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Sábado, 27 de Junho de 2009
Os jornais e a Internet

Nos Estados Unidos os jornais em papel fecham a uma velocidade estonteante, muitos deles concentrando a sua publicação na web. Pela Europa e especialmente em Portugal (não sei se é especialmente, mas é o mercado ao qual estou mais atenta), assustam-se as hostes.

 

Os velhos do Restelo tentam encontrar nas práticas tradicionais a resposta para este "problema" que de tradicional tem muito pouco.

 

Desde perseguir os maus (o Google, os Blogs, os ISPs, o utilizador), ou sugerir taxar determinadas actividades, ou pedirem para se fechar a Internet ou, pelo menos, restringir o acesso à mesma por parte de terceiros que não os iluminados (que isto da Wikipédia dá um jeitaço quando é preciso informação), ele há para todos os gostos.

 

Levantam-se os gritos de que o média tradicionais não estão preparados para este "novo" desafio.

 

Curiosamente, discordo. Há um longo caminho pela frente, claro, mas não acho que, ao nível operacional, os média estejam mal preparados. Têm até, na generalidade, competências críveis nesta área. Os jornalistas não estão desactualizados. Bom, pelo menos a grande maioria, e como são pessoas curiosas (em princípio e se forem bons), rapidamente aprenderam a usar esta ferramenta que é a Internet.

 

O problema não são os operacionais. O problema são os senhores lá de cima. Os que mandam. Os que têm o poder para tomar as decisões, os que vendem a coisa.

 

É preciso compreender o meio para o saber vender. Achar que um comercial do papel ou do éter tem competências para saber vender o online é viajar na empadinha. Hão-de existir alguns, mas são raros os que olham para este meio e pensam a sério sobre a forma de o rentabilizar sem usar os métodos tradicionais. Por isso é que o banner continua a ser o formato mais usado. Um banner é igual a um anúncio impresso. Coitados, é o que sabem fazer. Não conseguem ir mais longe.

 

Esta crise que vivemos podia (devia) ter sido encarada como uma oportunidade, para o Online. É um meio mais barato, com capacidade de medir resultados muito acima dos outros meios (meçam lá a eficácia de um mupi, para eu me rir um bocadinho) e, apesar de ainda não estar bem segmentado, está mais bem segmentado do que todos os outros. Mesmo assim, continua em queda, a venda de publicidade online, a acompanhar as restantes quedas (salvo raras e honrosas excepções).

 

Os senhores lá de cima não percebem. Insistem em manter a informação restrita, em vez de a partilharem. Ainda não perceberam que informação restrita não interessa, não existe. Conheço uma editora que não quer partilhar a base de dados dos seus livros, porque "é conteúdo com muito valor". Não, não é. A não ser que seja partilhado. Não vos serve de nada, escondidinha e protegida na vossa gaveta. Coitadinhos, não percebem.

 

Nesta época a velocidade com que se fazem as coisas é absolutamente capital (veja-se a cena da morte do Michael Jackson), o mail, que há 2 ou 3 anos era a ferramenta de trabalho mais rápida do mundo, é hoje uma tartaruga, quase ao nível do snail mail. Há até quem proponha que os "news alerts" sejam renomeados para "news reminders", tal é a lentidão com que os média tradicionais acompanham as notícias de última hora.

 

Se persistirem neste caminho, haverá jornais a fechar. Mas não porque lhes falte a competência técnica.

 

Faltam é pernas aos senhores lá de cima.



publicado por jonasnuts às 13:40
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4 comentários:
De João Tomé a 27 de Junho de 2009 às 22:40
Concordo com o que foi escrito. Mas no final fiquei com uma pergunta entalada...
Para além dos banners, pub do Google/Sapo, blogs associados, pub camuflada por baixo e no meio dos textos, vídeos com pub associada... o que fazer mais para capitalizar? Sobra muito mais?


De jonasnuts a 27 de Junho de 2009 às 22:49
Todos esses métodos de que falas, à excepção do adsense, são os tradicionais. Não funcionam.

O adsense, bem feito, contextualizado, de facto, com o conteúdo que está ali ao lado, era até há pouco tempo a maior fonte de receita do Google (não sei se ainda é).

É uma forma nova de fazer publicidade (bom, não é tão nova assim, mas muitos anunciantes portugueses ainda não a descobriram, e têm medo de ver as suas marcas perto de conteúdos que não dominam ou cuja origem desconhecem).

Há formas diferentes de fazer chegar a tua mensagem ao teu target. Dão é mais trabalho, e as agências e os anunciantes (e os meios, já agora) preferem trabalhar com massas...... onde é que as pessoas estão todas? E é aí que anunciam. Não querem saber onde é que estão exactamente aquelas pessoas a quem querem comunicar. Disparam em todas as direcções. É o que estão habituados a fazer, em televisão.


De pedrocs a 28 de Junho de 2009 às 12:34
Raros são os "senhores lá de cima" que percebem que é muito bom ser-se conservador nos fatos, nos vinhos, nos carros, nas mansões e no golf, mas que no negócio é preciso, pelo menos de vez em quando, por a cabeça de fora e ver se por acaso não virá um comboio em sentido contrário.

A maioria constrói o negócio e senta-se na sua carruagenzinha de primeira classe para gozar o passeio.

Essa cena de pensar é muito cansativa...


De .release a 5 de Julho de 2009 às 14:22
não é por nada mas todos no sim metem ...
deve ser so um gajo a responder de varios tipos de fala
ahahah
Epic Fail


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