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Da próxima vez que for dar sangue....

por jonasnuts, em 20.07.09

Sou dadora de sangue. Tenho daquele tipo de sangue esquisitóide, que é raro e muito apreciado, e desde que soube disto, passei a ser dadora. Dou sempre que posso. Para amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos ou só para reforçar os bancos. Faz parte. Também estou inscrita como dadora de medula e, quando eu for desta para melhor, espero que aproveitem o que houver para aproveitar, e despachem o que já não der serventia a ninguém.

 

À conta da recente polémica levantada pelos novos critérios do IPS, ocorreu-me uma sugestão.

 

Todos os dadores, no momento do preenchimento do formulário antes da doação, deveriam escrever que são homens, e homossexuais. Isto resulta melhor se se for, de facto, um homem, mas acho que mesmo assim eles perceberiam a dica.

 

Bora? Toca toda a gente a sair do armário, no momento de dar sangue?

 

Quando lhes começar a faltar sangue, a ver se não mudam logo os critérios.

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17 comentários

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De Jaquim a 20.07.2009 às 20:40

Pode-se gostar ou nao gostar mas o facto e que a probabilidade de ser VIH positivo e muito superior em homens que tem relacoes sexuais com homens do que os que nao o fazem.

Os factos nao mudam so porque nao gostamos deles.

http://www.cdc.gov/hiv/topics/msm/resources/factsheets/msm.htm

"MSM accounted for 71% of all HIV infections among male adults and adolescents in 2005"

Posso tentar arranjar dados para Portugal mas infelizmente ainda e mais complicado do que para os states.

Junte-se a isto o problema do periodo que vai das 3 semanas aos 6 mese em que a infeccao dificilmente pode ser detectada e aquilo que emocionalmente parece inaceitavel quando analisado friamente passa a ser completamente racional.

"Tenho daquele tipo de sangue esquisitóide, que é raro e muito apreciado, e desde que soube disto, passei a ser dadora."

Se for 0- entao as suas dadivas sao realmente preciosas. Em caso de necessidade tambem esta lixada porque so pode receber "igual".
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De jonasnuts a 21.07.2009 às 23:43

Trata-se de um estudo sobre um universo americano que é, estatisticamente falando (e não só), muito diferente do universo português.

Seria mais honesto ir buscar os dados estatísticos de Espanha, e as práticas do país aqui do lado, mas isso não convém ao argumento, não é? :)
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De Jaquim a 22.07.2009 às 07:15

Arranje-me os números para Portugal (ou Espanha) e depois falamos de honestidade. O interessante é que para os states arranjo números, para Portugal só propaganda para os mais diversos "pontos de vista". Resultados quantitativos de entidades oficiais ligadas ao sistema de saúde, zero. Mas pode ser falta de jeito minha para os encontrar. Para os sttaes foi uma questão de 2 minutos.

O mais parecido que encontrei foi:

http://www.roche.pt/sida/estatisticas/portugal.cfm

36,3% transmissão heterossexual
11,7% transmissão homossexual masculina

que nem vem discriminada por género.

Embora parece à primeira vista contradizer as conclusões com os dados dos states, não assim tão simples.

Se metade das transmissões heterossexuais forem de homens então temos 18,15% de transmissão heterossexual masculina vs 11,7% homossexual.

Se levarmos em linha de conta que homens que os homossexuais masculinos são uma minoria (todos os estudos que li, de novo não em Portugal, dão valores nunca superiores a 20%) temos que quando normalizamos à população, a taxa de infecção para homossexuais masculinos é da ordem do quadruplo. Mas isto assim é muito pouco fiável porque falta a segmentação por género e homossexuais é diferente de homens que tiveram relações sexuais com homens.

Eu não tenho argumento a priori. Analisei os dados de que disponho e cheguei a uma conclusão e disse logo que não eram para Portugal mas duvido imenso que a diferença faça com que a conclusão seja assim tão diferente. Mas posso estar errado.

De novo, se arranjar os dados para Portugal coloque-os aqui por favor.

O que eu acho "interessante" é que só encontro propaganda de todos os lados sobre esta questão.
O IPS tem quanto a mim o dever moral de justificar muito bem e de forma objectiva uma decisão desta natureza e eu só vejo é opiniões e dados quantitativos nada. Isto é que eu acho indecente. Espero sinceramente que seja falta de jeito minha a encontrar essa informação.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 00:27

Lies , damn lies and statistics.

