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Da próxima vez que for dar sangue....

por jonasnuts, em 20.07.09

Sou dadora de sangue. Tenho daquele tipo de sangue esquisitóide, que é raro e muito apreciado, e desde que soube disto, passei a ser dadora. Dou sempre que posso. Para amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos ou só para reforçar os bancos. Faz parte. Também estou inscrita como dadora de medula e, quando eu for desta para melhor, espero que aproveitem o que houver para aproveitar, e despachem o que já não der serventia a ninguém.

 

À conta da recente polémica levantada pelos novos critérios do IPS, ocorreu-me uma sugestão.

 

Todos os dadores, no momento do preenchimento do formulário antes da doação, deveriam escrever que são homens, e homossexuais. Isto resulta melhor se se for, de facto, um homem, mas acho que mesmo assim eles perceberiam a dica.

 

Bora? Toca toda a gente a sair do armário, no momento de dar sangue?

 

Quando lhes começar a faltar sangue, a ver se não mudam logo os critérios.

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17 comentários

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De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 20.07.2009 às 11:17

Ora viva!

Estou de acordo que este assunto do IPS possa levantar alguma polémica mas não nos podemos esquecer que o IPS foi pressionado pela Europa a fazê-lo. Aliás, não é à toa que o fizeram mesmo antes da visita da Comissária Europeia da Saúde a Portugal.

Também sou dador e reconheço o excelente trabalho do IPS, embora não esteja de acordo com os critérios do questionário percebo porque o fazem. Isto vem no seguimento duma bronca que houve na Holanda em 2003. Há que entender as razões porque as há.

Um abraço...
shakermaker
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De Jose Gaspar a 20.07.2009 às 12:57

Eu sou lésbico... sim porque gosto MUITO de mulheres :-)
Será que também não posso ir dar sangue?
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De Paula Valenca a 20.07.2009 às 15:26

As lésbicas são, aparentemente, o grupo de menor risco de todos. Não vais lá por aí...

Apesar que, ironicamente, já houve algumas a quem foi negado em Portugal....
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De Paula Valenca a 20.07.2009 às 15:23

Não é preciso ir tão longe:

Quem for mulher basta dizer que o parceiro teve sexo com homens antes (eu dizia para dizerem que o parceiro é bissexual mas isso é muita confusão para algumas cabeças)

É que uma mulher que tenha tido sexo nos últimos 12 meses com um homem que tenha tido sexo com homens, também não pode dar sangue.

Eu não posso dar sangue de qualquer forma (por motivos médicos) porque bem que estive nessa situação algumas vezes e quis "fazer uso dela" tanto em Inglaterra como em Portugal. Costumava gozar que era o único caso em que era discriminada por ter sexo com homens em vez de mulheres...
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De Jaquim a 20.07.2009 às 20:40

Pode-se gostar ou nao gostar mas o facto e que a probabilidade de ser VIH positivo e muito superior em homens que tem relacoes sexuais com homens do que os que nao o fazem.

Os factos nao mudam so porque nao gostamos deles.

http://www.cdc.gov/hiv/topics/msm/resources/factsheets/msm.htm

"MSM accounted for 71% of all HIV infections among male adults and adolescents in 2005"

Posso tentar arranjar dados para Portugal mas infelizmente ainda e mais complicado do que para os states.

Junte-se a isto o problema do periodo que vai das 3 semanas aos 6 mese em que a infeccao dificilmente pode ser detectada e aquilo que emocionalmente parece inaceitavel quando analisado friamente passa a ser completamente racional.

"Tenho daquele tipo de sangue esquisitóide, que é raro e muito apreciado, e desde que soube disto, passei a ser dadora."

Se for 0- entao as suas dadivas sao realmente preciosas. Em caso de necessidade tambem esta lixada porque so pode receber "igual".
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De jonasnuts a 21.07.2009 às 23:43

Trata-se de um estudo sobre um universo americano que é, estatisticamente falando (e não só), muito diferente do universo português.

Seria mais honesto ir buscar os dados estatísticos de Espanha, e as práticas do país aqui do lado, mas isso não convém ao argumento, não é? :)
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De Jaquim a 22.07.2009 às 07:15

Arranje-me os números para Portugal (ou Espanha) e depois falamos de honestidade. O interessante é que para os states arranjo números, para Portugal só propaganda para os mais diversos "pontos de vista". Resultados quantitativos de entidades oficiais ligadas ao sistema de saúde, zero. Mas pode ser falta de jeito minha para os encontrar. Para os sttaes foi uma questão de 2 minutos.

O mais parecido que encontrei foi:

http://www.roche.pt/sida/estatisticas/portugal.cfm

36,3% transmissão heterossexual
11,7% transmissão homossexual masculina

que nem vem discriminada por género.

