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O post original pertence ao excelente Enrique Dans, em castelhano, aqui.

 

 

Eu traduzi (depois de pedir autorização, evidentemente).

 

 

 

"Mentira. Tudo mentira. Os downloads não provocam menos vendas, nem perda de postos de trabalho, nem menos riqueza, nem descidas do PIB, nem nenhuma das apocalípticas mensagens que a indústria dos conteúdos tem espalhado ao longo destes últimos anos. São simplesmente mentirosos interesseiros, que procuram influenciar políticos e cidadãos para conseguir, exclusivamente, o seu próprio benefício.

 

 

Um estudo levado a cabo na London School of Economics analisa a evolução das métricas da indústria em comparação com os downloads, e demonstra que tudo o que a indústria afirmava estava errado ou era, simplesmente, mentira. Que a indústria não está assim tão mal quanto nos querem fazer crer, que os downloads não provocaram qualquer efeito significativo (e que, de facto, representam o futuro da indústria), e que as descidas na facturação da indústria se devem, simplesmente, a outros factores, como a crise económica e a queda generalizada da economia de consumo. Para uma boa análise, recomendo este artigo da Ars Technica, Did file-sharing cause recording industry collapse? Economists say no.

 

As evidências são claras: que as vendas baixaram, é óbvio, mas baixaram exactamente da mesma forma em segmentos da população que careciam de rendimentos e de acesso à Internet, e devido fundamentalmente a uma quebra no rendimento disponível para gastos em entretenimento. Os downloads, como muitos de nós temos referido frequentemente, não prejudicam as vendas, apenas aumentam a  notoriedade e multiplicam a exposição,  convertendo em mais tangível o interesse que faz com que muitas pessoas vão a um concerto, a uma sala de cinema ou consumam conteúdos através dos suportes disponibilizados pela indústria, se é que esta propõe algum que seja minimamente razoável, o grande calcanhar de Aquiles que está por trás das suas quebras de receita.

 

 

Perseguir os downloads e os que os fazem é uma estratégia errada e sem saída. Proteger modelos de negócio obsoletos pretendendo evitar os avanços da tecnologia apenas contribuem para congelar a inovação da indústria. Verdades sustentadas por dados e análises, em oposição a lucubrações interesseiras duma indústria manipuladora, de lóbis dedicados a sustentar altos lucros por pouco trabalho, e monopólios do passado. Vale a pena ler o estudo, escrito em linguagem perfeitamente acessível: é tão claro, que até um político o consegue compreender :-)"

 

Como de costume, Enrique Dans diz EXACTAMENTE aquilo que eu penso (e mais bem escrito :)

 

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20 comentários

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De Jose Gaspar a 26.03.2011 às 23:45

É a primeira vez que vejo alguém chamar aos downloads ilegais e a um crime punido por lei de "Avanço Tecnológico".
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De jonasnuts a 27.03.2011 às 00:50

A tecnologia que permite os downloads é um avanço tecnológico. Pergunte ao Steve Jobs se não está satisfeito com o negócio do iTunes
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De Jose Gaspar a 27.03.2011 às 15:17

Concordo completamente com isso. Apenas sou contra a pirataria e downloads ilegais - aquilo de que o texto trata de forma muito infeliz. As pessoas devem aprender de uma vez por todas que na sociedade existem regras e que não é legítimo que os músicos saiam prejudicados para beneficiar o nosso bolso apenas porque não queremos pagar pelo trabalho deles.
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De jonasnuts a 27.03.2011 às 15:22

Mas os estudos mostram que os músicos não saem prejudicados, pelo contrário :)

O problema não é dos músicos, o problema é da indústria intermediária.
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De Dave a 27.03.2011 às 21:08

Qual prejudicados?

O que eles querem é que o pessoal ouça a música deles, os reconheça, e vá aos concertos e goste do que ouve.

Nenhum dinheiro no mundo compra isso.
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De jonasnuts a 27.03.2011 às 21:38

Bom, reconhecimento é importante, mas não lhes paga as contas :)

Portanto, também hão-de querer, muito justamente, dinheiro :)
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De Dave a 27.03.2011 às 21:41

E não o têm?