É extremamente complicado fazer um estudo fidedigno e representativo da população infectada por HIV. Posso-lhe dizer desde já que os números que apresenta pecam em imensos aspectos a começar pelo facto que não distinguem comportamentos de risco, não especificam o universo explorado e tem 4 anos em cima.

Por exemplo, um dos grupos mais complicados de obter informações são homens casados que, às escondidas, têm sexo desprotegido com outros homens em parques. Esses são criticos e muitos nem sabem que estao infectados, assim como as suas mulheres.

Outra coisa, quando o sexo é protegido a diferença dos riscos de infecção de homem para homem em comparação com de homens para mulheres é negligenciável. Posso-lhe arranjar números.

Quanto a números portugueses, verdadeiramente fidedignos, não arranja. Ainda há dois anos tive uma longa conversa com pessoal da Abraço por causa disso.

Mas o verdadeiro cerne da questão aqui é este: ainda há institutos de sangue que impedem mulheres de dar sangue por serem homossexuais. Isto apesar de, na qualificação de grupos de risco (que o próprio IPS declarou não fazer sentido hoje em dia, mas sim comportamentos de risco) serem considerados o grupo de menor risco. Parenteses : isso aliás, porque julgam que nada lhes toca, torna o instrui-las em sexo seguro mais complicado).

Há aqui uma questão de distinção entre grupos de risco e comportamentos de risco.
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De Jaquim a 22.07.2009 às 07:22

«Quanto a números portugueses, verdadeiramente fidedignos, não arranja. Ainda há dois anos tive uma longa conversa com pessoal da Abraço por causa disso.»

Eu não encontro. Só propaganda para todos os gostos.

«Mas o verdadeiro cerne da questão aqui é este: ainda há institutos de sangue que impedem mulheres de dar sangue por serem homossexuais.»

A ideia que tinha que ainda têm menos probabilidade de infecção do que mulheres heterossexuais. Por uma questão de honestidade o estudo análogo ao outro que citei:

http://www.cdc.gov/hiv/topics/women/resources/factsheets/wsw.htm

"To date, there are no confirmed cases of female-to-female sexual transmission of HIV in the United States database"
O que é muito esclarecedor.

«Há aqui uma questão de distinção entre grupos de risco e comportamentos de risco.»

Estou completamente de acordo.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 13:29

Como lhe disse, não arranja porque é extremamente complicado quando o apoio a HIV e testes é tudo feito por voluntarismo e Portugal é um pais onde "nao se crê nas bruxas mas que eles existem, existem"

Novamente, os dados que indica não estão correctos. Existem casos, rarissimos mas existem, de mulheres que *nunca* tendo tido contacto com um homem apanharam de uma mulher. Provém essencialmente de troca de objectos sexuais de penetração sem preservativo ou desinfeccão. É o problema da educação em sexo seguro entre lésbicas, que sim, existem campanhas de voluntariados em Portugal a fazer.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 13:45

Não leve a mal, mas dá-me urticária quando usam "estudos" e "números" para justificar algo e esses estudos e números não são cientificamente e estatisticamente correctos. Já me passaram muitos pelas mãos. Daí a velha frase lies , damn lies and statistics ". Os números muitas vezes mentem sim.

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De Jaquim a 24.07.2009 às 23:45

Não levo a mal.

Se como escreveu "mulheres que *nunca* tendo tido contacto com um homem apanharam de uma mulher. " e estes casos correram nos EUA antes de Março de 2005 sugiro-lhe comunicar isso aos CDC porque os dados e estudos que fazem determinam políticas de saúde pública e parece-me uma omissão ou erro demasiado importante.
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De jonasnuts a 22.07.2009 às 18:36

Voltando à coisa, porcausa do tipo de sanfue esquisitóide. Sim sou zero negativo, que até há uns anos era considerado o dador universal e que só pode receber do próprio. No entanto, esta regra só se aplica em caso de emergências, na medida em que é sempre mais saudável a pessoa receber do seu próprio sangue, para todos os tipos de sangue.

Só se de facto se tratar de uma emergência, e não se souber o tipo de sangue do necessitado, é que se aplica a regra do 0 negativo como medida de recurso.

Isto para dar, porque, para receber os 0 negativos estão sempre lixados :) resta-me esperar que a minha família esteja sempre disponível :)

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