Embora parece à primeira vista contradizer as conclusões com os dados dos states, não assim tão simples.

Se metade das transmissões heterossexuais forem de homens então temos 18,15% de transmissão heterossexual masculina vs 11,7% homossexual.

Se levarmos em linha de conta que homens que os homossexuais masculinos são uma minoria (todos os estudos que li, de novo não em Portugal, dão valores nunca superiores a 20%) temos que quando normalizamos à população, a taxa de infecção para homossexuais masculinos é da ordem do quadruplo. Mas isto assim é muito pouco fiável porque falta a segmentação por género e homossexuais é diferente de homens que tiveram relações sexuais com homens.

Eu não tenho argumento a priori. Analisei os dados de que disponho e cheguei a uma conclusão e disse logo que não eram para Portugal mas duvido imenso que a diferença faça com que a conclusão seja assim tão diferente. Mas posso estar errado.

De novo, se arranjar os dados para Portugal coloque-os aqui por favor.

O que eu acho "interessante" é que só encontro propaganda de todos os lados sobre esta questão.
O IPS tem quanto a mim o dever moral de justificar muito bem e de forma objectiva uma decisão desta natureza e eu só vejo é opiniões e dados quantitativos nada. Isto é que eu acho indecente. Espero sinceramente que seja falta de jeito minha a encontrar essa informação.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 00:27

Lies , damn lies and statistics.

É extremamente complicado fazer um estudo fidedigno e representativo da população infectada por HIV. Posso-lhe dizer desde já que os números que apresenta pecam em imensos aspectos a começar pelo facto que não distinguem comportamentos de risco, não especificam o universo explorado e tem 4 anos em cima.

Por exemplo, um dos grupos mais complicados de obter informações são homens casados que, às escondidas, têm sexo desprotegido com outros homens em parques. Esses são criticos e muitos nem sabem que estao infectados, assim como as suas mulheres.

Outra coisa, quando o sexo é protegido a diferença dos riscos de infecção de homem para homem em comparação com de homens para mulheres é negligenciável. Posso-lhe arranjar números.

Quanto a números portugueses, verdadeiramente fidedignos, não arranja. Ainda há dois anos tive uma longa conversa com pessoal da Abraço por causa disso.

Mas o verdadeiro cerne da questão aqui é este: ainda há institutos de sangue que impedem mulheres de dar sangue por serem homossexuais. Isto apesar de, na qualificação de grupos de risco (que o próprio IPS declarou não fazer sentido hoje em dia, mas sim comportamentos de risco) serem considerados o grupo de menor risco. Parenteses : isso aliás, porque julgam que nada lhes toca, torna o instrui-las em sexo seguro mais complicado).

Há aqui uma questão de distinção entre grupos de risco e comportamentos de risco.
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De Jaquim a 22.07.2009 às 07:22

«Quanto a números portugueses, verdadeiramente fidedignos, não arranja. Ainda há dois anos tive uma longa conversa com pessoal da Abraço por causa disso.»

Eu não encontro. Só propaganda para todos os gostos.

«Mas o verdadeiro cerne da questão aqui é este: ainda há institutos de sangue que impedem mulheres de dar sangue por serem homossexuais.»

A ideia que tinha que ainda têm menos probabilidade de infecção do que mulheres heterossexuais. Por uma questão de honestidade o estudo análogo ao outro que citei:

http://www.cdc.gov/hiv/topics/women/resources/factsheets/wsw.htm

"To date, there are no confirmed cases of female-to-female sexual transmission of HIV in the United States database"
O que é muito esclarecedor.

«Há aqui uma questão de distinção entre grupos de risco e comportamentos de risco.»

Estou completamente de acordo.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 13:29

Como lhe disse, não arranja porque é extremamente complicado quando o apoio a HIV e testes é tudo feito por voluntarismo e Portugal é um pais onde "nao se crê nas bruxas mas que eles existem, existem"

Novamente, os dados que indica não estão correctos. Existem casos, rarissimos mas existem, de mulheres que *nunca* tendo tido contacto com um homem apanharam de uma mulher. Provém essencialmente de troca de objectos sexuais de penetração sem preservativo ou desinfeccão. É o problema da educação em sexo seguro entre lésbicas, que sim, existem campanhas de voluntariados em Portugal a fazer.
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De Paula Valenca a 22.07.2009 às 13:45

Não leve a mal, mas dá-me urticária quando usam "estudos" e "números" para justificar algo e esses estudos e números não são cientificamente e estatisticamente correctos. Já me passaram muitos pelas mãos. Daí a velha frase lies , damn lies and statistics ". Os números muitas vezes mentem sim.

