Publisher da mesma. A nossa intenção foi, obviamente, fazer um elogio ao mesmo, e não a de qualquer tipo de aproveitamento ou burlice (para usar as suas palavras). Não nos foi possível falar consigo a priori, pelo anonimato do mesmo, mas muito gostaríamos de o ter feito.  

É meu desejo que um dia mude a sua opinião, quer sobre nós que a editamos, quer sobre a própria revista.  

Estou ao dispôr para qualquer outra acção ou intenção que deseje prosseguir.  

Melhores cumprimentos,  

Luís Gomes

Jacaré na Lua - Comunicação

 

----------------------------------------------------------------------------

 

"Meu caro"? Mas que tipo de pessoa é que recebe um mail endereçado a cabeças de caralho e responde com "meu caro"? Já vi que temos fanchono. Neste momento, estou com saudades do tempo em que achava que o meu interlocutor era um vigarista. Soubesse eu que se tratava de um rabeta e não me teria incomodado. Para sua ilustração, assinalo os traços mais amaricados do seu estilo, a fim de que futuramente possa moderar essa exuberante panasquice, pelo menos em público. Não tem nada que agradecer.

Primeiro: apresenta-se como Publisher. Desempenhar cargos em estrangeiro é roto. Publique merdas, pá. À homem. Não publishe.

Segundo: tem entendimentos que coincidem com os entendimentos de gajas. Roto.

Terceiro: pretende elogiar um blogue. Roto.

Quarto: deseja que eu mude de opinião sobre si. Extremamente roto.

Quinto: Jacaré na Lua. Julgo que não é preciso dizer nada.

Creio que se trata de um contributo valioso para despaneleirizar a sua existência.

Estimando melhoras,

Pipi"

 

 

Nota pessoal minha: Gosto muito da leitura que o Luís Gomes o "publisher" faz do conceito de Open Source, na frase "com um dos muitos textos disponíveis em open source na internet". Está na Internet? É para roubar. Tudo o que está na internet é open source. Se por acaso o "publisher" por aqui passar, pode serguir este link, para perceber um bocadinho melhor o que é o open source, e já agora, que se instrua um pouco mais, e aprenda sobre o Creative Commons que provavelmente era o que queria dizer, embora o conceito também não se aplique. Tudo isto me parece espectacularmente grave, sobretudo quando se trata de um "publisher" duma publicação chamada "The Printed Blog".Tanta gente tem falado tanto desta revista, e tão bem, que eu estava quase a ultrapassar a minha descrença e incompreensão em relação ao projecto, e a comprar uma. Mas depois disto, e da cena com o Júlio Machado Vaz....... acho que não..

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



43 comentários

Imagem de perfil

De andr3 a 19.08.2011 às 20:48

Olha outros... já a BBC há uns dias também respondeu que o que está publicamente acessível na Internet é domínio público.

Pois tanto a BBC como esse "Publisher" estão redondamento errados.

Por omissão (mesmo que não tenha o ©) todos os direitos são reservados e só por autorização expressa é que será possível reproduzir a uma dada obra.

Mais info:
http://videos.sapo.pt/peG4j8FCZwYLmbzuyQbd
http://www.slideshare.net/andr3/dr-how-i-learned-to-stop-worrying-and-love-fairuse-licenses
Sem imagem de perfil

De paula a 11.11.2015 às 01:49

Oi Excelentissimos,

Pois tudo o que está na blogoesfera pode ser reproduzido desde que se cite o autor... a fonte, etc... Os créditos são a propriedade intelectual de um mentecapto, não se deve ficar com os créditos alheios.
Sem imagem de perfil

De Ska a 19.08.2011 às 21:44

O Pipi... Acho que foi por causa dele e do blog dos gato fedorento que eu decidi criar o meu próprio blog.
Imagem de perfil

De jonasnuts a 19.08.2011 às 21:48

Comigo teve o efeito contrário....... com gente a escrever tão bem..... por que raio iria eu escrever?:)
Sem imagem de perfil

De Amadeu a 20.08.2011 às 11:08

Bahh, cá pra mim que não sou de intrigas o rotismo vai todo direitinho para o Pipi. Porque caralhos dá à casca com a publicação de um texto seu? Se lhe tivessem roubado a fórmula do arroz de cabidela, ainda vá lá. Assim, paneleirismo militante, só pode. Ou, como o outro, dizer que anda por aí.
Imagem de perfil

