Não é a primeira vez que sou confrontada com esta coisa, mas choca-me sempre.
Num torneio de futebol infantil, entre escolas (e escolas normais, não são sequer escolas de football), a quantidade de pais que leva aquilo a sério é impressionante.
Num momento que, idealmente, é de descontracção e divertimento, os pais (e mães) que berram de fora do campo para que os putos joguem melhor é um elemento de stress, na minha opinião, dispensável.
Aquela coisa do "na desportiva" é impossível, quando temos ao nosso lado um pai que berra ordens ao filho "vai-te a ele", "vai defender", "remata agora"..... Ainda se fossem mensagens de incentivo "boa defesa", "grande golo" etc., é como o outro, mas os pais que vêem nos filhos um futuro Cristiano Ronaldo (assegurando-lhes a velhice num lar de melhor qualidade, provavelmente), tiram-me do sério.
Já me chocava quando se tratava de torneios entre escolas de football (com pais e mães a insultar violentamente o árbitro, vernáculo incluído), mas piora um bocadinho quando se trata de um encontro amigável, entre escolas, e estamos a falar de miúdos do 1º e 2º ciclos (dos 6 aos 12 anos).
Cambada de ignorantes, que projectam nos filhos aquilo que gostavam de ter sido, tenham os putos muito ou pouco jeito para a coisa.
Espero que tenham dinheiro para pagar as contas do psicólogo que vai ter de tratar da auto-estima dos putos.
Há pais muito broncos, para não dizer outra coisa. Mas os treinadores/professores também devem ter um papel pedagógico e não ignorar o que está à volta da equipa. Acaba por ser um elemento com que os jogadores vão ter que se confrontar dentro de campo. Mais difícil para o professor que está um trimestre a trabalhar no isolamento da escola e de repente apanha com um bando de broncos! :)
De
Jonasnuts a 19 de Dezembro de 2009 às 23:56
Coitados dos professores.....o que é que podem fazer? Há 2 tipos, os que apoiam este tipo de atitudes e os outros, que não apoiando, não podem fazer nada, porque podem perder um freguês.
Os professores das escolas normais, como disse, terão sempre mais dificuldade em comunicar com os pais, pois só os apanham nestas ocasiões. Mesmo assim é algo que podem fazer, juntando todos os pais presentes e falando com eles. Em grupo é mais fácil os broncos verem os seus erros.
Já os dos clubes e/ou escolas de futebol têm a obrigação de ter essa conversa, e de tentar controlar os pais, tanto nos jogos como, sobretudo, nos próprios treinos. E se for necessário ter uma ou outra posição de força, que a tenham. Acabam por colocar os pais no seu lugar e, ao mesmo tempo, fazer ver aos filhos que ali dentro só têm que ouvir o treinador. Se não têm perfil para estes "confrontos", se calhar o melhor é mudar de profissão.
De
Regueifa a 20 de Dezembro de 2009 às 14:06
Só para chatear um bocadinho, porquê umas vezes "football" e outras "futebol"? ;)
De
Jonasnuts a 20 de Dezembro de 2009 às 15:10
Porque umas vezes me sai um e umas vezes me sai outro :)
Andei muito tempo dentro de campos sei como é. A educação dada para dentro de campo nem sempre é a melhor e isso reflecte-se em tudo. Bom post acho que está 100% real.
Totalmente de acordo .
Mas o mais dramático talvez seja observar que muitos pais ainda não compreenderam que , nos nossos dias, é mais difícil ser-se grande futebolista que médico , carpinteiro metálico , etc. , por exemplo.
Mas o convívio entre escolas também pode ser feito com outras modalidades desportivas ( ou até com outras actividades ) que não o futebol. E aí talvez muito coisa mude.
É o que se tem tentado aqui por estas terras.
E Viva Oporto !
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