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As minhas aventuras no ensino público

por jonasnuts, em 18.06.11

Nunca frequentei, enquanto aluna, o ensino público. Os meus pais não tinham estrutura familiar que lhes permitisse que eu apenas estivesse ocupada uma parte do dia.

 

Quando chegou a altura de introduzir o meu filho às delícias da academia, optei por uma instituição privada, mas daquelas onde se paga de acordo com os rendimentos, portanto, onde eram recebidos meninos de todas as classes sociais. Já lá não anda, posso dizer portanto que andou no Infantário Popular de Sintra, e que, desde a sala do 1 ano até à pré-primária, a experiência foi sempre fantástica (obrigada, educadora Paula Nunes).

 

Depois era a sério, ia entrar no primeiro ano (primeira classe para quem é do meu tempo), e tinha de mudar. Novamente optei pelo privado, desta vez sem as vantagens de haver meninos de diferentes classes sociais, que ali, doía a todos por igual, quando chegava a altura de pagar a mensalidade. Não me dei bem com a escola. Não foi o puto que não se deu bem fui eu. Estava muito habituada a intervir e a participar no dia-a-dia do meu filho (vinha "mal habituada" do Infantário Popular de Sintra) e custou-me muito aquela dinâmica do deixa a criança à porta, recolhe a criança à porta, queres falar com a professora marcas hora para daqui a 15 dias, e se queres saber o que comeu ao almoço, perguntas na secretaria e já gozas. Mais informações, não há, tens de confiar na escola, porque a escola é que sabe de educação e de pedagogia, e os pais não são para aqui chamados. Comigo não funcionou.

 

Custou-me, mas mudei-o mesmo a meio do ciclo. Mudei-o para a Escola Raiz (já lá não anda, por isso posso dizer que lá andou). Uma escola pequenina, com um método de ensino algo invulgar, eventualmente com mais sucesso se o meu puto lá tivesse andado desde mais novo. Mas uma escola que me incluía, que me interpelava, onde eu entrava sem problemas, onde via os trabalhos do meu filho (e das outras crianças, evidentemente), e via a sala de aulas, se me apetecesse, e onde falava com os professores sem ser preciso marcação prévia. Foi perfeito? Não, não foi, mas eu não acredito que exista a escola perfeita. Assim como assim, também não existem crianças perfeitas, nem pais perfeitos.

 

O ano lectivo que agora termina foi a minha estreia no ensino público. Fui a medo, confesso. E o impacto e a diferença foram brutais. Mas não por causa da qualidade do ensino. Bons professores e maus professores há em todo o lado, seja no público seja no privado, portanto, também aqui, no liceu, tive direito às duas realidades. Mas, no geral, o balanço é positivo. Muito positivo. Também pode ser que eu tenha tido sorte, mas não creio que tenha sido só isso.

 

Reuniões bem organizadas, com uma directora de turma extraordinária (que é também boa professora), que se desunha para fazer chegar aos encarregados de educação a informação relevante, sem nunca deixar que as reuniões caíssem naquelas coisas típicas dos colégios particulares "ai, o meu Rodriguinho é tão prendado". Assertiva, mas 15 dias depois de começarem as aulas já conhecia os putos todos pelo nome. E, note-se, não estamos a falar de turmas de 15 meninos (que era a isso que eu vinha habituada), estamos a falar de turmas gigantescas, com 30 e mais alunos.

Não sei como é que ela consegue, mais para mais, sabendo que tem mais turmas, mas gostei de, no meio de um liceu com (bem) mais de 1000 alunos, que a coisa fosse, de certa forma, personalizada.

 

As auxiliares conhecem o puto pelo nome? Não. Mas quando ele se sentiu mal e foi preciso chamarem-me, sabiam exactamente onde é que ele estava, e quem é que era, e o que é que tinha, e quais tinham sido os sintomas.

