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Esta história das veemência de opinião dos que dizem defender a família tem-me feito alguma confusão. Eu percebo que haja formas diferentes de pensar e de sentir as coisas, mas não compreendia a veemência e até o desespero com que muitas pessoas defendiam a exclusividade de direitos a uma certa casta, a deles, claro.

 

A resposta não me bateu de repente, foi uma coisa que foi crescendo, e que se passou comigo há uns anos. Eu explico.

 

Grávida de muitos meses mudei-me para a província. Fica a 40Km de Lisboa, mas é Portugal profundo na mesma. Ora, aquela malta, estava fartinha de conhecer mães solteiras (que era o meu caso). Não lhes fazia confusão nenhuma que eu estivesse grávida, sendo solteira, o que lhes fazia muita confusão, era eu não ser coitadinha. Mãe solteira sim, mãe solteira por opção já não percebiam. A minha opção tirava-lhes a oportunidade de poderem ter pena de mim, na sua superioridade moral. Não era a gravidez que lhes colidia com o sistema, era a opção.

 

Nesta história das "famílias a sério", eu acho que é isso que se passa. Foi retirada a esta gente a possibilidade de se sentirem superiormente morais, porque os outros, que antigamente eram coitadinhos, agora já não são e, heresia, até querem os mesmos direitos e deveres. Então, se querem os mesmos direitos e deveres, nós já não podemos ser superiores. Vai-se-nos o último reduto de superioridade, o moral (que o financeiro e o social já foram há muito tempo).

 

E é isto que lhes estamos a tirar, ao não sermos coitadinhos, ao não pedirmos desculpa por sermos mães solteiras, pais solteiros, com orientação sexual a, b ou c, estamos a tirar-lhes a possibilidade de se sentirem superiores, moralmente superiores. É o último bastião.

 

Daí a veemência. Coitaditos.

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88 comentários

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De carlosfreitas a 21.02.2010 às 17:07

Obrigada por escrever e pensar assim.
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De Irene Pimentel a 21.02.2010 às 17:10

Muito, muito bom.
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De Palmira F. Silva a 21.02.2010 às 17:18

Fantástico, Jonas.
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De Anónimo a 21.02.2010 às 17:39

Sobre o post: continue-se com essa conversa de merda, de esteriotipar e desembainhar preconceitos relativamente ao retrato do "eles", que pode ser que vocês se fodam. E quem vos diz isto é um dos que parece ser "dos vossos" mas que, com certeza, não é.
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De jonasnuts a 21.02.2010 às 17:48

São maus os esteriótipos, não são? :) E vermo-nos retratados duma forma que nos insulta e nos desgosta também é lixado, não é?

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De Anónimo a 21.02.2010 às 18:04

hilariante, e viva à psicanálise!

Não me conhece, não me ponha na caixinha que lhe dá conforto. Não só sou superior, quer intelectual quer financeiramente a si como aos seus anteriores comentadores, como sou todo pró gay e o caralho. Mas, ao mesmo tempo, desejo que estes "novos modernos" se ponham no caralho com esta conversa de merda saloia ao estilo new-age: vacuidades auto-reconfortantes.
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De jonasnuts a 21.02.2010 às 18:08

Pode ser financeiramente superior a mim, nem sequer é grande feito, e até pode ser que seja intelectualmente superior, também não é feito por aí além, diga-se, mas a forma como escreve e o que escreve não denotam essa superioridade, pelo contrário.

Já ser intelectualmente superior em relação aos comentadores anteriores, isso já outra história. Isso sim, já seria um feito para o qual não lhe reconheço competência.

E agora, este ser intelectualmente inferior permite-se oferecer-lhe um conselho de senso comum, não gosta do que aqui se escreve? Óptimo, não volte. Ninguém o obriga :)
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De Anónimo a 21.02.2010 às 18:20

Não reconhece porquê? Por causa das asneiras, é isso?!

Superioridade intelectual mede-se em número de artigos publicados numa área das ciências exactas e em revistas com peer-review, foda-se! Não se mede em simpatia, nem pelo acolhimento que se tem por parte da imprensa de leigos do país X, etc.

Mas pode usar o critério que quiser, convém é tê-lo definido de antemão, coisa que não o fez na porcaria que escreveu.

Só queria desconstruir essas merdas desses esteriotipos, e espero que isto não a leve a criar um novo esteriotipo: "gajos cientificamente dotados são uns brutamontes".
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De jonasnuts a 21.02.2010 às 18:23

Não reconheço porque não quero reconhecer, e este blog é meu e, aqui, eu reconheço o que muito bem entendo. Aqui e noutros sítios, já agora.

