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Bateu, cuspiu e fugiu

por jonasnuts, em 05.06.10

Quarta-feira final do dia. Vou buscar o puto a casa da minha mãe, numa rua movimentada de Lisboa. Encosto-me ao máximo numa reentrância na via, ligo os 4 piscas e saio do carro, para receber o puto.

 

Enquanto ele desce e não desce, um carro manobra. Olho lá para dentro. Um senhor, com ar de quem já não deveria conduzir vai pra cima de 50 anos. Pensei para comigo, isto não vai correr bem.

 

Pois o senhor queria fazer inversão de marcha (e a rua tem espaço para isso), mas pronto, não se entendeu lá com aquela parafernália toda (Volante, manete das mudanças, pedais....já deve ser muita confusão), e decidiu abortar a manobra, continuando a descer a rua, direitinho ao meu carro. Tunga. Raspa o carro dele no meu. Eu sabia que não ia correr bem.

 

O senhor faz marcha atrás e sai do carro para ver o estrago.

 

Eu tenho um smart, o pára choques é de plástico, ok?

 

O senhor aproxima-se, cambaleante, pergunta se há estrago. Aponto para a esfoladela no pára choques. Ele inclina-se, passa a mão pela esfoladela, leva-a à boca, cospe, e "limpa" a esfoladela. Isso não é nada, conclui.

 

Eu, de forma educada, informo que ele poderia chegar à conclusão de que não tinha sido nada, se o estrago fosse no carro dele, sendo no meu, era eu que decidia se não era nada. E era. Estava esfolado.

 

Eu queria preencher uma declaração amigável, despachar aquilo rapidamente e ir à minha vida. Não queria chatices. Sou habitualmente muito deferente com pessoas idosas.

 

O senhor (que afinal não era um senhor), diz que não quer preencher nada, e que paga o estrago, e com um ar arrogante saca da carteira e tira 40 euros, tentando passá-los para a minha mão. Digo-lhe que não aceito o dinheiro, porque não sei o custo do pára choques, e que quero preencher a declaração amigável.

 

Então o senhor diz que não tem tempo e que não está para se maçar, dá meia volta, mete-se no carro e baza.

 

Claro que, tendo em conta a idade do senhor e a forma cambaleante de andar, enquanto deu meia volta e se meteu no carro eu tive tempo de tirar várias fotos ao carro e à sua posição, e à matrícula, e ao senhor propriamente dito. Mais um bocadinho e dava para um vídeo.

 

E pronto...fiquei ali parada, enquanto o delinquente fugia.

 

Já sei que posso apresentar queixa na polícia, ou preencher a declaração amigável e entregá-la na minha companhia ou na dele, mas irritou-me a arrogância idiota dum gajo que já não devia conduzir há décadas. A sério.... os velhotes deviam fazer exames de condução todos os anos.

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6 comentários

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De AB a 05.06.2010 às 22:41

O que são as coisas. Há umas semanas bati no Mercedes duma senhora que não teve culpa nenhuma de eu me estar a passar ao telemóvel com o contabilista.
A senhora estava paradíssima, a culpa não podia ser mais minha, e a frente do Mercedes ficou um pouco desfigurada.
Quis preencher a declaração amigável. A senhora, a sorrir, disse que não valia a pena, já tinha tantas amolgadelas. Expliquei-lhe que os sensores de parqueamento deviam ter ficado estragados e são caros. A senhora pediu-me para esperar, meteu-se no Mercedes, avançou até 2 centímetros do meu, saíu, e disse que estavam bons.
Deixei-lhe o meu nome, telefone, o telemóvel, a morada, o nº da minha apólice, a matrícula do meu carro. Nunca mais ouvi nada dela. O que são as coisas.
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De Marco a 06.06.2010 às 04:41

Só um pequenino apontamento em relação à última parte...

Os velhotes têm que, efectivamente, renovar a carta de ano a ano (ou de dois em dois - já não sei). Basta uma consulta no médico e siga. Eventualmente, poderiam ser obrigados a dar umas voltitas num carro numa escola de condução, ou algo do género, mas isso também eu acho duma série de gente com quem tenho que partilhar as vias todos os dias. Velhos e novos. Mas adiante, que não era nada disto que eu queria dizer.

O meu pai, que tem 70 anos e pega em barrotes de 80 quilos ao ombro (e depois diz que não sabe porque lhe doem os braços), no ano passado lá teve que ir à "inspecção médica" por causa da carta. E pimba, pega lá um averbamento a restringir-te aos 100 km/h.

Depois de barafustar um bocado com a médica (o meu pai não se sente bem num sítio sem barafustar com alguém), lá lhe ocorre, sei lá, perguntar porquê. Porque já não tem idade para correrias, foi a resposta.

Caramba, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Preferia ter de partilhar as auto-estradas com pessoas de 70 anos como o meu pai a 120 km/h, do que algumas que vejo de 50, a mudar de faixa sem motivo e sem pisca, travar violentamente a 2km duma curva com meio grau, com meio carro para lá dos bandas acústicas... Eu sei lá...
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De jonasnuts a 06.06.2010 às 09:51

Pela descrição, dá-me ideia que eu e o teu pai seríamos grandes amigos, principalmente aquela parte do "não se sente bem sem barafustar" :)

As generalizações são perigosas e injustas, bem sei, e eu sou radical. Há muita gente a quem tiraria a carta, de caras, sobretudo velhotes e mulheres, mas, lá está, claro que há excepções à regra. Eu e o teu pai pertencemos, aparentemente, ao grupo das excepções :)
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De Soltroia a 19.08.2010 às 01:23

Lol risota!!


Concordo plenamente! As pessoas com mais de 60 anos, deviam ser obrigadas a fazer um teste de condução de 2 em 2 anos e renovar o código de 5 em 5 anos. O problema de muitos acidentes são velhotes de mais de 75 anos que se metem num carro.
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De Anónimo a 28.12.2010 às 17:06

CONCORDO PERFEITAMENTE E... O MESMO SE DEVIA APLICAR A ALGUMAS VELHOTAS DE 20/30/40 ANOS!
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De MakingMoney a 02.01.2011 às 04:34

Lamentavelmente as inspeções médicas limitam-se a um... "que letras aqui vê?" nada de testar os reflexos... o meu pai deixou de conduzir este ano por força de uma fractura que teve e que lá decidiu que não ia renovar a carta, está com quase 80 anos e eu já estava a ver que teria que participar à Ordem dos Médicos sobre o "animal" que lhe iria renovar a carta... enfim... felizmente acabou por ser pacifico...

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