De jonasnuts a 20.08.2011 às 13:14

Porque não autorizou a publicação. Só isso deveria bastar. O que eu escrevo é meu, ninguém tem o direito de chegar aqui, copiar seja o que for, imprimir numa revista (que é um negócio, cujo objectivo é fazer dinheiro).
Sem imagem de perfil

De Amadeu a 20.08.2011 às 22:17

Mas é mesquinho, Jonas. Se fosse a publicação de uma qualquer tese científica ou post de "alta escola" ainda vá lá. Doutra maneira parece que o Pipi se pretende dar ares do que não é (parece) ser. Além de que, segundo a resposta (e não sei como se passou com os outros autores), tentaram contactá-lo.
Quanto aos créditos ("revista, cujo objetivo é fazer dinheiro"), pois nem acho mal que os autores que não autorizaram expressamente, os reclamem.
Imagem de perfil

De jonasnuts a 20.08.2011 às 23:22

Porquê? Só as obras primas é que são protegidas? Eu só escrevo disparates, e se alguém os copiar sem pedir autorização, fico puta da vida. É meu. Eu é que sei se autorizo ou não a sua publicação, apesar da sua gritante falta de qualidade.

Essa tese de que apenas as coisas de "alta escola" estão protegidas. Portanto, se eu roubar uma mala gucci vou dentro, mas se eu gamar uma mala duma marca farsola, sou desculpada?

E essa coisa do autor reclamar pelo pagamento...... quem é que define o custo do conteúdo? O seu autor, certo? Isso quer dizer que o Pipi pode agora reclamar 1 milhão de euros pelo facto de terem publicado o seu post sem autorização?
Sem imagem de perfil

De Amadeu a 20.08.2011 às 23:50

Não está em causa menorizar o que quer que seja, ainda para mais o Pipi de que também eu gostava e de que, além disso e mais importante, foi pelos próprios autores da revista objeto de destaque (ou citação ou lá que foi). Acho que é só uma questão de bom senso, atendendo ao objetivo anunciado da revista de "perpetuar" alguns autores através da publicação em papel e, tanto quanto percebi num comentário aí mais abaixo, as peças publicadas serão originais e, o que se teria passado com o Pipi foi a citação dum post, ou parte dele, para compor ou ilustrar a tal rubrica "A Antiguidade é um post".

"quem é que define o custo do conteúdo?", eu sei lá, mas há de certeza formas jurídicas, como as há para coisas de contornos ainda menos definidos, de chegar a valores a reclamar se assim for entendido.
Much ado about nothing, como dizia o Mourinho ou lá quem era ;)
Imagem de perfil

De jonasnuts a 20.08.2011 às 23:58

Perpetuar em papel aquilo que está em formato digital? LOL

É ao contrário, perpetua-se no digital aquilo que está em papel :)

Mas a questão não é essa. A questão é a utilização de um conteúdo, sem que tenha havido consentimento do seu autor, num projecto que tem por objectivo fazer dinheiro com conteúdos. Não interessa o tipo de conteúdo. Chateia-me o princípio.
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 22.08.2011 às 15:30

Oh meus amigos é simples. A lei diz que para se publicar algo escrito por outra pessoa temos ter autorização. A omissão é a não permissão. Logo seja porque razão for "o meu pipi" tem toda a razão em estar f* passe o jogo de palavras. Existe um direito de citação que permite citar qualquer meio sem autorização desde que citando a fonte. Este direito de citação tem definida a % de conteúdo que se pode utilizar sem a referida, além de estabelecer o principio "lógico" dessa utilização. Tudo o que não caia nestes dois cenários é ilegal quaisquer que sejam os meios considerados de fonte e de destino.
Sem imagem de perfil

De Ricardo Jorge a 20.08.2011 às 16:56

Hum, ainda não tinha ouvido falar da versão portuguesa da revista.. Vou ver se compro uma

Quanto ao falhanço do "open-source", ouch.. Como é que alguém que trabalha com isso pode desconhecer um facto tão importante?

Na página do facebook deles, referem que todos os conteúdos da revista são escritos pelos bloggers, mas que são inéditos. Logo, acho estranho eles terem usado um post não-inédito d'O Meu Pipi.. Talvez tenha sido um excerto em algum artigo como a conversa parece sugerir.

