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Da próxima vez que for dar sangue....

por jonasnuts, em 20.07.09

Sou dadora de sangue. Tenho daquele tipo de sangue esquisitóide, que é raro e muito apreciado, e desde que soube disto, passei a ser dadora. Dou sempre que posso. Para amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos ou só para reforçar os bancos. Faz parte. Também estou inscrita como dadora de medula e, quando eu for desta para melhor, espero que aproveitem o que houver para aproveitar, e despachem o que já não der serventia a ninguém.

 

À conta da recente polémica levantada pelos novos critérios do IPS, ocorreu-me uma sugestão.

 

Todos os dadores, no momento do preenchimento do formulário antes da doação, deveriam escrever que são homens, e homossexuais. Isto resulta melhor se se for, de facto, um homem, mas acho que mesmo assim eles perceberiam a dica.

 

Bora? Toca toda a gente a sair do armário, no momento de dar sangue?

 

Quando lhes começar a faltar sangue, a ver se não mudam logo os critérios.

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17 comentários

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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 00:27

Lies , damn lies and statistics.

É extremamente complicado fazer um estudo fidedigno e representativo da população infectada por HIV. Posso-lhe dizer desde já que os números que apresenta pecam em imensos aspectos a começar pelo facto que não distinguem comportamentos de risco, não especificam o universo explorado e tem 4 anos em cima.

Por exemplo, um dos grupos mais complicados de obter informações são homens casados que, às escondidas, têm sexo desprotegido com outros homens em parques. Esses são criticos e muitos nem sabem que estao infectados, assim como as suas mulheres.

Outra coisa, quando o sexo é protegido a diferença dos riscos de infecção de homem para homem em comparação com de homens para mulheres é negligenciável. Posso-lhe arranjar números.

Quanto a números portugueses, verdadeiramente fidedignos, não arranja. Ainda há dois anos tive uma longa conversa com pessoal da Abraço por causa disso.

Mas o verdadeiro cerne da questão aqui é este: ainda há institutos de sangue que impedem mulheres de dar sangue por serem homossexuais. Isto apesar de, na qualificação de grupos de risco (que o próprio IPS declarou não fazer sentido hoje em dia, mas sim comportamentos de risco) serem considerados o grupo de menor risco. Parenteses : isso aliás, porque julgam que nada lhes toca, torna o instrui-las em sexo seguro mais complicado).

Há aqui uma questão de distinção entre grupos de risco e comportamentos de risco.
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De Jaquim a 22.07.2009 às 07:22

«Quanto a números portugueses, verdadeiramente fidedignos, não arranja. Ainda há dois anos tive uma longa conversa com pessoal da Abraço por causa disso.»

Eu não encontro. Só propaganda para todos os gostos.

«Mas o verdadeiro cerne da questão aqui é este: ainda há institutos de sangue que impedem mulheres de dar sangue por serem homossexuais.»

A ideia que tinha que ainda têm menos probabilidade de infecção do que mulheres heterossexuais. Por uma questão de honestidade o estudo análogo ao outro que citei:

http://www.cdc.gov/hiv/topics/women/resources/factsheets/wsw.htm

"To date, there are no confirmed cases of female-to-female sexual transmission of HIV in the United States database"
O que é muito esclarecedor.

«Há aqui uma questão de distinção entre grupos de risco e comportamentos de risco.»

Estou completamente de acordo.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 13:29

Como lhe disse, não arranja porque é extremamente complicado quando o apoio a HIV e testes é tudo feito por voluntarismo e Portugal é um pais onde "nao se crê nas bruxas mas que eles existem, existem"

Novamente, os dados que indica não estão correctos. Existem casos, rarissimos mas existem, de mulheres que *nunca* tendo tido contacto com um homem apanharam de uma mulher. Provém essencialmente de troca de objectos sexuais de penetração sem preservativo ou desinfeccão. É o problema da educação em sexo seguro entre lésbicas, que sim, existem campanhas de voluntariados em Portugal a fazer.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 13:45

Não leve a mal, mas dá-me urticária quando usam "estudos" e "números" para justificar algo e esses estudos e números não são cientificamente e estatisticamente correctos. Já me passaram muitos pelas mãos. Daí a velha frase lies , damn lies and statistics ". Os números muitas vezes mentem sim.

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De Jaquim a 24.07.2009 às 23:45

Não levo a mal.

Se como escreveu "mulheres que *nunca* tendo tido contacto com um homem apanharam de uma mulher. " e estes casos correram nos EUA antes de Março de 2005 sugiro-lhe comunicar isso aos CDC porque os dados e estudos que fazem determinam políticas de saúde pública e parece-me uma omissão ou erro demasiado importante.

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