 

Eu ressenti-me.... passar duma escolinha pequenina para uma escola gigantesca, não foi fácil. Sobretudo porque o "gigantesco" implica muitos alunos, todos mais velhos, a conviverem com os mais novitos que, coitados, parecem bebés. E pronto, também há uma catrefada de alunos que não são bem daquela escola, mas que frequentam espaços comuns que não são, dizem, muito recomendáveis. E, sim senhor, já vi cenas de pancadaria à porta, mas foi só uma vez. E há assaltos, e obviamente, os mais novos são as vítimas mais evidentes, mas os assaltos acontecem fora da escola, e a polícia anda sempre por ali.

 

A comida da cantina. Na outra escola aquilo era quase à la carte. O menino não gosta de bacalhau? Não faz mal, eu cozo-lhe uma postinha de pescada. E ficavam lá a ver se ele comia tudo, e havia sopa e fruta. Agora ele diz-me que a comida é boa, que há sempre sopa (e ele nunca come, aposto), que nos dias em que não gosta da comida come menos, e depois come umas bolachas da máquina (pessoalmente, eu dispensava a máquina, mas pronto), e chega a casa com mais fome, ao lanche. O saldo é positivo.

 

Os professores. Teve sorte com uns, teve azar com outros. É como tudo na vida. Não é novidade. No ensino particular também apareceram bons e maus professores. Ou melhor, professores mais empenhados e mais motivados, e professores que não querem saber. O meu trabalho, como mãe, acho eu, passa por ensiná-lo a respeitar todos, e a tentar colmatar as falhas dos professores menos inspirados, de forma a que a falta de inspiração não estrague o gosto do puto por uma determinada disciplina. Inglês, disciplina em que ele é, claramente, um aluno excelente (porra, o puto lê livros em inglês), tocou-lhe uma professora maluca, que ia arruinando o gosto que o puto tem pela língua. Ele percebeu. Também percebeu que às vezes, a professora pode ser boa, mas ele não gosta da matéria (disse-me isso acerca de uma das disciplinas - ó mãe, a professora é boa e ensina bem e é justa, eu é que não gosto nada daquilo), fair enough.

 

Não vai ter negativas. Vai ter mais 3 do que o que eu gostaria, mas é o primeiro ano, é o de adaptação. Para o ano puxo mais por ele (aliás, já comecei a puxar, que o sacaninha está de férias, mas tem livros para ler, e ditados para fazer, que a caligrafia é uma queixa generalizada).

 

Portanto, e porque isto já vai longo. A minha aventura pelos reinos do ensino público foi positiva. Para o ano, gostava que lhe (nos) calhasse a mesma directora de turma. Ajuda muito, ter alguém competente e empenhado, a puxar a carroça (e que me manda as actas por mail, para eu imprimir e assinar e mandar pelo puto - oh, as vantagens das novas tecnologias).

 

Ah, o moodle é uma merda. Para mim, que trabalho nesta área, aquilo é abaixo de cão em termos de usabilidade, navegabilidade, intuição, segurança, interactividade...enfim.....nada se aproveita. Era deitar fora e fazer de novo, mas como deve ser. Ofereço-me para consultoria (graciosa, não comecem já a pensar que eu me quero encher de guito) se alguma vez precisarem de beta testers ou de input de quem trabalha nesta indústria. A sério..... com os putos habituados a Facebook, Youtube, Blogs, jogos e coisas bestialmente bem feitas e ricas, pedirem-lhes para trabalhar no moodle é um turn of do caraças.

 

E pronto.... já ninguém está a ler esta parte do texto, que se fosse eu a ler, já tinha desistido há muito tempo, dum texto tão chato e tão comprido :)

 

E não, não digo em que liceu é que ele anda. Daqui a 5 anos falamos :)

 

Falta dizer que isto começou por ser um comentário a este post, e que depois, quando percebi que me ia alongar, achei que era melhor poluir o meu próprio espaço, e não o espaço alheio :)

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15 comentários

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De pedrocs a 18.06.2011 às 23:41

Eu quando andei na escola ia e pronto.