De qualquer forma, fico feliz de ver O Meu Pipi à superfície.. Será que vai escrever uma reclamação no blog? O meu google reader está à espera, he he
Imagem de perfil

De jonasnuts a 20.08.2011 às 17:00

Está o teu e o de muita gente :)

Aparentemente há uma secção chamada "A antuiguidade é um post" que tem por objectivo recordar bons blogs que deixaram de ser actualizados, e foi nessa perspectiva que pescaram um post do Pipi (ou parte de um post, não sei, não li).
Sem imagem de perfil

De Andre Torgal a 20.08.2011 às 23:39

O que esta na internet nao é para copiar? Fosga-se! Deixa-me ja ir formatar o disco.

ok ... fosga-se é roto
Sem imagem de perfil

De Andre Torgal a 20.08.2011 às 23:46

Ah! quanto ao “meu pipi“ fico a achar que deve andar cheio detesao e aproveitou para dizer que esta vivo... e a julgar por umas quantas crónicas de revista desinspiradissimas que tenho lido creio que faz todo o sentido. o momento nao esta para continuar a fazer crítica social e política ah e tal diplomaticamente polida... vai (re)começar a chover caralhada... acho muito bem (sim, sempre achei que era o RAP)
Imagem de perfil

De jonasnuts a 21.08.2011 às 00:00

Interessa-me pouco a identidade do Pipi, sempre foi tema que me passou ao largo.

Gostava que voltasse, de preferência nos Blogs do SAPO, mas leio-o em qualquer lado :)
Sem imagem de perfil

De a 22.08.2011 às 13:40

aquilo tem mais estilo de MEC do que de RAP
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 22.08.2011 às 15:35

Por acaso tive um professor de português que me ensinou que para avaliar o valor de um texto - de opinião ou outro - convinha retirar tudo o que fosse adjectivação excessiva ou palavra mais forte. Se fizermos isso aos textos do "meu pipi" enfim ... mas é a minha opinião manifestamente "rota".
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.08.2011 às 17:55

Mas que excelente método! O facto de nenhum livro de teoria da literatura lhe fazer referência deve ser para não divulgar o segredo da boa criação literária. Que maravilha. Portanto: adjectivação excessiva e palavra mais forte. Como toda a gente sabe distinguir as palavras quanto à força e consegue definir bem a fronteira em que a adjectivação aceitável passa a excessiva, é fácil. Acabei de ler Os Maias só com as preposições e, realmente, agora é que percebi que se trata de um bom livro.
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 26.08.2011 às 19:15

Caro anónimo, é fácil ridicularizar uma descrição quando se toma à letra um resumo que se procura fazer de uma forma de avaliar a relevância de textos que expõem ideias. A verdade é que se no caso do "pipi" e outros textos equivalentes ou blogs equivalentes lhes retirarmos os palavrões resta muito pouco de substancia, dizem banalidades na maioria dos casos. Tem piada pela forma - às vezes - mas de substancia pouco. Quanto à "adjectivação" aplica-se o mesmo principio. se por exemplo nesta mesma frase eu dissesse, "obviamente" se aplica o mesmo principio este "obviamente" nada acrescenta - está a mais embora pareça reforçar a ideia exposta. Não tem mais valor eu dizer exm. cabeça de c* do que dizer exms sr. ou caro sr. - é uma questão de forma e não de substancia e se na literatura a forma é pelo menos em geral indissociável da substancia já no texto não literário em particular na exposição de conceitos ou de ideias a forma deve estar ao serviço da substancia e não procurar esconder a sua ausência. Foi mais ou menos isto que tentei dizer. Tenho pena que tenha escolhido o anonimato, também me ensinaram que há alturas em que se justifica fazê-lo e outras em que é simplesmente ... lá está poupemos a qualificação.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.08.2011 às 02:25

Ai "obviamente" é adjectivação? Muito me conta. Pensei que fosse adverbiação. De cada vez que explica melhor esse soberbo método para avaliar o "valor" de um texto suprimindo palavras, mais se desconfia que é por causa de professores de português desses que o ensino está como está. De resto, chamo-me Idália Santos. Pronto, agora é que o diálogo vai ser frutuoso!
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 27.08.2011 às 17:43

