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Droguem-nos

por jonasnuts, em 04.01.10

Qualquer mãe ou pai sabe que, quando tem um filho, empenha durante muitos anos as suas horas de descanso. E se não sabe, descobre-o rapidamente.

 

Faz parte do kit.

 

Pessoalmente não me posso queixar muito (nem muito nem pouco, não me posso queixar nada), mas conheço muitos casos em que, principalmente os primeiros anos são caóticos.

 

Com o correr do tempo, as coisas tendem a normalizar um bocadinho, mas há quem fuja ao padrão. Num blog que leio, uma mãe queixava-se de que a sua criança, que já não é um bebé, sofre de crises de ansiedade quando chega a hora de dormir e durante o sono. Acorda imensas vezes, aflita, quer dormir de luz acesa, quer a companhia de alguém. A mãe está desesperada, claro. Pressenti que o desespero se prendia mais com o bem-estar da criança do que com as suas horas de descanso, sugeri a consulta um bom pedo-psicólogo que ajudasse a encontrar a raiz do problema, e que ajudasse (mãe e criança) a ultrapassá-lo.

 

Os dois outros comentários ao post em questão dão nomes de medicamentos para adormecer a criança.

 

Estou certa de que são comentários bem intencionados (tal como o meu é), e claro que cada um sabe de si, mas se uma criança tem problemas de ansiedade, a solução é dar-lhe medicamentos? Anestesiá-la? Não é isso o mesmo que dizer-lhe: olha, não temos de resolver o teu problema, nem de pedir ajuda a um médico, porque há aqui um remédio que trata disso? Tomas um xarope, e a coisa passa.

 

Não é a mensagem errada?

 

 

Não sou anti medicamentos, mas acho que devem ser usados com muita parcimónia, e sempre como recurso extremo. O puto tem febre? Deixa ver como é que evolui. Deixa ver como é que o corpo responde. Vamos deixar que o organismo aprenda a reagir. Controlando. Passa dos 38.5? Anti pirético. Se aos 37 começamos a dar remédios, o corpo não desaprende?

 

Tenho-me dado bem com este sistema e a verdade é que falo de barriga cheia, tenho um filho absolutamente saudável, na volta estou a cuspir para o ar, mas esta coisa de encher as criancinhas de medicamentos por dá cá aquela palha, tratando os sintomas e não as verdadeiras causas dos problemas, a mim, faz-me comichão.

 

Sim, já sei, se está com comichões, toma um anti-histamínico.

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13 comentários

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De andr3 a 04.01.2010 às 10:35

Isso faz-me lembrar a história que o Sir Ken Robinson conta numa das suas TED Talks...

http://www.youtube.com/watch?v=iG9CE55wbtY#t=15m08s

Tem mais a ver com escola, ADD, etc... mas acho que o ponto é o mesmo.
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De zé a 04.01.2010 às 11:09

é verdade. com a vontade cega de ensinar tudo ao corpo e à mente, acabamos por criar monos, dependentes de tudo...

só não percebi o que queres dizer com "o ponto é o mesmo". qual ponto?
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De jonasnuts a 04.01.2010 às 11:27

de vista?

Ainda não segui o link, mas presumo :)
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De Manuel Padilha a 04.01.2010 às 10:48

Um post recente do Slashdot que apoia a tua teoria:
http://science.slashdot.org/story/10/01/03/2018247/How-Norway-Fought-Staph-Infections
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De COMPLEMENTOS BODAS a 04.01.2010 às 11:42

O post esta mmuito bem mas o titulo...
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De Jorge Soares a 04.01.2010 às 12:03

O titulo também.. porque na prática é isso que cada vez mais acontece... drogan-se as criancinhas para que elas não chateiem, não chorem, durmam... etc,etc,etc...

Bom ano para todos
Jorge Soares
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De empresa informatica madrid a 04.01.2010 às 15:12

isso de medicamentos, antigamente andava-se na terra todo o dia e eram mais saudaveis
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De António Bento a 04.01.2010 às 19:12

Às vezes, quando a coisa é muito bem feita, os putos aprendem que, independentemente do medicamento, a capacidade para realizar objectivos ou ultrapassar obstáculos está dentro deles. Quando são novinhos, e não percebem a relação entre o medicamento e o resultado, os resultados podem ser espectaculares. O corpo e a mente também aprendem isso, aprendem que conseguem. O problema, que eu tenho agora e que espero que essa mãe nunca tenha, é desconfiar que o médico está a ser mercantilista à custa da saúde da criança. Se o pedo-psiquiatra for desses está tramada. Boa sorte à mãe e à criança.
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De Miguel Silva a 04.01.2010 às 23:34

Bem, tenho acompanhado este blog a relativamente pouco tempo, mas tenho vindo a ser cada vez mais positivamente surpreendido.
Sou estudante de mestrado em Psicologia Clínica, e folgo em saber que ainda existe alguém atento, capaz de gerar respostas sensatas a este tipos de situações. Assusta-me pensar a facilidade com que hoje em dia os medicamentos são prescritos sem se tentar resolver realmente o problema, em vez de o esconder atrás de químicos.
Fico ainda triste por sentir que a sociedade portuguesa ainda acredita muito pouco no nosso trabalho (Psicólogos, e aqui aproveito para fazer uma breve publicidade, ainda que merecida, a minha área. Se é que me é permitido.) Tenho conhecimento de casos (diários, porque tenho contacto directo com essas situações) em que os pedo-psiquiatras, especificamente falando, que nem se dão ao trabalho de fazer uma avaliação psicológica a criança, perceber o problema, é imediatamente inundado de medicamentos. (Apesar de existir excepções)
Com isto quero dizer que fico contente por ter referido psicólogo como alternativa (na nossa área o prefixo "pedo" não é utilizado) de busca de solução. E estou em crer, que com a ajuda certa, tanto a mãe como o filho poderão obter melhorar em muito a sua qualidade de vida.

Mais uma vez parabens por este e todos os outros posts!
Continue o bom trabalho!

Um excelente 2010 para todos!
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De Miguel Silva a 04.01.2010 às 23:36

Na ultima frase tem um "obter" a mais!
Desculpem...:P
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De LIMPIEZAS MADRID a 05.01.2010 às 09:10

Droguem-nos??!!!
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De Electrolux a 06.01.2010 às 06:49

O post esta mmuito bem mas o titulo...
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De jonasnuts a 06.01.2010 às 09:37

Droguem-nos a todos.

Era preferível droguem-os?

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