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Esclarecimento - a greve

por jonasnuts, em 24.11.10

Não fiz greve. Não fiz greve porque achei que não devia. Acho que quem fez greve, se o fez por convicção, fez muito bem. O direito à greve demorou demasiado a conquistar para andar a ser desbaratado (e desvalorizado) por dá cá aquela palha. Mas é um direito. Tal como é um direito não fazer greve. Somos crescidinhos, fazemos as nossas escolhas, respeitamos as escolhas dos outros.

 

Ao não fazer greve eu:

1 - Não validei de nenhuma forma o governo que temos neste momento.

2 - Não coloquei em causa o direito à greve.

3 - Não apoiei quaisquer políticas sociais, económicas ou outras.

4 - Não fiz nenhuma declaração política.

5 - Não passei a ser de direita.

6 - Não me transformei em fascista reaccionária.

 

Custa entender que eu, ao não fazer greve, a única coisa que fiz foi, ir trabalhar?

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18 comentários

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De Joel Silva a 24.11.2010 às 21:21

Estou contigo ! 
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De Mário Nogueira a 24.11.2010 às 22:17

cara jonas, eu sou funcionário publico destacado, à vários anos a tempo inteiro para o sindicato. perdoe-me a ignorância mas pode-me explicar o q quer dizer "trabalhar"?

eu até podia procurar no dicionário mas, além de não ter tido formação para tal nas acções de formação do ministério, não tenho nenhum que possa alcançar sem ter que me levantar daqui.
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De Dextro a 25.11.2010 às 01:00

Não seja por isso que a Priberam tem um dicionário online onde facilmente se pode encontrar o seguinte:

trabalhar
(latim *tripaliare, torturar com um instrumento, de tripalis, -e, que tem três estacas)
v. tr.
7. Exercer uma actividade!atividade profissional (ex.: trabalhamos na construção civil; esteve desempregado, mas já está a trabalhar).

ref: http://priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=Trabalhar

Que não seja por isso que o senhor que tanto tempo dedicou ao sindicato a tempo inteiro fique a desconhecer esta tão raramente utilizada palavra da nossa bela língua materna.
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De Ui a 25.11.2010 às 01:01

O que poderia encontrar no dicionário é como se escrever o verbo haver. "há vários anos"!
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De jonasnuts a 25.11.2010 às 08:47

:)

Grande nick, mas tenho a impressão que o Mário Nogueira não escreveria, mesmo assim, "destacado à vários anos". Apesar de estar a afastado da carreira de docente há uma catrefada de anos, acho que ainda se lembraria de escrever "destacado há vários anos".

Mas claro, posso estar enganada :)
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De Joaquim Santos a 24.11.2010 às 22:35

Não custa nada, pelo menos a mim que fiz o mesmo.
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De Maria Ribeiro a 24.11.2010 às 23:34


Pois fez muito mal. Se os milhares que fizeram greve (muitos com muito sacrificio) tivessem feito o mesmo que a Jonas fez, é claro que tinham validado o governo e as suas medidas, é claro que tinha sido entendido que apoiavam as politicas sociais e económicas deste Governo e é claro que estavam a fazer uma declaração politica. Foi esta mentalidade de muitos portuguesas,  que defendem que quem faz greve são: os pobres, os comunistas e os que não gostam de trabalhar, que nos levou em parte ao sitio em que  estamos hoje.  Lamento a sua posição e ainda lamento mais que a tenha tornado pública.
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De Marco a 25.11.2010 às 01:16

Nós ainda temos uma democracia representativa, Maria.

É o povo que valida o governo e as suas medidas, de quatro em quatro anos, ou menos, caso o Presidente da República que também valida, a cada cinco anos, o entenda.

As greves servem, como sempre serviram, para pressionar o patronato a novos entendimentos. Os funcionários públicos, como empregados do Estado, têm todo o direito de se indignarem e manifestarem da forma que está prevista na Lei contra o seu patrão. Eu apoio, de pé.

Os funcionários privados, como eu, que se sentem satisfeitos com o seu patrão, têm todo o direito de não participar numa greve. Se eu quiser fazer greve, fá-la-ei (embora seja um piquete bastante solitário), para o efeito que ela serve: pressionar o (meu) patronato a novos entendimentos.

Quanto ao Governo, ajustarei contas com ele, também da forma prevista na Lei: nas próximas eleições legislativas, assim que as houver (na volta, já no Verão).
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De jonasnuts a 25.11.2010 às 08:52

Eu valido ou não o governo e os candidatos a eleições no momento do sufrágio. Nunca falte a umas eleições, mesmo que de há uns anos para cá, apenas vote em branco.

E já agora, porque é que lamenta que eu tenha tornado pública a minha posição? Só é legítimo assumir publicamente as nossas posições quando estas têm a sua aprovação?

Só podemos tornar públicas as nossas decisões quando há uma manifestação organizada nesse sentido?

Não me viu (nem verá) insurgir-me contra as tomas públicas de posições de pessoas que fizeram greve, porque é que eu não haveria de poder tornar pública a minha decisão de não fazer greve?

Há por aí um bocadinho de deficit democrático, não?
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De pedrocs a 25.11.2010 às 12:45

Jonas, não podes manifestar as tuas posições publicamente, a menos que a CGTP te convoque.

Isto da participação do povo na vida política é como a Selecção Nacional só que em vez de mandar o Paulo Bento, manda o Carvalho da Silva.
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De Luisa a 31.12.2010 às 21:59

Treta!
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De Jorge Soares a 25.11.2010 às 00:00

Eu também não fiz... porque achei que esta greve não ia trazer nada de positivo ... e por acaso também falei do assunto hoje no blog.. mas há algo que não entendo, isto parece-me uma explicação .. tens que te explicar porquê?


