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The crise for dummies

por jonasnuts, em 29.04.10

Então, depois do meu pedido de esclarecimento, foram várias as almas caridosas que se chegaram à frente e tentaram explicar a coisa.

 

Chamo particular atenção para duas contribuições, a da Catarina Campos, e a da A. na Jugular.

 

Mas não foram as únicas.

 

O Martim explica:

 

"Então vamos lá por partes... Imagina que pediste dinheiro emprestado para comprar a casa. Os ratings são uns bichos que aumentam ou baixam a euribor ". Se os bichos são bonzinhos tipo AAA ++ a euribor " seria baixinha e pagavas menos pelo dinheiro que queres pedir emprestado. Se por acaso andaste na borga, gastaste mais do que devias, recebes menos do que gastas e ainda assim arranjaste dinheiro para alimentar os bichos depois da meia noite, eles transformam-se nuns bichos maus que te baixam o tal rating para A- e ficas a pagar mais pelo dinheiro que queres pedir emprestado. A diferença é que tu pagas a Euribor e o Estado paga uma outra taxa, mas o funcionamento será o mesmo.
O que fazer agora? Bem, preparar para pagar mais impostos, seja directos ou indirectos, e na próxima oportunidade votar em alguém que consiga reduzir a despesa do estado (e não aumentar) e que consiga dinamizar a economia. Só conseguimos mesmo andar para a frente quando aprendermos a não gastar mais do que recebemos."

 

E o Tiago Carvalho diz:

 

"Não sei como é que se explica tudo de uma vez, parece-me complicado, mas comecemos pelo básico, o rating. Se quiseres depois perguntas mais coisas, e continuamos...

O estado Português costuma ter défice orçamental. Isto é dizer que quase todos os anos gasta mais dinheiro do que aquele que colecta via impostos (os tais 5% que parece que afinal vão ser 9%, para 2010). Como é que é possível? Emite divida, sobre a forma de bonds. Certificados de aforro. Eu dou agora ao estado, e estado devolve no futuro, com juros.


Como é que se define que percentagem pagar de juros? Com base no rating.
Num sistema capitalista temos que ver sempre o par risco/retorno. Parece complicado, mas no fundo já todos sabemos isto: se eu estiver disposto a arriscar mais, tenho o potencial de ganhar mais, mas também posso perder. Em alternativa, posso ganhar um bocado menos, mas mais seguro.
No caso de emprestar dinheiro ao estado português, como é que posso perder dinheiro? Fácil, se o estado entrar em falência. Isso é possível? Claro. Se algum dia o estado não conseguir colectar dinheiro suficiente para pagar juros de dividas passadas, entrou tecnicamente em falência, porque a duvida nunca mais vai parar de subir.


Podemos ver a coisa desta forma: Imaginemos que a Alemanha e o Uganda pagam os mesmos juros pelos seus "certificados". Alguém vai comprar os certificados do Uganda? É muito mais provável que a Alemanha pague de volta. Qual é a forma do Uganda conseguir emitir divida? Paga juros mais altos, de modo a compensar o risco.


O rating não é mais que isto. Um pais com um rating elevado tem "boa fama no mercado", e consequentemente pode pagar juros baixos. Paises com um rating mais baixo têm um custo de divida mais elevado.


Naturalmente quando a Grécia diz que está à rasca e pede dinheiro à UE as agências de rating adequam o rating grego para baixo.


O estado portugues sofre do mesmo problema, como baixou o rating, custa mais hoje em dia ao estado pedir dinheiro do que antes.
O que são as casas de rating? São instituições privadas que fazem uma análise fundamental do estado financeiro do país e definem aquela que é, na sua opinião, a credibilidade do país como bom pagador.
(não têm muito jeito para o que fazem, como se viu na crise que começou nos EUA, com bancos a falir, apesar de terem um bom rating).


O que é que nós, como indivíduos, temos a ver com isso? Um estado em falência gera o caos. Leia-se o caso da argentina. No limite podemos ficar sem o dinheiro que temos em contas a prazo, se chegar a tal.


