Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]






Arquivo



Haiti

por jonasnuts, em 15.01.10

Assim que li a primeira notícia sobre o sismo vi logo o filme todo. Foi só saber a localização e a distância da terra mais próxima, e soube exactamente qual ia ser o percurso da coisa. Mais danos menos danos, mais mortos menos mortos, mais miséria menos miséria, é sempre a mesma coisa.

 

Estas coisas têm vida própria, muito própria e parece que as coisas já estão todas ditas e escritas, na sua sequência exacta, estão ali à espera que a coisa aconteça para que alguém prima o botão "publish" ou "print" ou "play". É isto a experiência? Saber exactamente qual é a sequência das notícias? É tenebroso saber que vai piorar, antes de começar, lentamente, a ficar menos mau.

 

Fujo das notícias, neste momento. Não consigo escapar a todas, os Blogs e o Twitter não deixam, mas preservo-me. Não quero ver imagens, penosamente dolorosas, porque sou impotente. Ajudei no que pude, no que esteve e está ao meu alcance, mas para além disso, fujo.

 

É isto a experiência? A idade? Ou é simplesmente uma recusa de voyeurismo? Não tenho pedal para ver um pai ou uma mãe agarrados ao filho morto, ou vice versa. Os montes de cadáveres. E, acima de tudo, a miséria humana em todo o seu triste esplendor. Não é o sismo que me abala as entranhas, são as pessoas más.

 

E essas existem, com ou sem sismos.

 

Acalmem-se, daqui a um ou dois dias começam a chegar as notícias dos milagres de sobrevivência debaixo dos escombros e pronto, é lá longe, podemo-nos esquecer, podemos voltar às nossas vidinhas, descansados e apaziguados com os milagres.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:



8 comentários

Imagem de perfil

De Jorge Soares a 15.01.2010 às 11:22

Estou como tu.. mas hoje de manhã ouvi algo na radio que mexeu comigo, mesmo.

Andamos à dois dias a ver a miséria do que se passou, ontem mostravam imagens de muitas pessoas e muita ajuda a chegar ao aeroporto, hoje de manhã o jornalista da Antena 1 que vinha de dar uma volta pela cidade, depois de relatar a miséria toda, diz que ainda não saiu nada nem ninguém do aeroporto.... PORRA, estão à espera de quê? ...

Eu sei que não tens culpa nem resposta... mas pronto, desabafei.

Jorge Soares
Sem imagem de perfil

De João Lúcio a 15.01.2010 às 11:50

É o que diz a Jonas quando refere a distância da terra mais próxima. Por lá a ajuda de avião é o mais simples. Fazê-la sair do aeroporto é mais complicado pois o país já não tinha grandes condições, quanto mais depois de um desastre desta natureza. A logística terá que vir de fora, o que não consegue ser imediato.
Imagem de perfil

De sibyl duerr a 15.01.2010 às 17:49

Olá jonasnuts! desde já obrigada peloa viso, e se o destaque foi, à flata de melhores palavras, "ideia sua", agradeço-lhe também por isso.
Acha que seri conveniente avisá-lo de uma pequena (grande) alteração que fiz no post, após uma pesquisa um pouco mais trabalhada. é que o facto é que em vários sites dizia que Lua Nova tinha sido definitivamente nomeado para os razzies enquanto outros diziam que era uma lista de pré-nomeados. Cheguei enfim á conclusão de que era mesmo uma lista de pré-nomeados. peço mil desculpas por qualquer contrariedade que este erro grosseiro possa ter acusado.

Obrigada (:
Imagem de perfil

De jonasnuts a 15.01.2010 às 21:30

Olá..... eu não sou um ele, sou uma ela :)

Não há qualquer problema com as alterações, é um Blog, é seu, fará dele o que muito bem entender, mas obrigada pelo aviso :)
Imagem de perfil

De sibyl duerr a 15.01.2010 às 21:39

Mais um erro da minha parte, peço desculpa (:
Imagem de perfil

De sibyl duerr a 15.01.2010 às 21:40

Nem tinha reparado na foto do cabeçalho, que falta de observação a minha :s
Imagem de perfil

De jonasnuts a 15.01.2010 às 21:42

Não se preocupe, é relativamente frequente, por causa do nick que uso :)
Imagem de perfil

De PortoMaravilha a 15.01.2010 às 23:04

Eu ajudei financeiramente na medida das minhas posses.

Mas , Jonas, como bem escreves há demasiado voyeurisme.

Nada melhor que a imprensa escrita ou radiofónica quando de qualidade .

A imprensa escrita permite recuo e pensamento.

O pensar da imagem seria outro debate.

Nuno





Comentar post






Arquivo