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Computadores públicos, vícios privados

por jonasnuts, em 19.03.10

O título do post pode ser enganador.

 

Isto por causa da cena hoje, na Assembleia da República, em que alguns deputados se chatearam com os fotógrafos que invadem a sua privacidade (conseguindo fotografar o ecrã do computador que ali têm disponível) e o presidente da Assembleia da República a explicar-lhes que a AR é um espaço público e que os computadores não são privados. A notícia, aqui.

 

 

Cá para mim o Jaime Gama é um infoexcluído. A questão não é o instrumento, é o que se faz com ele (sim, também se aplica aqui, esta máxima). Se o deputado estiver a consultar a sua conta bancária, são dados privados. Se estiver a ver o mail, são dados privados, se estiver a inserir passwords, são dados privados. O computador pode ser um bem público, mas o que se faz com ele pode (e muitas vezes deve) ser privado.

 

E não me venham com a treta do "se está no hemiciclo só pode fazer coisas relacionadas com o que está a ser debatido, quer consultar a conta bancária, que consulte a partir de casa", vivemos nuns tempos em que cada vez mais o horário de expediente deixa de existir, e o social, o profissional, o familiar se entrecruzam. Já não há horas marcadas para as coisas, os telemóveis e a internet trouxeram-nos, também, isso.

 

Aquela coisa de ter um emprego toda a vida, entrar à mesma hora, ir almoçar a casa, regressar e sair a horas certas, já não existe. Com o telemóvel e a internet (e agora, com ambos) estamos disponíveis sempre que tenhamos o telemóvel ligado. Ou achariam bem que um jornalista ligasse a um deputado para lhe fazer uma pergunta e deputado respondesse, lamento imenso mas são 18h05 e já não estou a ser deputado a esta hora. Cairia o Carmo e a Trindade. E com razão.

 

Decidam-se. Não podem ter sol na eira e chuva no nabal.

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21 comentários

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De Jorge a 19.03.2010 às 15:26

Lello contraria Jaime Gama: "Os computadores são pessoais, esse é o engano do presidente."»


Lello tem uma interpretação curiosa quanto ao bem público.

De resto, a questão é tão válida quanto se se pode fotografar o deputado que passe pelas brasas ou que esteja a bocejar.


Eu cá acho que deviam colocar tiras negras, como aquelas que se colocam nos olhos dos que se pretende não querer identificar. Aí sim, estaríamos bem. Aliás, melhor ainda era expulsar da AR esses intrometidos jornalistas.
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De jonasnuts a 19.03.2010 às 15:35

E, por uma vez, Lello tem razão :)
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De Jorge a 19.03.2010 às 15:40

De acordo com o post, Lello está errado:


«A questão não é o instrumento, é o que se faz com ele »
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De jonasnuts a 19.03.2010 às 15:47

Não penso que José Lello quisesse dizer que o computador é pessoal, na medida em que o dono do computador não é o deputado, penso que ele queria dizer exactamente a mesma coisa que eu, que, enquanto usado por quem quer que seja, é pessoal (independentemente de estar a ser usado para temas profissionais ou não).
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De Platão a 21.12.2012 às 18:33

Com meses de atraso deparei-me com este post, que achei interessante.
Depois de pensar um bocado, cheguei aqui:

O computador é um bem pago pelo erário público, da mesma forma que um caderno o é. Ambos podem ser instrumentos de trabalho. O caderno pode ser usado para fazer uns rabiscos, que não são trabalho. Um computador também.

Seria aceitável que um jornalista fotografasse as páginas de um caderno do sr. deputado, deixado aberto em cima da mesa?
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De fernando f a 19.03.2010 às 15:38

Desculpe lá mas essa de consultar a conta bancária não conta, então não são "eles" que as querem tornar públicas!?
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De jonasnuts a 19.03.2010 às 15:42

E acha que a forma de tornar públicas as contas bancárias é através duma fotografia ao ecrã quando o deputado consulta o seu homebanking? Duh?
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De fernando f a 19.03.2010 às 15:57


Não, não acho nada, assim como não acho  que Gama tenha razão, aliás e muitas vezes.
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De Manuel Padilha a 19.03.2010 às 17:51

Bastava que o Parlamento disponibilizasse um qualquer serviço aos seus deputados que fosse acedido mediante username e password para já fazer todo o sentido que os computadores não pudessem ser fotografados.

