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Censos 2011

por jonasnuts, em 23.03.11

Lá em casa foi ontem, o dia que escolhemos para preencher os questionários do Censos.

 

Deve também ter sido o dia escolhido por uma catrefada de gente, porque o sistema não se aguentava nas canetas, sempre a dar internal server errors. Enfim, para esta questão em particular, que não cai no âmbito das competências do INE, apenas lhes podemos apontar a falta de não terem contratado alguém competente para lhes montar o site. Mas pronto, é à portuguesa, dimensiona-se a olho, e seja o que Deus quiser. Deus, normalmente, não quer, pelo menos em Portugal. É, aliás, apanágio das ferramentas online do estado, se funcionam bem, a malta já desconfia.

 

Mas, para aquelas que são as competências do INE, muito há a apontar. Não sei muito bem o que é que se pretende com este censos. Se querem saber quantos somos, podem bem ver pelo número de identificação fiscal que hoje é obrigatório, quase à saída do útero. Eu propunha aliás que montassem umas banquinhas da Direcção Geral de Contribuições e Impostos nas maternidades, ou nos sítios onde se registam as criancinhas. Uma espécie de loja do cidadão para bebés. Ficava logo tudo despachado.

 

Também não percebo muito bem porque é que me perguntam acerca das sanitas, e se vejo bem, ou se me visto com dificuldade, mas enfim....os senhores querem saber se vou para velha, e eu respondo.

 

Mas, acima de tudo, não compreendo como é que prevalece, nos dias que correm, o conceito do chefe de família ou do representante da família. Estamos em 2011, isso já não existe, ou, pelo menos, está a mudar e essa mudança não foi considerada.

 

Se querem fazer um inquérito desses, como deve ser, para além da identificação do chefe de família, têm também de perguntar a religião (que perguntam) mas com a resposta "Católica, praticante" já assinalada por omissão, sem direito a alteração, e o mesmo para o desporto de eleição (Futebol, Benfica).

 

Lá em casa, tendo em conta que ele é o proprietário do imóvel onde vivemos, o estado decidiu que ele é o chefe e que é à volta dele que tudo gira. Assim, ele preenche o nome completo, eu e o meu filho apenas temos direito ao primeiro e ao último (a sério? primeiro e último nome duma mulher num país onde a maioria dos nomes de mulher começam por Maria? A sério?). O meu filho, que é MEU filho, aparece descrito em todos o questionário como enteado, porque eu vivo em união de facto e isso faz com que o MEU filho, não apareça em nenhum sítio identificado como filho, mas aparece amiúde como enteado. Pior, aparece como enteado(a).

 

Os pais que têm guarda partilhada dos filhos, ficaram a arder. Onde é que estava a criança no dia 21 de Março à meia-noite? Ali? Ok, então é ali que mora, independentemente de apenas o fazer a 50% do tempo.

 

Na perspectiva deste censos, muito pai ficou desfilhado.

 

Se quanto às questões técnicas do site o INE não pode ser directamente responsabilizado (isto é, se contratou uma empresa incompetente para fazer a coisa, porque se se meteu a fazer a coisa sozinho, não só são incompetentes, como burros), mas nas questões da estatística, aquilo é miserável. Não me parece que se consiga saber muita coisa. E há tanta coisa que poderia ser perguntada, que nos ajudaria a perceber melhor como somos. Se tem televisão, se tem internet, se tem computadores, se tem livros, se compra jornais...... sei lá.... tanta coisa útil que se podia perguntar, aproveitando a oportunidade deste esforço enorme que é fazer as mesmas perguntas a todos os portugueses (bom, aos chefes de família, pelo menos).

 

Não me importo de responder, acho que os censos são uma ferramenta útil e indispensável, mas apenas se forem bem feitos.

 

Na minha opinião, não é o caso.

 

Dou uma parte do tempo que gastei ontem à noite como completamente perdida e inútil.

 

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12 comentários

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De I. a 23.03.2011 às 10:09

Lá em casa sou eu a "chefe de família" (mas as finanças mandam todas as cartas com o nome dele em primeiro lugar, maus) e temos duas sanitas com autoclismo. Ena. Que felicidade, saberem disto. Se quiserem também conto os tapetes, vassouras e cabides de roupa, já que estou com a mão na massa...

(falta tanta coisa)
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De Luis Correia a 23.03.2011 às 10:24

deixa só que te diga que existe um registo de identidade dos bébés nas Maternidades.

não, não é gozo!
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De jonasnuts a 23.03.2011 às 10:25

Pois, disseram-me isso no twitter..... qualquer dia são tatuados antes de serem limpos.
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De Luis Correia a 23.03.2011 às 10:31

fui provavelmente eu :) @luisfcorreia
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De jonasnuts a 23.03.2011 às 10:33

Tu e o @Wonderm00n :)
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De Ana a 23.03.2011 às 12:39

Então e se eu te disser que os questionários estão formatados à moda da União Europeia... que como todos sabemos é tal e qual o nosso país!
ACHO que o INE pouco tem pouco a ver com a formulação das perguntas e apenas vai fazer o tratamento das respostas... ACHO! mas posso estar enganada.
Ana (@aminhamaneira)
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De Miguel a 23.03.2011 às 15:02

Pois, para ti ter retrete pode ser uma trivialidade, mas para os 2% da população do Porto e 0,5% da população de Lisboa que em 2001 (já para não falar de aldeias no interior em que essa percentagem anda nos 10 ou 20% - diga-se também que nas aldeias mais despovoadas às vezes bastava uma casa não ter para ser logo percentagens dessa ordem) não a tinham, não é.
Por muito que para algumas pessoas que nunca tiveram que ir cagar ao mato (literalmente) possa parecer ridículo, continua a ser um dos melhores indicadores para aferir a qualidade do parque habitacional do nosso país e a falta de meios da população.
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De jonasnuts a 23.03.2011 às 15:06

Nada contra que me perguntem sobre as pias...... mas eu acho que há mais indicadores interessantes, para além do número de pias. Mais.... seria interessante cruzar os dados, quantas pessoas sem pia é que têm mais do que uma televisão?

Coisas assim :)
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De antonio diogo a 23.03.2011 às 20:22

quase podemos concluir que quem entregou pela internet tem computador e net em casa .
ou não trabalhou quando devia trabalhar ...ehehehe
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De Amadeu a 23.03.2011 às 22:43

Agora que falas nisso, ocorreu-me que também o meu enteado não teve direito a ter uma mãe, no questionário que ontem preenchi. Sim, eu também fui dos que estava a empancar aquilo ontem ;))
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De esquisito a 24.03.2011 às 15:51

Dá-me a sensação de estar a responder ao Censos1971...

Temos a questão do chefe de família, temos a questão dos recibos verdes, a dos relacionamentos do século XXI... E faltam tantas perguntas... Telefones, telemóveis, internet, acesso a canais de cabo, hábitos de compras, culturais, económicos (poupanças, créditos, etc)...

Enfim... Uns milhões de Euros ao lixo...

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De Rui Cruz a 26.03.2011 às 02:50

O teu artigo tem claramente mais piada que o meu, do mesmo assunto.
E o pior é que tens razão em tudo! Xiça! :)


Rui

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