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O debate iô-iô

por jonasnuts, em 14.04.10

Chamo-lhe o debate iô-iô porque desde que conheci o primeiro blog português, há uns anos valentes, que a discussão é a mesma. A sério. Anda tudo a debater a mesma coisa há anos, e anos, e anos.

 

Passo a explicar: Jornalismo versus Blogosfera

 

A sério, já cansa, volta não volta, regressa o tema, por qualquer razão, agora parece que foi o facto de Pedro Passos Coelho ter tido uma conversa só com autores dos Blogs acreditados no último congresso do PSD. Houve jornalistas que não gostaram, congressistas que não compreenderam, e órgãos de comunicação social tradicional que estrebucharam.

 

Vamos lá ver se a gente se entende (e de caminho passem por aqui, por aqui e por aqui para se esclarecerem melhor).

 

Um Blog é um Órgão de Comunicação Social. Este blog é um órgão de comunicação social, é a minha plataforma de comunicação com quem me rodeia (e está para ler os meus disparates, mas se lêem os disparates de um jornal porque é que não hão-de ler os meus?).

 

A diferença entre os órgãos de comunicação social (Blogs, twitter, Facebboks, Homepages, MySpaces, whatever) e os outros, é que os outros são tradicionais, é assim que eu faço (e sempre fiz, na realidade) a distinção. Uma empresa para abrir um jornal tem de cumprir requisitos legais (e, presumo burocracias infindáveis), tem de contratar uma equipa, tem de ter uma linha editorial, tem (convém que tenha) um plano de negócio, tem de dar garantias, tem de ter a assiduidade a que se propõe. Eu não :) Eu publico o que quero, como quero, quando quero. Desde que respeite a lei, estou por minha conta.

 

Não sou jornalista, nem tenho de ser, é o meu blog, e eu não preciso de ser jornalista para escrever o que me dá na real gana. E tão depressa escrevo sobre a Bimby, como sobre os meus sobrinhos, como mando cartas ao Tozé Brito, ou ao procurador geral da república, ou mando um coice no Moita Flores, o dou vivas ao meu Benfica Glorioso Clube Mailindo do Universo e mais além. Sou facciosa, assumida, entenda-se.

 

Os órgãos de comunicação social tradicionais (e alguns jornalistas) são de um tempo lento. O tempo hoje anda mais depressa, e eles ainda não assimilaram sequer o online, quanto mais as plataformas públicas de comunicação social. E como não assimilaram nem perceberam esta realidade, têm medo. Por um lado deslumbram-se (epá, tanta informação, de borla, podemos reduzir o tamanho da redacção), por outro lado acagaçam-se porque não encontram um modelo de negócio, e querem usar os métodos tradicionais para rentabilizar um formato que é tudo menos tradicional.

 

Enfim, andam aos papeis, vidrados no papel (o papel vai morrer senhores, acordem para a vida), com a cabeça enfiada num buraco no chão (ou numa redoma de vidro), às vezes dando ouvidos a profetas e "pioneiros" especialistas de virtualmente nada que percebem ainda menos que eles (mas que falam com propriedade e convicção), e entretanto vão perdendo pé.

 

Na realidade, a única coisa que fazem é estrebuchar quando acham que alguém lhes invade o território. Que é precisamente o que não deviam fazer.

 

Ganda volta que isto deu. Resumindo e concluindo:

 

Os Blogs (e demais plataformas públicas de publicação de conteúdos) não são órgãos de comunicação social tradicionais, mas são órgãos de comunicação social. Os tradicionais, ou começam (e já deviam ter começado) a olhar para estes conteúdos, e pensar de que forma é que podem aproveitá-los para potenciarem o seu produto que é, ou deveria ser, o jornalismo, ou morrem ainda mais cedo do que o que julgam.

 

E agora, podemos não voltar a este tema durante uns anos?

 

Muito agradecida.

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11 comentários

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De Ognito Inc. a 14.04.2010 às 12:39

Bela opinião. Mai nada!
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De Arzebiu a 14.04.2010 às 14:30

Vá lá ainda não estrabucharem com o Twitter... no outro dia estava a ver a CNN lá sobre política dos states e mencionaram o twitter N vezes, muitas delas a comentar os tweets dos cidadãos. 
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De Margarida a 14.04.2010 às 16:09

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eu espero sinceramente que o papel não morra, pelo menos não em todas as vertentes, mas sim é verdade que os media tradicionais precisam de se revolucionar se querem continuar a existir.