Irene, o diálogo não será nem mais nem menos frutuoso por se ter identificado mas confessemos que é mais equilibrado. De resto se pretender continuar a corrigir a minha gramática tenho a certeza que encontrará muitas razões para o fazer. Repare porém que apenas pretendi dar um exemplo e que por isso coloquei "adjectivação" entre aspas. Dei o exemplo para tentar explicar como com palavras ocas se pode pretender dar mais coerência, força e conteúdo a um texto quando na verdade essa consistência não existe. De seguida pedia-lhe o favor de deixar o meu professor de português em paz por várias razões. Em primeiro lugar porque estou certo que não é por causa dele que o ensino está como está: era um excelente professor. Em segundo porque já passaram tantos anos que dificilmente a culpa é dele: possivelmente o seu aluno não consegue explicar o que pretende dizer. Em terceiro porque falhando todas as outras hipóteses ele não tem culpa de ter tido maus alunos e tenho por absoluto principio respeitar a memória de quem me ensinou bem. Por fim mantenho convicto que em variadíssimos tipos de textos esta é uma forma de separar a forma da substância e que em muitos casos a segunda é mais importante que a primeira, facto que a Irene não rebateu antes preferindo corrigir a semântica fazendo-me notar a diferença entre adverbiação e adjectivação facto que não pretendo discutir por ser irrelevante - ambas as formas se podem prestar ao fim descrito como penso resulta claro da explicação dada. Peço desde já desculpa e em antecipação pelo parco português mas faltam-me adjectivos; muitos anos de prática na utilização do método.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.08.2011 às 20:33

Amílcar, eu pouco vou rebatendo do que o Amílcar diz, porque é tudo bastante absurdo. Primeiro, o excelente método nunca ouvido em qualquer curso de literatura - em que aliás insiste. Depois, vai tentar procurar valor e substância no vocativo que encabeça um e-mail e conclui que Exmo. Sr. tem tanto "valor" como Exmo. Cabeça de caralho. É também a primeira vez que vejo alguém investigar o valor dum vocativo. Agora, admite que confunde adjectivos com advérbios mas volta a inovar alegando que, quando se coloca "adjectivação" entre aspas, se pretende apenas dar um exemplo que pode muito bem envolver advérbios. O método milagroso que nenhum teórico da literatura menciona não permite chamar advérbios aos advérbios. Não lhe parece, Amílcar, que, quando usou a palavra "adjectivação" estava a incorrer no uso de uma palavra oca para dar mais conteúdo a um texto que, na verdade, não o tem? Olhe que, embora nunca ninguém tenha ouvido falar dele, há um método que permite descobrir essas carecas.
Imagem de perfil

De jonasnuts a 27.08.2011 às 21:09

Adorei o Amílcar e o Exmo. Cabeça de Caralho.

Estou a pensar em adoptar o segundo, para as minhas comunicações mais formais :)
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 27.08.2011 às 23:02

Idália, as minhas desculpas pelo equivoco no seu nome. Quanto ao resto lamento mas continua a insistir na semântica. Eu quero pouco saber se são adjectivos, advérbios ou nomes. Não tenho um método milagroso do tipo daquele livro mencionado no inicio do Clube dos Poetas Mortos que me permita avaliar um texto literário. Não tenho pretensões a fazer critica literária, aliás tão pouco tenho pretensões a fazer critica de blogs ou bloguers. Tenho pretensão isso sim a ter uma opinião que considero justificada sobre um blog que não aprecio especialmente porque retirada a crueza da linguagem utilizada resta na maioria das vezes muito pouco. E sim utilizo esse "método" que tanto a preocupa e choca para avaliar a qualidade do que é dito nesse e em outros blogs. Pego na minha caneta vermelha imprimo e toca de riscar tudo o que está a mais e toca de trocar as palavras obscenas por outras mais decentes ... Não me passa pela cabeça fazer o mesmo com um texto do Eça de Queiroz porque em boa verdade não existe sequer razão para o fazer, nem tão pouco sentiria estatura e capacidade para isso. Quanto à ausência do "método" nos manuais de literatura também pouco me importa na verdade. Não me preocuparia absolutamente nada sair da formatação e pensar de forma independente. Limitei-me a reconhecer que a forma que tenho de pensar sobre alguns textos me foi ensinada e bem ensinada. E por falar em carecas já descobri a careca de muitos que se escondem em rebuscadas formas ou vocabulário vernáculo para esconder um total vazio de ideias. Leia por exemplo o livro "Deve estar a brincar Sr. Feyman" em particular a história onde lhe pedem para fazer parte de uma comissão de avaliação de livros escolares. Talvez essa história consiga ilustrar o que manifestamente não sou capaz de fazer. Carecas há muitas e métodos para as descobrir também porém nem todas valem a pena o esforço. Quer pelo escasso valor que encerram quer pelo facto de já estarem mais do que descobertas. Em resumo eu não gosto do referido blog porque retirada a linguagem utilizada há pouco mais. Como é um tipo de linguagem que não aprecio especialmente penso ter o direito de também não o apreciar pela forma embora reconheça que é muitíssimo bem escrito e em alguns textos me tenha feito rir (aliás penso que comentei alguns). Em média porém não gosto e pela razão e pelo "método" assinalado. Assinado: Fernando, um careca assumido. PS: "Obviamente" nada disto justifica o roubo (como disse em outro comentário) que é sempre roubo quer se furtem jóias quer se furtem ... (palavra propositadamente omitida - em honra do "método")
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.08.2011 às 14:32

