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Sábado, 19 de Dezembro de 2009
Tu e você

O meu post sobre os erros de ortografia da Olá tinha uma pequena observação sobre o tratamento na segunda pessoa que parece ter suscitado mais debate que a questão ortográfica.

 

Para que conste, trato por tu toda a gente com quem tenho alguma intimidade, e vice-versa. A minha mãe, o meu filhos, os meus avós, os meus colegas de trabalho. E essa é uma das primeiras perguntas que faço a quem chega ao meu círculo. Hoje em dia, faço a pergunta mais por causa dos outros do que por minha causa, a miudagem chega ao SAPO e vêem alguém mais velho (sou mais velha que a média, no SAPO), e tratam na terceira pessoa. E eu ponho logo a coisa em pratos limpos: "já nos tratávamos por tu, não?. Ao princípio custa-lhes um bocadinho, mas depois a coisa entranha-se.

 

Isto é, a título pessoal, prefiro o tratamento por tu.

 

Mas, se estou a falar em nome da empresa para que trabalho, o tratamento é sempre na terceira pessoa (sem usar o horrível você), independentemente da idade do meu interlocutor.

 

Não percebo esta mania de se tratarem as pessoas mais novas por tu, se os mais velhos tratamos com salamaleques.

 

Ah, porque é um serviço mais jovem, ou para crianças, e por isso tratamos por tu. Distingam as coisas pá. Tratar na terceira pessoa não significa serem formais. Não percebo um serviço que trata os utilizadores por tu, no site, mas depois responde aos mails com o tratamento na terceira pessoa e com aquelas expressões mais formais como "Estimado cliente" e "apresentamos os nossos melhores cumprimentos".

 

Há serviços que optam pelo tratamento por tu, e depois levam essa opção em conta em toda a comunicação, não concordo, mas ao menos são coerentes. Por exemplo, a Yorn, se ligamos para o call centre, perguntam-nos "estás boa?" ou "qual é o teu número?", tratam por tu, e os mails também. Menos mal.

 

Pessoalmente, acho que a comunicação com utilizadores/clientes tem sempre de ser feito na terceira pessoa, sem usar a palavra "você" e os textos têm de ser assexuados. Prefiro o erro "Bem-vindo", do que o "Bem-vindo(a)". É difícil escrever textos sem identificar o sexo do leitor mas, com prática e alguma imaginação, consegue-se :)



publicado por jonasnuts às 13:48
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4 comentários:
De Ana Neves a 19 de Dezembro de 2009 às 20:29
Concordo em 100%.

Tive um professor universitário que dizia mesmo que era uma falta de educação tratar os alunos, mesmo os da primária, por "tu". Dizia ele que era paternalista e abuso de confiança.

Na verdade, e agora digo eu, se aceitarmos que o tratamento por "tu" acontece entre pessoas com quem temos intimidade, e como não faz sentido falar de intimidade unilateral, que sentido faz então apenas um dos lados usar o tratamento por "tu"?

Aliás, esta história do "tu" e do "você" é mais uma das mariquices da cultura / sociedade portuguesa que me chateia profundamente. Em inglês, por exemplo, este tipo de problemas não se coloca.

Mas isto do "tu" e do "você" é uma situação algo parecida com a utilização de títulos académicos. Algo que me irrita ainda mais :-)


De jonasnuts a 19 de Dezembro de 2009 às 20:57
Entre alunos e professores cria-se, desejavelmente, intimidade, daí que não me chocasse se os professores do meu filho o tratassem por tu, e vice versa. Mas não, na escola em causa, os professores tratam a miudagem na terceira pessoa (e sim, às vezes usam o você, embora seja raro) e os alunos tratam como estiverem habituados. Se for por tu é por tu, se for na terceira pessoa é na terceira pessoa.
Por acaso, todas estas nuances já me chatearam mais, agora considero-as uma idiossincrasia da língua portuguesa e dos portugueses que não faz mal a ninguém :)
(ao contrário da arrogância de certos doutores que exigem ser tratados pelo título, um dia escrevo aqui uma história porreira acerca disso, que se passou entre mim e um desses doutores :)


De João Lúcio a 19 de Dezembro de 2009 às 23:49
A incoerência é o que mais me chateia. São os falsos modernismos, que caem logo por terra quando há alguma interacção a sério com a empresa. Já o tratar clientes de uma faixa etária jovem (até 16/18 anos) por tu, se for uma comunicação coerente, não me choca. Acontece o mesmo connosco quando nos deparamos com alguém jovem, e que não conhecemos. Pelo menos a minha tendência é o tratamento por tu.


De jonasnuts a 19 de Dezembro de 2009 às 23:54
A minha tendência é o tratamento por tu, independentemente da idade do interlocutor. Se eu achar que há espaço, faço a proposta, ou sai naturalmente.

Claro que há situações em que a coisa não pode, mesmo, acontecer, mas nesse caso trato na 3`pessoa sem usar o você, tipo o presidente da república...... quando o conheci (o Jorge Sampaio), tratei-o obviamente com a deferência que me merece (apesar de sportinguista), e conversámos longamente (opções clubísticas incluídas), sem que eu me tenha sentido constrangida, apesar do formalismo. Às vezes é mais o tom e a forma de fazer as coisas, do que propriamente as palavras que usamos.


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