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De Jaquim a 24.07.2009 às 23:45

Não levo a mal.

Se como escreveu "mulheres que *nunca* tendo tido contacto com um homem apanharam de uma mulher. " e estes casos correram nos EUA antes de Março de 2005 sugiro-lhe comunicar isso aos CDC porque os dados e estudos que fazem determinam políticas de saúde pública e parece-me uma omissão ou erro demasiado importante.
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De jonasnuts a 22.07.2009 às 18:36

Voltando à coisa, porcausa do tipo de sanfue esquisitóide. Sim sou zero negativo, que até há uns anos era considerado o dador universal e que só pode receber do próprio. No entanto, esta regra só se aplica em caso de emergências, na medida em que é sempre mais saudável a pessoa receber do seu próprio sangue, para todos os tipos de sangue.

Só se de facto se tratar de uma emergência, e não se souber o tipo de sangue do necessitado, é que se aplica a regra do 0 negativo como medida de recurso.

Isto para dar, porque, para receber os 0 negativos estão sempre lixados :) resta-me esperar que a minha família esteja sempre disponível :)
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De Blondewithaphd a 20.07.2009 às 23:35

Com os meus pesados 49/50 kgs não deveria dar sangue, mas já dei por duas vezes em condições muito trágicas. Daí acho uma bestial parvoíce estas indicações histéricas e discriminatórias. Afinal, depois de doado, o sangue é analisado e recebemos em casa um papelinho a indicar se a nossa dádiva servirá para uso ou não. Se fazem análises é preciso estas perguntas?
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De santa nostalgia a 21.07.2009 às 09:29

Sou dador de sangue há 25 anos. NO próximo Sábado será mais uma dádiva.
Quanto à questão, sinceramente, não vejo motivo para tanta polémica.
Há gente com uma certa paranóia por tudo quanto cheire a "pseudo-discriminação" . Não tarda, vêm a público fazer banzé porque os macacos ou os guaxinis não podem ser dadores de sangue. Já agora, quanto aos homossexuais, não estarão as mulheres a ser discriminadas por estes? E quanto às lésbicas, não estarão os homens a ser discriminados por estas? Não estará o bébé a ser discriminado por quem o aborta? Não estaremos a ser discriminados por termos o Sócrates como primeiro-ministro? Os benfiquistas não estarão a ser discriminados pela hegemonia do FC Porto? O escaravelho da batateira não estará a ser discriminado pelo uso do pesticida? Bla bla bla.....
As coisas são como são. A discriminação não pode ser barrete para toda a cabeça.
A Saúde é uma coisa muito séria pelo que, mesmo com algum exagero, é compreensível que os critérios sejam apertados. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, sem discriminação dos caldos de perú.
Concordo com a evidência que se houvesse uma maior necessidade de sangue e a oferta fosse menor os critérios seriam bem largos, mas isso sempre foi assim e assim sempre há-de ser. A História está cheia desses exemplos. Sempre se disse que em tempo de guerra não se limpam as armas.
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De jonasnuts a 21.07.2009 às 09:48

Todos os dias discriminamos. Discriminamos fazendo escolhas.Seleccionamos.

Umas vezes com base em critérios objectivos, outras vezes com base em critérios subjectivos. Melhores ou piores, justos ou injustos, são os nossos critérios.

Não me sinto discriminada pelos homossexuais, por ser mulher. É uma escolha pessoal.

Mas uma coisa somos nós, e outra coisa é o estado. Quando o estado discrimina com base num critério não científico de orientação sexual (ou de qualquer outro, já agora), eu reclamo.

Se os critérios fossem apertados, realmente apertados, metade dos dadores não o seriam.

Não aceito discriminação subjectiva, de nenhum tipo, nem mesmo a positiva.
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De Pedro a 28.07.2009 às 00:05

Boa Noite,

A vossa discussão não faz de todo sentido, eu tenho um tipo de sangue O- , pouco frequente, sou dador universal e receptor único.
Este tipo de sangue é extremamente valioso para pessoas com tipos de sangue AB- ,B- e O- .

No entanto por estar medicado com anti-epilépticos também não posso doar sangue.

O mesmo medicamento tem um período de semi-vida de 18 horas, pelo que eu não poderia interromper a terapêutica.

Neste caso justifica-se o facto de o meu sangue estar contaminado com um químico o anti-epiléptico, e não nenhum factor de genética dado que eu não iria transmitir epilepsia a ninguém.

No entanto não percebo qual vossa grande chatice que os homosexuais não possam doar sangue.

Colegas meus heterosexuais também já não o poderam fazer porque tinham comportamentos de risco.


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