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Jonasnuts

Palavra chave: funcional (post a post, preservar a causa)

O maradona apaga os arquivos do Blog. Nada a fazer, faz parte. Já muitos disseram que é uma pena, e que se perdem pérolas blogosféricas, mas o maradona faz um Blog como quem faz rádio, a coisa perde-se no éter. Mas até as rádios têm arquivos, e daqui a uns anos, quando algum maluquinho for chafurdar nos arquivos da Blogosfera, vai encontrar uma enorme lacuna, fica-lhe a faltar a escrita do maradona. Encontrará muitas referências e links quebrados, mas o sumo, não existirá.

 

Por isso, e também porque volta não volta o maradona diz exactamente aquilo que eu penso acerca de alguns assuntos (Glorioso e gajas à parte), lanço um réptil à Blogosfera (sim, eu sei que é repto, mas réptil é mais giro, e o maradona até gosta da bicharada e tudo).

 

Sempre que ele publicar um post, alguém o transcreve no seu Blog. Pronto, fica feito o arquivo.

 

Eu chego-me à frente, e transcrevo já o primeiro, o tal que diz EXACTAMENTE o que eu penso sobre ciclovias, caralho (ou não se tratasse do maradona).

 

"Como deveriam saber, sou espectacular a andar de bicicleta; nomeadamente, a última vez que caí foi há tanto tempo que desconfio que o Pedro Passos Coelho ainda não tinha feito os 15 anos de carreira política para beneficio exclusivamente próprio. Poderia acrescentar muitos outros nomeadamentes que me identificariam facilmente como um ciclista de elite, mas fico-me pelo que me parece mais relevante: ao contrário dos ciclistas normais, antes de uma grande (para a minha medida) odisseia eu não treino para ficar em forma das pernas ou da "caixa", mas, exclusivamente, do cu. 

 

Depois de um ano sem andar de bicicleta ou levar na peida, é natural que o conflito entre os dois sacos-cama de casal que compõem o meu rabo e o madeiro que constitui o meu selim me provoque dores de nádega com que o Miguel Vale de Almeida nunca sonhou. Foi pois para responder a esta circunstância particular, e não para me "treinar" no sentido clássico do termo, que me forcei, nestes últimos dias, a levar a cabo uns quilometrezinhos, e foi também ao calcar terrenos pela Área Metropolitana da capital que ganhei energia para a seguinte reflexão. 

 

Sou, caso não saibam, a única pessoa de Portugal que percebe de ciclovias; ou então, se não sou, é porque estão todos vitimizados por um caso extremo de timidez, dado não se notar uma aspirina de influência no que se tem andado aí a fazer. Vamos começar, e provavelmente acabar, pelo que os engenheiros e arquitectos de ciclovias deste país mais dificuldades têm a apreender, de modo a eu poder acabar esta composição antes de o Pedro Passos Coelho terminar de nos tentar enlouquecer a todos: a bicicleta é um veículo que possui rodas e, como tal, deve partilhar as vias dos demais veículos que têm rodas.

 

Invariavelmente, por esta Área Metropolitana fora, constroem-se ciclovias nas plataformas dos passeios destinados aos pedestres. Esta puta de mania não cabe na cabeça de ninguém. Por razões sem fim, todas corolário umas das outras, perfazendo um novelo de evidências interdependentes que, incompreensivelmente, ainda não estão codificadas por uma sequência de bases localizadas no cromossoma Y (as mulheres não percebem um caralho destas merdas, para elas as bicicletas deviam ser comercializadas nas famácias, e partilhar as estantes dos cremes anti-varizes), com consequências trágicas para os meus nervos.

 

Armemo-nos em psicólogos: é da natureza da nossa vivência no espaço público que a pessoa que se desloca a pé ande nos passeios descontraído, sem necessidade - que nunca lhe foi pedida - de se preocupar com a aproximação de algo construído à base de cromo-molibdenio e a deslocar-se à velocidade do Usain Bolt; e é da natureza da vivência do ciclista estar preocupado com os carros que, para além de notoriamente mais rijos, andam bastante mais depressa que ele.

 

Dado estes dois factos, que se passa na cabeça dos projectistas de ciclovias quando juntam o ciclista na mesma estrutura física do caminhante? Estão à espera de quê, de uma reengenharia psico-social súbita e espontânea em que os transeuntes se adaptem à perigosidade dos tapetes vermelhos ali mesmo ao lado, os quais, por sintomático acaso, comparado com a calçada portuguesa e outras concepções da treta que lhes é destinada, até fazem uma superficie bem mais agradável para se andar.