Tanta mariquice, pá.
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De jonasnuts a 18.06.2011 às 23:46

Quando chegar a tua vez, como pai, falamos, ok? :)
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De jonasnuts a 18.06.2011 às 23:49

hihihihi mais um a cuspir para o ar.

Pela boca morre o peixe.

Falamos daqui a uns anitos (que já não são assim tantos :)
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De Francisco a 19.06.2011 às 00:03

Olá,

Vi que és uma pessoa presente na educação dos filhos, que não te contentas com simplesmente despejá-los na escola. Em virtude disso, quis dar-te a conhecer a escola da ponte, um projecto educativo inovador e único no mundo. Ah, e é uma escola pública.

http://www.ionline.pt/conteudo/28870-a-fabulosa-escola-da-ponte
http://www.escoladaponte.com.pt/ (deste destaco o link "projecto educativo")

Uma pesquisa na web (ou um reply a este comentário :P) dar-te-á mais informação caso fiques interessado.

Abraço
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De Francisco a 19.06.2011 às 00:11

Como não dá para fazer edit, deixo aqui mais um porreiro:

http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/04/10-perguntas-e-meia-para-escola-da-ponte-orientadores-educativos/
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De Marco Batista a 19.06.2011 às 00:14

Francisco a escola da ponte está a funcionar muito bem para o primeiro ciclo (eu sei que n se chama assim lá) e muito mal para o restante, está a deixar de ser o projecto educativo alternativo que era para passar a ser mais uma escola. Acompanhei bem de perto, um caso de um miúdo que passou por lá, enquanto esteve no "primeiro ciclo" o projecto com ele funcionou bem, qd passou para o segundo ciclo (5º ano) foi um desastre com este miúdo, e todo o acompanhamento alternativo que havia no primeiro ciclo deixou de existir no segundo ciclo.

O próprio fundador da escola da ponte(que já la n está), não se reviu na forma como a questão foi tratada.

Era um bom projecto que está tornar-se em mais uma escola.
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De Francisco a 19.06.2011 às 00:22

Olá, Marco.

A iniciação (1º ciclo) está, até agora, a funcionar muito bem com a minha irmã, que lá está inscrita pela 4ª vez. Não tenho notado o problema que referiste, mas note-se que também só estou ligado de forma mais próxima à escola desde há quatro anos. Poderá ter sido um caso pontual, mas pronto, não me vou alongar porque só conheço bem a iniciação.

Sei que te referias a esse caso específico, no entanto gostava de sublinhar J. Pacheco, o fundador, ainda por lá anda muitas vezes (apesar de já se ter reformado da sua actividade de professor) e continua (bem) ligado ao projecto.

Não estou de todo em concordância contigo em relação à tua última frase. Gostava que, se fores do Norte e/ou tiveres oportunidade de te deslocares à escola, que fizesses uma das visitas guiadas (que - ponto de interesse - são organizadas por alunos). Agora só em Setembro, no entanto.

Abraço
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De Marco Batista a 19.06.2011 às 00:08

Cantina: As cantinas são as verdadeiras roletas russas, existem escolas com cantinas muito boas, com cozinheiras que sabem cozinhar, que sabem como cozinhar para muita gente, e existem escolas onde a comida é intragável, mas a comida das cantinas está a melhorar e muito, comparada com a comida do meu tempo.
DT : Se a professora continuar na escola, o mais certo é continuar a ser a Directora de Turma dele, isto se ele tiver a disciplina que ela lecciona, o ministério nisso passou bem a mensagem, dar continuidade, ou seja, os professores são os mesmo de um ano para o outro.

