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Fixe. Então agora que está tudo animado mas por outras razões, acho que já posso contar aqui uma história com quase 10 anos. É verídica e eu sei, porque aconteceu comigo.

 

Há mais ou menos 10 anos, farta de estar a trabalhar onde estava a trabalhar, decidi mudar de trabalho. Queria manter-me na mesma área e, há 10 anos, tal como agora, só há único sítio de jeito para trabalhar naquilo de que gosto, o SAPO.

 

Não conhecia ninguém no SAPO. Enviei um mail, uma auto candidatura. Uma carta de apresentação informal, o meu CV e o endereço que usei era o geral do SAPO.

 

Sabendo o que sei hoje, e conhecendo a pessoa que estava responsável por ler os mails que chegavam à caixa de correio, sei que foi um milagre o mail ter sido visto, lido, respondido e que tenha sido marcada uma reunião.

 

Lá fui eu, mais compostinha que o habitual e com um dilema na alma. Os CVs requerem que explicitemos o estado civil, e sim senhor, lá estava o meu estado civil, solteirinha da silva.

 

No entanto, eu tenho um filho, e já na altura o tinha, e é a minha prioridade, e já na altura era. Eu queria que os senhores soubessem que eu tinha um filho e, no momento em que ele precisasse de mim, fosse qual fosse a hora, eu largava tudo e ia. No matter what.

 

Achei que era justo explicar a um potencial empregador com o que é que poderia contar, de mim. Camisola vestida, dar o litro, trabalhar fora de horas mas, a prioridade é o puto.

 

E assim foi, depois duma entrevista que foi mais uma conversa informal do que outra coisa, cheguei ali à fase dos finalmentes e disse-lhes isso mesmo. Meus senhores, está aí que sou solteira, e é verdade, mas tenho um filho, e a minha prioridade é o meu filho, se ele disser "ai", eu vou. Era um risco, mas preferi corrê-lo do que enganar os gajos.

 

Fui contratada na hora. Tipo, 5 segundos depois de ter dito aquilo. Anos mais tarde, a pessoa que tomou a decisão de me contratar disse-me "Jonas, eu tinha poucas dúvidas, mas aquela tua tirada tirou-me as poucas dúvidas que eu tinha, de que eras a pessoa certa".

 

 

Ah, mas isso é a excepção na PT, e o gajo que te contratou já deve ter saído ou não manda nada. Não sei se é a excepção, mas o gajo que me contratou é administrador com presença na Comissão Executiva.

 

Embrulha.

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18 comentários

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De Nuno a 15.03.2010 às 22:23

És grande :)
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De Maggie a 15.03.2010 às 22:38

Isso é espectacular e animador, mas, ainda assim, continua a ser uma excepção. NA PT não sei que não conheço. No mundo em geral, sim.
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De António Bento a 16.03.2010 às 12:10

Imagina se tivesses DOIS filhos. Já eras CEO : )
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De jonasnuts a 16.03.2010 às 12:14

Para se ser CEO são precisas várias coisas, para além de competências muito específicas (que eu não tenho nem quero ter), é preciso querer lá chegar, e eu não quero :)

Descobri a tempo que subir-se na hierarquia não é necessariamente bom, porque, se só subimos para sermos mais bem remunerados, vamos fazer uma coisa de que não gostamos :)

Já tive essa tentação, com motivações exclusivamente financeiras, mas travei a tempo :)
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De António Bento a 17.03.2010 às 13:20

Qual das tentações, ser CEO ou ter mais filhos?
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De jonasnuts a 17.03.2010 às 13:21

"Com motivações exclusivamente financeiras", pelo que se exclui a hipótese de eu estar a referir-me a um filho :
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De António Bento a 17.03.2010 às 13:31

Estava a brincar, como é óbvio. Até porque as motivações financeiras para ter filhos são um bocado suicidas. Até os miúdos que jogam aos Sims dizem logo uns aos outros para não terem filhos...
Epa, como é que isto agora me aparecem carradas de bonecos?
E bold, itálico, isto não estava cá ontem?
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De jonasnuts a 17.03.2010 às 13:33

Não, esta é a versão avançadas do formulário de comentários, e eu tinha a simples. Um visitante queixou-se de que os links não ficavam bem, e eu activei o formulário avançado, menos a meu gosto, mas, pelos vistos, mais a gosto dos visitantes :)
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De António Bento a 17.03.2010 às 13:49

Obrigado. É que eu às vezes tenho assim umas dúvidas sobre a minha sanidade mental. É um trauma dos tempos de liceu. Acontece que uma vez fui para as aulas, não tive aulas e voltei para casa. E o chão estava amarelo. Demorei um pouco a perceber o que estava diferente, mas era o chão amarelo. E fiquei um bocado a patinar, porque não me lembrava de ter notado nada estranho à ida para a escola, e não conseguia perceber a utilidade de pintar ruas de amarelo. E as paredes, árvores e céu estavam normais. E eu já estava a pensar que me tinham dado algum cigarro drogado ou coisa assim, até que vi os senhores da Câmara Municipal a borrifarem o chão com um herbicida qualquer, de um amarelo vivo quase fluo. Coisas...
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De brunomiguel a 16.03.2010 às 13:22

Não tive a mesma sorte. :( Bem, mas também não enviei mail para o Sapo. Fiquei-me por uma empresa do grupo, mas não a fazer aquilo que realmente gostaria.
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De brunomiguel a 16.03.2010 às 15:47

Se eu enviar um mail para o Sapo, achas que consigo ter a mesma "sorte"?
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De jonasnuts a 16.03.2010 às 15:49

Se fores competente numa área onde andemos à procura de competências, eu diria que sim :)
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De brunomiguel a 16.03.2010 às 16:01

E que áreas são essas?
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De jonasnuts a 16.03.2010 às 16:03

O SAPO é muito grande, e eu sou só dos Blogs (e pouco mais), pelo que não estou a par de tudo :) Envia o CV, e logo se vê.
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De brunomiguel a 16.03.2010 às 16:13

Sou capaz de o fazer :)
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De Efeito Estroboscópico a 17.03.2010 às 23:40

Esta história faz-me lembrar uma outra...
Há mais ou menos um ano repondi a uma "blind proposal" (lol - gosto de lhe chamar assim!!) do Sapo com ideia de mudar radicalmente de vida. Não sabia qual era o desafio. Fiz a candidatura enviando um e-mail de apresentação completamente diferente de tudo o que se costuma fazer para uma oferta de emprego. A minha primeira ideia era mostrar que o meu CV não espelhava o que queria fazer e que nunca tinha trabalhado numa área que realmente gostava.
A primeira surpresa tive-a quando recebi um e-mail de resposta da Jonas. Foi marcada uma entrevista (diferente de todas onde fui até hoje), e a segunda surpresa foi a sensação comque saí de lá: bem disposta!
Não fui seleccionada, mas o que me proporcionou esta experiência deu-me força para não desistir. Thanks!

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De jonasnuts a 18.03.2010 às 09:16

Lembro-me bem :)
As "minhas" entrevistas são sempre diferentes daquelas a que as pessoas estão habituadas. Creio que já é um momentp com stress suficiente para que seja necessária uma postura formal que acrescente mais stress ao momento. O stress impede-nos de ver como são realmente as pessoas, e quanto mais descontraída for a conversa, mais útil se torna, quer para quem entrevista quer para quem é entrevistado.

A parte pior é que acabamos por conhecer um bocadinho as pessoas, e depois só podemos seleccionar uma.  telefonema a dizer que sim é óptimo, os outros, são terríveis.
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De Amanda a 23.04.2010 às 07:42

Não tive a mesma sorte.

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