Não Sofia, não és a única que se emociona, e sai de dentro da assembleia de voto com uma dose extra de felicidade, daquela que faz comichão na garganta, e que é inexplicável.
Sim, Sofia, também eu não percebo quem se abstém, quem olha pela janela e diz, epá, isto está mesmo bom é para ir para a praia (ou para o campo, ou para o centro comercial, não interessa) e não vale a pena maçar-me com votos, que mais um menos um não faz a diferença.
Mas, numa coisa discordamos. Os brancos.
Os brancos não estão ao nível de quem não vai lá. Pelo contrário, estão no seu completo oposto.
O branco é aquele que não prescinde do direito de votar, é aquele que vai lá, exercer o seu direito. Vai, e vota em branco, é um recado, senhores políticos, não acredito que nenhum de vós tenha os requisitos mínimos para governar o meu país. Não há o mal menor. O mal menor é para decisões mais comezinhas, menos importantes. Para o meu pais, quero o melhor, o menos mau não serve.
Nunca falhei umas eleições. Voto, porque a minha bisavó queria votar e não podia, porque era mulher. Voto, porque a minha mãe e a minha avó queriam votar, e não podiam porque vivíamos em ditadura. Vou, e voto, sempre. Mas não voto no mal menor. Ou bem que há um gajo em que eu acredito, e eu voto com convicção, ou, se é para votar no mal menor, no "rouba mas faz", não lhes concedo o privilégio do meu endosso. E é essa a mensagem do meu voto em branco.
Votar no mal menor, é nivelar por baixo. E se estou preparada para fazer isso no que diz respeito a muita coisa (que remédio), não estou preparada para fazer isso no que ao Governo do meu país concerne.
De
Patricia a 28 de Setembro de 2009 às 12:42
Eu não diria melhor. Eu também tenho ido lá dobrar o boletim, precisamente pelas razões que apresentas.
Nas eleições legislativas sou um abstencionista convicto. Concordo na generalidade com todo o texto. Efectivamente, votar em branco é muito diferente de abster-se. Quem vota em branco quer participar e acredita no sistema, mas não opta pela ideia do mal menor.
Mas ao contrário do que muitos pensam, grande parte dos abstencionistas tem consciência. Enquanto pensarem o contrário, e dá jeito à nossa classe política pensar assim, a abstenção vai continuar elevada e, pontualmente, aumentar.
Também não estou disposto a votar no mal menor (como aliás eu veria a minha ida às urnas). Não acredito neste modelo nem nestes políticos. Abstenho-me e acredito também no meu direito à indiferença.
Também me recordo dos meus pais e da minha avó com medo de não irem votar. Porque depois seriam penalizados quando se soubesse. Até hoje ainda me dizem: vai votar que depois tens problemas. Claro que não tenho nem nunca tive.
Quem lutou pelo nosso direito de votar (e que sem dúvida me merece todo o respeito e admiração) também lutou pelo nosso direito de não votar e de não participar num modelo do qual nos sentimos excluídos.
E não... eu não fui à praia. Aliás, como sempre faço, levei os meus pais de carro até à escola onde iam exercer o direito de voto.
JP
De
inesn a 28 de Setembro de 2009 às 14:57
concordo a 100%. sou apologista do voto em branco (muito mais do que do tão falado "voto útil", esse sim uma aberração...)
De
pedrocs a 28 de Setembro de 2009 às 15:54
E na assembleia de voto, há um bacano de canetinha que preenche o teu voto mesmo antes de o contar :-)
Eu defendo o voto de protesto. Devia haver uma linha no boletim para "eu protesto". E depois era ver a contagem...
De
Jonasnuts a 28 de Setembro de 2009 às 20:12
Tu nunca estiveste numa assembleia de voto, pois não? :)
Pergunta a alguém que lá tenha estado se isso é uma possibilidade real.
De
pedrocs a 29 de Setembro de 2009 às 14:05
Bah e eu estava lá a falar a sério.
Mas sobre o voto de protesto estava mesmo!
De Anónimo a 29 de Setembro de 2009 às 10:49
Se isso acontecer nada impede o mesmo bacano de colocar uma cruz extra nos votos de que nao goste. Ficam logo invalidos.
Nao percebo porque nunca falam nisto quando utilizam este argumento.
De
Jonasnuts a 29 de Setembro de 2009 às 10:54
Olha. Não me tinha lembrado dessa. Bem pensado :)
Votei em branco e correu bem. Mas podia ter corrido mal, podia ter ganho a senhora Manuela e eu ia sentir-me culpado.
Concordo com o post . Já votei em branco e apenas me abstive uma vez, por estar ausente da minha freguesia por motivos profissionais. Lamento é que em pleno século xxi tratemos da nossa vidinha toda pela internet e telemóvel e votar ainda tem que ser como no século XIX.... Senão - abstenção!
Não consigo votar em branco. Percebo perfeitissimamente a posição de quem vota em branco mas... acham mesmo que os senhores políticos se ralam ou ligam que votem em branco? Querem lá eles saber se as pessoas lhes estão a passar a mensagem de que os acham sumas incompetências. Mais voto em branco ou menos voto em branco é-lhes indiferente. E é só por isso que, no meio de tantas azelhas, eu lá vou pondo umas cruzes aqui outras ali.
De
lili a 28 de Setembro de 2009 às 20:59
Gostei imenso do seu texto , muito bom, bolas, V. comoveu-me :)
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