Estou a ouvir. Lembro-me das letras todas. Cá em casa, ele ameaça fazer um 25 de Novembro caseiro, e pede socorro. Diz que "O PREC instalou-se na sala. As colunas queixam-se dos adufes e das gaitas".
Eu deliro :)
E acho que esta crise pode ser uma oportunidade para a música de intervenção.
Substituam umas palavras mais datadas por outras mais actualizadas e regressa tudo de novo.
Pois Canté!!
Enquanto anda lá no céu a cotovia
Ando a trabalhar o pão de cada dia
Para encher a pança a essa burguesia
Sempre a trabalhar
P'ro patrão gozar
Isto inté qu'há-de mudar um dia
(Pois Canté!)
Os políticos burgueses à porfia
Só nos sabem receitar democracia
Mas o povo é que é levado na tosquia
O senhor ministro
Tem a culpa disto
Isto inté qu'há-de mudar um dia
(Pois Canté!)
Tanta propaganda na telefonia
A falar na grande crise da energia
Com tanto desemprego, quem diria!
Fala o aldrabão
E ri-se o patrão
Isto inté qu'há-de mudar um dia
(Pois Canté!)
Quando a máquina do lucro se atrofia
A reparação é sempre a carestia
E o povo é que lhes paga a avaria
Mas o Capital
Fica sempre igual
Isto inté qu'há-de mudar um dia
(Pois Canté!)
Com golpaças e manobras, dia a dia
Bem nos tenta enrolar a burguesia
Eles são todos da mesma confraria
Irmãos explorados
Todos lado a lado
Isto inté qu'há-de mudar um dia
(Pois Canté!)
Desculpem lá:
"Quando a máquina do lucro se atrofia
A reparação é sempre a carestia
E o povo é que lhes paga a avaria
Mas o Capital
Fica sempre igual"
Em que é que isto não é verdade, hoje, a esta hora?
GAC! Regressa.
E as meninas e meninos que gostam de fazer covers de homenagem, NEM PENSEM NISSO.
E nos tops nacionais, saíam os abrunhosas e os cogumelos ou azeitonas ou lá como é que eles se chamam, e voltava o Zé Mário Branco, e o Sérgio Godinho, e revisitávamos o Zeca, e o Fausto, e o Vitorino pré-boleros, e a Maria do Amparo (sempre adorei a Maria do Amparo), e o Zé Barata Moura sem ser para nos mandar comer a papa, e mais uma catrefada deles.
Isso é que era!
De
pedrocs a 15 de Maio de 2010 às 00:07
A cantiga é um aaaaaaaarmaaaaaaa e eu não sabiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaa, cantiga é uma aaaaaaaaarmaaaaaaaaa, contra a burguesiiiiiiiiaaaa!
Contra quem, camaradas? :)
Isto de capitalizar os lucros e socializar os prejuízos só é bonito para alguns...
De
Moira a 15 de Maio de 2010 às 11:51
Venho só dizer que subscrevo as tuas palavras e as músicas de intervenção que este país está a ficar uma miséria.
Eu gosto muito de tudo ou quase tudo o que foi feito pelo GAC. E penso que 99,9 % continua válido.
E o GAC teve muito boa repercursão internacional. Veja-se : No Tarrafal era a morte.
Da mesma maneira que J. Dutronc continua válido, citando o espaço Francês : La vie est un cactus ai ai
O que não posso aceitar é o julgamento sobre Abrunhosa e o excelente trabalho de enorme qualidade que tem feito. Não só se deu ao luxo de tocar com um dos maiores saxofonistas do mundo , como também as suas pesquisas o levaram a colaborar, entre outros, com Lenine .
E como cantava alguém da Minha Terra ( já que o meu país é a França ) : A Vida é feita de pequenos nadas .
Nuno
De Fulano a 16 de Maio de 2010 às 11:48
"Quando a máquina do lucro se atrofia
A reparação é sempre a carestia
E o povo é que lhes paga a avaria
Mas o Capital
Fica sempre igual", mas quando há fartura não há proleta que não sonhe com a hipótese de ser patrão e o momento em que esfregaria as ventas dos amigos com o sucesso obtido na vida. O sucesso, o carrão, o casarão e as pU(r)tAguesas!
De
Ognito a 16 de Maio de 2010 às 13:57
Gostei!
De João A. a 5 de Setembro de 2011 às 16:00
A música do GAC é de grande qualidade. A orquestração e harmonização dessa cantiga é provavelmente do José Mário Branco e está muito bem conseguida.
A canção seguinte desse álbum (Cantiga Sem Maneiras) é outro exemplo notável: a música é formada apenas por uma única nota. Não foi o Tom Jobim o único a conseguir escrever uma canção de uma nota só :-)
Comprei o coffret de 4 CDs com a integral do GAC na FNAC online e foi uma borla...
Bom post Maria João!
De
jonasnuts a 5 de Setembro de 2011 às 16:28
No meu caso, para além da qualidade intrínseca da música, há também o património emocional que, para mim, acarretam :)
Eram praticamente, canções de embalar :)
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