A muitos basta fazer uma semana de concertos para ganhar o que nós ganhamos num ano inteiro.
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De jonasnuts a 27.03.2011 às 21:43

Hum...não é bem assim. Estás a referir-te a bandas grandes. A grande maioria das bandas não consegue fazer isso, além de que.... é preciso pagar as contas (aluguer do espaço, promoção, músicos, estadias....etc....).
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De Iury BAS a 28.03.2011 às 17:02

Músico ganha dinheiro é com Shows, amigo. O que eles ganham fazendo CDs é praticamente nada, porque a maior fatia do bolo vai para a produtora. Fazem os discos apenas para se manterem em vista, terem novas musicas que, por sua vez, serão baixadas, ouvidas, apreciadas, divulgadas, e farão pessoas irem aos seus show para ouvi-las ao vivo.

Um CD baixado é prejuízo para os grandolas da indústria (que muitas vezes destroem os artistas), e um carinha a mais no show do artista (se ele for bom, é claro)
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De Budha a 10.05.2011 às 01:02

Não são os músicos que se queixam mais.....e olhe que eu sou músico..já as editoras.....
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De Rui Cruz a 27.03.2011 às 15:19

Vou citar-te no Tugaleaks. :p


Rui Cruz
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De Anónimo a 27.03.2011 às 17:42

«(...)até um político o consegue compreender :-)"»

Discordo.
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De jonasnuts a 27.03.2011 às 18:06

Só não compreende se não quiser :)
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De errata a 27.03.2011 às 18:08

pesta ropõe
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De jonasnuts a 27.03.2011 às 18:10

Obrigada :)

Já corrigi :)

É a minha vertente disléxica.
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De Paulo Nunes a 28.03.2011 às 11:43

Download Ilegal? É como a piada da violação: só o é, porque elas não colaboram. E aqui só o é porque alguém adicionou "ilegal" ao download.
Duas notas:
E se agora saísse uma lei a dizer que vocês só podem consumir, da agua que sai da vossa torneira la de casa, agua do vosso município? Giro, não era?

No entanto, os ISPs, a quem pertencia fazer essa filtragem, não o fazem (porquê? google pagina 1 e seguintes)
Antes, a industria aponta baterias a quem tem a torneira, por sinal, cada vez mais veloz e com mais capacidade de débito.
Por mim, não existe o conceito de download ilegal: se a agua corre na torneira e eu pago o serviço, TODA a agua é minha.
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De Hugo Dias a 28.03.2011 às 13:54

A maior parte dos rendimentos das bandas vem dos concertos e afins. Na venda de CDs quem ganha com isso são as editoras. Só se ouvem as editoras a queixarem-se dos downloads ilegais... raramente ouvimos os músicos a fazê-lo.

E por que é que agora se fala em "downloads ilegais"?! Antigamente gravávamos filmes da tv (e até vinham as capas dos filmes nas revistas) e fazíamos cópias de CD para K7. Não é a mesma coisa que fazemos hoje mas por outros meios? Por que é que agora é ilegal e antigamente não era?
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De jonasnuts a 28.03.2011 às 13:56

Por causa do volume :)
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De Mr. Steed a 29.03.2011 às 15:14

Antigamente também era ilegal, no tempo da cassete e do VHS. Como diz a Jonas a questão agora é o volume e a facilidade da coisa.

Este assunto não é tão preto no branco.

Existem duas facetas distintas: uma coisa é a cópia para consumo pessoal e outra o tipo q vende cópias na rua a um euro.

Legalmente podem não ser diferentes, em termos de coisas tão fora de moda como ética e moral, são.

Podia escrever mais sobre isto? Podia, mas não tenho tempo :)
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De victor a 01.06.2011 às 09:54

Muito giro isto tudo, mas para ser sincero, concordo com a maioria dos posts (claro que concordo com o artigo).

Sabem porque? Porque mesmo não sacando a musica da internet ilegal, vou ao youtube, e baixo o vídeo...Isso já é legal não?

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