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Isto de ser mãe tem os seus quês. Disse ao puto que se ia acabar a mama do ano passado (em que não praticou nenhum desporto), e que este ano ia ter uma actividade física qualquer.

 

Andámos à procura da actividade certa. Futebol (já fez) não gosta, ténis (já fez) cansa muito, natação (fez desde os 2 anos) não precisa e tem a desvantagem de molhar, hóquei não deu, por ser demasiado velho.

 

Eu preferia um desporto de equipa, que isto de ser filho único é tudo muito bonito, mas depois ficam-lhe a faltar competências mais sociais (é um bicho do mato, como a mãezinha, o sacana), mas, já sei por experiência que se a escolha for só minha, corre mal. Tinha de ser uma coisa escolhida por ele. Assim como assim já sabe que, o que escolher, faz até ao fim, não há cá desistências a meio.

 

Julgava eu que, desporto de equipa ou desporto individual, pelo menos, ninguém lhe tirava a actividade física, até que ele deixa cair a bomba. Tiro com arco. Tiro com arco? Mas isso nem te mexes. Não me interessa, é um desporto, olímpico e tudo. Diz que é bom para a concentração, e se há puto com espaço para evoluir nesse capítulo, é o meu. Veremos no final da temporada.

 

Pronto...lá está, no tiro com arco, às segundas quartas e sextas (o que me dá cabo dos meus finais de dia). Vou buscá-lo, vou pô-lo, espero uma hora cá fora (só entrei da primeira vez para falar com o professor), e depois vamos para casa, onde chegamos quase à hora de (fazer o) jantar.

 

Naquela hora, em que a minha mente divaga por acidentes com arcos e flechas (e mais para mais o puto tem um nome com tradição no tiro com arco), não tenho muito que fazer. Uns sudokus no iPod, livros, revistas. Mas sentia-me um bocado inútil (e ver as mães, sempre as mães, quase sempre só as mães a levar as criancinhas, não ajuda). Pensei em capitalizar aquelas 3 horas semanais.

 

É desta que relembro o crochet que a minha avó me ensinou, e faço os presentes de Natal duma catrefada de gente. Até já sei qual é o projecto, que vi aqui e cujo resultado final me pareceu excelente. (De referir que a minha avó era uma artista, caraças. Lá está, capitalizava as longas horas de espera típicas do seu trabalho, e fazia verdadeiras obras de arte, uma delas, feita de encomenda para o meu "enxoval" às vezes aterra na minha cama).

 

Primeiro dia de tiro com arco, e toca de ir ali perto comprar as lãs e a agulha. A senhora da loja deve ter pensado que lhe tinha saído a sorte grande, olhe, dê-me um novelo de cada cor, se faz favor.

 

Pensei eu, burrinha, que se tinha aprendido a tricotar com o Knitting for dummies (e a coisa correu bem), com o crochet ia ser mais fácil, não só porque a minha avó me ensinou o básico, mas também porque já tinha o Crocheting for Dummies. Mas parece que sou mais dummie do que o que julgava, porque a última fila daquela coisa não fica com os double crochets que é suposto. Já tentei todas as combinações, e fica ou com espaços a mais ou com espaços a menos.

 

Já fiz mais de quase 20 hexágonos, mas não tenho nenhum, porque empanco sempre no mesmo sítio, e desmancho tudo.

 

Já me arrependi amargamente de ter escolhido aquele cor de rosa para experimentar, que já deito cor de rosa pelos olhos.

 

Mas, acima de tudo, gosto do ar ligeiramente enojado que as mãezinhas frequentadoras daquele ginásio selecto fazem, quando me vêem de agulha de crochet na mão. Acho que vou começar a levar um lenço na cabeça, e começar a ler as instruções alto, e a falar achim, para jugarem que sou a criada de casa do menino (é difícil, porque não dá para dizer crochet sem ser achim, e porque as instruções são em inglês). É engraçado, que já me acontecia com o tricot, mas com o crochet o ar de asco é maior.

 

Tenho de me fazer convidada para um encontro qualquer de crocheteiras, para ver se alguém me tira a dúvida (que deve ser uma coisa básica, obviamente), para ver se ponho aquelas 3 horas a render.

 

Enquanto isso não acontece, e uma vez que já esgotei todas as possibilidades e combinações de pontos que me ocorreram, em vez do crochet levo o 2666. Por mais page turner que aquilo seja, tenho ali para, pelo menos, 2 semaninhas.

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9 comentários

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De João Lúcio a 29.09.2009 às 17:20

Tivesse lido isto há mais tempo e tinha sugerido Horseball! :)
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De inesn a 29.09.2009 às 22:42

aqui está uma explicação bem pormenorizada:

http://attic24.typepad.com/weblog/hexagon-howto.html

(se eu pegasse agora nas agulhas tb já não os saberia fazer outra vez...)
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De jonasnuts a 29.09.2009 às 22:43

Obrigada :)
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De Batixa a 30.09.2009 às 20:04

E já consegui!!! Vê as instruções que eu te enviei por email
Se quiseres fazemos um mini encontro de crochet ;)
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De jonasnuts a 30.09.2009 às 20:10

E conseguiste com aquelas instruções? É que eu ainda andava a fazer e a desmanchar hexágonos, até a inês me deixar aquele link ali em cima que é FABULOSO! :)

Mas podemos fazer o encontro na mesma para pôr a escrita em dia.
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De Batixa a 30.09.2009 às 20:11

consegui com as instruções da Inês, não recebeste o meu email na 6ª ?
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De jonasnuts a 30.09.2009 às 20:13

Não. Fui pescá-lo agora, ao spam (cabrão do spam sieve).
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De Biscoita a 04.10.2009 às 17:14

Escotismo!

Tem desporto, entre outras variadíssimas componentes, desenvolve o trabalho individual e em grupo e não, não tem necessariamente religião envolvida. E o rapaz até pode continuar com o tiro com arco.

Espreita:
www.escoteiros.net


(sim, assim mesmo, escoteiros com "O")
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De CGM a 11.01.2010 às 17:08

Curioso, vivo em Londres e tambem ao decidir rentabilizar as horas de playground com o meu filho levei o crochet (um gorro) e arranjei logo uma "amiga" a quem tive a ensinar a fazer gorros iguais aos meus. Culturas ou sorte?

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