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Jonasnuts

Censos 2011

Lá em casa foi ontem, o dia que escolhemos para preencher os questionários do Censos.

 

Deve também ter sido o dia escolhido por uma catrefada de gente, porque o sistema não se aguentava nas canetas, sempre a dar internal server errors. Enfim, para esta questão em particular, que não cai no âmbito das competências do INE, apenas lhes podemos apontar a falta de não terem contratado alguém competente para lhes montar o site. Mas pronto, é à portuguesa, dimensiona-se a olho, e seja o que Deus quiser. Deus, normalmente, não quer, pelo menos em Portugal. É, aliás, apanágio das ferramentas online do estado, se funcionam bem, a malta já desconfia.

 

Mas, para aquelas que são as competências do INE, muito há a apontar. Não sei muito bem o que é que se pretende com este censos. Se querem saber quantos somos, podem bem ver pelo número de identificação fiscal que hoje é obrigatório, quase à saída do útero. Eu propunha aliás que montassem umas banquinhas da Direcção Geral de Contribuições e Impostos nas maternidades, ou nos sítios onde se registam as criancinhas. Uma espécie de loja do cidadão para bebés. Ficava logo tudo despachado.

 

Também não percebo muito bem porque é que me perguntam acerca das sanitas, e se vejo bem, ou se me visto com dificuldade, mas enfim....os senhores querem saber se vou para velha, e eu respondo.

 

Mas, acima de tudo, não compreendo como é que prevalece, nos dias que correm, o conceito do chefe de família ou do representante da família. Estamos em 2011, isso já não existe, ou, pelo menos, está a mudar e essa mudança não foi considerada.

 

Se querem fazer um inquérito desses, como deve ser, para além da identificação do chefe de família, têm também de perguntar a religião (que perguntam) mas com a resposta "Católica, praticante" já assinalada por omissão, sem direito a alteração, e o mesmo para o desporto de eleição (Futebol, Benfica).

 

Lá em casa, tendo em conta que ele é o proprietário do imóvel onde vivemos, o estado decidiu que ele é o chefe e que é à volta dele que tudo gira. Assim, ele preenche o nome completo, eu e o meu filho apenas temos direito ao primeiro e ao último (a sério? primeiro e último nome duma mulher num país onde a maioria dos nomes de mulher começam por Maria? A sério?). O meu filho, que é MEU filho, aparece descrito em todos o questionário como enteado, porque eu vivo em união de facto e isso faz com que o MEU filho, não apareça em nenhum sítio identificado como filho, mas aparece amiúde como enteado. Pior, aparece como enteado(a).

 

Os pais que têm guarda partilhada dos filhos, ficaram a arder. Onde é que estava a criança no dia 21 de Março à meia-noite? Ali? Ok, então é ali que mora, independentemente de apenas o fazer a 50% do tempo.

 

Na perspectiva deste censos, muito pai ficou desfilhado.

 

Se quanto às questões técnicas do site o INE não pode ser directamente responsabilizado (isto é, se contratou uma empresa incompetente para fazer a coisa, porque se se meteu a fazer a coisa sozinho, não só são incompetentes, como burros), mas nas questões da estatística, aquilo é miserável. Não me parece que se consiga saber muita coisa. E há tanta coisa que poderia ser perguntada, que nos ajudaria a perceber melhor como somos. Se tem televisão, se tem internet, se tem computadores, se tem livros, se compra jornais...... sei lá.... tanta coisa útil que se podia perguntar, aproveitando a oportunidade deste esforço enorme que é fazer as mesmas perguntas a todos os portugueses (bom, aos chefes de família, pelo menos).

 

Não me importo de responder, acho que os censos são uma ferramenta útil e indispensável, mas apenas se forem bem feitos.

 

Na minha opinião, não é o caso.

 

Dou uma parte do tempo que gastei ontem à noite como completamente perdida e inútil.

 

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