Moodle: valente merda mesmo, não sei quem vendeu este peixe gratuito ao ministério, mas estava muito bem quieto, existem outras plataforma também livre e gratuitas, mas que n tem o "suporte" e a recomendação do ministério por isso as escolas não utilizam. O mal é que o moodle costuma ser hospedado em servidores do ministério ou de universidades que dão suporte ao moodle e as escolas deixam-se ficar, porque é menos uma dor de cabeça, já não falar na formação. Mas não são só os putos que não gostam do moodle , os professores também não gostam.
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De sem-se-ver a 19.06.2011 às 00:28

na sua privada nao a deixavam entrar? e só podia falar dali a 15 dias com um prof? :| mas que escola era essa?? se isso acontecesse numa publica caía o carmo e a trindade!!~

sim, sim, esqueci-me dos DT, que sao todos excelentes!!!!! enfim, uns mais do que os outros, mas, caramba, jonas, sao na maioria mesmo muito bons.

(ora, eu sei o nome dos meus alunos todos passado 15 dias... e as nossas funcionarias tambem :-)

(vou mandar-lhe um mail)
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De Ricardo Jorge a 19.06.2011 às 02:12

Eu ando a estudar engenharia informática e na minha faculdade também usam o Moodle..
Aquilo é tão fraco que ainda não percebi como não puseram os alunos a fazer um sistema melhor nas aulas.
Ou mesmo os professores..
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De David Fernandes a 21.06.2011 às 20:46

Ora aqui está uma boa ideia.
Pelo que percebi a blogger oferece os seus serviços só falta ...
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De Cristina Nunes a 19.06.2011 às 09:36

Gosto imenso da maneira como falas do teu filho e da maneira como tratas a educação, ou melhor, a responsabilidade de educar do puto. Sempre gostei, aliás.
Vejo em ti muito daquilo que quero fazer com a minha filha.
Continua a escrever :)
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De jonasnuts a 19.06.2011 às 11:02

Evito falar dele, aliás, é muito raro falar dele, porque ele não gosta e porque não o quero expor (além de que ele próprio já me disse que não gosta, e sempre que me apetece escrever qualquer coisa sobre ele pergunto-lhe se posso, normalmente recusa :)

Quanto à responsabilidade de educar um filho...... a teoria é toda muito bonita e as intenções são sempre as melhores, mas cometo TANTOS erros....

Há aquelas pessoas que dizem "eu se pudesse mudar alguma coisa, não mudava nada, não me arrependo de nada", eu, não sendo o oposto, identifico uma catrefada de coisas que gostava de ter feito de forma diferente :)
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De I. a 20.06.2011 às 09:29

Tirando um ou dois infantários privados, andei sempre na pública, da primária à universidade. Na universidade, cheguei a entrar e frequentar por 3 meses uma privada, e parecia uma plantinha murcha. Aquilo era horrível, elitista, cagão, e tonhó (católica, assobiando). Entretanto entrei na pública e, apesar de dizer muito mal ainda hoje (ei, o ensino universitário de direito é uma bosta, coisinha de século passado), ao menos era pública.

Vantagens: dei-me com todo o tipo de gente. Desde os pobres mesmo pobres (primária), remediados, a betos supé tá a ver (faculdade. juro. até então eu nem sabia o que era a burberry.)

Ainda hoje sou super-mega-hiper fã da pública. Um gajo faz-se, na pública. O teu filho não come sopa? Mas tem a liberdade de a recusar, e um dia vai saber, como eu, que um croissant não é almoço que se apresente. Tem escolha, e é responsável por ela.
A pública é a vida; tens de lutar pelo teu lugar, não te carregam ao colo, e as tuas escolhas têm importância. Com 15 anos eu sabia, na teoria, enrolar um charro. Não os experimentei com essa idade: foi a minha opção. Percebes?
Pá, o teu catraio vai fazer-se nesse liceu, acredita. Tem pais presentes, professores competentes (e os outros, bem, também os há, tal como na vida não é tudo bom), e vai crescer e fazer-se. Acredita.

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