E a superioridade intelectual não se mede em números seu tosco.

E esterótipo, leva acento.

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De Anónimo a 23.02.2010 às 00:45

as respostas que eu enquanto anónimo consegui despoletar por parte dessa carneirada moderna demonstra o que eu queria: são, estatisticamente falando, tão imbecis quanto os "eles", tão inferiores quanto os "eles", e tão repugnantes como os "eles".

Custa a perceber, a esta carneirada, que eu sou mais real que essas lontras armadas em intelectuais?! Quanto a saber escrever, ou não, respondam-me:

1) perceberam o que eu escrevi?
2) qual é o critério objectivo que define a "boa escrita"? Dito de outra forma, proponham-me um algoritmo que a partir de dois textos consiga decidir qual é o mais bem escrito.
3) e mesmo estando bem escrito, segundo 2), é isso que é importante? e quão importante é isso?

Foda-se! É uma cambada de snobs a lamberem o cu uns dos outros.
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De jonasnuts a 23.02.2010 às 00:51

Há quem lamba cus com as publicações peer-reviewd, há quem lamba cus em blogs, pronto.

Duma forma ou doutra, andamos todos a lamber cus, pelos vistos.
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De Anónimo a 23.02.2010 às 01:10

Coloquemos a hipótese de eu revelar a minha identidade e com isso poderem verificar a verdade quanto aos galões que puxei. Qual é a probabilidade de, perante tal novidade, o meu trabalho começar a ser olhado com suspeição só porque, e apenas porque, eu gosto de usar abundantemente asneiras e, não poucas vezes, ofender quem se quer sentir ofendido?! Que sentido faz isso? Não posso agir como me apetece e, em simultâneo, ser bom naquilo que faço?

Também aproveito para deixar à reflexão o seguinte: uma grande parte dos paladinos da intelectualidade, com alguma visibilidade mediática, são medíocres no seu campo de especialidade quando comparados com centenas de outros de que nunca ninguém ouve falar.
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De jonasnuts a 23.02.2010 às 08:53

Não percebeu (e eu acho que nunca perceberá) a reacção das pessoas, nomeadamente a minha, à sua atitude. O seu problema não é a superioridade, não tenho problema nenhum em reconhecer que existem pessoas superiores a mim, a todos os níveis, e nem sequer são os palavrões. Reparo que não é leitor deste blog, senão, saberia que aqui se usa (e às vezes abusa) do vernáculo. O problema é a arrogância. Toda a superioridade que acha que tem, não tem, por causa da arrogância.

Portanto, mesmo que agora chegue aqui e prove que é a reencarnação do einstein, ou um nobel qualquer duma das ciências exactas que lhe são tão caras, nunca passará, para mim, de um imbecil.
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De Einstein von Ulm a 21.02.2010 às 21:33

Toda essa superioridade intelectual, e pelo número de papers publicados deve estar para chegar o Nobel, esvai-se pela baixa educação demonstrada bem como a imbecilidade de não querer perceber outro ponto de vista que não o seu.

Mas cada um mostra o que vale.
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De Miguel a 21.02.2010 às 22:37

Realmente uma pessoa nunca está preparada para os cromos que pululam por aí. Uma pessoa pensa que já viu tudo e pimba, aparece-nos uma pérola destas.

Mas ao menos foi dito por alguém com muitos artigos publicados, valha-nos isso!
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De jonasnuts a 21.02.2010 às 22:39

Isto é um blog de categoria. Até os trolls são intelectualmente superiores que eu não faço a coisa por menos :)
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De Miguel a 21.02.2010 às 23:47

Olha jonas, estava eu a pensar em ir dormir, abri o mail só última vez e vejo esse comentário. Mandei uma gargalhada tal que aqui em casa devem ter ficado a pensar que era maluco.