 

 

 

A bicicleta é um instrumento de locomoção que, derivado à física que lhe está subjacente ("uma sucessão de acasos improváveis", é por isto que conseguimos andar de bicileta), exige do seu operador atenção continua para que se mantenha equilibrado, e, consequentemente, também regras claras e universais de quem com ele partilha a mesma superficie, ou seja, um mínimo e previsibilidade. Ora, o único local onde existem regras "claras e universais" respeitadas por todos é na estrada, junto aos camiões, carros e motarizadas, não nos passeios, onde a irracionalidade das pessoas de Esquerda, crianças, cães, adultos com tendências filosóficas, o Ricardo e sabe-se lá que mais, inevitavelmente transformam o espaço ao alcance das suas passadas numa réplica do sistema táctico do Ivic. 

 

Qualquer ciclista com minutos de experiência compreende isto, e prefere mil vezes ser ultrapassado por atrelados descontrolados e roulotes a fazer drag racing que arriscar fazer um arranhão menor numa criança cabo-verdiana que viva no bairro de lata ali mesmo ao lado. Apesar do estado de conservação inane e criminoso em que se encontram as faixas BUS de Lisboa, a verdade é que, mesmo assim, a solução de engenharia que preside a esses espaços torna-os muito mais adequados à utilização da bicicleta que as pinturas a vermelho vivo interrompidas a cada cem metros por um automovel mal (e, por vezes, bem) estacionado ou uma caixa da TV Cabo.

 

A pessoa normal que viva em Lisboa sabe, também, da impossibilidade edipo-jocasteana de manter um mínimo de continuidade numa ciclovia que partilhe o passeio público lisboeta, e se há coisa que o ciclista gosta é de continuidade. Se querem fazer percursos que sejam cicláveis, desçam o lancil, por deus! É mais fácil, mais barato e tornam felizes muito mais pessoas, para além do inestimável pesente de natal que é não ter que me ouvir.

 

Outra situação que se dispensa, e que revela o amadorismo fútil e demagogo que acompanha sempre quem faz as coisas porque parece "bem", está na moda, é "jovem", por causa do "ambiente" ou porque se "faz lá fora" (quando tudo o que devemos fazer é o que é útil, e nem mais um passo à frente disto), são as pinturinhas. 

 

A ridiculamente complexa ciclovia  Belém-Cais do Sodré, um labirinto ariadnico projectado por uma ex-funcionária da Fábrica Nacional de Tapetes de Arraiolos a padecer de uma doença neurológica grave, não deveria ter custado mais a planear e executar que a mudança de uma lâmpada na 24 de Julho, mas, para além da sua "construção" durar ao tempo que leva a fazer um doutoramento antes de Bolonha e de padecer do evitável problema que mencionei atrás, o que mais aqui destaco é a profusão de decorações e fábrics disponiveis ao ciclista.

 

Em vez de uma fina folha continua de alcatrão vermelho, o que temos é uma alternância entre empedrado de calcário (com diferentes percentagens de matéria orgânica), pedaços de paralelo de basalto, alcatrão e aquelas superficies rodoviárias tão comuns em Portugal, compostas por uma sobreposição de remendos cagados pelas equipas de manutenão rodoviária da Câmara Municipal de Lisboa ao longo de mais eras geológicas que as conhecidas pela ciência.

 

Temos a sinalética da quilometragem, porque, como sabemos, os mini-computadores de bicicleta são uma coisa raríssima e alguns chegam a custar mais de 5 euros, quando não seis e sete..

 

 

 

 

 

...temos as setinhas, uma a indicar um sentido, outra a indicar outro, para que ninguém se esqueça que pode voltar para trás se assim o entender...

 

 

 

... e áreas com muitas setinhas possuidas de um padrão esquisito, que no meu entender não é mais que uma mensagem secreta codificada a informar uma célula adormecida da Al Qaeda a residir em Portugal do próximo alvo na sua guerra contra a civilização ocidental:

 

 

 

Temos também a indicação de que as pessoas podem, de facto, andar de bicicleta...

 

 

 

... e a pé...

 

 

 

... em ilustraçõas claramente executadas por um amigo do Miguel Vale de Almeida, como se pode concluir com a semelhança das mesmas com o Gigante de Ceme Abbas:

 

 

 

 

Para além disto, a ciclovia serve de superficie para arte moderna...

 

 

 

... e de incentivo à leitura...

 

 

 

.... ou seja, a ciclovia transformada no divertimento pessoal de uma cabecinha lá num gabinete armada em pedagoga (aposto o colhão direito como esta merda foi toda pensada por uma gaja).

 

Deixo-vos com uma imagem conseguida em dois segundos com a busca "bike lane netherlands", onde se vê uma ciclovia no sitio onde uma ciclovia deve estar, sem merdas, quase que diria minimalista, mas eficiente e, caralhos ma'fodam, funcional:

 

 

 

 

 

Alguma vez chegaremos aqui?"

 

 

Pronto. Comentários ao post sobre a ciclovia, no sítio certo, mas como este link ficará brevemente quebrado, fiquem com o endereço principal.

 

P.S.: O corrector ortográfico é um coninhas e não quer colaborar. Então não é que me diz que "caralho" é um erro? E logo num post do maradona.

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