Isto depois torna-se uma espiral. O pessoal recebe um choque, com a descida do rating, e fica com medo da falência. Começa a poupar, protela compras maiores, pensa em trocar de carro para o ano, afinal. Isto só piora as coisas: as empresas portuguesas dependem muito do consumo interno. Quando o pessoal se amedronta, elas vendem menos, perdem valor em bolsa e, acima de tudo, perdem facturação. Baixar a facturação reflecte-se no ... PIB! O PIB é o total de produção do país, e é aquilo sobre o qual o estado recebe impostos. Quando o PIB baixa (ou cresce menos, vá), o estado fica em piores lençóis do que estava antes, porque ainda tem menos dinheiro para gastar...  "

O Alcides contribuiu com um link para este vídeo:

 

 

A Helena acrescentou:

 

"eu passo a informação ao preço a que a comprei no noticiário alemão de há dois ou três dias:

 

Aqui.

 

Acrescento que hoje o noticiário das 8 da noite (que é extremamente sintético, porque só tem 15 minutos) mostrou imagens do encontro entre Sócrates e "Paxux Coelho" - tanto tempo dedicado a Portugal, só pode ser sinal de que a coisa está mesmo preta.

O Jorge Bateira também traça hoje um quadro bastante dramático da situação no ladrões de bicicletas.


O pior de tudo é que temo que ele tenha muita razão.
Não sei se punha o filho na escola pública, mas há uma coisa que neste momento não faria: comprar a crédito"

 

 

Fiquei esclarecida, pelo menos bastante mais do que estava antes, e agradeço a todos os que gastaram o seu tempo para partilhar informação :)

 

Um crédito e agradecimento especial para o autor da imagem que ilustra este post, que é o Zentopeia :) No dia em que e escrever o tal livro, esta será a capa :)

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14 comentários

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De Arzebiu a 29.04.2010 às 17:24

Então Jonas, isso em PT é: "A crise explicada e desenhada _para totós_"


:)
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De KI a 29.04.2010 às 18:31

Economia é mt chato! (Isto é economia não é?) Quer dizer que um país tem boa ou má imagem e depois os outros países através das suas coisas de análise que o conhecem dizem se ele é 'mau' ou 'bom' e conforme o número de bons/maus ele está num lugar alto ou baixo no ranting que não é mais que um ranking e assim se decidirá se ele é bom para se confiar ou é melhor andar de pé atrás o que sucede, salvo raras excepções de sorte, num ciclo vicioso??
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De KI a 29.04.2010 às 18:33

* A coisa é rating e não ranting. Ai!
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De catarina campos a 29.04.2010 às 23:05

Ki, isso do Bom ou Mau país, no sentido se paga o que deve ou não consegue. Assim como quando emprestamos a alguém de confiança, ou emprestamos a alguém que temos grandes dúvidas se paga ou não.


E sim, alguns países são sérios e pagam, outros são sérios mas não têm dinheiro e não pagam, outros ainda não pagam. E faz-se um raking disso.


Jonas, obrigada pela ref e pelos outros links, já fui ver. :)
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De António Bento a 29.04.2010 às 23:14

É pena ser por um assunto tão negro, mas Jonas, o teu Blog arrisca-se a ser o melhor Blog que existe. Excelente esta Grand Central Station de links, cada um melhor que outro. Se não fosse a crise dava-te a medalha de ouro, assim só te posso dar uma promissória garantindo que, se me pagares 130% do valor da medalha, te dou a caixa onde ela vinha...
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De jonasnuts a 30.04.2010 às 09:15

Se tudo correr como eu espero, no Domingo farei um post sobre um assunto mais alegrito :)

BENFICA!!!!!!
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De Joaquim a 30.04.2010 às 14:33

Jonas,

Eu sei que provavelmente foi devido pressa mas dizer que  BENFICA é um assunto mais alegrito pode ser blasfémia. Assim arriscas-te a ser excomungada :)

BENFICA é O assunto e não podia ser mais alegre, o que seria do nosso rating se não fosse o
BENFICA?