Nessa circunstância os deputados estavam a trabalhar e mesmo assim não era legítimo que o público em geral pudesse ver o que eles estavam a fazer.

Acho muito bem que haja toda a transparência possível no que diz respeito às acções dos deputados e demais políticos, mas a um nível macro que seja relevante.
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De jonasnuts a 19.03.2010 às 18:21

O acesso aos computadores faz-se através de um user e de uma pass. O mesmo, presumo, aplica-se ao endereço de mail.

E a mim, não me interessa saber se eles, naquele preciso momento, estão a trabalhar ou não. Acredito na avaliação por resultados, não por horário de expediente cumprido.
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De Eduardo a 19.03.2010 às 19:23

100% de acordo. A alternativa era cada deputado andar com 2 computadores. O da AR e o privado.


O Jaime Gama é obviamente info excluído tal como a maioria das pessoas com algum poder na AR. Pessoas para quem o computador é equivalente ao telefone fixo lá do serviço e que só pode ser usado para a causa pública.
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De João Tomé a 19.03.2010 às 23:32

Embora não ache bem que se fotografe o computador de um deputado, a verdade é que aquele não é o posto de trabalho de um deputado. Aliás, até há pouco tempo eles não tinham computador ali. Cada um deles tem o seu gabinete e computador de trabalho foram do hemiciclo. Aquele é apenas um computador para utilizarem no pouco tempo que passam no hemiciclo. Por isso, embora ache que Jaime Gama exagerou um pouco na resposta, Lello também deveria compreender que o hemiciclo não é propriamente o seu escritório de trabalho ou pessoal, é muito mais público do que isso.
;)
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De António Bento a 20.03.2010 às 00:16

Eu o que não gostei foi do modo como fecharam os computadores. Se é a partir, partam mas é os deles, que aqueles foram pagos com o erário público.
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De jonasnuts a 20.03.2010 às 09:29

Eu não vi a forma como fecharam o computador, mas compreendo a reacção.
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De António Bento a 20.03.2010 às 12:12

Fecharam-nos à bruta. Fez um barulhão enorme. O Jaime Gama deixou de se ouvir. E fiquei com impressão que o material era da Sun, não deve ser mau nem barato. Eu não fecho os meus Macs assim, e eles têm outras formas de protestar. É um péssimo exemplo. Aquilo parecia quase uma sala de aula ; )
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De jonasnuts a 20.03.2010 às 12:55

Se não é mau material, não é um  fechar mais abrupto que estraga. :)
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De António Bento a 20.03.2010 às 23:07

Talvez. De qualquer modo, e como (bem) disse o Presidente da Assembleia, são eles quem manda. Se não querem os repórteres ali, se os querem mais longe, ou se os querem numa jaula, legislem nesse sentido. Podem fazê-lo. Eles é que querem sol na eira e água no nabal, Jonas. Não querem tirar de lá os fotógrafos porque parece mal, parece suspeito e antidemocrático, e não querem que eles tirem fotos à vontade porque incomoda.
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De Comentador Acidental a 21.03.2010 às 03:14

Jonas, como costume tens razão.
A parte que eu não percebo nisto tudo é a dos computadores não serem privados, logo... etc etc.
Ora gaita, os computadores da Presidencia da Republica tb são pagos com o dinheirinho dos contribuintes, tb são do povo e não do Sr. Presidente, ou foi o Sr. Prof. cavaco Silva que os comprou??
Então porque raio é que os e-mails da presidencia , coitados, até podiam estar a ser espiados? deviam ser públicos, não é?
O Governo espiava a Presidencia?? ora essa, todos deviamos saber o que se diz e faz em Belem, ou não?
E o telemóvel do PR? pois deve ter um dele privado, e acho muito bem, agora os da Presidencia, desculpem lá, mas quero o report completo todos os dias no noticiario das 8 na RTP, o que se disse, a quem, etc, essas coisas todas, aquilo é material público, nada de conversas privadas, ora essa.
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De KI a 21.03.2010 às 21:19

E se lhes dessem um Magalhães? Assim eles tb podiam tirar fotografias. Cá pra mim era isso.
E o jornal poem levar? Sem a secão das palavras cruzadas, obviamente.
E nada de telemóveis q tenham jogos!
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De yodeyma a 05.04.2010 às 17:37

O jornalista não tem nada que filmar o que se passa no monitor do deputado, esteja ele a fazer o que quer que seja, ponto final. Eu também não o admitiria.

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