Jorge Soares
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De jonasnuts a 25.11.2010 às 08:53

Porque me fartei de ver pessoas a fazerem leituras políticas muito a branco e preto dos "números" da greve, e eu gosto pouco que me metam em rebanhos :)
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De AB a 25.11.2010 às 01:25

Fizeste bem Jonas, direitos não são imposições. E de resto esta foi uma das greves mais inúteis de sempre. Obrigar o Estado a manter direitos que não pode pagar e dar dinheiro que não existe? MAIS dinheiro que não existe? Notas do Monopólio, talvez? Cada vez estou mais desiludido com esta esquerda que parece adorar a desgraça.
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De I. a 25.11.2010 às 10:46


Nem mais nem antes. Quem faz ou não faz greve não é melhor nem pior pessoa por isso. Irrita-me tanto, este instinto de atirar pedras a quem pensa ou age de forma diferente. Para quê?
Declaração de interesses: eu não fiz greve, e vou dar a minha opinião sobre o governo e as suas políticas (e a oposição e os seus actos ou omissões) nas próximas legislativas.
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De PortoMaravilha a 25.11.2010 às 21:41

Comentários interessantes : Não haja dúvidas, a confusão escrita entre a contração da preposição a e o artigo definido a, por um lado, e o emprego da terceira pessoa do singular do verbo haver prestam-se a confusão, mostrando que a escrita obedece à lei da oral.

Escrever à ou há não provoca qualquer falta de entendimento no âmbito dum contexto. O que mostra que os erros são o que impedem a comunicação. Mas acho que os Brasileiros, talvez mais pragmáticos, resolveram bem a situação otando ( erro ? optando ? ) por tem.

A definição do trabalho ? Nada melhor que a de Voltaire : O Trabalho não é natural a prova é que cansa.

O futuro dos Portugueses pertence aos Portugueses. Todavia, chegam centenas de Portugueses a França actualmente com fome como nos anos sessenta. O que mudou é que já não são iletrados como no passado. É uma real tristeza ! E segundo ouvi no rádio ( France Culture ) os bancos Portugueses ganham milhões por dia.

Fizemos greve durante três semanas. Muitos anciães ou anciões ? Lol ! deram três semanas de trabalho do seu salário.

Não se obteve grande coisa, exceptuando isto : Qualquer moço ou moça que comece a trabalhar antes dos 18 anos, em aprendizagem ou não, poderá entrar na reforma aos 60 anos.

Uma pequena conquista.

Penso que iremos cada vez mais para uma relação de forças. Se já escrevi no cosméticas as diferenças entre Maio 68 e Outubro 2010, poderia acrescentar que a palavra mais ouvida nas manifs foi : "Je Lutte de Classes / Eu Luta de Classes".

Respeito totalmente quem não faz greve. Tenho mais dificuldade em compreender quem vota branco.

Foram deputadas que hoje lançaram " Le silence tue / O Siolêncio mata" . Todos os dois dias, em França, uma mulher morre vítima de violências conjugais ( e carago que não me venham com essa da presença da emigração magrebina em França ).

Se estas deputadas não tivessem sido eleitas, voto branco oblige, um tal apelo teria tido tanta repercursão nos mídia ?

A grande vitória de Dilma foi a vitória contra as teocracias. Marina Da Silva nunca teve a coragem de afrontar as revendicações feminististas, aborto, contracepção, homosexualidade... porque estas, fundamentalmente dizem respeito ao povo.

Nuno
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De João Filipe Silva a 04.01.2011 às 23:15

Independentemente de ser a favor ou contra as greves e os objectivos que servem, julgo ser mais importante para todos os habitantes da Tugolândia fazerem outro tipo de perguntas.

Quanto custa 1 dia de greve?
Quantos milhões vai a Tugolândia mendigar em 2011 para pagar vícios actuais que não pode comportar com a produção que tem?
Quantos milhões vai a Tugolândia mendigar em 2011 para pagar dívidas antigas, visto que desde 1975 nunca deu lucro e sempre pediu emprestado para pagar vícios existentes superiores á produção demonstrada?

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Independentemente de ser a favor ou contra as greves e os objectivos que servem, julgo ser mais importante para todos os habitantes da Tugolândia fazerem outro tipo de perguntas. <BR><BR>Quanto custa 1 dia de greve? <BR>Quantos milhões vai a Tugolândia mendigar em 2011 para pagar vícios actuais que não pode comportar com a produção que tem? <BR>Quantos milhões vai a Tugolândia mendigar em 2011 para pagar dívidas antigas, visto que desde 1975 nunca deu lucro e sempre pediu emprestado para pagar vícios existentes superiores á produção demonstrada? <BR><BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>http</A> :/ oportugalbipolar.blogspot.com /2010/11 quanto-custa-1-dia-de-greve.html
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De João Filipe Silva a 04.01.2011 às 23:29

Independentemente de ser a favor ou contra as greves e os objectivos que servem, julgo ser mais importante para todos os habitantes da Tugolândia fazerem outro tipo de perguntas.

Quanto custa 1 dia de greve?
Quantos milhões vai a Tugolândia mendigar em 2011 para pagar vícios actuais que não pode comportar com a produção que tem?
Quantos milhões vai a Tugolândia mendigar em 2011 para pagar dívidas antigas, visto que desde 1975 nunca deu lucro e sempre pediu emprestado para pagar vícios existentes superiores á produção demonstrada?

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