A partir da próxima semana quem comprar revistas nos EUA vai encontrar anúncios deste estilo "We surf the internet. We swim in magazines". Ainda ontem estive a ler um artigo muito interessante na edição impressa do Economist cujo resumo é "Media companies try to breathe new life into physical products". Está muito interessante e é um bom complemento para este teu texto. Penso que está disponível online em <A href="http://www.economist.com/business-finance/displaystory.cfm?story_id=15871885">http://www.economist.com/business-finance/displaystory.cfm?story_id=15871885</A>
Mas lá está, cá vamos sempre a reboque e provavelmente ainda vai demorar até os mais velhos do Restelo da media nacional verem a luz.
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De allungare il pene a 16.04.2010 às 11:42

seu blog é muito bom! Eu não leio Português bem, mas eu amo o que você escreve!
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De O pensador... a 19.04.2010 às 12:20


Ao ler este post, uma frase deixou-me pensativo.

(o papel vai morrer senhores, acordem para a vida), com a cabeça enfiada num buraco no chão (ou numa redoma de vidro), às vezes dando ouvidos a profetas e "pioneiros" especialistas de virtualmente nada que percebem ainda menos que eles (mas que falam com propriedade e convicção), e entretanto vão perdendo pé.

Não sendo nem jornalista, nem trabalhando num título de imprensa, acho que já chega de profetas da desgraça.

Importa ter a seguinte noção:

 -Os jornais não vão acabar! nem agora nem nunca.

-O formato em papel não vai terminar, enquanto a geração actual 35-54 anos for viva.

Poderá eventualmente tornar-se um produto de luxo! Mas terminar não! Tem mais valias que outros meios/suportes não possuem.

O vinil também não acabou e voltou a vender-se (vão à fnac ver os inúmeros títulos).

O que vai mudar é o formato, talvez no futuro ( próximos 5 anos descarregamos o Expresso num IPAD e lemos num formato digital). Porreiro Pá!

Os blogs são orgãos de informação e apenas refletem, emoçoes, opiniões, etc. Pessoais! Nada Mais! Dependem muito de quem o faz! Valem o que valem.

Eu diria até são modas! Como são os facebooks da vida!

Talvez daqui a 5 anos estejam todos ultrapassaados!

E o investimento real da publicidade online em portugal ainda vai demorar a ultrapassar o da rádio, não falando de outros meios (TV;Imprensa;Outdoor).

Fazemos o balanço daqui a 5 anos!

Mas façam um favor, não matem já a imprensa! E não se armem em videntes!

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De jonasnuts a 19.04.2010 às 12:25

Quando eu digo "o papel vai morrer" quero dizer que vai deixar de ser usado massivamente. O papel nunca morrerá, mas tornar-se-á num produto de nicho e, consequentemente, num produto de luxo, apenas acessível a alguns, e isso, representa a sua morte, não a sua extinção.

Eu pertenço à geração que refere (35-54) e não consumo jornais :)
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De O pensador... a 19.04.2010 às 14:31


Mas você, apenas faz parte de uma amostra do Universo não representado o Universo como um todo!

E eu também faço parte da faixa 35-54, e dá-me um grande prazer ler em papel ou até em formato digital, Bom Jornalismo!

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De jonasnuts a 19.04.2010 às 14:32

A mim dá-me prazer ler bons conteúdos, independentemente do meio (papel, online, digital, seja o que for). O problema é que os bons conteúdos escasseiam cada vez mais nos jornais (e não me refiro apenas ao papel) :)
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De creditos a 14.05.2010 às 10:37

Ora ai está exactamente a minha opinião. Vou ver se encontro um estudo que mostra a linha de morte dos jornais dos USA para os próximos anos.
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De Martha a 23.04.2010 às 07:31

Bela opinião.
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De pranchasbodyboard a 16.06.2010 às 15:47

Toda a gente sabe que a internet anda a dominar. Não é novidade.

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