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De jonasnuts a 30.04.2010 às 14:44

No início do comentário, assustei-me, mas depois descansei :)

Benfica Glorioso Clube Mai Lindo de todo o Mundo o Mais Além :)
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De António Bento a 03.05.2010 às 10:19

Sem querer ser pessimista, não se cuidem não...
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De Sérgio Carvalho a 30.04.2010 às 16:22

Hei, grande explicação ali do irmãozito mai'novo. O MBA afinal deu para aprender umas coisas.

Falta perceber que o estado NÃO somos nós. O estado pode falir e a restante economia escapar quase incólume. Ou o estado pode reagir mal, e desatar a cantar "vou levar-te comigo" para os restantes portugueses.

O que acontece num cenário de falência do estado é parecido com um cenário de falência pessoal. Ao contrário de uma empresa, se o estado falir não desaparece (tal como uma pessoa falida pessoalmente não desaparece). O que acontece é que suspende pagamento de dívida, perde crédito e portanto não se pode endividar mais, e tipicamente entra em negociação com os credores para pagar as dívidas em falta (normalmente com ajuda externa: FMI, UE). A ajuda externa vem com trela curta, sob a forma de controlo externo da nossa governação (pessoalmente, visto daqui do Norte, ter alemães a mandar parece melhor do que o grupo de amigos de Lisboa [1]).

O caminho certo de correcção passa por reduzir custos. Só é preciso olhar para a Irlanda, que mal se viu no nosso cenário aprovou cortes de vencimento da função pública para os níveis de 2007. Por cá? Por cá anda tudo a dizer que temos de aumentar impostos. O que é isto? É o Estado a cantar "vou levar-te comigo" para todos nós. Aumenta-se impostos, aumenta-se inflação, reduz-se margens das empresas, aumenta-se as taxas de falência de empresas, escangalha-se a economia toda, reduz-se ou estagna-se o pib e não se corrige o problema de fundo. Resultado: perpetuamos a nossa crise, que dura desde que eu sigo noticiários no tempo do Soares como primeiro ministro. Daqui a dez anos cá estaremos, na mesma.

E o fantástico é que NINGUÉM diz isto na televisão. Ninguém! O Vasco Pulido Valente é que tem razão. Portugal sofre de EDM (Elites de M***) desde 1800.

[1] Antes que me batam por ser regionalista, isto é uma crítica à elite Portuguesa, que por acaso está em Lx. A generalidade dos Lisboetas são boa gente, que trabalha tanto como cá em cima e ainda enfrenta horas de trânsito que nós não enfrentamos.
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De António Bento a 03.05.2010 às 10:18

Concordo plenamente. Aqui do interior ostracizado e desquecido, não percebemos como é que os nossos Fearless Leaders querem que as famílias poupem mais, e gastem mais, com menos dinheiro ao fim do mês. É claro que a economia se vai contraír, com as consequentes falências de famílias e empresas. O aumentar mais os impostos chega a uma fase em que produz uma diminuição da verba arrecadada, quer pela contracção da economia, quer pelo disparar do mercado paralelo. Segundo creio, no tempo em que o Brasil estava muito mal, um economista estabeleceu que qualquer carga fiscal acima dos 30% é contraproducente. Por cá, em impostos directos e indirectos creio que já nos aproximamos dos 60%.
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De Joaquim a 03.05.2010 às 10:49

Lá está não é ser regionalista mas : (...visto daqui do Norte...) se calhar podia ser:  pessoalmente ter alemães a mandar.
Depois a explicação é ainda melhor: a generalidade dos lisboetas são boa gente, trabalha tanta como cá em cima....... e no resto do país trabalha-se mais ou menos? Ou este país só se resume a Lisboa e Porto, talvez seja por isso que estámos na m.... que estámos.
As elites estão em Lisboa porque aparentemente tudo o que interessa a essas elites está e acontece em Lisboa. Este país não se pode resumir a uma guerra entre Lisboa/Porto nem sequer a uma guerra entre Lisboa/Resto do País.
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De Sérgio Carvalho a 03.05.2010 às 13:15

Não pretendo qualquer observação sobre o resto do país. Eu estou no Porto, o governo que critico está em Lisboa. A observação limitava-se a isso e a explicação serve para realçar que não é um comentário regionalista.
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De claudine a 04.08.2016 às 14:16

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