Ó Fernando, é tão aborrecido ter de explicar o óbvio. Vamos ver se os bocejos não me impedem de o fazer. O seu inaudito "método" é absurdo por uma razão muito simples: é que parte de uma distinção entre "forma" e "conteúdo" que, em literatura, não existe. Em literatura, aquilo a que chama forma é conteúdo. Repare, muita gente já contou a história da viagem de Vasco da Gama à Índia, mas ninguém o fez da forma que vem vertida num volume chamado Os Lusíadas. Por isso é que, quando Dégas disse a Valéry que tinha imensas ideias para poemas, Valéry respondeu celebremente: "Mas, meu caro, os poemas não se fazem com ideias, fazem-se com palavras". Como é evidente, as palavras são a matéria da literatura. São substância. Tirar palavras para procurar substância é simplesmente estúpido. É como tirar os castanhos para apreciar devidamente a Mona Lisa. Ou escutar a 9ª sinfonia sem o mi, para ver se é mesmo boa. Sem dúvida que o seu professor recomendaria a supressão das cores mais fortes e dos acordes mais complexos para bem avaliar o valor da pintura e da música.
É por isto que o seu método é misteriosamente omitido de todos os manuais. Infelizmente, o Fernando ora pensa fora da formatação e de forma independente, ora pensa exactamente o que vem escrito no livro do Feynman. É conforme dá jeito. Independente em relação a toda a bibliografia de teoria da literatura; fiel a um capítulo do Feynman. Eu também tenho andado a pensar fora da formatação. Agora estou convencida de que a água ferve aos 5 graus. Quero lá saber do que dizem os livros de física. Tal como o Fernando, eu não permito que a cultura, a ciência e o bom senso ponham em causa a independência do meu pensamento. A água ferve aos 5 graus e acabou-se. E, para ver se a água é mesmo boa, costumo tirar um átomo de hidrogénio de cada molécula. Pego na minha caneta vermelha, e pumba. Há quem diga que isso é absurdo, mas eu sou tão independente que não ligo...
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 28.08.2011 às 17:40

Oh Idália, concedo-lhe que no que diz respeito ao texto literário poderá ter razão, ou melhor sejamos francos: tem toda a razão: a forma faz parte do conteúdo e o que eu estava a defender é nesse caso absurdo. Um poema de Rimbaud que descreve a aurora distingue-se de um meu com o mesmo tema "apenas" pela forma. Concedido. Porém a minha preocupação inicial não é o texto literário nem eu nunca defendi que se trata de um método para avaliar literatura, quem o levou para esse campo foi a Idália. Não considero o blog em questão de literatura embora me pareça que também por aí possa haver discordância entre nós. Quanto ao explicar o óbvio que me desculpe mas isso faz parte da vida e o que para nós é óbvio para outros provavelmente não o será. Não me importo nunca de tentar explicar o óbvio desde que o faça a pessoas com honestidade intelectual. O óbvio apenas resulta como tal quando é bem explicado. Quanto à sua teoria relativa à temperatura a que a água ferve bastará encontrar a devida escala para que o seu desejo se transforme em realidade física. Na molécula de água é um pouco mais difícil ... Poderia dizer-lhe em jeito de provocação que essas são ciências exactas enquanto a literatura ... mas não o farei porque entendo que se tratava de uma ilustração. De resto para o texto jornalístico, para o discurso politico e outros onde para mim a substância não depende da forma vou continuar feliz a aplicar o meu método, que como lhe digo nunca apliquei em literatura ...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.08.2011 às 21:53

