Ora aí está um livro que toda a gente devia ler. O Diário de Anne Frank. Devia fazer parte do plano nacional de leitura. Devia ser obrigatório. Fosse em Língua Portuguesa fosse em História. Os miúdos deviam passar pela história. Para que ninguém se possa esquecer. A memória é importante, e os livros são uma parte importante da memória.
A 22 de Julho de 1941 as pessoas que viviam na casa ao lado da de Anne Frank casavam-se, e, coisa rara para a altura, filmaram a saída de casa. Anne Frank estava à janela, para ver a coisa, e foi filmada. É o único registo deste tipo que existe, de Anne Frank. Não seria nada de especial, não fosse o resto da História.
A única vez que tentei ler a Anne Frank, era miúdo. Trata-se dum diário e a Anne que começa a escrever no dia dos anos dela. Por coincidência é também o dia do meu aniversário. Isso impresionou-me, por saber que ela teve um fim trágico e não consegui ler mais que as primeiras páginas.
Quero só acrescentar que vendo o video, fica-se com pena. Dá vontade de recuar no tempo e tentar evitar todo o mal que aconteceu (como se isso fosse possível).
Coincidência ou não tenho andado nos últimos dias à procura desse livro cá em casa. Já o li quando era puto mas saiba-se lá porquê no outro dia deu-me vontade de o ler novamente. Infelizmente não o encontro, deve ter sido mais algum que emprestei e não foi devolvido e passou no esquecimento.
Concordo totalmente. Deveria ser uma obrigação. No meu tempo dos primeiros anos de liceu era-o.
E visitas escolares ( quando possível ) aos campos da morte também. O cheiro e o peso ambiente que neles reinam dizem tudo sobre o que foi primeiro genocídio da história da humanidade.
Sim entendo o queres dizer . Num país que tem três periódicos nacionais desportivos... Nossa !
E Viva o Porto não diz forçosamente respeito ao futebol. É um grito muito antigo.
Talvez um dia conte isso.
Já viva o Glorioso tem uma história mais recente e ligada ao futebol e ao salazarismo.
Gostei muito do teu texto sobre Anne Franck. Fazem falta textos assim. Quem noticiou que "O diário de Anne Franck" acaba de integrar o património mundial das obras imprescíndíveis (creio que são trinta ) listadas pela Unesco ?
E Viva o Porto ( grito dos Republicanos nas barricadas da Rua da Constituição onde nasci) !
Sim : Parece-me importante fazer a distinção entre massacre e genocídio. Não adiro , nem justifico nem um nem outro. Mas parece me importante , para uma melhor conceptualização, para uma melhor apreensão da história da humanidade , fazer a distinção.
Pela primeira vez na história da humanidade o corpo humano é utilizado em grande escala ou industrialmente como matéria prima. Isto é muito importante e sobretudo esquecido ( por ignorância ou deliberadamente ).
Tive infelizmente, na minha família quem viu vários objectos domésticos feitos com pele humana ( pentes, abats jours, etc ).
Infelizmente, muitas dessas testemunhas ( muitos franceses e não só que foram presos na linha maginot, etc.. e que foram trabalhar como escravos para a indústria nazi ) estão a desaparecer. E com tal também a memória da oralidade. Num mundo onde a transmissão se reduz cada vez mais a imagens sem eixo nem nexo, num mundo onde se le cada vez menos queda saber se a memória escrita será suficiente para o esclarecimento das gerações presentes e futuras ?
Deixo a compreensação da sensação ( se é que uma sensação pode ser entendida ) a quem já visitou os campos da morte.
Para as "minhas" crianças é leitura obrigatória! Já o ofereci por diversas vezes.
Continua a ser um dos livros da minha vida, guardado religiosamente, juntamente com "O meu pé de Laranja Lima" foram ambos herança e podem estar velhos e com paginas soltas, mas viveram histórias para além da sua.