Realmente gente com categoria é outra coisa!
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De Luísa a 22.02.2010 às 15:18

E onde posso ver essas publicações assinadas por "anónimo" que vão confirmar que o senhor/senhora é iontelectualmente superior?!?!?
E desde quando é que só as ciências exactas são forma de provar superioridade intelectual?
E mais ainda!! Muitos textos publicados em revistas de não-sei-o-quê não são prova de nada. Basta ver como essas revistas se vão contradizendo umas às outras, como muitos desses trabalhos são inventados, forjados em conformidadade com certos interesses e plagiados. Nunca me aconteceu ser plagiada. Eu sou intelectualmente inferior, nunca terei capacidade para escrever em revistas. Mas até tenho orgulho nisso, porque, pela amostra que nos dá, parece que escrever em revistas de renome deve exigir vocabulário de carrosseiro. Coisa que eu dispenso bem!!
Se não quer criar passar a mensagem de "gajos cientificamente dotados são uns brutamontes", esteja descansado/a, não passou a ideia de ser intelectualmente superior, "cientificamente dotado" (seja lá o que isso for). Só passou a ideia de carrosseiro brutamontes!!
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De Anónimo a 21.02.2010 às 18:19

Não sei se será verdade para todos os casos de "eles", mas parece-me que sem dúvida o será para muitos... E nunca me tinha ocorrido!

Obrigado pela "luz" :)
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De jonasnuts a 21.02.2010 às 18:20

Eu estou certa de que não será o caso de todos. Conheço alguns para quem, de facto, não é (felizmente terão outras pancadas, mas não essa :)
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De Jorge Soares a 21.02.2010 às 18:34

Olá Jonas.

Parece que tocaste algures na ferida... mas é um facto, algures li "o problema não é que eles se casem, é que a partir de agora o casamento deles é igual ao meu, e eu sou melhor que eles"

Sabes uma coisa, já não há pachorra para esta gente, espero que o Cavaco aprove a lei rapidamente para ver se seguimos em frente.

Boa semana
Jorge Soares
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De Luísa a 22.02.2010 às 15:23

Bato palmas ao que disse. Estou farta de tanta confusão por uma coisa tão comum noutras sociedades... Não achando que a questão seja para ignorar... acho que há coisas bem mais importantes, acho que devemos "seguir em frente"...
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De J a 21.02.2010 às 18:52

Jonasnuts,

Obrigada. Eu própria não o teria dito melhor! Nas "famílias a sério" sobra o desprezo pelos perigosamente livres na sua forma de viver a vida. Falta-lhes muita tolerância e Twinings Earl Grey...

Já agora, anónimo:
"Superioridade intelectual mede-se em número de artigos publicados numa área das ciências exactas e em revistas com peer-review, f*da-se!"
Falando como alguém que, no seu conceito de superioridade intelectual, está bastante abaixo na cadeia alimentar onde o zénite parece pertencer-lhe (cientista em formação, ainda sem esses numerosos artigos que lhe são tão essenciais para caracterizar os seres humanos), a força do seu argumento é inversamente proporcional à quantidade de insultos proferidos nos seus comentários. Talvez possa aproveitar esta minha afirmação como hipótese para publicar outro artigo científico nas revistas com peer-review - que, como se sabe, são absolutamente infalíveis...
Quanto ao estereótipo que não se coibiu de criar, dentro da comunidade científica, familiar ou qualquer outra, há gente fantástica, inspiradora e admirável, os medianos e os idiotas. Pena que estes últimos sejam persistentes e imutáveis, nunca crescendo ou abrindo a mente a outros cenários possíveis, como é próprio de qualquer mente que diz ser reputadamente científica.
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De BlueEagle a 21.02.2010 às 19:54

Eu as vezes até me assusto com estas personagens que aqui aterram nos comentários. Será que tiveram ajuda ou aquele neuroniozinho que ainda lhes sobra é suficiente para saberem ligar um computador.

Jonas, contínua a ser tu próprio (eu sei que vais), que por falta de mais gente como tu não estamos nós melhor :)
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De carlosfreitas a 21.02.2010 às 23:02

"revistas com peer-review, foda-se! ! Nunca tal me aocorrera para passar a designar o banal papel higiénico! Torna-se assim um objecto discreto e eficaz numa peça de distinção sociólgica. Nunca tal me havia ocorrido!
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De MJ Valente a 21.02.2010 às 23:23

Ai, Jonas —

Lá teres trolls de "calidade" até pode ser... mas não sabem escrever, 'tadinhos. Deve ser do tal *estereótipo* a que estão associados.
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De jonasnuts a 21.02.2010 às 23:25

Opá, pelo menos tinha artigos científicos publicados em, como é que era?, revistas científicas peer-review? Ainda querias que soubesse escrever? Pá....não se pode ter tudo.

Vocês são duma exigência atroz :)
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De Marco a 22.02.2010 às 15:44

Ah, mas este anónimo está para os trolls como os maluquinhos estão para Napoleão.
Mas este texto mereceu-o ;)

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