Ah,pronto,está explicado. O blog do Pipi é de textos jornalísticos e/ou políticos. Haja paciência.
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 28.08.2011 às 23:00

Exista na verdade paciência. Os textos do referido blog são então o quê? Literários? É assim que os quer qualificar? A sério gostaria sinceramente de saber como os qualifica assim ficaríamos todos certamente mais conhecedores, isto claro se tiver paciência se a tarefa não for demasiado penosa. Paciência? Tenho muita, inclusivamente para argumentar com peritos do "pontilhismo" que se atardam em detalhes para evitar discutir o essencial, que neste caso é o valor dos referidos textos. É que se me disser que são textos literários caso encerrado, nem vale a pena argumentar.
Imagem de perfil

De jonasnuts a 28.08.2011 às 23:03

O que é um texto literário?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.08.2011 às 01:46

Talvez seja útil, até para que a História da hermenêutica possa registar mais facilmente este inovador modelo teórico, fazer uma pequena resenha cronológica:
A 22 de Agosto, pelas 15h35, surgiu o primeiro esboço: “tive um professor de português que me ensinou que para avaliar o valor de um texto - de opinião ou outro - convinha retirar tudo o que fosse adjectivação excessiva ou palavra mais forte”. Era um método aprendido no âmbito da disciplina de português, do programa da qual faz parte, como se sabe, a leitura obrigatória e o estudo de obras literárias. Não surpreendia, por isso, que o método fosse usado para avaliar o valor de “um texto – de opinião ou outro”, sem outra especificação. Era “um texto – de opinião ou outro”, ou seja, qualquer texto.
A 26 de Agosto, porém, pelas 19h15, o alcance do método sofria uma redução: era apenas “uma forma de avaliar a relevância de textos que expõem ideias”. Os textos que não expõem ideias escapam ao método, o que acaba por ser grave. Listas de compras, por exemplo, não podem ser avaliadas quanto ao seu valor, o que é lamentável. Ainda assim, no dia 27 de Agosto, pelas 17h43, o método demonstrava alguma vitalidade, uma vez que podia aplicar-se “em variadíssimos tipos de textos”. Talvez isso explique que, pelas 23h02, o proponente da revolucionária teoria confessasse: “a ausência do "método" nos manuais de literatura também pouco me importa na verdade. Não me preocuparia absolutamente nada sair da formatação e pensar de forma independente”. No entanto, no dia 28, pelas 17h40, o divulgador da teoria alega: “nunca defendi que se trata de um método para avaliar literatura”, o que é estranho. No dia anterior não o preocupava que o método não constasse nos manuais de literatura porque era rebelde aos modelos teóricos tradicionais; 24 horas depois, afinal, não era um método para avaliar literatura. Percebe-se mal, portanto, que no dia anterior não tivesse objectado: “Claro que não consta em manuais de literatura. Pois se não serve para avaliar literatura!” Mas não. Na véspera não constava porque saía da aborrecida formatação teórica convencional sobre o texto literário. Resolve então especificar que se trata de um método “para o texto jornalístico, para o discurso politico e outros”. Uma vez que tem sido aplicado aos textos do blog Pipi e até à correspondência do mesmo autor, conclui-se que os textos do blog Pipi só podem ser de 4 tipos: jornalísticos, políticos, “de opinião”, ou “que expõem ideias”. Não sendo jornalísticos e políticos, resta que sejam “de opinião” ou de “exposição de ideias”. Creio que qualquer pessoa que alguma vez tenha lido o blog Pipi concorda. Lemos um post sobre a punheta e ocorre-nos: “Cá está um tipo que deseja veicular opinião sobre punhetas”. Lê-se um post sobre minetes e constata-se: “Olha, agora pretende expor algumas ideias sobre minetes.” O Meu Pipi: um blog de opinião e exposição de ideias. Curiosamente, nenhuma das pessoas que mais proeminentemente se pronunciaram sobre o blog fizeram referência às opiniões nem à exposição de ideias. Miguel Esteves Cardoso referiu-se a ele dizendo: “O melhor blog! O melhor português! O melhor blog português!” Pacheco Pereira, por seu lado, escreveu: “«Nenhuma história da obscenidade nacional (uma velha tradição portuguesa, de Bocage a Vilhena) pode prescindir «O Meu Pipi»”. Portanto, ambos se concentram na linguagem: MEC afirmando que é o blog com o melhor português; PP colocando-o, com Bocage e Vilhena, na história da escrita obscena. Nenhum deles, aparentemente, considera o Pipi um blog de opinião ou de exposição de ideias. É o que dá não terem tido bons professores de português.
Mas a discussão essencial, Fernando, sempre foi saber se um método absurdo, baseado na supressão da matéria de que os textos são feitos, é competente para avaliar o "valor" do mesmo texto. Continuo inclinada para achar que não.
Sem imagem de perfil

De Sérgio a 30.08.2011 às 01:35

LOL! este Fernando chegou todo armado em esperto e levou cá uma corrida! as pessoas metem-se em cada uma...
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 31.08.2011 às 17:24

Sergio, O Fernando não tem problema nenhum em levar. O Fernando gosta de levar. O Fernando não entrou armado em esperto, o Fernando gosta de discutir e de expor ideias e para que conste o Fernando também sabe reconhecer quando não tem razão. Mais importante do que ganhar ou perder é aprender, mas talvez para si isto também seja armar-me em esperto.
Sem imagem de perfil

De Joao A. a 30.08.2011 às 23:41

Excelente exposição, Idália, de uma clareza meridiana.
Tem música? Tem!!! :-)
Sem imagem de perfil

De fernando vasconcelos a 31.08.2011 às 17:49

Idália,
Para lhe ser sincero acho que o resumo que faz embora preciso é um pouco agressivo. Descontextualiza o que disse e torna-o ridículo e por vezes sem sentido o que mantendo o registo de sinceridade não aprecio particularmente, mas lá está a cada qual o seu estilo. Reconheço que tem razão nos vários pontos que abordamos nesta longa troca de argumentos. Por isso e porque estive a reler alguns textos do "Meu Pipi" admito que é impossível utilizar o "método" que propus. Mantenho a palavra "método" entre aspas porque nunca pretendi saber nada que fosse cientificamente tão sistematizado que mereça essa designação. Não obstante persevero na opinião de que se trata de uma excelente forma para muitos outros textos porque em muitos deles o valor dos mesmos está efectivamente nas ideias que transportam e não na sua forma. Não para o tipo de texto em questão, reconheço.
Sem imagem de perfil

De Eu a 07.09.2011 às 16:02

"Para lhe ser sincero acho que o resumo que faz embora preciso é um pouco agressivo."

Chegaste a essa conclusão depois de retirares os adjectivos em excesso?
Sem imagem de perfil

De Eu a 07.09.2011 às 15:58

"Não me passa pela cabeça fazer o mesmo com um texto do Eça de Queiroz porque em boa verdade não existe sequer razão para o fazer, nem tão pouco sentiria estatura e capacidade para isso."

Qual o critério que o faz hesitar aplicar o "método" ao textos do Eça? O método perde validade.
Eu desconfio do motivo mas gostava de o ler explicitamente...
Sem imagem de perfil

De Rui Cruz a 22.08.2011 às 10:04

Hahha epic win!
O meu pipi forevah!

(não, não tenho nada mais a dizer... lol)

Rui
Sem imagem de perfil

De Ki a 22.08.2011 às 15:54

"Já vi que temos fanchono..." levou-me às lágrimas!!

p.S. - Adorei as tuas meias desirmanadas como naturalmente elas são :)
Sem imagem de perfil

De Izzie a 22.08.2011 às 19:45

Face à situação, acho que a resposta d'O Meu Pipi foi suavezinha. Essa revista vai bem lançada, sim senhora. Se eu quiser ler um blog impresso, bom, tenho uma impressora, mas sou contra o arboricídio. E com um publisher que pratica tão boa escrita em português, e se aconselha com tão sabedores juristas, não me apanham.
Sem imagem de perfil

De António Soares a 23.08.2011 às 21:15

Quando vi o titulo do post, pensei: "voltou!!!" apesar de não ter visto novidades no google reader...

Afinal ainda não foi desta... :(

Quanto à revista, já a vi na banca, achei o conceito estranho mas se há quem compre, quem sou eu...

Comentar post


Pág. 1/2






Arquivo